sexta-feira, dezembro 24, 2010

Bom solstício de Inverno

Em quase todas as culturas do mundo se festeja o solstício de Inverno, o dia a partir do qual os dias voltam a ficar mais longos e as noites mais curtas. É um hábito que nos ficou do tempo em que andávamos agrupados em tribos e temíamos muito a noite. Entre nós o solstício de Inverno festeja-se de 24 para 25 de Dezembro na forma da celebração do Menino de Jesus, que seja... O que importa é reunir a tribo e brindar aos dias mais longos.

O solstício deste ano ocorreu simultaneamente com um eclipse da Lua, foi um momento mágico que não ocorria desde 1638. O próximo eclipse em dia de solstício de Inverno ocorrerá apenas em 2094.

terça-feira, dezembro 21, 2010

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Mil milhões em submarinos, zero em transparência

Em tempo de crise vamos desembolsar um luxo: mil milhões de euros em submarinos. O mínimo que se exige é que todas as transacções envolvidas sejam transparentes. Não só não são, como não há muita vontade de investigar por parte deste governo, apesar dos fortes indícios de fraude. Paulo Portas pode descansar e continuar a culpar os ciganos e os desempregados pela crise.
As denúncias da eurodeputada Ana Gomes são um oásis de decência no meio da carneirada que se apoderou do Partido Socialista.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Uma cimeira fria em ano quente

(publicado no Esquerda.net)

Os dados de Novembro do National Climatic Data Center – a entidade que realiza o cálculo mais abrangente e mais fiável da temperatura média do planeta recorrendo a dados registados nos continentes, nos oceanos e a partir do espaço – são expressivos. 2010 será certamente um dos anos mais quentes registados desde 1880, desde que começaram a ser registadas as temperaturas globais. Até ao final de Outubro de 2010, a média da temperatura global do planeta (continentes e oceanos) era similar à média registada entre Janeiro e Outubro de 1998, o ano mais quente de sempre. O Alasca, o Canadá, o Nordeste Africano, o Médio Oriente, o Cazaquistão e grande parte da Rússia, foram as regiões que contribuíram com temperaturas anormalmente mais quentes para a média global. Curiosamente a Europa foi este ano uma das regiões mais frias em relação à sua média de temperaturas.

É importante realçar que este nível de temperatura é registado durante um mínimo prolongado do Sol. O Sol obedece a um ciclo de actividade de 11 anos, ciclo esse que atingiu o seu mínimo há cerca de três anos e tem demorado mais do que o normal a descolar do mínimo de actividade. Em geral, os anos de mínimos solares são sucedidos de temperaturas mais baixas na Terra, algo que não ocorreu durante os últimos 3 anos.

Ao contrário da Terra, a cimeira de Cancún decorreu num clima de alguma frieza e pacatez. A crise parece ter adiado para as cimeiras de 2011 na África do Sul e de 2012 no Brasil as decisões mais importantes, em particular a decisão de dar continuidade ao Protocolo de Quioto para lá de 2012. Apesar de tudo houve importantes decisões tomadas, sobretudo para os países em desenvolvimento, tendo-se chegado a um consenso para criar um mecanismo de compensação financeira para combater a desflorestação. Também está prevista a criação de um “fundo verde” para os países em desenvolvimento que envolve a transferência de novas tecnologias limpas.

Como nos mostram os dados de 2010, o clima é insensível aos humores humanos e um ano sem decisões terá certamente custos no futuro que se estenderão a períodos talvez da ordem da década ou mais.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

... Depois a Islândia virou à esquerda

Depois da sucessão de acontecimentos relatados em "Meltdown Iceland" houve eleições na Islândia que foram ganhas por uma coligação de esquerda: sociais-democratas (centro-esquerda) e aliança verde-vermelha (uma espécie de Bloco de Esquerda lá do sítio). O Rui Tavares conta o que se passou a seguir.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Como se afundou a Islândia

Como se de um romance se tratasse, em "Meltdown Iceland", Roger Boyes (Bloomsbury, 2009) conta-nos a história da ascensão meteórica e queda da Islândia. Essa história está intimamente ligada à do primeiro-ministro que mais tempo esteve em funções (de 1991 a 2004): David Oddsson. Em 1984, aquando de um debate televisivo com a participação de Milton Friedman, Oddsson teve uma revelação divina: a modernidade passava pelas políticas de Reagan e Thatcher.

Nos anos 80, a Islândia era uma sociedade socialista que investia fortemente na saúde e na educação, a taxa de mortalidade infantil era das mais baixas do mundo, bem como o número de habitantes por médico, o nível educacional era dos mais elevados do planeta e o mercado de trabalho andava próximo do pleno emprego. Estavam criadas as condições para que uma nova geração mais ambiciosa desse início a uma festa rija ao som do trio: Friedman, Thatcher e Reagan. Assim que chega ao poder, Oddsson privatiza tudo o que pode. Quem tinha dinheiro e estava no sítio certo na hora certa, independentemente de ser incompetente ou charlatão, partia com um avanço esmagador e dominador num horizonte de décadas. Estávamos em 1991. Formam-se logo nessa altura as primeiras máfias económicas e os primeiros monopólios perversos, graças à ausência de critérios para as privatizações. Uma política de estado mínimo avessa a intervir no sector privado e a desregulação radical dos mercados transformou a Islândia da noite para o dia. Em pouco tempo, o objectivo principal de pescadores e agricultores era apostar nos mercados sobre o sucesso ou falhanço da sua própria produção. Os objectivos das actividades em si passaram para um plano secundário. A banca expandiu-se para lá da ilha, contraindo dívida atrás de dívida, compravam-se lojas de luxo em Londres, cadeias de supermercados na Dinamarca e instituições financeiras na Holanda. Os jovens licenciados em gestão tinham emprego imediato na banca, onde começavam a receber avultados bónus ao fim de pouco mais de um mês de trabalho.

A Islândia era uma ilha resplandecente banhada por um mar de rosas. A Islândia maravilhava Harvard, o país crescia cerca de 7% ao ano, a Moody's mantinha a notação do país sempre lá em cima, os banqueiros liam a Arte da Guerra de Sun Tzu tomando-se por guerreiros vikings dos tempos modernos e mais importante que tudo os reguladores dormiam com os banqueiros - Oddsson foi governador do Banco da Islândia a partir de 2004.

Os três principais bancos islandeses endividaram-se cerca de 8 vezes o PIB da Islândia, muito para lá da capacidade de resposta do Banco da Islândia. Quando os credores britânicos pediram o seu dinheiro de volta, orgulhosa e arrogantemente o governo islandês do partido de Oddsson respondeu que só garantia os depósitos dos islandeses. Ironicamente, o governo britânico accionou de imediato uma lei anti-terrorismo aprovada a pensar nos movimentos financeiros da Al-Qaeda, para congelar todos os bens da banca islandesa no Reino Unido. Abriu-se o alçapão e a Islândia mergulhou no vazio. A política anti-União Europeia, a aposta numa moeda nacional sem dimensão para jogar no mercado global (vários artigos especializados alertaram a Islândia para esse risco) deixou a Islândia isolada no meio do Atlântico, Reagan, Thatcher ou Friedman já tinham saído de cena, sem aliados, sem estruturas económicas a quem pedir auxílio, a Islândia bateu no fundo. Nas últimas páginas, Roger Boyes descreve um país em vésperas das eleições de 2009, em estado de choque, com uma dívida per capita de 400 milhões de dólares, ou seja cada família comportava uma dívida média de 1,6 mil milhões de dólares. Boyes descreve um zombie económico a viver de esmolas da Rússia, à mercê da caridade de banqueiros russos manhosos.


Lê-se no cartaz: David (Oddsson) Bin Laden.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Forcados Amadores do Aeroporto da Portela

As peças que se soltaram do avião da TAAG (linhas aéreas angolanas) e que caíram sobre Almada causaram dois feridos ligeiros e estragos em dez viaturas. Há 30 anos o avião onde voava Sá Carneiro despenhou-se sobre um bairro habitacional. A sorte dos habitantes é que o avião era um Cessna e não um Boeing. Já aqui escrevi sobre a perigosidade do aeroporto da Portela, entre muitos outros problemas como o caos funcional que reina no aeroporto, a péssima imagem que transmite aos estrangeiros, a poluição atmosférica (Lisboa é borrifada diariamente por dezenas de toneladas de querosene queimado) e sonora, o péssimo serviço de transportes de acesso, etc. Curiosamente até referi que existia o risco de um dia se soltarem peças em zonas de grande densidade populacional.
No entanto, este incidente do avião da TAAG não fez ninguém reflectir sobre a necessidade de fechar a Portela. Estamos à espera que aconteça um acidente espectacular com muito fogo e sangue para depois fazermos um novo aeroporto à pressa, mal amanhado e muito mais caro do que o projecto actual do novo aeroporto, enfim o habitual.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Os peões do Império

Desde o escândalo do programa de espionagem ECHELON sabíamos que na diplomacia (Luís Amado é um entre muitos), na economia, na opinião política, na contra-informação científica e em muitas outras áreas os EUA pagavam, promoviam e... acariciavam vários tipos de figurinhas na Europa. Os tais que praticavam os chamados broches a Bush. Hoje, já conhecemos alguns nomes, mas há mais. Luís Amado nunca me enganou, cheguei mesmo a comentar o seu alheamento sobre o projecto europeu, posição que estava nos antípodas do vigor e da falta de vergonha com que defendeu as ilegalidades da Administração Bush. Apenas está a ser tornado público a artilharia pesada, como a questão de Guantanamo, caso contrário poderíamos ter acesso a uma lista mais vasta de amigos acariciados por serviços bem mais baratuchos, alguns desses amigos estão à distância de um clique, na barra de ligações do seu blogue.

Queria deixar bem claro que não simpatizo com os métodos da wikileaks, mas quem com ferros mata...

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Inércia e progressos na ciência europeia

(publicado no portal Esquerda.net)
Foi divulgado o relatório de 2010 da UNESCO dedicado à Ciência. O relatório analisa o estado e a evolução da investigação científica em todo mundo. As conclusões relativas à Europa são em parte animadoras e parcialmente frustrantes. O relatório revela que a União Europeia é hoje claramente o espaço geopolítico que lidera na produção de publicações científicas com 36,5% das publicações científicas mundiais, à frente dos EUA com 27,7%, do Japão com 7,6% e da China 10,6%. O relatório refere outro aspecto positivo importante que consiste na criação de instituições de investigação supra-nacionais, entre as quais se destaca o CERN, na totalidade de 180 organizações cobrindo praticamente todas as áreas do saber. Apesar destes aspectos serem positivos, não são suficientes para nos darmos por satisfeitos com a política científica europeia.

De facto, o relatório indica que muito ficou por fazer no que respeita ao investimento em investigação e em desenvolvimento e ao impacto da ciência na sociedade, através da inovação e da criação de novas tecnologias. Quando consideramos os objectivos constantes na estratégia de Lisboa e de Barcelona da UE (União Europeia), em particular o objectivo de dedicar 3% do PIB à investigação até 2010, verifica-se que maior parte dos países membros estão longe desse patamar e por conseguinte também média europeia não atinge a fasquia dos 3%. A distracção e a poluição que o debate político europeu sofreu quando se atribui total prioridade ao combate ao terrorismo, bem como as imensas dificuldades que resultaram da presente crise internacional explicam em grande medida o esquecimento dos principais objectivos no campo da ciência que tinham sido acordados pelos estados europeus.

Sendo o número de patentes registadas um parâmetro que ilustra razoavelmente o impacto da inovação e das novas tecnologias na sociedade, verifica-se que este é outro domínio que ficou relativamente esquecido na UE. A UE continua a patentear menos do que os EUA e apenas em 2007 ultrapassou o Japão, com a agravante de ambos os países serem menos populosos do que a totalidade da UE – dados fornecidos pelo European Patent Office, pelo Japanese Patent Office e pelo United States Patents and Trademark Office.

Serviço público

Duarte de Bragança pediu nacionalidade timorense*.

* Infelizmente mantém a nacionalidade portuguesa...

terça-feira, novembro 30, 2010

Finalmente outra economia

O Prós e Contras de ontem finalmente trouxe ao debate sobre a crise visões da economia variadas, bem longe dos habituais debates entre os amigos da banca e os amigos dos amigos da banca, em que a única diferença de opiniões é entre um que quer o FMI em Portugal ontem, o outro daqui a 10 minutos e o outro amanhã de manhã (foto via Arrastão). Pôs-se em causa, e bem, a credibilidade das agências de notação. Ouviram-se ideias interessantes. Retenho a melhor, a discriminação positiva de actividades económicas que produzam activos transaccionáveis e postos de trabalho proposta por João Ferreira do Amaral. Ouviu-se finalmente falar em detalhe sobre o verdadeiro cerne da crise: a nossa colossal dívida privada. Tendo sido bem identificado o excessivo endividamento das famílias para comprar casa. E aqui recordo que temos mais de um milhão de casas vazias, um milhão de casas construidas graças a empréstimos bancários a empresas imobiliárias e de construção. Isto representa demasiado dinheiro empatado em dívida para um país tão pequeno. Talvez se começássemos a tomar algumas medidas radicais neste sector se aliviasse a dívida mais rapidamente.

Mas também se ouviu um ex-ministro das finanças que profere sentenças sobre o país como um taxista e tal como para todos os taxistas os culpados dos desastres são sempre os outros, eles são os maiores a conduzir. Por isso quando um ex-responsável político cujo o desempenho como ministro das finanças foi catastrófico mas que acusa tudo e todos de incompetência e cuja reforma de ministro é bem compostinha, que só fala de política e de ideologia mas diz que não é político, que não quer falar dos outros países por que a crise é só nossa (é uma espécie de teoria do oásis ao contrário) mas que elogia a política laboral da República Checa (liberal à irlandesa) e a rapidez dos decisores políticos da Roménia (leia-se da máfia romena, a maior instituição do país) quando um xico-esperto destes é desancado pelo Daniel Oliveira em público e olhos-nos-olhos, todo o país que não alinha em retóricas populistas e discursos sedutores para a mediocridade televisiva patrocinada pela banca, esse país gosta e não gosta pouco, gosta muito. Obrigado Daniel!

quarta-feira, novembro 24, 2010

TV da Universidade de Coimbra

Saúda-se a abertura da UCV, a nova televisão da UC (Universidade de Coimbra). Tendo em conta que estamos na melhor universidade do país, só peca por tardia. Espero que traga dinamismo, criatividade e inconformismo, que ajude a limpar algumas velhas teias de aranha da instituição. Para já aquela panóplia de écrans por detrás dos apresentadores, uma espécie de mimetismo à portuguesa da CNN não é grande prenúncio.

sexta-feira, novembro 19, 2010

4 razões para sair da NATO

(publicado no Esquerda Republicana)
1- Por uma questão de princípio. A NATO é provavelmente a organização internacional menos democrática a que Portugal pertence. Todos sabemos que são os EUA quem manda na NATO (sublinho o verbo mandar) e os restantes países são simples figurantes, úteis para legitimar as decisões tomadas em Washington. Em geral, o quadro agrava-se durante os mandatos do Partido Republicano. Eu nem quero pensar o que terá que aceitar um membro da NATO europeu se alguma vez os EUA tiverem um presidente do Tea Party. Nesse caso fazer parte da NATO será sinónimo de dormir com o inimigo.

2- Os EUA nunca cumpriram inteiramente com as suas obrigações nas Lages e violaram frequentemente a legislação nacional, usando a base para transporte ilegal de prisioneiros e trânsito ilegal de armas nucleares. Dada a posição estratégica das Lages, o Estado Português poderia usar o espaço da base para outros fins, transformando as Lages numa base de socorro internacional com patrocínio da ONU, equipada com navios rápidos, helicópteros e aviões de socorro, busca e transporte de mantimentos. Só nos últimos anos uma base desse tipo teria sido muito útil para agir com rapidez no Haiti, em Nova Orleães (os primeiros a chegar foram guardas canadianos...), na busca do avião da Air France caído ao largo do Brasil, etc.

3- Existem ameaças maiores à nossa segurança do que as ameaças militares. O aquecimento global, a penúria energética, a penúria de água potável e o terrorismo financeiro são ameaças bem maiores à nossa soberania. Neste particular os EUA, os patrões da NATO, têm sido mais inimigos da Europa e do Mundo do que propriamente aliados. Não rima tirarmos fotografias conjuntas e sorridentes como aliados na NATO e depois o resto do ano andarmos a dar tiros nos pés uns aos outros através de guerras monetárias, terrorismo financeiro, dumping ambiental e laboral que se traduz em desemprego e baixa na qualidade de vida para os cidadãos. Isto não é sério. No concreto não somos aliados.

4- Acho fundamental que Portugal conjugue a sua estratégia militar com países que partilhem a mesma concepção de liberdade, diplomacia internacional e democracia. Acho desejável a participação num eventual exército europeu da UE e/ou outros países que rejeitem a tortura, a imposição da democracia pelas armas, o cinismo travestido de diplomacia (a realpolitik) e a utilização dos recursos naturais sem sustentabilidade. E não me digam que só os EUA é que nos podem defender. A França tem um poder nuclear e militar suficientemente dissuasor para lidar com qualquer potência do mundo (são publicações militares especializadas que o afirmam).

quinta-feira, novembro 18, 2010

Lembram-se dos testes de resistência à banca?

Extracto da entrevista de Daniel Gros do Centro de Estudos Políticos europeus à Euronews sobre a Irlanda (ou será o Tigre Celta?):

Euronews: Vimos a União Europeia lançar os testes de resistência aos bancos. Esses testes não funcionaram na realidade?
Daniel Gros: Os testes de resistência foram vendidos como testes de resistência europeus, mas na realidade trata-se de uma recolha dos testes nacionais, coordenados de forma bastante frouxa pelos organismos europeus. Ninguém das instituições europeias pôde ver os livros de contas dos bancos, os pormenores, é lá que estão as perdas e eles não puderam encontrá-las. É algo que deveria ser mudado mas há pouca vontade para o fazer.

Euronews: Alguém fez batota?
Daniel Gros: É bastante claro que algo de estranho se passou na Irlanda. O estado de saúde dos bancos irlandeses era bom em Julho e, em Setembro, de repente, o governo irlandês vê-se a braços com um défice de 32% do PIB. Isso não deveria ter ocorrido num país normal.

quarta-feira, novembro 17, 2010

Há ali mão de Mourinho

A minha teoria da constipação: Mourinho articulou aquilo com o Paulo Bento à revelia da direcção do Real Madrid. Nunca vi a Portugal a jogar tão bem tacticamente. Assim, o trabalho fica fácil, fácil para ases como Nani e Ronaldo. Foi o que faltou à Geração de Ouro.

terça-feira, novembro 16, 2010

Prémio Goncourt para Houellebecq

Michel Houellebecq é um escritor especialmente apreciado nesta casa, por isso o Prémio Goncourt de 2010 é aqui aplaudido sonoramente: Bravo! Bravo!
Em Michel Houellebecq gosto da sua escrita sobre uma temática em que os escritores portugueses são péssimos: a sexualidade. Houellebecq escreve bem sobre mulheres, amantes, taras, situações embaraçosas, no limite do aceitável, sem ser javardo nem marialvista.
Gosto também daquelas personagens principais que não se levam a sério. Gosto da sua melancolia. E acho piada ao seu positivismo atabalhoado, um positivismo à moda antiga. Gosto dos seus ensaios pelos carreiros da ficção científica, bem melhores do que a aborrecida ficção científica que se pratica nos dias que correm.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Sobre o futuro dos resíduos nucleares

(publicado no Esquerda.net)
Os recentes protestos contra o transporte de onze vagões de resíduos nucleares entre a unidade de tratamento de La Hague, em França e Gorleben na Alemanha, contribuiriam para reabrir o debate sobre o futuro dos resíduos radioactivos produzidos por centrais nucleares. Actualmente, os resíduos nucleares mais perigosos acumulam-se em piscinas de arrefecimento e hangares ventilados. Espera-se poder vitrificar os produtos de fissão não recicláveis em blocos que serão acondicionados em contentores de aço selados a serem posteriormente armazenados em galerias escavadas em extractos subterrâneos de granito, argila ou sal situados a mais de 500 metros de profundidade. Este tipo de resíduos mantém uma actividade acima do nível da radioactividade natural durante mais de 600 mil anos.

O governo alemão tencionava construir um depósito com custos da ordem de milhares de milhões de euros para os seus resíduos mais perigosos numa mina de sal em Gorleben, onde ocorreram alguns dos recentes protestos. No entanto, a 15 de Janeiro deste ano foram evacuados 126 mil barris de resíduos nucleares de perigosidade mediana, que tinham sido colocados em 1967 numa mina de sal de Asse, depois de terem sido detectadas numerosas fugas de água contaminada. Klaus-Jürgen Roehlig, perito em gestão de resíduos da Universidade de Clausthal, declarou que este incidente “coloca em causa a escolha de minas de sal para armazenar os resíduos nucleares mais perigosos”.

Recentemente, os EUA decidiram suspender o armazenamento de resíduos nucleares no fundo da única mina que estava prevista para o efeito, na Montanha Yucca no Nevada, depois de terem sido gastos mais de 10 mil milhões de dólares no projecto. Por ordem do presidente Obama foi criada uma comissão de peritos para encontrar nova solução para os resíduos nucleares. Estão em cima da mesa soluções de depósito em furos de grande profundidade no fundo dos oceanos, no interior dos glaciares do Pólo Sul e soluções mais exóticas como a ejecção dos resíduos para o espaço.

Entre os países com programas nucleares civis, apenas a França, a Suécia e Finlândia possuem programas em marcha para guardar os resíduos em galerias subterrâneas de grande profundidade.

Custos infindáveis
Outra vertente dos protestos dos manifestantes franco-alemães que convém realçar é a questão dos custos infindáveis da energia nuclear. Desde que foram lançados os primeiros programas nucleares civis nos anos 50 – muitos destes programas resultaram de programas militares extremamente caros – nunca foram guardados definitivamente em algum lugar da Terra os resíduos nucleares mais perigosos, nocivos durante mais de 600 mil anos. Desde então, as parcelas para a factura real dos custos da energia nuclear não têm parado de aumentar e continuarão a aumentar durante mais 600 mil anos, se não se encontrar entretanto uma nova técnica para encurtar o período de perigosidade dos produtos de fissão. Até esse dia, não podemos estimar com precisão e honestidade quais os verdadeiros custos de 1 kWh produzido por uma central nuclear.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Terrorismo financeiro nacional

"Já o tenho dito, repito: os bancos portugueses que exigem cortes de salários e de abonos de família, e que aplaudem o acordo entre o PS e PSD para o orçamento, fazem parte dos corsários que estão a comprar a dívida pública nacional com juros de mais de 7%. Ontem, compraram mais de 350 milhões em títulos. Isto é, como juro de 7%, por cada milhão que o BPI, BES, BCP ou outros investem em títulos da dívida portuguesa, exigem o pagamento de 2 milhões dentro de dez anos. Ficamos a pagar impostos para garantir esta renda. Compreende-se porque querem o aumento dos impostos. "Fizemos tudo bem", dizia Ricardo Salgado, do BES, a propósito do acordo orçamental que patrocinou. Tudo bem feito. Pagamos o dobro do que nos emprestam. A especulação não é só criada pelos fundos de capitais alemães ou chineses. A especulação mora num balcão de um banco perto de si."
Francisco Louçã, 11/11/2010.

quarta-feira, novembro 10, 2010

Descoberta nova estrutura na Via Láctea

Os cientistas que alterem os atlas do Universo e os poetas que modifiquem as estrofes, a Via Láctea mudou!
O satélite Fermi da NASA acabou de revelar uma desconhecida estrutura na nossa galáxia, até agora invisível aos antigos instrumentos de observação. De 25 mil anos-luz para "cima" a 25 anos-luz para "baixo" estendem-se duas gigantescas bolhas de raios gama e de raios-X (aqui imagem ampliada).

sexta-feira, novembro 05, 2010

Islândia e Singapura no ranking de transparência

No ranking de percepção da corrupção da Transparency International divulgado recentemente, países como Singapura, Irlanda, Barbados, Qatar e Islândia aparecem muito bem classificados, até ao vigésimo lugar.
Ando a ler "Meltdown Iceland" de Roger Boyes que descreve a sucessão de acontecimentos que levaram ao descalabro financeiro da Islândia. A Islândia em 2008 era de longe um dos países da Europa cujo sistema financeiro era menos transparente, onde clãs e máfias familiares controlavam os principais fluxos de dinheiro do país. Ao contrário de outros países a componente ideológica, o Thatcherismo doentio do ex-primeiro ministro David Oddsson, foi decisiva para se atingir a bancarrota. Dois anos depois a Islândia mudou de governo mas as elites, embora falidas, são basicamente as mesmas. Não imagino como é que um país que era tão corrupto e opaco em Outubro de 2008 possa estar de volta ao topo da transparência, acho mesmo obsceno.
Sobre Singapura só a cegueira ideológica pode explicar esta classificação. Um país não democrático controlado por uma máfia familiar é tão transparente como um Airbus 380 pintado de rosa-choque. Também só a paixão ideológica pode explicar as posições da Irlanda e do Qatar, que passam cada um pela sua versão da crise islandesa, e a dos Barbados, onde repousa e circula dinheiro de alguns dos maiores criminosos do mundo.
Enquanto os reguladores continuarem fascinados com os regulados não vamos a lado nenhum.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Figueira da Foz no jogo Napoleão



Em ano de comemoração dos 200 anos da terceira campanha napoleónica em Portugal (a Batalha do Buçaco, entre outras), foi lançada uma extensão dedicada às campanhas peninsulares para o jogo de computador Napoleon Total War. Sou um apreciador de jogos de estratégia e devo dizer que fiquei surpreendido com o rigor histórico deste jogo (ler revisão). Mais rigoroso do que a história de Portugal da carochinha que me foi vendida na escola há 30 anos atrás pelos resquícios do programa escolar salazarista.

No jogo estão representados os principais pontos estratégicos das campanhas napoleónicas, entre os quais as Linhas de Torres, o porto da Figueira da Foz (onde desembarcaram as tropas do Duque de Wellington). Poderão ser comandadas as tropas inglesas, portuguesas, espanholas e francesas. As cidades e os portos podem ser capturados, melhorados e optimizados para as campanhas. Para os apreciadores de jogos de estratégia este é um jogo a não perder.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Orçamento de base zero

O Orçamento de Base Zero, é uma excelente iniciativa do BE para combater o desperdício onde ele existe de facto e não à base de cortes cegos que afectam os serviços do estado mais eficientes e mais úteis. No meio da cacofonia sobre os desperdícios do estado, Louçã foi objectivo e cirúrgico na proposta. Mas não chega, enquanto vivermos numa sociedade baseada na dívida generalizada (casa, carro, consumo, etc.) e na falta de transparência do sector financeiro, estaremos perigosamente dependentes das agência de notação e dos bancos, onde se continua a praticar os crimes que mais afectam hoje as vidas das pessoas (emprego, salários, protecção social, etc).

quarta-feira, outubro 27, 2010

A experiência da NASA ajudou mineiros chilenos

(publicado no portal Esquerda.net)



A operação de salvamento dos 33 mineiros chilenos de San José contou desde Agosto com o precioso auxílio de uma equipa de especialistas da NASA nas áreas médica, nutricional e comportamental, liderada pelo médico Michael Duncan, director Space Life Sciences Directorate do Johnson Space Center de Houston.

A grande experiência da NASA no treino e na coordenação de situações de emergência durante voos espaciais tripulados, onde as soluções e os recursos são muito limitados revelou-se extremamente útil para uma situação de salvamento com características tão particulares. Apesar de o fundo de uma mina ser muito diferente do interior dos módulos das naves espaciais, o ambiente potencialmente claustrofóbico desencadeia reacções semelhantes entre os seres humanos sujeitos a cada uma das situações. Os contributos da equipa de técnicos da NASA também abrangeram questões de engenharia relativas ao projecto e ao desenvolvimento da cápsula Fénix que trouxe os mineiros de uma profundidade de cerca de 700 metros até à superfície. Durante a operação de remoção foram fornecidos aos mineiros comprimidos semelhantes aos que tomam os astronautas para suportar testes em centrifugadoras e vibrações durante voos espaciais, dado que a Fénix foi sujeita a consideráveis rotações e vibrações durante o trajecto percorrido desde o fundo da mina até à superfície.

O director da NASA, Charles Bolden, pronunciou as seguintes palavras sobre o sucesso da operação de salvamento dos mineiros chilenos: “Estou orgulhoso que os funcionários desta agência foram capazes de transpor a experiência adquirida lá em cima durante os nossos voos espaciais cá para baixo, para a Terra, quando essa experiência foi mais necessária.” Sendo a NASA um dos vários exemplos de forte investimento público que sempre existiu nos EUA (apesar do discurso oficial por vezes dar a entender o contrário) e sendo sobretudo este um exemplo de investimento público de excelência, o caso do salvamento dos mineiros deveria fazer reflectir a classe política nestes tempos de crise sobre a perenidade do retorno que o investimento em boa investigação poderá oferecer à sociedade.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Soul Kitchen

Soul Kitchen do realizador turco Fatih Akin conta a história de Zinos, um péssimo cozinheiro grego a ganhar a vida num nauseabundo restaurante de Hamburgo. Zinos cruza-se com Shayn Weiss, um excelente cozinheiro que se demite de um restaurante de luxo por se recusar a fazer um gaspacho quente. Zinos e Shayn remodelam o menu do restaurante. O restaurante perde clientes. Zinos contrata o irmão Illias (Moritz Bleibtreu) acabado de sair da prisão para DJ do restaurante, criando o Soul Kitchen. Com Illias o restaurante ganha alma e clientes, mas simultaneamente recomeçam os problemas de Zinos. Nisto há uma namorada turca, uma terrível dor de costas, empresas imobiliárias sem escrúpulos e um velho grego que parece uma reencarnação do pescador de Hemingway. A salada é muito boa e resulta num dos mais deliciosos e humorados filmes de 2010. A não perder!

domingo, outubro 24, 2010

Portugal e o mar no Expresso

Muito boa iniciativa a extensa reportagem sob o tema "Portugal e o Mar: Saída à Vista?" publicada na revista Única do Expresso deste fim-de-semana. É de louvar uma reportagem que discute seriamente algumas soluções interessantes para nos tornarmos mais imunes a crises. No entanto, gostava de ter lido mais informação técnica e estatística sobre pesca, actividades industriais e turísticas ligadas ao mar e menos histórias cor-de-rosa sobre pequenos heróis do mar.

terça-feira, outubro 19, 2010

Crescer menos para viver melhor

Aconselho vivamente a leitura deste artigo a contra-corrente da autoria Pinzler e Vorholz publicado no Die Zeit, intitulado "É preciso romper com o dogma do crescimento a qualquer preço" (pag. 4 da edição multilingue do Presseurop).

segunda-feira, outubro 18, 2010

Os mercados é que mandam

Se alguém tinha dúvidas que são as instituições financeiras que definem as linhas mais gerais da nossa governação, é esclarecedora esta congratulação da Moody's de que Portugal está a dar resposta adequada aos mercados. A partir de agora é assim. Se Portugal cortar no rendimento de inserção, no subsídio de desemprego, nos salários, nas escolas, a Moody's sobe-nos em flecha a classificação do pagamento da dívida. Se houver mais investimento público nos sectores mais importantes, as agências financeiras baixam-nos a classificação e perdemos milhares de milhões de euros a pagar juros mais altos, os comentadores das televisões pagas pela publicidade dos bancos ajudam à festa, o governo entra em pânico e cede aos mercados...

sexta-feira, outubro 15, 2010

O Serviço Público da Grande Entrevista...

(publicado no Esquerda Republicana)
Nas últimas 5 edições, a Grande Entrevista, aquela que deveria ser a entrevista de referência em horário nobre da televisão pública, que deveria reflectir as principais preocupações do país, recebeu dois treinadores de futebol (Queiroz e Bento), um presidente de um clube (Bettencourt) e um ex-colega da RTP condenado a 7 anos por pedofilia (Carlos Cruz). Do ponto de vista do serviço público pior que isto era difícil. Aproveita-se apenas a condenação da RTP pela ERC no branqueamento de Carlos Cruz.
Num período de crise profunda seria bem mais interessante dissecar com responsáveis económicos e políticos o processo BPN e BPP que originou o buraco de 4,5 mil milhões de euros com repercussões nos salários em 2011. Seria mais interessante entrevistar equitativamente quem defende políticas de austeridade (como as que afundaram a Irlanda) e quem defende a linha do nobel Krugman, de estímulo da economia através do investimento público. Ou entrevistar os responsáveis dos partidos ideologicamente ligados ao modelo económico que provocou esta crise: CDS, PSD e este PS. Ou ainda convidar um dos responsáveis da banca nacional que participaram na recente especulação financeira de que fomos alvo. Por exemplo, Fernando Ulrich declarou recentemente que não existia especulação. Seria interessante confrontá-lo com a realidade. Dissecar se o seu banco participou ou não nas recentes operações especulativas. E se participou pouco ou se participou muito. E que consequências teve essa especulação para a nossa economia e para os bolsos dos especuladores.
Mas nada disto interessa, está-se já a ver mais servicinho público na próxima semana com o presidente do Benfica, o treinador do Porto, um dirigente da arbitragem ou (anotem bem, porque há lata para tudo) o candidato à presidência da FPF casado com a própria entrevistadora.

quarta-feira, outubro 13, 2010

PCP, um partido sem memória, com Alzheimer


(publicado no Esquerda Republicana)

Desde o fim-de-semana que Liu Xia, a esposa do prémio Nobel da Paz, se encontra em prisão domiciliária arbitrária. Não existe nenhuma lei na China que justifique a sua prisão, nem este acto foi justificado pelas autoridades chinesas. O crime da senhora Xia é ser esposa de um cidadão que pensa pela sua própria cabeça.
Este tipo de actuação é tal e qual a metodologia da PIDE nos seus melhores dias. Só o PCP é que não vê isto. Este PCP demente abstrai-se por completo do que muitos dos seus ex-militantes e ex-simpatizantes sofreram nas mãos da PIDE, as prisões arbitrárias, as condenações pelo simples facto de se ter opinião, as denúncias por pura dor de cotovelo, etc. A ortodoxia actual do PCP entrou em conflito crónico com a própria memória do partido, atingiu o estado Alzheimer. Disso é prova o fanatismo ideológico e a cobardia institucional presentes no comunicado do PCP sobre o Nobel da Paz .

terça-feira, outubro 12, 2010

NASA ajuda mineiros chilenos

É por estas e por outras que vale a pena investir muito em investigação.
Desde Agosto vários profissionais da NASA têm prestado uma ajuda preciosa aos mineiros chilenos de San José. Ontem foram fornecidos pela NASA comprimidos semelhantes aos que tomam os astronautas para aguentar testes em centrifugadoras e as vibrações dos voos espaciais. Prevê-se que o elevador que trará os mineiros à superfície os possa expor a vibrações e a rotações muito violentas.

segunda-feira, outubro 11, 2010

Futebolistas sim, cientistas não!

Numa carta enviada ao The Times (ligação não disponível), oito prémios Nobel a viver no reino Unido, entre os quais os dois russos vencedores do Nobel da Física de 2010, protestam contra as políticas de restrição da imigração anunciadas pelo governo do populista David Cameron. O mais chocante destas medidas é que introduzem uma excepção para atletas de alta competição, com o intuito de isentar os futebolistas da Primeira Liga Inglesa. Um dos investigadores signatários concluiu: "o governo considerou adequado introduzir uma excepção à regra para os jogadores de futebol da Premier League. É um triste reflexo das nossas prioridades como Nação se não podemos permitir o mesmo reconhecimento para cientistas e engenheiros de elite".

Emissões de CO2 e a acidificação dos oceanos

(publicado no portal Esquerda.net)

Num artigo de revisão intitulado “Ocean acidification: a millennial challenge” publicado esta semana na revista científica Energy & Environmental Science, os investigadores Matthias Hofmann e Hans Joachim Schellnhuber concluem que as consequências do aumento da acidez dos oceanos poderão tornar-se irreversíveis caso as emissões de dióxido de carbono (CO2) ultrapassem os 1000 Pg (Pg = 1015g) no período entre 2000 e 2049. O artigo alerta também que o excesso de CO2 reduz a produção de gases marinhos que contribuem para a formação de nuvens sobre os oceanos. A formação de menos nuvens diminui o poder de reflexão da radiação solar, amplificando o aquecimento global através de um efeito de realimentação positiva. Perante estes resultados, os autores relembram que estamos perante um forte motivo para actuar e reduzir o mais rapidamente possível as emissões de dióxido de carbono.

A acidificação dos oceanos é um assunto relativamente novo, embora tenha vindo a ser estudado há mais de 20 anos. Em 2008, a comunidade científica europeia juntou-se em torno do projecto EPOCA (European Project on OCean Acidification) e um consórcio de organizações internacionais que engloba a ONU tem acompanhado a evolução da acidificação dos oceanos. Este consórcio reunido sob o nome Ocean Acidification publicou em 2009 um importante documento de informação e orientação política para combater as consequências da acidificação dos oceanos.

O aumento de acidez da água dos oceanos diminui a taxa de calcificação de organismos que produzem conchas, carapaças e esqueletos de calcário, tais como os moluscos e os corais e afectam também a base da cadeia alimentar dos oceanos: o plâncton. Desde 1750, a acidez média dos oceanos aumentou em cerca de 30%. Este aumento resulta da emissão de CO2 para a atmosfera, produzido pela actividade humana desde o início da era industrial. Os cerca de 25 milhões de toneladas de CO2 que se combinam por dia com a água dos oceanos produzem ácido carbónico que faz baixar progressivamente o pH dos oceanos. Desde 1750, os nossos oceanos absorveram cerca de um terço do CO2 emitido pelo homem diminuindo o pH médio da água de 8,16 no início do século XIX para 8,05 no século XXI. Estima-se que o pH poderá descer para 7,6 em 2100 se forem mantidas as taxas actuais de emissão de CO2.

sexta-feira, outubro 08, 2010

Georges Charpak (1924-2010)

Georges Charpak, Nobel da Física em 1992, fez parte desse grupo minoritário de cientistas que se preocupa em interagir com a sociedade, em transpor o que se faz no interior dos laboratórios para o cidadão comum. Charpak publicou excelentes livros de divulgação científica como "De Tchernobyl en tchernobyls", Odile Jacob, 2005, "Soyez savants, devenez prophètes", Odile Jacob, 2004 ou a sua única obra traduzida em português "Feiticeiros e Cientistas", Gradiva, 2002. Estas obras são um reflexo da intervenção de Charpak contra a charlatanice, as pseudo-ciências e a cupidez do mercado, onde de uma forma espirituosa desmonta os artifícios de espécies várias desde astrólogos, passando por economistas com poucos escrúpulos até a cientistas sociais iluminados pelo além. O sentido crítico que empregou nas suas análises da sociedade teriam sido da maior utilidade para combater o charlatanismo de mercado dos tempos que correm.
Recordo as palavras duras e violentas com que classificou os responsáveis da direcção da nossa televisão pública quando aceitou subscrever uma petição contra uma rubrica diária de astrologia da RTP. Não era um homem meigo para charlatães e afins. Charpak vai deixar saudades, mas também deixou escola, uma grande escola de espírito crítico.

quinta-feira, outubro 07, 2010

O branqueamento televisivo da banca

Como se já não bastasse a factura de cerca de 4,5 mil milhões de euros do BPN e do BPP a ser paga por todos através da redução de salários e do aumento do IVA, temos que gramar com a operação de branqueamento da banca montada nos nossos canais de televisão. Esta petição pelo pluralismo da discussão da situação económica na televisão é muito certeira quando refere que os comentadores escolhidos oscilam "entre os que concordam [com o PEC] e os que concordam mas querem mais sangue". Basta ver, as pausas para publicidade da SIC e TVI para perceber quem paga os salários de Mário Crespo e companhia. Na discussão sobre a actual crise muito pouco é apontado aos verdadeiros culpados: BPN, BPP, especuladores do BPI e BCP e boa parte do restante sector financeiro. Muito menos é discutido sobre o que será necessário fazer para evitar que a nossa economia volte a ficar dependente das asneiras destas instituições. Discute-se apenas onde se corta nos gastos públicos (obviamente há sempre gastos a reavaliar, reajustar e a cortar) como se estes fossem a origem do problema, mas não são. Por este caminho, vamos fazer cortes em serviços públicos essenciais, esses cortes vão servir para cobrir as asneiras da banca e dos mercados financeiros, e daqui a 5 ou 10 anos arriscamo-nos a voltar a pagar os devaneios do sector financeiro porque nada está a ser feito para o moralizar.

quarta-feira, outubro 06, 2010

A má educação há 100 anos


Ano em que se atingiu a alfabetização de metade da população nas diferentes regiões da Europa, "A sociedade de confiança", Alain Peyrefitte, Instituto Piaget.

Há 100 anos, Portugal era já um dos países mais atrasados da Europa. Apenas Porto, Lisboa e Coimbra apresentavam taxas de alfabetização superiores a 50%. No resto da Europa esse patamar já tinha sido atingido cerca de 100 anos antes em quase todas regiões, excepto Itália e Espanha. Da fuga do Rei para o Brasil em 1807 até à proclamação da república em 1910, Portugal viveu um período de cerca de um século mergulhado na decrepitude da monarquia que se manifestou na sua plenitude quer nas relações diplomáticas de humilhação permanente face à Inglaterra, Espanha e França quer no imobilismo face à alfabetização e à generalização da escola. O Estado Novo só veio prolongar a doença do analfabetismo até aos anos 70, cultivando a mentalidade do povo ignorante mas devoto. Dessa doença ainda pagamos e pagaremos os juros mais uma ou duas gerações.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Agradecimento ao BPN e ao BPP

Depois dos cortes de 5% anunciados ontem, deveríamos estar todos profundamente agradecidos às anteriores direcções do BPN e do BPP por terem participado em roubos e em cambalachos ruinosos apenas solucionados após uma injecção de capitais públicos de ~4,5 mil milhões de euros (isto é o que se diz, resta saber se corresponde à quantia real...). 4,5 mil milhões de euros é mais do que o custo do TGV Lisboa-Madrid. Foi como se no período de cerca de um ano, mandássemos um TGV para o caixote do lixo. É preciso não esquecer isto, porque isto é mais do que grave, isto é catastrófico.

Muitos dos clientes dos dois bancos sabiam no que estavam a participar, outros suspeitavam, mas era melhor não saber, poucos foram aqueles genuinamente enganados. Por isso, poupem-nos as lágrimas de crocodilo. Os 5% que começaremos a descontar a partir de 2011 são para cobrir os devaneios e os excessos de todos os que participaram no regabofe.

Depois do anúncio de tais medidas, lamenta-se a ausência de iniciativas vigorosas que impeçam o surgimento de novos BPP e BPN. Se nada for feito daqui a 5 anos podemos estar a pagar mais 5% de salário para salvar outro banco.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Cerveja Espacial



Um dos pequenos prazeres de qualquer viajante das estrelas imaginário, beber uma fresquinha em pleno espaço sideral, está prestes a tornar-se realidade. A cervejeira australiana 4-Pines Brewing Company vai testar uma cerveja especialmente criada para voos espaciais num ambiente de micro-gravidade gerado durante um voo parabólico. Às cobaias deste teste vão ser analisados o ritmo cardíaco, a taxa de álcool no sangue e a temperatura do corpo durante o voo. Oremos para que não seja necessário utilizar o saquinho de chamar pelo Gregório.
Fica aqui chamada de atenção para o Francisco José Viegas.

terça-feira, setembro 14, 2010

Ciência indiciava inundações no Paquistão

Não é possível saber exactamente se as inundações no Paquistão são ou não consequência directa do aquecimento global. No entanto, o que nos diz a ciência é que a probabilidade de ocorrência de inundações no sul da Ásia é superior no caso de aumento da concentração CO2 e de aumento da temperatura global. É isso que nos dizem dois importantes artigos publicados em revistas científicas da especialidade (Geophysical Research Letters em 2006 e Advances in Atmospheric Sciences em 2008) da autoria de três investigadores japoneses: Dairaku, Emori e Nozawa. Nestes artigos os autores introduziram as actuais condições climatéricas nos seus modelos, simulando o aumento de temperatura observado e uma elevada concentração de CO2. Os resultados obtidos indicam alterações significativas nas monções do sul da Ásia (que engloba o Paquistão), um aumento da precipitação média, de frequência de dias precipitação excessiva, de risco de inundações e de anos difíceis para a agricultura.

Apesar das inundações no Paquistão terem ocorrido em Agosto, a descida das águas tem-se processado a um ritmo muito lento. Inundações secundárias continuam a propagar-se a novas províncias tendo atingido agora Dadu e Manchar. Desde do início das inundações contam-se cerca de 1600 mortos, 8 milhões de pessoas deslocadas e 17 milhões de pessoas cujas vidas foram afectadas. Só na província de Sindh, os prejuízos económicos elevam-se a mais de mil milhões de dólares, sendo 370 milhões de dólares relativos a prejuízos no sector do cultivo de algodão. Quando se argumenta que o combate ao aquecimento global é indesejável porque comporta custos, do outro lado da balança poderão estar múltiplas tragédias como esta, com pesados custos materiais e humanos.
Para cúmulo, tem-se registado uma certa indiferença da comunidade internacional para esta que é uma das maiores tragédias das últimas décadas, talvez por preconceito, talvez por razões políticas, étnicas ou religiosas. A ajuda aos milhões de pobres afectados pelas inundações tarda e está muito aquém da mobilização de tragédias recentes.

terça-feira, setembro 07, 2010

Tempo de Antena para um Manipulador

Independentemente de Carlos Cruz vir a ser confirmado culpado ou conseguir ser pronunciado inocente, acho chocante a deferência para com o imenso poder manipulador deste indivíduo e para com as suas jogadas à margem da lei. Desde o famoso directo simultâneo em três telejornais, passando pela sua exibição em programas de variedades durante o processo, até à conferência de imprensa e o Prós e Contras de hoje, Carlos Cruz não perdoou uma. O que é mais lamentável é o serviço público televisivo ter alinhado num programa de pós-julgamento na praça pública - as questões puramente de justiça discutidas eram perfeitamente banais - em que o principal assunto foi o branqueamento dos crimes pelos quais foi dado como culpado Carlos Cruz. Vimos um verdadeiro manipulador em acção, um indivíduo que não tem problemas em fazer uso da boa vontade dos seus ex-colegas, fazendo-se tratar por tu pela apresentadora e pedindo para ter "mais 2 ou 3 minutos de tempo de antena" depois de já ter falado bem mais do que qualquer elemento do público. Vimos um manipulador que usa passagens cirúrgicas das palavras prudentes de uma vítima, de um psicólogo e de um advogado das vítimas, para as colar ao seu discurso de defesa. Assistimos a referências da treta a apoios nas redes sociais e a comentários em que admite violar a lei para defender os seus interesses. E assistimos a um painel que na prática alinhou naquilo, uns por ingenuidade ao citar passagens e problemas do processo fornecidos pela defesa de Cruz outros por pura passividade crítica à manipulação permanente de Carlos Cruz. A única coisa que há a louvar neste programa é a posição das pessoas que se recusaram a participar naquilo. Uma verdadeira náusea televisiva.

PS- Já que Carlos Cruz gosta tanto de citar as passagens do processo que lhe convêm, gostava que explicasse o ACASO do seu motorista (Carlos Mota) ser um fugido à justiça por pedofilia. Há pessoas a quem neste mundo ocorrem ACASOS tão bizarros como ganhar duas vezes o totoloto. A bizarria prova-se através dos bilhetes registados no quiosque. Onde estão os "bilhetes" que provam o ACASO ocorrido com Carlos Cruz?

sexta-feira, setembro 03, 2010

Uma justiça para pobres e outra para ricos

Desde a diferença na aplicação da prisão preventiva até às penas aplicadas, o que prova o processo Casa Pia é que existe uma justiça para quem tem dinheiro para pagar a baterias de advogados e outra para quem não tem. O prémio que teve Carlos Silvino por ter colaborado com a justiça foi a aplicação de uma pena bem mais pesada. Fica o mau exemplo em que se ganhou mais em estar calado, o que contribuirá para complicar ainda mais a resolução de processos futuros.

terça-feira, agosto 31, 2010

A Lapidação das Moratórias

Desde a decisão de decretar uma moratória à lapidação já foram assassinados à pedrada uma mulher e cinco homens no Irão. Tariq Ramadan foi o grande ideólogo das moratórias (incapaz de se pronunciar claramente contra) à lapidação e à pena de morte. Já lá vão seis mortes e à sétima, dada a sua mediatização, era incontornável e foi obrigado a pronunciar-se. A prosa demorou mas saiu ontem. Misturada com a questão dos ciganos e com as inundações no Paquistão que era para temperar a condenação da lapidação de Sakineh. Ele sabe-a toda... Não vou tão longe quanto Malek Boutih do SOS racismo quando apelidou Ramadan de fascista, nem concordo totalmente com Caroline Fourest quando esta o compara a Le Pen. Mas o comunitarismo é claramente a base do discurso político de Ramadan, é verdade que neste particular não difere muito dos fascistas nem de Le Pen. Apesar de tudo é um engodo mais simpático, mas como o prova o caso do Irão também tem consequências nefastas.

domingo, agosto 29, 2010

Se a Coreia o diz é porque é verdade...

Do ponto de vista formal, a FIFA pouco pode fazer para contestar a veracidade ou não do conteúdo da carta da Federação Coreana sobre o castigo do treinador Kim Jong Hun. Mas quem conhece a história dos partidos comunistas, do comunismo totalitário, sabe que em países bem mais brandos que a actual Coreia do Norte os atletas foram castigados por razões tão nobres como a dor de cotovelo. As sanções recaíram sobre atletas bem mais populares e com carreiras bem mais brilhantes do que a carreira de Kim Jong Hun. Basta lembrar o destino do campioníssimo Emil Zatopek condenado a trabalhar nas minas de urânio da Checoslováquia.
É confrangedora a credulidade e a ingenuidade que demonstram neste caso os que reivindicam representar um comunismo emancipado dos velhos hábitos.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Descoberto sistema solar com 7 planetas

Graças ao telescópio de La Silla do ESO (Observatório Europeu do Sul) instalado no Chile foi descoberto um novo sistema solar com sete planetas. A estrela em torno do qual orbitam estes corpos é designada HD 10180 e é do tipo solar. Seis destes planetas têm massas pelo menos 13 vezes superior à massa da Terra. Pensa-se que o sétimo poderá ter uma massa mais à nossa medida, cerca de 1,4 vezes a massa do nosso planeta. Será esse pontinho no céu que abriga o lendário Preste João?

segunda-feira, agosto 16, 2010

Avaria no elevador social

Passagens do artigo "Goodbye, American Dream/The crisis of middle-class America" de Edward Luce para a qual chamo especial atenção dos caros leitores:

"Dubbed “median wage stagnation” by economists, the annual incomes of the bottom 90 per cent of US families have been essentially flat since 1973 – having risen by only 10 per cent in real terms over the past 37 years. That means most Americans have been treading water for more than a generation. Over the same period the incomes of the top 1 per cent have tripled. In 1973, chief executives were on average paid 26 times the median income. Now the ­multiple is above 300.

(...) it is the renowned Harvard economist, Larry Katz, who offers the most compelling analogy. “Think of the American economy as a large apartment block,” says the softly spoken professor. “A century ago – even 30 years ago – it was the object of envy. But in the last generation its character has changed. The penthouses at the top keep getting larger and larger. The apartments in the middle are feeling more and more squeezed and the basement has flooded. To round it off, the elevator is no longer working. That broken elevator is what gets people down the most."

domingo, agosto 15, 2010

Goodbye, American Dream

Intitulado "Goodbye, American Dream" na edição em papel do Financial Times (The crisis of middle-class America na edição electrónica), este artigo do director da secção de Washington, Edward Luce, interpela os seus compatriotas sobre o fim do sonho americano, sobre uma avaria grave no chamado elevador social. A ideia do indivíduo de classe média que é promovido de escalão social através do trabalho árduo e do mérito é cada vez mais uma ideia do passado. Os ricos da América de hoje formam um clube restrito onde é cada vez mais difícil aceder.
É um artigo muito longo, mas extremamente interessante, muito bem ilustrado por exemplos da realidade actual da América e que vale bem a pena ler até ao fim. É curioso constatar uma colagem às teses expostas por Jeremy Rifkin no seu excelente "O Sonho Europeu".

sexta-feira, agosto 13, 2010

sexta-feira, julho 30, 2010

Coreia do Desnorte

O regime da Coreia do Norte expulsou do partido comunista o treinador da selecção de futebol, Kim Jung Hun e condenou-o a trabalhos forçados numa obra em Pyongyang.
Depois desta a FIFA deveria erradicar a Coreia do Norte de todas as competições. Já o fez por razões bem menos consensuais no caso do México e no caso da Jugoslávia.
O Daniel Oliveira tinha toda a razão nesta polémica contra os saudosistas velados do totalitarismo comunista.

terça-feira, julho 27, 2010

2010 poderá ser o ano mais quente registado

Dados do instituto americano National Oceanic and Atmospheric Administration mostram que o mês de Junho deste ano foi o Junho mais quente desde que se regista a temperatura média da Terra (temperatura combinada dos oceanos e dos continentes). O mesmo sucedeu com o mês de Maio, o mês de Abril e o mês de Março. Ou seja, Junho foi o quarto mês consecutivo que registou a temperatura da Terra mais alta de sempre. Junho foi também o 304º mês consecutivo cuja temperatura ultrapassou a média de temperaturas do século XX. A última vez que um mês apresentou uma temperatura média inferior à do século XX foi o mês de Fevereiro de 1985. Finalmente, se considerarmos as temperaturas médias de todos os primeiros semestres registados até hoje, o primeiro semestre de 2010 foi o mais quente de sempre. As zonas em que se registaram as temperaturas mais elevadas em relação à época foram a zona do Peru, do centro e do leste dos EUA e as extremidades leste e oeste da Ásia. Os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano realizados em Vacouver no Canadá ocorreram quase sem neve, quase exclusivamente à custa de neve artificial. No entanto, temperaturas mais frias que o normal ocorreram no sul da China e Escandinávia e a Europa teve um Inverno entre os mais frios das últimas duas décadas.



Imagens de satélite realizadas desde 1979 mostram que a cobertura de gelo do Árctico correspondente a Junho deste ano foi a menos extensa jamais registada para um mês de Junho. No entanto, é apenas em Setembro que se regista o mínimo de cobertura de gelo do Árctico antes do início do Outono. A ilustrar a tendência deste ano para as altas temperaturas um dos maiores glaciares do Árctico, o Glaciar Jakobshavn Isbrae, perdeu 7 quilómetros quadrados – um pouco mais que a área de Gibraltar – durante uma noite, tendo sido um dos maiores desmembramentos de glaciares jamais registados em tão curto espaço de tempo.

Os 10 anos mais quentes de sempre ocorreram durante os últimos 15 anos. Um relatório científico de 2009, o Diagnóstico de Copenhaga, indica que o aquecimento global poderia estar a seguir a via dos piores cenários projectados para as próximas décadas. Infelizmente, as medidas de 2010 em conjunto com as medidas realizadas nas décadas precedentes parecem confirmar a tendência do Diagnóstico de Copenhaga.

Se dúvidas existiam, temos agora motivos mais fortes que nunca para implementar com urgência as políticas de combate ao aquecimento global antes que o aumento da temperatura global atinja os 2º C, estimado como o aumento de temperatura a partir do qual os nossos esforços para controlar o clima poderão perder efeito.

quarta-feira, julho 21, 2010

7 anos a dar de beber ao tempo



Já lá vão 7 anos a alimentar este monstro de indignações, de confissões e de pecados mortais. Deus não perdoará este blogue, certamente.
Quanto ao caro leitor sirva-se de uma flute de champanhe e desfrute do já tradicional desfile de DJ's convidados. A Mónica Bellucci é a Mestre de Cerimónias deste ano. Ela ofereceu-se e nós não recusámos.


2010 Klepsýdra Club Session

00.00-00.15 - Discurso de abertura de Monica Bellucci intitulado: "Porque leio a Klepsýdra todas as manhãs, sem falha".
00.15-00.45 - Warm Up - Helmut Fritz
00.45-01.45 - Paul Van Dyk
01.45-02.45 - Monika Kruse
02.45-03.00 - Fedde le Grand Warm Up - DJ Muxaxo
03.00-04.45 - Fedde le Grand
04.45-05.30 - DJ Vibe
05.30-06.00 - Kylian Mash (Discobitch)
06.00-06.30 - Monsieur Philippe Corti

terça-feira, julho 20, 2010

Do Prémio Nobel ao Prémio Lopes

"O governo que peça dinheiro emprestado e que o aplique em projectos de investimento público - se possível com fins úteis, mas isto é uma consideração secundária - para assim, criar postos de trabalho que tornarão as pessoas mais dispostas ao consumo o que levará à criação de mais emprego, etc.
A Grande Depressão nos EUA foi finalmente vencida graças a um programa maciço de obras públicas financiado por um défice estatal, conhecido pelo nome de II Guerra Mundial."
Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia de 2008 em "O Regresso da Economia da Depressão e a Actual Crise", Ed. Presença, pag. 76.

"Cortar na despesa é inexorável (...) A cru. Sem explicar nada. Ou melhor, explicando que ou é assim ou não é. Não querem, então não se faz"
Ernâni Lopes nas jornadas parlamentares do PSD

sexta-feira, julho 16, 2010

Alma Mater

Foi inaugurada a Alma Mater, a Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra, uma excelente iniciativa coordenada pelo professor Carlos Fiolhais e um verdadeiro serviço prestado a todos nós.

segunda-feira, julho 12, 2010

A "representatividade" da monarquia


Por Kroll publicado no jornal belga Le Soir.

O humor belga por ocasião da passagem da Volta à França em Bruxelas.

Penúria de energia eléctrica no Iraque

(publicado no portal Esquerda.net)
2009 foi o segundo ano mais quente desde que se regista a temperatura global da Terra e a temperatura média dos cinco primeiros meses de 2010 foi a mais alta jamais registada. Este é um cenário que nada ajuda um problema que se tem vindo a agravar no Iraque nos últimos anos: a penúria de energia eléctrica. Apesar das promessas de reconstrução de infra-estruturas por parte dos países que ocuparam o Iraque, a reconstrução da rede de electricidade ficou muito aquém das necessidades mínimas dos iraquianos. O Iraque produz apenas cerca de 7.000 MW por mês quando o mínimo aceitável para o normal funcionamento do país ronda os 14.000 MW. Com temperaturas que por vezes ultrapassam os 50º C, os iraquianos sofrem de desidratação, problemas gástricos e cansaço causado pelo calor nas zonas onde há uma dependência grande da climatização e da obtenção de água através de bombas eléctricas que detêm uma boa parte das famílias. O número de mortos resultantes das vagas de calor têm-se multiplicado, bem como o número de falências e de desempregados decorrentes de empresas que necessitam de electricidade para operar normalmente.

O descontentamento da população é geral. Desde Junho que se têm repetido manifestações públicas contra a política energética do Iraque, tendo algumas dessas manifestações acabado em confrontos com a polícia de que resultaram vários mortos. Têm ocorrido ataques regulares aos funcionários e aos edifícios do Ministério da Electricidade que resultaram em mais de 140 mortos. A escalada de violência levou à demissão do próprio Ministro Karim Wahid a 21 de Junho. Durante a conferência realizada na altura, Wahid declarou que o seu ministério não dispunha de meios financeiros para poder controlar o problema.

Apesar da General Electric e da Siemens já terem anunciado a construção de novas centrais eléctricas estas apenas estarão prontas dentro de dois anos na melhor das hipóteses. É irónico que um dos maiores produtores de petróleo do mundo, logo um dos maiores fornecedores de energia ao resto do planeta, assista impotente à morte dos seus cidadãos por problemas resultantes da falta de energia eléctrica. Sobretudo depois de tantas promessas de reconstrução da parte dos EUA com a agravante destes estarem mais preocupados com o programa energético do país vizinho, o Irão, sobre questões que são um luxo quando comparadas com os problemas dos iraquianos. Por muito perigoso que possa ser o programa nuclear iraniano, o número de vítimas iraquianas deveria fazer os EUA e a comunidade internacional mudar de prioridade na região para evitar que morram ainda mais iraquianos vítimas do calor.

quinta-feira, julho 08, 2010

A maré obscura por detrás da maré negra

(publicado no Esquerda Republicana)
A Transocean, a maior empresa de perfuração de fundos oceânicos e co-responsável pela Maré Negra da Florida, segundo este artigo do New York Times apresenta um historial assinalável de falhas de segurança (Escócia e Noruega), de suspeita de fraudes (Noruega, Brasil e EUA) e de falta de respeito pelos direitos humanos. Os EUA proíbem a operação de empresas americanas na Birmânia por questões humanitárias, no entanto a Transocean está indirectamente ligada a furos realizados neste país.
Tudo parece permitido às multinacionais envolvidas no negócio do petróleo e ainda não iniciámos o inexorável período em que este recurso vai começar a escassear rapidamente. Nessa altura o seu poderio será ainda mais reforçado.
Relembro ao leitor que a maré negra da Florida não surgiu do acaso. O futuro da exploração de petróleo passa por perfurar cada vez a maiores profundidades, comportando maiores riscos de acidente e maiores custos de extracção. A outra alternativa tem sido o processamento de areias betuminosas, também ela cara e com custos ambientais terríveis.

quarta-feira, julho 07, 2010

terça-feira, julho 06, 2010

Wesley Sneijder



Durante o último europeu vi dois grandes jogadores em acção: Andrea Pirlo e Wesley Sneijder. Pirlo seguiu normalmente a sua carreira no Milan, enquanto Sneijder foi desprezado no Real Madrid (realço que este pode ser um aspecto positivo na carreira de um jogador). No entanto, Mourinho não dormia no Inter e foi buscá-lo. Na Liga dos Campeões 2009/2010, Sneijder voltou ao nível do europeu de 2008 e no jogo do ano em que o Inter bateu brilhantemente o Barcelona por 3-1, Sneijder foi decisivo. Sneijder é um daqueles jogadores raros a partir do qual se dispõem mais 10 jogadores e se forma uma equipa, como Gheorghe Hagi, Figo, Maradona, Rui Costa ou Ruud Gullit. Com um passe longo preciso, um bom remate, um bom e rápido drible, uma visão de jogo excepcional e uma capacidade natural de comando das operações, Sneijder é na minha opinião o melhor deste mundial.

Tenho algum pudor em vaticinar um campeão do mundo de um país que nunca ganhou. Em geral a coisa fica sempre entre Alemães, Brasileiros, Argentinos ou Italianos. Mas apesar da Holanda não ter nenhum extra-terrestre como Ronaldo ou Messi, tem Sneijder, o melhor entre os mortais, tem Robben, o melhor do clube vencido da Liga dos Campeões, e tem ainda Van Persie e Van Bommel. É por isso que desde que começou o mundial quando se fala num possível campeão refiro a Holanda. Com pudor. Agora, depois de Wesley Sneijder ter marcado um golo de cabeça, ele que tem 1,70m, entre dois matulões brasileiros, acho que os Holandeses podem começar a pensar em encomendar as faixas.
Reparem que se a final de 74 se repetir entre Alemães e Holandeses, desta vez quem joga em casa é a Holanda. Os boers descendem dos Holandeses e não vão perder esta oportunidade para soprar a fundo nas vuvuzelas.

domingo, julho 04, 2010

Sugestão para Mira Amaral


(cartoon Mix&Remix)

O cartoon da semana é uma sugestão dedicada a Mira Amaral e aos signatários do tal manifesto visionário contra as energias renováveis e a favor das energias fósseis. O futuro da exploração de petróleo será cada vez mais perfurar a maior profundidade, comportando maiores riscos de acidente e maiores custos de extracção. A outra maneira de obter petróleo no futuro será explorando a preços caríssimos as areias betuminosas.
O acidente do Golfo do México realmente prova que o petróleo não é uma "energia politicamente correcta" - provocação empregada por um dos signatários do referido manifesto com o intuito de desprezar as energias renováveis. Uma coisa gira, útil e realmente politicamente incorrecta seria Mira Amaral e restantes signatários do manifesto equiparem-se de baldes, luvas e galochas e aproveitar para ir ajudar a "extrair" o petróleo do Golfo do México.

sexta-feira, julho 02, 2010

De metro a centímetro...

Acho absolutamente escandaloso que tenham passado já 30 anos desde o projecto inicial de renovação do Ramal da Lousã até à configuração actual do metro ligeiro de superfície. 30 anos dizem muito do centralismo reinante neste país. À boleia do PEC surgiram novos argumentos para atrasar o projecto. Obviamente, se se tratasse de uma obra em Lisboa ou de uma empresa comprometida como membros do governo, como a Mota Engil, a obra nunca seria posta em causa.
Aqui a ligação para uma petição contra a paralisação e/ou adiamentos no projecto do Metro Mondego, uma obra fundamental para a descentralização do país, para poupar no consumo de combustíveis fósseis, para reduzir as emissões de CO2 e para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do distrito de Coimbra.

quarta-feira, junho 30, 2010

A minha selecção sobre a selecção

"...A nossa selecção de futebol é muito inferior à espanhola. A nossa selecção de jornais também. A de colunistas nem se fala, embora seja difícil imaginar com quem se pode comparar um imbecil ilustrado como VPV, um católico ultramontano como César das Neves ou um diletante como MST. Se nos compararmos, perdemos em quase tudo: na poesia, na novela, na viola de gamba, na saúde oral e no tamanho dos narizes. Ontem viu-se, quando as câmaras focavam a assistência: uma mulher guapíssima passando bâton pelos lábios, alternava com um broeiro lusitano, atarracado e hirsuto."
Luís Januário no blogue A Natureza do Mal

terça-feira, junho 29, 2010

Cratera de Magalhães



Uma fotografia recente da Cratera de Magalhães em Marte tirada pela Mars Express da ESA. Tem cerca de 21 mil quilómetros quadrados, mais ou menos a superfície da Eslovénia.

segunda-feira, junho 28, 2010

Portugueses pouco interessados na ciência

(publicado no portal Esquerda.net)

O Eurobarómetro divulgado esta semana sobre a atitude dos europeus relativamente à ciência e à tecnologia revela indicadores inquietantes sobre a atitude dos portugueses em relação à ciência. O inquérito abrange várias vertentes da ciência: o interesse dos cidadãos, a imagem da ciência, as suas implicações na saúde e no ambiente, o seu impacto no quotidiano, a utilização de cobaias, a responsabilidade dos cientistas e dos políticos e a eficácia das políticas científicas.

As respostas dos portugueses destacam-se pela negativa em particular nas questões que dizem respeito ao interesse e ao nível de informação sobre as novas descobertas científicas. Apenas 14% dos portugueses declararam estar muito interessados nas novas descobertas. Na UE (União Europeia), apenas búlgaros e lituanos declaram menos interesse. Apenas 3% dos portugueses declararam estar bem informados sobre as novas descobertas científicas e tecnológicas, sendo este o pior resultado de toda a UE. Aqui identifica-se claramente a responsabilidade de parte da nossa imprensa de grande tiragem e da nossa televisão que exploram constantemente o voyeurismo, o sensacionalismo e o baixo nível educacional dos portugueses.

Apesar de 72% dos europeus declararem que o estado deve financiar a investigação científica, inclusivamente aquela que não oferece resultados imediatos, em Portugal apenas 60% declararam concordar com o financiamento estatal da investigação em contraste com 9% que se declararam contra (9% é também a média dos europeus que são contra). Na UE só a Áustria demonstra menor concordância do que Portugal relativamente ao financiamento estatal da investigação com 48% dos austríacos a favor e 25% contra.

Apesar deste inquérito revelar uma grande confiança e reconhecimento dos europeus relativamente à ciência, em particular no domínio da saúde, demonstra também que os mesmos europeus revelam alguma desconfiançasobre os cientistas em dois casos específicos: quando o trabalho científico é demasiado complexo para os conhecimentos do cidadão comum e quando a indústria financia a investigação. O primeiro problema poderá ter uma boa resposta através de uma eficaz divulgação científica. O segundo requer sobretudo medidas de maior transparência possível na participação da indústria na investigação.

quinta-feira, junho 24, 2010

Foi você que pediu um campo de golfe?

No distrito de Coimbra e arredores estão previstos construir mais de oito campos de golfe. Há assim tanta procura de golfe? Não. O golfe traz riqueza às populações circundantes? Não, veja-se por exemplo o caso do golfe de Marvão que era uma coqueluche do golfe nacional quando foi construído há cerca de 10 anos. Para que serve então tanto campo de golfe? Serve para inflacionar o preço de lotes de apartotéis e apartamentos. O campo de golfe é simplesmente uma estrutura construída na envolvente para valorizar o betão. Se alguém vai lá jogar ou não pouco importa, o que interessa é valorizar as acções na bolsa das empresas que financiam os projectos (a maior parte das vezes através de empréstimos, sem gastarem um cêntimo). Se as imobiliárias e intermediários não venderem os apartamentos ou forem à falência pouco importa, as empresas financeiras ganham sempre deixando o terreno queimado, mais precisamente betonizado, atrás de si. Os seus quadros recebem grandes bónus pela operação e as nossas cidades ganham bairros fantasma onde poucos se aventuram a investir.

quarta-feira, junho 23, 2010

A origem do mal

Em 2003, Robert Lucas [...] Prémio Nobel da Economia em 1995, fez o discurso de abertura da reunião anual da American Econimic Association. Depois de explicar que a macroeconomia surgiu como resposta à Grande Depressão, declarou que chegara o momento de seguir em diante: "O problema fulcral de prevenção da depressão foi resolvido em todos os seus aspectos práticos".
Paul Krugman (Nobel da Economia de 2008) em "O Regresso da Economia da Depressão e a Crise Actual", Ed. Presença, pag.15

domingo, junho 20, 2010

O homem que criou Blimunda e Baltazar

Num romance que é também uma bela homenagem a uma das maiores invenções realizadas por português, a Passarola, existem estas duas personagens que se amam: Blimunda e Baltazar. Baltazar é queimado na fogueira da Inquisição mas a sua alma não vai para o céu, vai para o coração de Blimunda que é onde a sua alma pertence.
Saramago não foi para céu, estará certamente num lugar mais aconchegado.

quarta-feira, junho 16, 2010

38 anos para reconhecer a barbárie

Acho interessante quando sou confrontado com opiniões que dão o Reino Unido como uma democracia exemplar. Ontem, 38 anos depois, um Primeiro Ministro britânico reconhece finalmente o bloody sunday, um massacre de cidadãos que manifestavam desarmados por um regimento de para-quedistas britânicos. Isto não é aceitável em democracia e ainda muito menos numa democracia exemplar.

Quem acompanha a política britânica sabe que assim que se passa do território da Inglaterra para os restantes territórios do Reino Unido os atropelos à democracia são frequentes. A não reunificação da Irlanda - a reunificação era uma promessa dos acordos de independência - é uma mancha na história da Europa que continua a ser alimentada por hooligans orangistas ao serviço de Sua Majestade. Para cumulo, o contribuinte europeu ainda tem que pagar um programa de pacificação da Irlanda do Norte: o programa PEACE II. Ironicamente, o contribuinte europeu tem a seu cargo os custos da exemplaridade da democracia britânica.

terça-feira, junho 15, 2010

Que peixe comer?

Em plena época de grande consumo de pescado, a página Que peixe comer? oferece muita informação importante sobre o peixe que comemos e dá alguns conselhos sobre um consumo que permita a sustentabilidade das nossas reservas piscícolas.
Parece que esta página irritou muito Miguel Sousa Tavares, eis um bom cartão de visita para Que peixe comer?

segunda-feira, junho 14, 2010

Senado Americano rejeita resolução contra regulação ambiental

(Publicado no portal Esquerda.net)
Por 53 votos contra e 47 votos a favor, na passada quinta-feira, o Senado Americano rejeitou uma resolução do Partido Republicano que impediria a regulação pela Agência de Protecção do Ambiente das emissões de gases com efeito de estufa. Apesar de entre os votos a favor se contarem alguns votos democratas, as recomendações dos cientistas foram levadas em conta em detrimento de teorias da conspiração sem qualquer fundamento científico, como foi o caso do chamado Climategate, movidas por interesses económicos de grupos de pressão ligados ao sector petrolífero.

O Senado Americano confirmou aplicação da decisão de Dezembro passado que permite a regulação das emissões do sector automóvel e do sector de produção de electricidade com o objectivo de lutar contra o aquecimento global. A Agência de Protecção do Ambiente elaborou nova legislação que obriga as centrais eléctricas, a indústria pesada e as refinarias de petróleo a requerer permissões de emissão de gases com efeito de estufa. Esta legislação requer também que os novos automóveis consumam menos gasolina e gasóleo e emitam menos dióxido de carbono.

Barack Obama declarou que faria uso do direito de veto caso o Congresso adoptasse a resolução republicana. Obama felicitou o Senado declarando que a decisão dos senadores permitirá aos Estados Unidos iniciar a transição para uma economia baseada em energias renováveis, criar novos postos de trabalho, reforçar a segurança do país e garantir um ambiente sustentável para as gerações futuras. Neste sentido e determinado pelos efeitos nefastos da recente maré negra ocorrida no Golfo do México, Obama prometeu a preparação de um novo pacote de medidas mais amplas a apresentar ao Congresso nos domínios da energia e do combate às alterações climáticas.

quinta-feira, junho 10, 2010

Bernard-Henri Lévy sobre o assalto ao navio turco

Estou longe de concordar a opinião de Bernard-Henri Lévy sobre o assalto israelita ao navio turco, está demasiado envolvido para produzir uma reflexão desapaixonada. Mas vale a pena ler o conjunto de fantasias que se apregoam sobre Israel desmontadas por Lévy. Obviamente que a propaganda de Israel é muito mais eficaz a denegrir a Palestina, mas o que para mim é evidente é que entre a extrema-direita israelita e a extrema-direita palestina a diferença está apenas nos meios. O fanatismo é semelhante. Já aqui escrevi, só vejo ali uma solução possível que passe pela união das esquerdas israelitas e palestinianas.

quarta-feira, junho 09, 2010

Sobre o novo governador do Banco de Portugal

O discurso do novo governador do Banco de Portugal evidenciou alguma intenção de melhorar os processos de regulação do sistema financeiro. Mas não chega, é muito pouco para tanto que se perde. É necessário mais pessoal, mais inspectores, gente formada em crime económico, um maior orçamento e sobretudo novas regras de regulação. Esta deveria ser a prioridade máxima de combate à crise, mas parece continuar a ser tratada como um assunto secundário. Por muito que se aperte o cinto, se não se apostar na regulação da economia o risco de que a crise se repita é grande.

Concordo com o ordenado do governador Banco de Portugal e defendo que os ordenados dos reguladores devam ser elevados, acima dos limiares de corruptibilidade. Convém não esquecer as lições do passado (ENRON, Lincoln Savings, Goldman Sachs, etc.) e que os reguladores lidam com os criminosos mais ricos e mais poderosos do mundo.

segunda-feira, junho 07, 2010

ESA e Rússia simulam viagem a Marte

(publicado no portal Esquerda.net)

Iniciou-se no passado dia 3 de Junho a experiência Mars 500 cujo objectivo é simular um voo tripulado ao planeta Marte. A Mars 500 é dirigida pelo Instituto de Problemas Biomédicos da Rússia em estreita colaboração com a Agência Espacial Europeia, contando ainda com participação internacional de instituições científicas de países como a China ou os EUA. A “tripulação” da Mars 500 é composta por seis elementos: três russos, um italiano, um francês e um chinês. As suas competências cobrem sobretudo os domínios da engenharia, da fisiologia e da medicina. A simulação de viagem a Marte iniciada a 3 de Junho durará até 5 de Novembro de 2011. A 8 de Fevereiro de 2011 serão simulados a chegada a Marte e o início das operações em solo marciano. De seguida, a 10 de Março de 2011, inicia-se a viagem de “regresso” à Terra.

Durante cerca de 520 dias, a “tripulação” da Mars 500 estará confinada a viver em cinco módulos onde serão testadas todas as condições de sobrevivência associadas a uma viagem de ida e volta a Marte. Durante este estudo será dada especial atenção à saúde e à capacidade de trabalho dos 6 elementos em condições de isolamento hermético, confinados a um volume limitado em que serão simuladas especificidades inerentes a voos inter-planetários, como: autonomia de decisão da tripulação em relação a um centro de comando terrestre, recursos limitados ou instabilidade e atraso nas comunicações com a Terra. Este atraso pode ser da ordem de alguns segundos a alguns minutos, dado que as ondas rádio utilizadas nas comunicações entre Terra e Marte propagam-se à velocidade da luz. No final deste estudo será avaliada a possibilidade real de realizar uma viagem tripulada a Marte tendo em conta o conjunto de adversidades fisiológicas e psicológicas registadas. Recorde-se que outras simulações anteriores de isolamento humano (Biosfera I e II) resultaram em graves problemas relacionais entre os intervenientes. A experiência Mars 500 será também importante para determinar o nível de equipamento essencial para as naves espaciais que transportarão uma futura tripulação ao planeta Marte.

O interesse dos voos inter-planetários tripulados deve-se à maior capacidade dos seres humanos para estudar a superfície de um planeta quando comparada com o reduzido número de funções que os mais dispendiosos robots actuais são capazes de realizar. Como tem sido hábito desde o início da exploração espacial, espera-se também que novas tecnologias e novas ideias resultantes desta experiência possam ter um impacto positivo no nosso quotidiano na Terra em domínios tão diferentes como a medicina ou a engenharia. Consultar este sítio da NASAsobre o impacto da tecnologia espacial no quotidiano.