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segunda-feira, julho 12, 2010

Penúria de energia eléctrica no Iraque

(publicado no portal Esquerda.net)
2009 foi o segundo ano mais quente desde que se regista a temperatura global da Terra e a temperatura média dos cinco primeiros meses de 2010 foi a mais alta jamais registada. Este é um cenário que nada ajuda um problema que se tem vindo a agravar no Iraque nos últimos anos: a penúria de energia eléctrica. Apesar das promessas de reconstrução de infra-estruturas por parte dos países que ocuparam o Iraque, a reconstrução da rede de electricidade ficou muito aquém das necessidades mínimas dos iraquianos. O Iraque produz apenas cerca de 7.000 MW por mês quando o mínimo aceitável para o normal funcionamento do país ronda os 14.000 MW. Com temperaturas que por vezes ultrapassam os 50º C, os iraquianos sofrem de desidratação, problemas gástricos e cansaço causado pelo calor nas zonas onde há uma dependência grande da climatização e da obtenção de água através de bombas eléctricas que detêm uma boa parte das famílias. O número de mortos resultantes das vagas de calor têm-se multiplicado, bem como o número de falências e de desempregados decorrentes de empresas que necessitam de electricidade para operar normalmente.

O descontentamento da população é geral. Desde Junho que se têm repetido manifestações públicas contra a política energética do Iraque, tendo algumas dessas manifestações acabado em confrontos com a polícia de que resultaram vários mortos. Têm ocorrido ataques regulares aos funcionários e aos edifícios do Ministério da Electricidade que resultaram em mais de 140 mortos. A escalada de violência levou à demissão do próprio Ministro Karim Wahid a 21 de Junho. Durante a conferência realizada na altura, Wahid declarou que o seu ministério não dispunha de meios financeiros para poder controlar o problema.

Apesar da General Electric e da Siemens já terem anunciado a construção de novas centrais eléctricas estas apenas estarão prontas dentro de dois anos na melhor das hipóteses. É irónico que um dos maiores produtores de petróleo do mundo, logo um dos maiores fornecedores de energia ao resto do planeta, assista impotente à morte dos seus cidadãos por problemas resultantes da falta de energia eléctrica. Sobretudo depois de tantas promessas de reconstrução da parte dos EUA com a agravante destes estarem mais preocupados com o programa energético do país vizinho, o Irão, sobre questões que são um luxo quando comparadas com os problemas dos iraquianos. Por muito perigoso que possa ser o programa nuclear iraniano, o número de vítimas iraquianas deveria fazer os EUA e a comunidade internacional mudar de prioridade na região para evitar que morram ainda mais iraquianos vítimas do calor.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Interrogar Durão Barroso sobre ADM no Iraque

Tony Blair foi recentemente interrogado publicamente sobre a sua decisão de invadir o Iraque sob o pretexto da existência de ADM (armas de destruição em massa). Durante o interrogatório Blair passou por maus momentos, enquanto nos media o inspector da ONU Hans Blix tinha finalmente direito a oferecer aos britânicos, em horário nobre, a visão dos inspectores da ONU sobre a existência de ADM, bem diferente da versão anglo-americana.

Ninguém se esqueceu que na altura Durão Barroso foi categórico, afirmando que viu as provas da existência de ADM no Iraque. Mais tarde, em 2007, Barroso afirmou que lhe transmitiram informações "que não corresponderam à verdade". Fica no ar que Portugal foi enganado ao mais alto nível por outros países, com a agravante de estes serem países aliados. Seria de todo interesse da segurança nacional o Parlamento pedir uma audição ao ex-primeiro ministro. Seria importante ficarmos a saber definitivamente quem enganou Durão Barroso e tirar as respectivas conclusões sobre o bom funcionamento dos serviços de informação e aconselhamento ao mais alto nível e eventualmente tomar medidas à altura da gravidade do caso com os respectivos países que enganaram Barroso.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

No Vale de Elah



Entre os realizadores de Hollywood, o canadiano Paul Haggis é provavelmente o melhor realizador em exercício. As personagens dos filmes de Haggis têm densidade, têm nuance, não são estereotipadas, nem categóricas, nem infantis como é tão habitual no cinema de Hollywood. "No Vale de Elah" é apenas o segundo filme de Paul Haggis realizado para cinema. Depois desta obra e do premiado "Colisão", Haggis ainda não desiludiu e deixou a fasquia muito alta para o seu próximo filme.
Tommy Lee Jones interpreta, Hank Deerfield, o pai de um soldado americano que foi assassinado após o seu regresso do Iraque. Deerfield é um veterano de guerra, familiar com o meio militar, que ajudado pela detective Emily Sanders (Charlize Theron) vai reconstruir parte do percurso do seu filho no Iraque e nas suas desventuras nos EUA, já depois do seu regresso. Esta obra mostra o lado chocante da fase de ocupação do Iraque, mostra jovens que largaram as consolas e os jogos de computador há pouco tempo e se encontram num terreno hostil com as mesmas armas, os mesmos veículos, os mesmos objectos, só que desta vez são reais, ferem, matam e mutilam. O cenário dos jogos mistura-se com o real, os telemóveis registam imagens cruéis que depois vistas à posteriori, já arrancadas do seu contexto real, passam a ser banais. A alienação e uma certa infantilidade dos soldados é muito bem caracterizada por Haggis e contrastam com a formação militar de Deerfield. Fica a sensação que esta guerra é feita, mais do que em outras ocasiões, por rapazitos imaturos, contudo mais arrogantes e em posse de armas muito mais eficazes.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Ana Gomes: Pacheco Pereira e o Iraque

A ler os quatro textos de Ana Gomes "Pacheco Pereira e o Iraque" no Causa Nossa. Muito oportuna a retrospectiva do que escreveu Pacheco Pereira e outros sonharam com um putativo 'admirável Médio Oriente novo' em 2003.

terça-feira, novembro 27, 2007

Consequências das declarações de Barroso II

A Ana Gomes comenta as declarações de Barroso sobre as ADM no Iraque como uma "tentativa de limpar o seu nome". Sugiro à Ana Gomes que acredite (tal como eu) nas declarações de Durão Barroso, pelo menos num primeiro tempo. É que as declarações de Barroso são gravíssimas. Portugal foi enganado ao mais alto nível por outros países, com a agravante de serem países aliados. Isto é muito mais grave do que as declarações do Procurador Geral da República sobre as escutas telefónicas. Trata-se da segurança do Estado ameaçada ao mais alto nível. Porque é que a Ana Gomes juntamente com a esquerda parlamentar não exige uma audição ao ex-primeiro ministro? Tira-se tudo a limpo. Ou ficaremos a saber definitivamente quem enganou Durão Barroso e poderemos tomar medidas à altura da gravidade do caso com os respectivos países, ou chegaremos à conclusão que o ex-primeiro ministro está a tentar limpar o seu nome, se de facto ninguém o enganou ou se se deixou enganar voluntariamente.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Consequências das declarações de Barroso

Durão Barroso, ao revelar que lhe transmitiram informações "que não corresponderam à verdade" sobre a existência de armas de destruição em massa, deveria ser objecto, pelo menos, de uma audição parlamentar para se saber com rigor como e quem enganou o nosso primeiro-ministro da altura. Relembro que estamos a falar de um assunto de estado da maior gravidade: a guerra. Na guerra morre gente, não se trata propriamente de um banal assunto de Estado como uma subida de taxas de juro ou mesmo da realização de um referendo popular. Relembro ainda que já houve audições parlamentares a jornalistas, por causa de uma vírgula.
Se foi a Administração Bush que enganou o nosso primeiro-ministro deveriam ser tiradas consequências à altura da gravidade dos factos, visto que fazemos parte de uma aliança militar com os EUA: a NATO. A aliança militar entre dois países é incompatível com este tipo de práticas, bastante comuns, isso sim, entre países rivais.
Se as informações enganosas vieram de outra fonte qualquer, o caso é ainda mais grave porque revelaria que estamos permanentemente expostos a ser ludibriados ao mais alto nível do Estado sobre assuntos da maior relevância política.

Fosse Portugal um país sério e esta questão seria tirada a limpo até às últimas consequências, o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Parlamento não deveriam admitir com passividade que o nosso país tenha sido enganado ao mais alto nível sem que sejam extraídas quaiquer conclusões e as consequências devidas.

O aconselhamento científico do Primeiro Ministro
O episódio Barroso revela igualmente como é perigoso um primeiro-ministro não ter conselheiros científicos à altura das suas funções. Na altura da cimeira havia cientistas e militares em Portugal que saberiam certamente reconhecer os camiões de hidrogénio ou pelo menos formar uma opinião crítica sobre a ideia de o Iraque transportar agentes biológicos em camiões pelo meio do deserto a altas temperaturas (ver 5. da entrada anterior). Além do mais, os comentários dos peritos americanos do Departamento de Energia e dos russos às "provas" apresentadas por Powell eram já conhecidos na altura. A quem recorreu Barroso para confirmar as provas que lhe foram apresentadas, visto que ele não tinha obviamente competência para as analisar? É uma questão que não deveria ficar sem resposta, porque é a "brecha" por onde entrou a informação enganosa.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Relembrar as mentiras sobre ADM no Iraque

Há mais de dois anos comentei aqui o livro "Disarming Iraq" da autoria de Hans Blix, o coordenador das inspecções de armas de destruição em massa (ADM) no Iraque. Dois anos depois o livro não perdeu a actualidade. Transcrevo a minha entrada de então:

Durante o processo de inspecções do Iraque lideradas por Hans Blix existiu uma constante pressão da administração Bush para montar um cenário de uma suposta ameaça apocalíptica da parte do Iraque sobre o mundo ocidental, os EUA e Israel em particular. Esse cenário em que supostamente armas de destruição em massa (ADM) estariam prontas a ser disparadas em 45 minutos nunca foi verificado por qualquer observação dos inspectores no Iraque liderados por Hans Blix, nem pelos melhores especialistas mundiais de ADM (Departamento de Energia dos EUA, DE; Institute for Science and International Security, ISIS; e Agência Internacional de Energia Atómica, AIEA). Por outro lado a tentativa de montar um cenário apocalíptico por parte dos EUA e do Reino Unido não é uma simples opinião política, essa tentativa foi bem real, está documentada e registada e ironicamente acabou por obter resultados em países em que existe um défice de consciência crítica e de falta de rigor dos políticos em assuntos de carácter científico, como em Portugal.
Hans Blix no seu livro "Disarming Iraq" descreve com detalhe e de uma forma muito fundamentada as ilusões que a propaganda americana e britânica impingiram ao mundo com algum sucesso. Depois do anúncio da comissão americana de inspecções de armamento no Iraque de que não existiam ADM, todos os argumentos apresentados pela administração Bush parecem hoje particularmente ridículos e falsos. No entanto convém recordar os argumentos que sustentaram a existência de ADM no Iraque, para que não caiam no esquecimento:

1- Uma ogiva para explosivos de fragmentação para mísseis de curto alcance encontrada numa sucata de uma fábrica encerrada e decadente. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Não foi encontrado qualquer vestígio de agentes químicos ou biológico na ferrugem dos restos da ogiva.

2- Um drone com um raio de acção de controlo a partir do solo de 8 km, cuja capacidade de carga útil era inferior a 20 kg. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Com uma carga útil de 20 kg e um raio de controlo de 8 km deveria ser para matar pássaros na periferia de Bagdad...

3- Tubos de alumínio para enriquecimento de urânio por centrifugação - Foram comprados ilegalmente, mas serviam para a construção de foguetes. O DE e AIEA declararam vezes sem conta que aqueles tubos não serviam para as centrifugadoras. Um dos inspectores americanos depois intervenção no Iraque sugeriu que fossem utilizados em canalizações...

4- "Yellow stone" ou urânio natural supostamente importados pelo Iraque ao Niger é um material cuja utilização em armas nucleares requer um tratamento industrial complexo que a caduca indústria Iraquiana nunca poderia executar. O mais engraçado, é que a suposta importação de "yellow stone" por parte do Iraque é baseada num recibo apresentado pela administração americana e que se provou ser uma falsificação. A administração Bush declarou mais tarde que "alguém" falsificou esse recibo, eles só o tinham apresentado. Nunca se soube quem era esse "alguém". É outra forma de dizer "não sei quem FUI"...

5- Os famosos camiões de armas biológicas apresentados por Powell na ONU, como se veio a confirmar no fim da guerra, eram camiões de transporte de hidrogénio utilizados em balões meteorológicos de alta altitude. Já assisti a um lançamento de um balão a hidrogénio desse tipo e posso garantir que é algo de muito corrente o facto do enchimento ser feito por camiões. Mas o pior de toda esta história é que a ISIS, os especialistas em armas biológicas dos EUA, da Rússia e do Iraque disseram que aquela acusação só revelava uma ignorância tremenda dos serviços secretos britânicos. É que todos os especialistas em armas biológicas, inclusive os Iraquianos, consideravam a opção de utilização de camiões como uma opção perigosíssima, pois basta um pequeno acidente de trânsito para provocar uma catástrofe. O calor que se faz sentir no Iraque torna impraticável a utilização de laboratórios móveis que pudessem funcionar a uma temperatura aceitável sem adulterar os agentes biológicos.

Quase todas estas informações eram conhecidas antes da intervenção, mesmo assim avançou-se para o Iraque sob o pretexto das ADM. O cúmulo do propagandismo americano foi quando Condoleza Rice algumas semanas antes da intervenção no Iraque declarou: "as pessoas só vão dar razão aos EUA quando virem um cogumelo nuclear [produzido pelo Iraque]". Isto depois da AIEA, do DE dos EUA e da ISIS terem dado como finalizadas as inspecções de armas nucleares e como encerrado o programa nuclear Iraquiano...

terça-feira, agosto 21, 2007

Ninive, Iraque: cerca de 200 mortos

Pois é Bruno, os atentados não aconteceram no "mundo ocidental", aconteceram no Iraque. Os solenes discursos sobre os atentados de Londres e de Madrid tão apelativos à lágrima de crocodilo perdem a espontaniedade no caso dos atentados da província iraquina de Ninive. Percebe-se bem o quanto o Iraque preocupa quem apoiou a sua invasão.

quarta-feira, março 14, 2007

Verdades do Iraque como azeite em copo de água

Para quem tinha lido o livro "Disarming Iraq" de Hans Blix, as suas declarações de manipulação por parte dos governos britânico e americano do relatório sobre as armas de destruição em massa (ADM) não são grande novidade. Em "Disarming Iraq" já está lá tudo, num livro muito interessante nunca traduzido para português, vá-se lá saber porquê...

Aqui fica uma entrada de 11 de Outubro de 2004 em que comento as denúncias de Hans Blix em "Disarming Iraq" sobre o processo de inspecções de ADM.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

80 mortos em Bagdade não são para comentar?

O atentado ocorrido esta manhã em Bagdade matou cerca de 80 pessoas e feriu cerca de 160. Será que aqueles que fugosamente comentaram o recente atentado no aeroporto de Madrid e que condenaram duramente a política de Zapatero, não têm nada a dizer sobre o atentado de hoje? Seria interessante ler umas linhazitas sobre o atentado de hoje e já agora sobre os atentados ocorridos na passada semana no Iraque que fizeram dezenas de mortos. E seria ainda mais interessante que fossem coerentes na análise e que usassem a mesma bitola que usaram para avaliar Zapatero.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Iraque: Regard de Bernard-Henri Lévy

Je rentrais de cet autre monde. Tout le temps qu'a duré le débat sur la question de savoir si renverser Saddam était la priorité du moment et si le sort de la planènte se jouait, ou non, à Bagdad, j'étais dans le trou noir de Karachi. Et je ne pouvait pas, je ne peux toujours pas, ne pas songer que cette guerre irakienne (...) témognait d'une singulière erreur de calcul historique.
Un régime déjà largement désarmé quand, dans le bas-fonds des villes pakistanaises, se trafiquaient les secrets nucléaires.
Un des derniers diactateurs politiques, répertorié dans les bestiaires anciens, à l'heure où je voyais se dresser des bêtes sans espèce, aux ambitions sans limites, pour qui la politique n'est, au mieux, qu'une fiction utile.
Et, contre ce dictateur, à l'appui de cette guerre-spectacle donnée en pâture à l'opinion mondiale, une coalition de fortune où - suprême dérision - l'on prétendait enrôler ce même Pakistan que je voyais devenir la propre maison du Diable.


Bernard-Henri Lévy, «Qui a tué Daniel Pearl», Editions Grasset (2003).