A minha coluna no jornal As Beiras de 12 de Junho de 2012:
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quarta-feira, julho 18, 2012
quarta-feira, abril 25, 2012
Obrigado Miguel
Era leitor fiel da revista Vida Mundial e do semanário Já dirigidos pelo Miguel Portas. Mas foi um artigo no DN sobre a pobreza no Iémene que me chamou a atenção para a personagem. Era uma opinião de esquerda que sobressaía largamente do lote. Sempre que comentava os seus artigos do DN não ficava sem resposta. Da troca de galhardetes surgiu uma amizade que durou até hoje. Quando colaborei com o Miguel no Parlamento Europeu tive o privilégio de assistir à forma intensa, contagiante e mobilizadora como intervia na política europeia. O Miguel era uma daquelas estrelas de brilho raro que ofuscava o céu cinzento da política europeia.
Obrigado Miguel pela forma humana, criativa, entusiasta, bem disposta e inteligente com que encaraste o trabalho de eleito ao serviço do povo.
terça-feira, março 20, 2012
Moebius (1938 – 2012)

Jean Giraud, Moebius para os amigos, foi o meu desenhador preferido na minha fase pós-adolescência. A liberdade criativa que Moebius aplicava aos seus universos e às suas personagens ia ao encontro da minha concepção de criança daquilo que poderia ser o mundo depois do ano 2000. Os personagens não tinham uma cor de cabelo estandardizada, uns corriam, outros voavam, outros saltavam e a variedade de humanóides era apenas batida pela miscelânea de feras com apêndices tecnológicos nas partes do corpo mais improváveis. Frequentemente, o registo de Moebius aflorava o delírio e a loucura, não espanta pois o seu mergulho temporário mas profundo na seita Izo Zen. Para o grande público o mais conhecido de Moebius são os cenários gótico-futuristas da série Aliens e a perninha que fez na Marvel desenhando o Surfista Prateado.
Moebius nunca perdeu a sua capacidade de deslumbramento e isso conta muito aqui nesta casa.
terça-feira, dezembro 20, 2011
Homenagem a Havel
Václav Havel (lê-se Vatslav, c=ts) é sobretudo sinónimo de coragem. Contra o regime comunista legitimado pelos tanques soviéticos, Havel foi reunindo em torno de si de uma forma mais ou menos caótica dissidências várias da sociedade checoslovaca que agrupava desde católicos a trotsquistas, apesar da permanente perseguição e das passagens pela prisão de que foi alvo. Quando a URSS começou a vacilar, foi com a mesma coragem que Havel apareceu nas primeiras linhas da contestação, quando ainda era incerto se uma nova vaga de tanques soviéticos pudesse voltar a intervir ou não.Todos estes episódios são relatados com muito humor nas memórias de Havel, "To the Castle and Back", sobretudo quando descreve o estoicismo burocrático dos funcionários do PC checo bem como os delírios fanáticos dos ultraliberais que seguem o actual presidente Václav Klaus.
Mas Havel, é também um exemplo de um grande europeísta, daqueles que fazem falta na Europa nos dias de hoje. O seu primeiro discurso perante o Parlamento Europeu em 1994 não poderia ser mais actual. Havel apela à construção de uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e à eleição directa pelos cidadãos europeus de um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19).
Havel, o checo enfezado que costumava passar férias no Algarve, vai deixar muitas saudades.
sexta-feira, julho 01, 2011
Peter Falk, o Columbo
Peter Falk foi Columbo naquela que é a minha série policial preferida, de longe, muito longe e foi também Columbo em "As Asas do Desejo", o meu filme preferido.Curiosamente, a deliciosa personagem protagonizada por Peter Falk foi inspirada em Porfiry Petrovich, o detective de "Crime e Castigo" de Dostoiévski. Os autores da série inspiraram-se nas manhas de Petrovich, que se auto-desvalorizava e desvalorizava as perguntas dos interrogatórios a Raskólnikov, para no final aplicar uma ou duas questões que sobressaltavam o assassino de Aliona Ivanovna. Igualmente a estrutura do romance de Dostoiévski foi seguida em Columbo. Fica-se logo a saber quem e como assassinou, guardando-se todo o prazer para o descascar do crime e não para a revelação do criminoso. Depois, em Columbo, havia a gabardina (escolhida por Falk), o Peugeot 403, o cão e a mulher invisível de Columbo. Outro aspecto relevante da série era a afronta aos ricos e poderosos que se desenrolava durante a investigação, aquela gabardina e aquela personagem rapidamente gerava a cólera entre a aristocracia californiana. Em tempos de Guerra Fria, os autores revelaram uma coragem assinalável.
domingo, abril 17, 2011
Gagarine, 50 anos depois
(publicado no portal Esquerda.net)
A 12 de Abril de 1961, de seu nome de código “Cedro”, um jovem russo de 27 anos e 1,59m, Yuri Gagarine, é lançado num míssil intercontinental a bordo da cápsula Vostok para um voo de 108 minutos à volta da Terra que atingiu o seu apogeu a 370 km de altitude. Depois de entrar na atmosfera Gagarine accionou o acento ejectável e posou com algumas dificuldades perto de Saratov. Gagarine tornou-se imediatamente o mais popular herói da URSS, um herói em quem se revia o cidadão comum, na sua simplicidade, simpatia e nas suas origens modestas: mãe camponesa e pai carpinteiro. O regime soviético classificou a proeza como a prova da competitividade do socialismo
Entre 3.000 candidatos, Yuri Gagarine integrou o grupo de 20 seleccionados que passou por um intenso programa de treinos e de testes na Cidade das Estrelas. Apenas 4 dias antes do lançamento foi escolhido o cosmonauta que embarcaria na Vostok e o seu suplente: Gherman Titov. Todos os preparativos desta missão foram guardados em segredo. Se algo corresse mal durante o voo de Gagarine nada seria divulgado e este desapareceria no anonimato. O mérito do feito de Gagarine é reforçado quando se considera que a taxa de sucesso de lançamentos de cápsulas espaciais era na altura cerca de 54%, facto que o Cedro desconhecia. Mas seria curiosamente num acidente ocorrido durante um voo de treino quando tripulava um MIG-15 que Yuri Gagarine encontraria a morte, a 27 de Maio de 1968, uma semana antes do assassinato de Martin Luther King e cerca de dois meses antes do assassinato de Robert Kennedy.
Desde a morte de Gagarine até ao presente, os voos espaciais tripulados tiveram o seu auge durante o programa Apollo. No entanto, o espaço internacionalizou-se e hoje em dia astronautas americanos, europeus e cosmonautas russos partilham o reduzido espaço da Estação Espacial Internacional, dedicando-se à investigação em ambiente de micro-gravidade e ao estudo dos voos espaciais de longa duração, que se poderão estender de algumas semanas a cerca de um ano. Para lá dos feitos associados à conquista do espaço, da investigação associada aos voos espaciais tripulados resultaram tecnologias que melhoraram a vida do cidadão comum cá em baixo na Terra: fatos de bombeiro anti-fogo, aparelhos de hemodiálise portáteis, o GPS, electrodomésticos sem fios, conservação prolongada de alimentos e progressos assinaláveis nas áreas da fisiologia e da psicologia, alguns deles recentemente colocados em prática durante as operações de resgate dos mineiros chilenos.
A 12 de Abril de 1961, de seu nome de código “Cedro”, um jovem russo de 27 anos e 1,59m, Yuri Gagarine, é lançado num míssil intercontinental a bordo da cápsula Vostok para um voo de 108 minutos à volta da Terra que atingiu o seu apogeu a 370 km de altitude. Depois de entrar na atmosfera Gagarine accionou o acento ejectável e posou com algumas dificuldades perto de Saratov. Gagarine tornou-se imediatamente o mais popular herói da URSS, um herói em quem se revia o cidadão comum, na sua simplicidade, simpatia e nas suas origens modestas: mãe camponesa e pai carpinteiro. O regime soviético classificou a proeza como a prova da competitividade do socialismoEntre 3.000 candidatos, Yuri Gagarine integrou o grupo de 20 seleccionados que passou por um intenso programa de treinos e de testes na Cidade das Estrelas. Apenas 4 dias antes do lançamento foi escolhido o cosmonauta que embarcaria na Vostok e o seu suplente: Gherman Titov. Todos os preparativos desta missão foram guardados em segredo. Se algo corresse mal durante o voo de Gagarine nada seria divulgado e este desapareceria no anonimato. O mérito do feito de Gagarine é reforçado quando se considera que a taxa de sucesso de lançamentos de cápsulas espaciais era na altura cerca de 54%, facto que o Cedro desconhecia. Mas seria curiosamente num acidente ocorrido durante um voo de treino quando tripulava um MIG-15 que Yuri Gagarine encontraria a morte, a 27 de Maio de 1968, uma semana antes do assassinato de Martin Luther King e cerca de dois meses antes do assassinato de Robert Kennedy.
Desde a morte de Gagarine até ao presente, os voos espaciais tripulados tiveram o seu auge durante o programa Apollo. No entanto, o espaço internacionalizou-se e hoje em dia astronautas americanos, europeus e cosmonautas russos partilham o reduzido espaço da Estação Espacial Internacional, dedicando-se à investigação em ambiente de micro-gravidade e ao estudo dos voos espaciais de longa duração, que se poderão estender de algumas semanas a cerca de um ano. Para lá dos feitos associados à conquista do espaço, da investigação associada aos voos espaciais tripulados resultaram tecnologias que melhoraram a vida do cidadão comum cá em baixo na Terra: fatos de bombeiro anti-fogo, aparelhos de hemodiálise portáteis, o GPS, electrodomésticos sem fios, conservação prolongada de alimentos e progressos assinaláveis nas áreas da fisiologia e da psicologia, alguns deles recentemente colocados em prática durante as operações de resgate dos mineiros chilenos.
sexta-feira, outubro 08, 2010
Georges Charpak (1924-2010)
Georges Charpak, Nobel da Física em 1992, fez parte desse grupo minoritário de cientistas que se preocupa em interagir com a sociedade, em transpor o que se faz no interior dos laboratórios para o cidadão comum. Charpak publicou excelentes livros de divulgação científica como "De Tchernobyl en tchernobyls", Odile Jacob, 2005, "Soyez savants, devenez prophètes", Odile Jacob, 2004 ou a sua única obra traduzida em português "Feiticeiros e Cientistas", Gradiva, 2002. Estas obras são um reflexo da intervenção de Charpak contra a charlatanice, as pseudo-ciências e a cupidez do mercado, onde de uma forma espirituosa desmonta os artifícios de espécies várias desde astrólogos, passando por economistas com poucos escrúpulos até a cientistas sociais iluminados pelo além. O sentido crítico que empregou nas suas análises da sociedade teriam sido da maior utilidade para combater o charlatanismo de mercado dos tempos que correm.Recordo as palavras duras e violentas com que classificou os responsáveis da direcção da nossa televisão pública quando aceitou subscrever uma petição contra uma rubrica diária de astrologia da RTP. Não era um homem meigo para charlatães e afins. Charpak vai deixar saudades, mas também deixou escola, uma grande escola de espírito crítico.
domingo, junho 20, 2010
O homem que criou Blimunda e Baltazar
Num romance que é também uma bela homenagem a uma das maiores invenções realizadas por português, a Passarola, existem estas duas personagens que se amam: Blimunda e Baltazar. Baltazar é queimado na fogueira da Inquisição mas a sua alma não vai para o céu, vai para o coração de Blimunda que é onde a sua alma pertence.
Saramago não foi para céu, estará certamente num lugar mais aconchegado.
Saramago não foi para céu, estará certamente num lugar mais aconchegado.
terça-feira, junho 23, 2009
Boris Vian 50 anos
A realidade não bastava a Boris Vian.
Vian saltava de Universo em Universo,
de dimensão em dimensão,
como um cosmonauta do espírito.
Na Klepsýdra, homens destes são eternos.
quinta-feira, março 20, 2008
Sir Arthur Clarke
Arthur Charles Clarke foi um dos responsaveis pelo meu gosto pela astrofisica e pelo espaco li todas as suas odisseias, vi os dois filmes que lhe foram consagrados, 2001 de Kubrick e 2010 de Peter Hyams, e esperava com ansiedade pelo dia em que era transmitida a serie "O Misterioso Mundo de Arthur Clarke" onde eram dissecados os chamados fenomenos paranormais. Para alem da sua obra literaria, Arthur Clarke teve um contributo importante para a adopcao de satelites em orbita geoestacionaria no dominio das telecomunicacoes.
A morte de Arthur Clarke fez-me rever velhas memorias de escola primaria. Enquanto esperava que os meus colegas terminassem os exercicios, eu viajava ate' 'as estrelas na minha carteira, sobrevoava o monolito na Lua, ultrapassava a Discovery One e comunicava com o computador Hal 9000, os meus lapis, afiadeiras e borrachas, representavam, cada um, uma nave diferente que congestionava o ceu de Jupiter e de Europa.
Obrigado Sir Arthur!
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