Publicada no jornal As Beiras de ontem:
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sexta-feira, setembro 28, 2012
quinta-feira, setembro 29, 2011
Mais populismo rasca de Medina Carreira a nu
"um dos [problemas] que condiciona a implementação de mudanças é o peso do Estado na vida do país. (...) hoje, entre funcionários e pensionistas, “há 5 a 6 milhões de portugueses que recebem do Estado e que não estão nada preocupados... porque acham que o Estado paga sempre.”.
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011
A este exercício de ilusionismo populista responde muito bem o meu conterrâneo Alexandre Campos no blogue Aldeia Olímpica:
"Sempre pensei que os funcionários públicos ganham o seu ordenado à custa do seu trabalho; que os reformados, sejam públicos ou privados, têm direito à sua reforma porque a ganharam e descontaram para tal; que os desempregados têm direito ao subsídio a partir do momento que não lhes garantem trabalho, e porque, é muito importante compreender isto, enquanto trabalhadores fizeram os seus descontos, pagaram os seus impostos."
Caro Alexandre, é que esse "xico-esperto e lambe-botas do poder económico actual", como bem classificas acha que os reformados e os funcionários públicos são todos uns "vadios" e uns "pelintras" que estão é a roubar o estado, se fizeram descontos ou se são profissionais no seu trabalho, isso pouco interessa. O que é interessa é que ele não abdica da sua reformazita choruda do estado por dois miseráveis anos em que foi ministro das finanças durante os quais o FMI teve que intervir e a economia ficou em pantanas. Reforma esta que certamente acumula com outras reformas dos tachos dos grupos económicos por onde passou depois de ser ministro.
A não perder também este delicioso texto do Fernando Campos, destaco:
"A sua boca é uma torneira a deitar enormidades; que não caem em saco roto: a sua audiência é um imenso balde sem fundo e de boca aberta."
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011
A este exercício de ilusionismo populista responde muito bem o meu conterrâneo Alexandre Campos no blogue Aldeia Olímpica:
"Sempre pensei que os funcionários públicos ganham o seu ordenado à custa do seu trabalho; que os reformados, sejam públicos ou privados, têm direito à sua reforma porque a ganharam e descontaram para tal; que os desempregados têm direito ao subsídio a partir do momento que não lhes garantem trabalho, e porque, é muito importante compreender isto, enquanto trabalhadores fizeram os seus descontos, pagaram os seus impostos."
Caro Alexandre, é que esse "xico-esperto e lambe-botas do poder económico actual", como bem classificas acha que os reformados e os funcionários públicos são todos uns "vadios" e uns "pelintras" que estão é a roubar o estado, se fizeram descontos ou se são profissionais no seu trabalho, isso pouco interessa. O que é interessa é que ele não abdica da sua reformazita choruda do estado por dois miseráveis anos em que foi ministro das finanças durante os quais o FMI teve que intervir e a economia ficou em pantanas. Reforma esta que certamente acumula com outras reformas dos tachos dos grupos económicos por onde passou depois de ser ministro.
A não perder também este delicioso texto do Fernando Campos, destaco:
"A sua boca é uma torneira a deitar enormidades; que não caem em saco roto: a sua audiência é um imenso balde sem fundo e de boca aberta."
terça-feira, setembro 27, 2011
O populismo rasca de Medina Carreira a nu
“Resolveu-se nos últimos anos endeusar as universidades. Mas então por que é que estamos tão mal? Porque não precisamos de tantos doutores, precisamos é de gente média que saiba fazer. As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011.
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011.
Esta trapalhada rasca e mal educada num país saudável nem teria resposta. Mas dada a tribuna mediática - sempre sem contraditório - que é atribuída a este indivíduo, se não se responder, estas asneiras tantas vezes proferidas passam a ser verdade.
A primeira frase revela apenas que os progressos significativos registados nas universidades públicas e na ciência incomodam Medina Carreira. Porquê? Atrapalha a sua intervenção política em prol das ideologias do estado mínimo. O falhanço estrondoso de uma sociedade fortemente dependente dos mercados responde à segunda frase, que no nosso caso se traduz numa dívida privada de 220% do PIB (sobretudo externa), dívida que Medina Carreira evita evocar. A terceira frase revela um misto de ignorância e rasteireza. Portugal não tem licenciados (doutores em medina-carreirês) a mais, tem licenciados a menos. Todos os países com melhor nível de vida que nosso têm uma maior percentagem de pessoas formadas no ensino superior do que nós temos. Nesses países os quadros médios (gente média em medina-carreirês) passaram quase todos pelo ensino superior (escolas técnicas, bacharéis ou licenciaturas). Essa ideia é reforçada pelo relatório que estabelece os objectivos científicos da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target", que descreve o sucesso da aposta da Finlândia na ciência e nas universidades nos anos 90 para responder à maior recessão registada num país da Europa ocidental desde a II Guerra Mundial, a uma taxa de desemprego de 20% e a uma dívida externa incomportável.

No tempo de Medina Carreira não eram os melhores alunos que entravam nas universidades, eram os filhos dos ricos. O próprio Medina frequentou a universidade graças ao nível de vida do seu pai, o historiador António Barbosa Carreira. Nesse tempo, tirando algumas honrosas excepções Portugal era praticamente um zero em ciência. Havia departamentos inteiros nas universidades que não tinham qualquer actividade científica. A maioria dos alunos andava a passear os livros, não acabava o curso, mas isso não os impedia de ostentar o título de doutor no quotidiano (começamos a perceber a origem do medina-carreirês). No entanto a aposta que foi feita nos últimos 20 anos nas universidades e na ciência teve um retorno científico exponencial (ver gráfico). O número de patentes e de empresas científicas e tecnológicas disparou. Quer instituições quer empresas de investigação participam hoje em redes científicas internacionais juntamente com a ESA, o CERN e outras instituições muito prestigiadas. Apesar de tudo ainda há um caminho longo a percorrer, mas prefiro de longe esta universidade de "vadios" do que a velha universidade de filhinhos do papá.
domingo, setembro 25, 2011
Medina Carreira em registo tasca vínica
A palete de odores oscila entre o vinagre e o carrascão, num canto um velhinho mutilado trauteia uma moda num acordeão, sobre um banco corrido duas meretrizes asseguram a um cavalheiro que também são virgens, por baixo de uma das mesas um cão com duas feridas no dorso suspira. O cavalheiro de olhar esguio, levanta-se desconcertadamente tornando visíveis várias manchas tintas imprimidas na camisa e duas gotas grossas que lhe escorrem entre a cara e o pescoço, soltando em seguida esta frase em alta voz:
“As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”.
Nah, estou a reinar. Isto foi proferido por Medina Carreira, ao que parece em estado sóbrio, em ambiente muito respeitável do Casino da Figueira na passada terça-feira.
“As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”.
Nah, estou a reinar. Isto foi proferido por Medina Carreira, ao que parece em estado sóbrio, em ambiente muito respeitável do Casino da Figueira na passada terça-feira.
terça-feira, junho 28, 2011
Trapalhada nos secretários de estado e aviões a pedais
O populismo do Estado Mínimo, a ilusão transmitida às pessoas de que se poupa dinheiro cortando no número de ministérios, nas viagens de avião do primeiro-ministro ou reduzindo o número de deputados já começa a gerar trapalhada. A escolha de um número populista e arbitrário de ministérios (10+1, tipo Futre, depois de uma partilha de pastas cheia de manhas) em vez da definição dos ministérios em função do trabalho efectivo dedicado a cada área, teve como resultado a nomeação de 33 secretários de estado. As trapalhadas burocráticas para que os secretários de estado possam ter o mesmo poder de acção nos ministérios extintos, o tempo que se vai perder a mudar legislação, regulamentos, reajustamentos logísticos e de pessoal vão ter custos adicionais para o contribuinte. Um dos ministérios que é uma salada de temas, aquele gerido por Cristas, é o exemplo da irracionalidade deste executivo. Neste ministério vão ser geridos cerca de 90% dos fundos europeus, só...
Mas o episódio mais caricato foi a revelação de que o primeiro-ministro não poupou viajando em classe económica. Seria interessante saber se esta decisão não terá saído mais cara ao contribuinte com eventuais custos adicionais na segurança, dada a vulnerabilidade ao viajar em económica. As mega-empresas do sector financeiro mal-intencionadas ou o crime organizado agradecem essa vulnerabilidade certamente. Enquanto isso na banca, onde se recebe uma boa parte do empréstimo destinado a Portugal, os jactos privados não pararam de voar, os bónus milionários continuam a ser distribuídos e os pára-quedas dourados estão sempre à disposição em caso de alguma coisa correr mal.
Para dar maior realismo às medidas austeridade, Passos Coelho poderia encomendar aviões a pedais à Ryanair para uso do governo, com o ritmo da pedalada a ser comandado a chicote por Ricardo Salgado, José de Mello e Fernando Ulrich.
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
Sobre o ataque a reguladores e ao parlamento
O livro de "The Best Way to Rob a Bank Is to Own One" (University of Texas Press, 2005) de William K. Black é um verdadeiro manual sobre as artimanhas do sector financeiro para pôr fora-do-jogo eleitos e reguladores. No final dos anos 80, o contribuinte americano pagou um preço altíssimo pela desregulação do sector financeiro, graças à castração do poder dos reguladores e dos eleitos políticos. Sem escrutínio, o sector bancário usou e abusou de esquemas fraudulentos que produziram prejuízos pesadíssimos pagos posteriormente pelo contribuinte.
O caso BPN já nos custou 5 mil milhões de euros injectados na CGD (o maior investimento público de sempre). No entanto quase nada foi feito para reforçar a regulação do sector financeiro, como aumentar o número de efectivos das entidades reguladoras, de preferência bem pagos para estarem mais imunes a actos de corrupção. Ou ampliar os poderes de fiscalização do parlamento. Quando se ouve Jorge Lacão a pedir uma redução do número de deputados superior a 20% simultaneamente com a redução dos vencimentos das entidades reguladoras, parece que estamos a assistir à sequela do livro de William Black. Na sua obra, Black (um regulador) descreve com detalhe como este tipo de ideias era proposto por políticos americanos não eleitos, geralmente após uma noite regada de champanhe em veleiros cheios de acompanhantes de luxo pagas pelos bancos.
O caso BPN já nos custou 5 mil milhões de euros injectados na CGD (o maior investimento público de sempre). No entanto quase nada foi feito para reforçar a regulação do sector financeiro, como aumentar o número de efectivos das entidades reguladoras, de preferência bem pagos para estarem mais imunes a actos de corrupção. Ou ampliar os poderes de fiscalização do parlamento. Quando se ouve Jorge Lacão a pedir uma redução do número de deputados superior a 20% simultaneamente com a redução dos vencimentos das entidades reguladoras, parece que estamos a assistir à sequela do livro de William Black. Na sua obra, Black (um regulador) descreve com detalhe como este tipo de ideias era proposto por políticos americanos não eleitos, geralmente após uma noite regada de champanhe em veleiros cheios de acompanhantes de luxo pagas pelos bancos.
segunda-feira, outubro 11, 2010
Futebolistas sim, cientistas não!
Numa carta enviada ao The Times (ligação não disponível), oito prémios Nobel a viver no reino Unido, entre os quais os dois russos vencedores do Nobel da Física de 2010, protestam contra as políticas de restrição da imigração anunciadas pelo governo do populista David Cameron. O mais chocante destas medidas é que introduzem uma excepção para atletas de alta competição, com o intuito de isentar os futebolistas da Primeira Liga Inglesa. Um dos investigadores signatários concluiu: "o governo considerou adequado introduzir uma excepção à regra para os jogadores de futebol da Premier League. É um triste reflexo das nossas prioridades como Nação se não podemos permitir o mesmo reconhecimento para cientistas e engenheiros de elite".
sexta-feira, março 19, 2010
A amnistia do CDS às quadrilhas dos offshores
Já se sabe que a culpa da crise económica é dos ciganos que andaram a especular na bolsa de Londres e de Nova Iorque com as fortunas que recebem do rendimento mínimo e dos desempregados que andaram a branquear as avultadas centenas de euros que recebem por mês em esquemas piramidais. Só assim se percebe a medida deste CDS de Paulo Portas - apresentada pelo PS no seu pacote do PEC - de amnistiar os honestíssimos empresários que movimentam dinheiro através de offshores, sem pagar impostos, roubando o próximo em centenas de milhares de euros, gerando indirectamente desemprego, destruindo vidas e gerando pobreza (realmente, o que é que isso interessa...).
Mudando o registo. É certo que numa altura de crise é mais inteligente evitar sanções que provoquem mais desemprego e pobreza entre as empresas que utilizaram offshores. Mas os empresários, os que deram ordens para movimentar dinheiro através de offshores, poderiam ser sancionados individualmente, nem que fosse através de penas suspensas. Um roubo é um roubo, numa democracia não pode ficar esta sensação de impunidade onde se tolera o roubo de ricos e se reprime o roubo dos pobres.
Mudando o registo. É certo que numa altura de crise é mais inteligente evitar sanções que provoquem mais desemprego e pobreza entre as empresas que utilizaram offshores. Mas os empresários, os que deram ordens para movimentar dinheiro através de offshores, poderiam ser sancionados individualmente, nem que fosse através de penas suspensas. Um roubo é um roubo, numa democracia não pode ficar esta sensação de impunidade onde se tolera o roubo de ricos e se reprime o roubo dos pobres.
terça-feira, novembro 03, 2009
Havel sobre os delírios de Vaclav Klaus
No dia em que Vaclav Klaus assinou o Tratado de Lisboa e a República Checa abandonou o regime presidencial forçado em que viveu nas últimas semanas, vale a pena ler como ex-presidente Vaclav Havel descreve o actual presidente da República Checa:
"In the news Vacláv Klaus was offended on behalf of the whole country by the response of some members of the European Parliament to his comments on the European constitution than he was offended once again, this time because foreigners are mucking about in our Czech pigsty. (...) For those not in the know, some background: during the World War II a concentration camp for the Roma [ciganos] was built in the South Bohemia. (...) The Roma, rightly, see this place as a memorial site, and they find it intolerable that a mega pig farm is standing on the spot today. For years there has been a discussion in our country about the subject. (...) The European Parliament passed a resolution on the Roma and the solving of their problems that makes reference to the Czech pig farm and recommends that it be relocated.
And that is what offended Václav Klaus: such gross interference into our purely Czech affairs! We'll look after our own little Czech pigsty ourselves, and we're not remotely interested in any assistance from outsiders! And in any case - that Czech concentration camp wasn't really much of a concentration camp; it was only a place to put those who didn't want to work!
When one hears this, one is overcome with a secret longing that democratic, educated, and cultured Europe will meddle as much as possible in our Czech affairs. It is demonstrably in our own interests."
"To the Castle and Back", Vaclav Havel, pag. 133.
Convém relembrar que Vasco Pulido Valente classificou recentemente Klaus como um liberal. Percebe-se bem a concepção de liberal que há neste país...
"In the news Vacláv Klaus was offended on behalf of the whole country by the response of some members of the European Parliament to his comments on the European constitution than he was offended once again, this time because foreigners are mucking about in our Czech pigsty. (...) For those not in the know, some background: during the World War II a concentration camp for the Roma [ciganos] was built in the South Bohemia. (...) The Roma, rightly, see this place as a memorial site, and they find it intolerable that a mega pig farm is standing on the spot today. For years there has been a discussion in our country about the subject. (...) The European Parliament passed a resolution on the Roma and the solving of their problems that makes reference to the Czech pig farm and recommends that it be relocated.
And that is what offended Václav Klaus: such gross interference into our purely Czech affairs! We'll look after our own little Czech pigsty ourselves, and we're not remotely interested in any assistance from outsiders! And in any case - that Czech concentration camp wasn't really much of a concentration camp; it was only a place to put those who didn't want to work!
When one hears this, one is overcome with a secret longing that democratic, educated, and cultured Europe will meddle as much as possible in our Czech affairs. It is demonstrably in our own interests."
"To the Castle and Back", Vaclav Havel, pag. 133.
Convém relembrar que Vasco Pulido Valente classificou recentemente Klaus como um liberal. Percebe-se bem a concepção de liberal que há neste país...
quarta-feira, julho 23, 2008
Rendimento Moderno Garantido
O excelentíssimo presidente do PP declarou ontem que "há um Portugal que trabalha" e que "depois há demasiada gente a viver do RMG (Rendimento Mínimo Garantido)". Lembrei-me logo daquele Janeiro de 1999 em que Paulo Portas teve um acidente com um Jaguar "para uso funcional" que custava aos alunos da Universidade Moderna centenas de contos por mês, esses alunos filhos do mesmo "Portugal que trabalha". Como é conhecido na altura havia "demasiada gente" na Moderna a viver da chulice pura e crua dos estudantes, dos filhos do "Portugal que trabalha". Que resultados dignos de uma universidade produziu a Moderna? Publicou quantos artigos científicos? Quantas empresas de ponta saíram da Moderna? Que contributo decente trouxe para a sociedade civil?
O caso Moderna provocou desemprego, danos financeiros gravíssimos para alguns estudantes que se viram obrigados a mudar para outra universidade e produziu diplomas com o carimbo Moderna que muitos licenciados hoje em dia têm vergonha de mostrar numa entrevista de emprego. É pena não ter estado presente no local um desses estudantes, filho do "Portugal que trabalha", no momento em que Portas tem a lata de fazer declarações deste calibre. Seria a ocasião ideal para um tomate podre bem arremessado.
O caso Moderna provocou desemprego, danos financeiros gravíssimos para alguns estudantes que se viram obrigados a mudar para outra universidade e produziu diplomas com o carimbo Moderna que muitos licenciados hoje em dia têm vergonha de mostrar numa entrevista de emprego. É pena não ter estado presente no local um desses estudantes, filho do "Portugal que trabalha", no momento em que Portas tem a lata de fazer declarações deste calibre. Seria a ocasião ideal para um tomate podre bem arremessado.
quarta-feira, junho 25, 2008
O exame do 9º ano é fácil
Se o exame do 9º ano foi fácil, não o deveria ser, quem percorreu longas carreiras académicas sabe que se paga sempre, mais tarde ou mais cedo, a factura de provas fáceis.
Dito isto, há algo que me perturba muito mais nesta história do exame fácil. É registar a histeria com que o Correio da Manhã, o 24 Horas, a TVI e afins lidam com o assunto, como se fossem virgens intocáveis de educação televisiva, de rigor, de serviço público, é ver uma grelha da TVI e aquilo é só documentários e programas culturais, é abrir o Correio da Manhã e é só secções dedicadas à ciência e à cultura. O mais interessante ainda é constatar que quem surfa a fundo nestas ondas de histeria de mãos dadas com os referidos meios de comunicação, são os órfãos do Salazarismo e o PP, em particular o seu excelentíssimo presidente, famoso pelo belo exemplo que foi aquele colosso do ensino superior português: a Universidade Moderna.
Dito isto, há algo que me perturba muito mais nesta história do exame fácil. É registar a histeria com que o Correio da Manhã, o 24 Horas, a TVI e afins lidam com o assunto, como se fossem virgens intocáveis de educação televisiva, de rigor, de serviço público, é ver uma grelha da TVI e aquilo é só documentários e programas culturais, é abrir o Correio da Manhã e é só secções dedicadas à ciência e à cultura. O mais interessante ainda é constatar que quem surfa a fundo nestas ondas de histeria de mãos dadas com os referidos meios de comunicação, são os órfãos do Salazarismo e o PP, em particular o seu excelentíssimo presidente, famoso pelo belo exemplo que foi aquele colosso do ensino superior português: a Universidade Moderna.
A TVI é fácil
A TVI andou a transmitir durante anos um programa de variedades da vida real onde a principal actividade de jovens em idade escolar era coçar as virilhas durante horas a fio. Numa ocasião em que fui fazer uma acção de divulgação numa escola secundária de uma região onde o nível educacional dos pais dos alunos era baixíssimo, ao interpelar os alunos com a tradicional pergunta "o que queres fazer quando fores grande", um deles respondeu com um ar convicto "quero ser rico sem fazer nada". Nem futebolista, nem actor, nem modelo, a profissão era nem mais nem menos que não fazer nada. Na altura, lembrei-me logo do exemplo que os jovens do Big Brother, jovens que ganharam rios de dinheiro "sem fazer nada", representaram para todo um país onde a educação não é valorizada e onde se vê televisão em doses excessivas.
Reparem na semelhança do ambiente de falta de respeito do famoso vídeo da escola Carolina Michaelis e do vídeo da agressão no Big Brother da TVI.
O que foi escrito também serve para a SIC generalista.
Reparem na semelhança do ambiente de falta de respeito do famoso vídeo da escola Carolina Michaelis e do vídeo da agressão no Big Brother da TVI.
O que foi escrito também serve para a SIC generalista.
O Correio da Manhã é fácil
Futebol, voyeurismo, mau gosto e sensacionalismo, reparem que em três capas a palavra sexo aparece escrita três vezes, uma vez pedofilia e uma vez gay.
Estas três ilustrativas capas foram seleccionadas apenas entre as publicações dos últimos 15 dias. Se recuássemos um bocadinho mais no tempo encontraríamos capas muito mais suculentas.
O Correio da Manhã é um jornal que não leio, nem a tiro. Se estivesse numa ilha deserta e o CM fosse o único jornal disponível preferia escrever na areia com os dedos notícias inventadas por mim do que ler o lixo imprimido no referido pasquim. Isso não me impede de ler alguns autores que por lá escrevem as suas crónicas, mas leio-os nos respectivos blogues cuja qualidade é infinitamente superior ao CM.
O que aqui escrevi também se aplica ao jornal 24 Horas.
Estas três ilustrativas capas foram seleccionadas apenas entre as publicações dos últimos 15 dias. Se recuássemos um bocadinho mais no tempo encontraríamos capas muito mais suculentas.
O Correio da Manhã é um jornal que não leio, nem a tiro. Se estivesse numa ilha deserta e o CM fosse o único jornal disponível preferia escrever na areia com os dedos notícias inventadas por mim do que ler o lixo imprimido no referido pasquim. Isso não me impede de ler alguns autores que por lá escrevem as suas crónicas, mas leio-os nos respectivos blogues cuja qualidade é infinitamente superior ao CM.
O que aqui escrevi também se aplica ao jornal 24 Horas.
quarta-feira, maio 14, 2008
Educação Moderna
Paulo Portas quer que os pais escolham as escolas dos filhos, quer criar guetos na sociedade desde a idade escolar, já não bastam os guetos em que algumas crianças nascem e contra os quais têm que lutar se quiserem ter verdadeiras escolhas de vida. Não tarda vamos ter os pais a escolher as matérias a dar na escola, evolucionismo ou criacionismo? Ou a escolher os exames dos filhos, fácil ou muito fácil? É uma forma conhecida de ensino, lucrativo para privadas sem escrúpulos que dá muito guito para comprar Jaguares.
quinta-feira, abril 17, 2008
O Circo Europa de Sarkozy e de Berlusconi
Na passada segunda-feira imaginei o circo que vão ser os Conselhos Europeus com Sarkozy e Berlusconi, pelos vistos não fui o único a ter essa inquietação. Ler o editorial de hoje do Courrier Internacional da autoria de Philippe Thureau-Dangin :
"A quoi va ressembler une Europe où siégeront à la fois Berlusconi et Sarkozy ? C’est ce que se demande, un peu inquiet, Die Zeit (vous trouverez l’article en page XXIV de notre cahier spécial consacré à la première année du président français). De fait, les Allemands se méfient des sautes d’humeur des deux hommes. Angela Merkel ne disait-elle pas, en aparté, de son ami Nicolas : “Tant qu’il est dans mon bureau, ça va. C’est quand il est loin que je ne le maîtrise plus…” ? La France va prendre pour six mois la présidence de l’Europe. Et ses vingt-six partenaires s’attendent à quelques surprises."
"A quoi va ressembler une Europe où siégeront à la fois Berlusconi et Sarkozy ? C’est ce que se demande, un peu inquiet, Die Zeit (vous trouverez l’article en page XXIV de notre cahier spécial consacré à la première année du président français). De fait, les Allemands se méfient des sautes d’humeur des deux hommes. Angela Merkel ne disait-elle pas, en aparté, de son ami Nicolas : “Tant qu’il est dans mon bureau, ça va. C’est quand il est loin que je ne le maîtrise plus…” ? La France va prendre pour six mois la présidence de l’Europe. Et ses vingt-six partenaires s’attendent à quelques surprises."
segunda-feira, abril 14, 2008
O próximo Conselho Europeu vai ser um circo
Imaginem o próximo Conselho Europeu com Berlusconi e Sarkozy juntos, ensemble, insieme, insieme, unite, unite, Europe, como rezava a música de Toto Cutugno. A competição pela migliore bugia ou pela meilleure cascade em frente aos jornalistas vai ser cerrada.
domingo, junho 24, 2007
Fabius chuta contra o Tratado eee... auto-golo!
A táctica de Laurent Fabius no seio do PSF ancorada às suas ambições presidenciais foi a estratégia política que mais contribuiu - mais do que qualquer estratégia racional - para o Não de esquerda no referendo francês ao Tratado Constitucional. No primeiro jornal televisivo em que participou após a vitória do Não, a primeira pergunta feita pelo jornalista a Fabius foi qualquer coisa como "Qual o significado desta vitória?", a que este respondeu: "François Hollande deve deixar a presidência do PS"... Se alguém tinha dúvidas, neste momento ficou claro que Fabius se estava a borrifar para a Europa! Simultaneamente, os maiores neo-liberais da Europa - que sempre foram fervorosamente contra o Tratado - agradeciam o auto-golo de um Fabius que tinha apelado ao Não em nome do combate ao neo-liberalismo! Bem visto, da parte de Fabius...O resultado deste "tiro no pé" da esquerda francesa é que o Tratado recém alinhavado em Bruxelas que substituirá o Tratado de Nice, será um tratado mais à direita do que o Tratado Constitucional, será mais conformista, mais conservador e que agradará mais a todos aqueles que preferem uma Europa bem comportadinha, muito obediente aos EUA e a todos os caprichos do mercado mundial. Basta ler algum regozijo dos que entre nós defendem esse modelo. Os mais radicais anti-europeístas, como Pacheco Pereira, vão continuar a boicotar todas as versões reduzidas do Tratado que venham a ser apresentadas, interessa-lhes mais uma Europa tecnicamente impotente.
À atenção do MIC e do BE
A Esquerda Europeia perdeu e só pode perder ainda mais se continuar com um programa político de carácter pavloviano, resumindo a sua participação europeia a uma reacção permanente a estímulos políticos pontuais, sobretudo quando estes são mal avaliados como foi o caso do Tratado Constitucional. E são frequentemente mal avaliados porque infelizmente uma parte da Esquerda Europeia não tem um verdadeiro programa político europeu. É o caso da facção do PSF de Fabius e é também o caso da Esquerda Unitária Europeia. Ora, o dever da Esquerda Europeia é um dever de iniciativa. A Europa é actualmente líder nalguns dos principais desafios do planeta: combate às alterações climáticas, moderação de conflitos regionais (no Líbano foi evidente), respeito pelos direitos humanos, da sexualidade, da laicidade e da paridade. Estes são desafios muito caros à esquerda, mas se os erros da esquerda retirarem à Europa a sua capacidade de iniciativa esta caberá aos EUA e à China e todos sabemos muito bem a leviandade com que cada um destes países trata estes assuntos. A responsabilidade da Esquerda Europeia estende-se à aproximação da UE aos cidadãos. Neste particular, o actual formato de realização de 27 referendos dispersos no tempo não faz qualquer sentido do ponto de vista democrático e matemático (explicarei porquê). Deste modo, um NÃO tem um peso excessivo, que favorece claramente a generalidade das posições anti-europeístas. Um referendo a nível europeu, realizado no mesmo dia, de uma forma clara e simples para todo o cidadão europeu, não só reforçaria o sentimento que vivemos numa casa comum, com um destino comum, como evitaria o falseamento democrático dos resultados e das reais escolhas dos europeus. Somados os votos de todos os referendos ao Tratado Constitucional, qual foi a percentagem de voto NÃO? 20%? 30%? E entre os votos NÃO havia mais esquerda ou mais direita? Havia certamente muito mais direita, e havia direita da piorzinha...
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