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quinta-feira, março 21, 2013

O Comunismo Financeiro Cipriota


O "comunismo" cipriota é mais uma insólita variante dos peculiares comunismos dos dias que correm (as monarquias comunistas da Coreia do Norte e de Cuba, o comunismo ultraliberal chinês e o clepto-comunismo angolano) e mais uma demonstração do desnorte que grassa entre os órfãos da URSS. O Partido Progressista do Povo Trabalhador (o PC lá do sítio, que pertence ao GUE) desde que chegou ao poder entre 2006 e 2008 pouco ou nada fez para impedir que a ilha servisse de base para a lavagem de dinheiro de redes mafiosas e criminosas dos países de leste. E não nos enganemos, os comunistas cipriotas não defenderam ontem no parlamento os depósitos bancários dos trabalhadores, protegeram sobretudo os depósitos dos russos e dos ucranianos que lhes enchem os bolsos em troca do silêncio e da discrição.
Quando a Islândia entrou em incumprimento em 2008, o Reino Unido apoderou-se dos bancos e das contas bancárias islandesas instaladas na Grã-Bretanha. Ironicamente, os comunistas cipriotas nem sequer são capazes de defender a aplicação de uma taxa de 15% aos depósitos bancários ligados a actividades especulativas e criminosas (a esmagadora maioria do volume dos depósitos acima dos 100 mil euros). Como acontece por cá, quem vai pagar a crise serão certamente os trabalhadores cipriotas através dos seus salários. Mas entre os trabalhadores e os mafiosos de leste, o  Partido Progressista do Povo Trabalhador prefere estes últimos.

domingo, outubro 14, 2012

PCF contra encerramento de centrais nucleares

(publicado no portal Esquerda.net)


Nas últimas semanas, o PCF (Partido Comunista Francês) tem-se manifestado abertamente contra o encerramento das centrais nucleares francesas, em particular contra o encerramento da central nuclear de Fessenheim, na Alsácia, tal como está previsto no programa eleitoral de François Hollande por pressão dos Verdes franceses (Europe Ecologie). O PCF fundamenta as suas posições recorrendo a argumentação onde se invoca a perda dos postos de trabalho, onde se garante a segurança da unidade de Fessenheim e se apela à independência energética nacional. Ora, os postos de trabalho que serão criados no complexo de energias renováveis que substituirá a unidade de Fessenheim, será da mesma ordem de grandeza dos postos de trabalho da central nuclear em causa. Acresce que o encerramento de uma central nuclear é um processo que se prolonga durante vários anos e alguns dos processos de tratamento dos resíduos perigosos chegam a prolongar-se por várias décadas. Mas, o mais grave é que a posição do PCF acaba por dar cobertura à abundante subcontratação de trabalhadores no setor do nuclear, trabalhadores estes que realizam o trabalho mais perigoso, recebendo salários pouco superiores ao salário mínimo, suportando doses bem acima de qualquer um dos funcionários da central, e que têm sido vítimas de acidentes incapacitantes. A central nuclear de Fessenheim é a mais antiga central francesa em funcionamento, foi construída em 1977, tendo sido previsto na altura um tempo de vida de 20 anos que foi já largamente ultrapassado. Esta central encontra-se localizada numa região de atividade sísmica, sem dar garantias de resistir a um terramoto de magnitude superior a 6,7 na escala de Richter – estima-se que o terramoto com um epicentro a 50 km ocorrido em Basileia em 1356 poderá ter atingido os 6,9 – e à rutura do grande canal da Alsácia. Estes factos não só descredibilizam as garantias de segurança dadas pelo PCF, como são reforçados pelo número de acidentes de nível 0 e de nível 1 que quadruplicou ao longo da última década.

A pobre fundamentação do PCF na defesa da energia nuclear, sobretudo depois de Fukushima, revela um acantonamento ideológico crónico e uma nostalgia do programa nuclear do bloco de leste implementado por partidos como o Partido Socialista Unificado da Alemanha (ex-RDA) e o Partido Comunista da Checoslováquia, ambos representados no GUE/NGL (Esquerda Unitária Europeia e Verdes Nórdicos) no Parlamento Europeu através do Partido do Socialismo Democrático que integra o Die Linke e do Partido Comunista da Boémia e da Morávia (Rep. Checa). Os comunistas checos são acérrimos defensores da energia nuclear e o Die Linke defende uma saída do nuclear apenas a médio ou longo prazo. No GUE também o PCP mostrou abertura à discussão da energia nuclear. Apesar do PCF ter integrado a Frente de Esquerda nas eleições presidenciais, Jean-Luc Mélenchon defende uma saída progressiva do nuclear e propõe a realização de um referendo sobre a questão.

segunda-feira, junho 18, 2012

À atenção do comité central do PCP

"A Chinese Foreign Ministry spokesman says Beijing is hopeful Sunday's election in Greece can help stabilize the economic situation in the European Union. Hong Lei told reporters Monday that China welcomed the results, which pave the way for the formation of a pro-austerity government, and hopes it will bode well for the 17 nations sharing the euro currency.Fonte CBS.

Eu nem comento...

segunda-feira, dezembro 26, 2011

A tortura colectiva continua na Coreia do Norte

Desde a morte de Kim Jong-Il, a tortura colectiva a que o Partido Comunista da Coreia submeteu os coreanos nao conhece limites. Depois da imposicao de ignobeis choros mal ensaiados, seguem-se os passarinhos que prestam homenagem a Kim Jong-Il.
A semana passada a direccao do PCP num exercicio de benovolencia com um dos maiores criminosos do mundo - na Coreia do Norte morre-se de fome, mas ha dinheiro para armas nucleares - expressou as suas condolencias pelo falecimento de Kim Jong-Il. Na mesma semana em que se opos ao voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel. Duvido que a esmagadora maioria dos simpatizantes e militantes do PCP se revejam nisto.

quarta-feira, outubro 13, 2010

PCP, um partido sem memória, com Alzheimer


(publicado no Esquerda Republicana)

Desde o fim-de-semana que Liu Xia, a esposa do prémio Nobel da Paz, se encontra em prisão domiciliária arbitrária. Não existe nenhuma lei na China que justifique a sua prisão, nem este acto foi justificado pelas autoridades chinesas. O crime da senhora Xia é ser esposa de um cidadão que pensa pela sua própria cabeça.
Este tipo de actuação é tal e qual a metodologia da PIDE nos seus melhores dias. Só o PCP é que não vê isto. Este PCP demente abstrai-se por completo do que muitos dos seus ex-militantes e ex-simpatizantes sofreram nas mãos da PIDE, as prisões arbitrárias, as condenações pelo simples facto de se ter opinião, as denúncias por pura dor de cotovelo, etc. A ortodoxia actual do PCP entrou em conflito crónico com a própria memória do partido, atingiu o estado Alzheimer. Disso é prova o fanatismo ideológico e a cobardia institucional presentes no comunicado do PCP sobre o Nobel da Paz .

domingo, agosto 29, 2010

Se a Coreia o diz é porque é verdade...

Do ponto de vista formal, a FIFA pouco pode fazer para contestar a veracidade ou não do conteúdo da carta da Federação Coreana sobre o castigo do treinador Kim Jong Hun. Mas quem conhece a história dos partidos comunistas, do comunismo totalitário, sabe que em países bem mais brandos que a actual Coreia do Norte os atletas foram castigados por razões tão nobres como a dor de cotovelo. As sanções recaíram sobre atletas bem mais populares e com carreiras bem mais brilhantes do que a carreira de Kim Jong Hun. Basta lembrar o destino do campioníssimo Emil Zatopek condenado a trabalhar nas minas de urânio da Checoslováquia.
É confrangedora a credulidade e a ingenuidade que demonstram neste caso os que reivindicam representar um comunismo emancipado dos velhos hábitos.

sexta-feira, julho 30, 2010

Coreia do Desnorte

O regime da Coreia do Norte expulsou do partido comunista o treinador da selecção de futebol, Kim Jung Hun e condenou-o a trabalhos forçados numa obra em Pyongyang.
Depois desta a FIFA deveria erradicar a Coreia do Norte de todas as competições. Já o fez por razões bem menos consensuais no caso do México e no caso da Jugoslávia.
O Daniel Oliveira tinha toda a razão nesta polémica contra os saudosistas velados do totalitarismo comunista.

domingo, dezembro 20, 2009

Adeus Lenine



"Good Bye Lenin" é um delicioso filme que retrata o fim do comunismo na RDA através do percurso nostálgico de Alexander que tenta esconder à mãe, uma ex-funcionária do partido comunista, que o regime tinha acabado. Alexander ilude a mãe, acamada num hospital com uma grave doença cardíaca, fazendo-a crer que a RDA ainda existe para a poupar de um choque fatal. Alexander recupera produtos, revistas, comida da ex-RDA que já ninguém quer para demonstrar à mãe que a RDA continua viva e se recomenda. Durante o périplo de Alexander revisitamos os restos de um país vetusto e de um povo encalhado num limbo social, onde se perdeu o pouco de positivo que havia no comunismo e se abraçou o pior do capitalismo. Uma das passagens mais simpáticas do périplo nostálgico dá-se quando Alexander contrata um ex-astronauta da ex-RDA para se fazer passar pelo novo presidente da república num programa de televisão especialmente preparado para a mãe. Apreciei muito a simbologia do astronauta presidente em substituição de Erich Honecker.

A narrativa baseada numa estrutura niilista funciona muito bem, a fazer lembrar "A Vida é Bela" de Roberto Begnini. Por vezes, é mais poderoso alinhar no niilismo para denunciar um regime absurdo do que responder à letra aos seus defensores.

Sugestão cinematográfica para os 20 anos do fim do regime de Nicolae Ceauşescu

segunda-feira, novembro 09, 2009

Vozes do lado de lá do muro

O que tem de interessante a edição da Courrier International desta semana são os 12 artigos escritos por cronistas que estavam do lado de lá do muro quando tudo aconteceu. Escrevem sobre o que correu bem, o que correu menos bem, da política de então e da política dos nossos dias, das suas experiências pessoais, etc. A não perder.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

A culpa é sempre do maquinista

Concordo totalmente com o último parágrafo deste texto do Luís Januário.
Uma das justificações dadas pela ortodoxia comunista para o descalabro da URSS é que o sistema, a economia planificada, não era mau, a culpa era do factor humano, era do maquinista, o maquinista é que fez descarrilar as máquinas.
Achei piada quando em 2002, após o escândalo ENRON, ouvi a mesma justificação, a culpa era dos maozões da ENRON, o sistema estava bem, só precisava de uns retoques. Hoje , depois de alguma cosmética legislativa, quando o sistema ultra-liberal se está a afundar fortemente provocando desemprego e vidas destruídas a uma escala já comparável ao descalabro do bloco de leste, ouvimos de novo a mesma justificação: o sistema é bom, a culpa é do maquinista...

terça-feira, agosto 26, 2008

Otec osloboditeľ syn okupant


Em russo inscrito no memorial à libertação da Checoslováquia pela União Soviética na II Guerra Mundial: "Pai libertador, filho ocupante" e "Russos voltem para casa", Bratislava, Agosto de 1968.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Srpen 68

A 21 de Agosto de 1968, o fotógrafo checo Josef Koudelka tinha acabado de chegar de um périplo fotográfico sobre a vida dos ciganos nos países de leste. Os tanques do Pacto de Varsóvia, bem obedientes ao poder de Moscovo, entraram na Checoslováquia com o objectivo de "libertar" o povo checo das decisões "políticas reaccionárias" do governo de Alexander Dubček.
Durante os longos dias em que os tanques soviéticos permaneceram em Praga, Koudelka tirou milhares de fotografias. Algumas delas foram publicadas no ocidente sob o nome "anónimo de Praga". Alguns anos mais tarde, Koudelka conseguiu um visto para o ocidente para expor o seu trabalho sobre os ciganos e só voltou à Checoslováquia depois da Revolução de Veludo.
Koudelka publica agora cerca de uma centena das suas melhores fotos neste Invaze 68, assinalando os 40 anos da ocupação da Checoslováquia. Koudelka expõe actualmente as fotos na Câmara Municipal de Praga. Vista a exposição, recomendo-a vivamente aos amigos que ainda acham que o marxismo é recauchutável.

sexta-feira, março 02, 2007

As Vidas dos Outros

"As Vidas dos Outros" é na minha opinião um dos melhores filmes de 2006. O grande interesse desta obra de Florian Henckel von Donnersmarck - Filme Europeu do Ano e Oscar para o Melhor Filme Estrangeiro - é o de mostrar até que ponto a polícia política da ex-RDA era capaz de corromper a alma dos cidadãos, mesmo dos que se esforçavam para não pactuar com o regime. O filme abre com um interrogatório a um preso político que evidencia dois aspectos tenebrosos. Primeiro, é difícil não associar o efeito produzido pela farda de Gerd Wiesler e o ambiente de interrogatório, às fardas e aos interrogatórios do período nazi. Para muitos Stasis o fim da Segunda Guerra Mundial constituiu apenas uma pequena mudança de adereço da farda, onde a suástica foi substituída pela foice e o martelo. Em segundo lugar, o interrogatório em si, acompanhado pela sua explicação académica apresentada numa sala de aula, mostra a verdadeira essência da perseguição política. Curiosamente, outro alemão, o padre jesuíta Friedrich von Spee já tinha escrito em 1631 a propósito da inquisição e da caça às bruxas, na obra Cautio Criminalis, algo que ilustra na perfeição a natureza destes interrogatórios:

"[A acusada de bruxaria] ou levou uma vida de pecado e indigna, ou levou uma vida boa e respeitável. No primeiro caso, deve ser considerada culpada. Por outro lado, se levou uma vida boa, também deverá ser condenada, pois as bruxas são dissimuladas e tentam parecer particularmente virtuosas"

Preso por ter cão e por não ter, assim foram as perseguições políticas tanto na comunista RDA como no Portugal fascista de Salazar e Caetano. Aliás o filme mostra isso mesmo, mostra que os métodos das ditaduras comunistas eram muito parecidos com os das ditaduras fascistas.



A narrativa de "As Vidas dos Outros" segue o trabalho do stasi Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) que tinha por missão escutar e investigar a vida privada de Dreyman, um intelectual objecto de suspeita do regime. Seguimos primeiro as suas certezas, depois as suas dúvidas, enquanto isso as vidas dos outros, de Dreyman e da sua companheira Christa-Maria (Martina Gedeck) vão-se degradando. O efeito corrosivo do regime é tal que atinge as mais sólidas relações amorosas.

Martina Gedeck tem neste filme mais uma das suas grandes interpretações do ano, depois de "Partículas Elementares". Aqui na Klepsýdra é já considerada uma das melhores actrizes deste nosso planeta azul.

domingo, dezembro 03, 2006

Filme europeu do ano: A vida dos outros

"A vida dos outros", o primeiro filme de Florian von Donnersmarck, com Martina Gedeck e que narra a história de um agente da Stasi na ex-RDA, foi o vencedor do prémio do melhor filme europeu de 2006.

quinta-feira, junho 15, 2006

O nuclear, o PCP e os Verdes

A duvidosa coligação entre Verdes e PCP tem na questão do nuclear uma das suas facetas mais cómicas. Eu ainda me lembro do tempo em que o PCP distribuía auto-colantes do "Nuclear Não" com o solzinho a sorrir. Mas durante um dos debates para as últimas presidenciais o camarada Jerónimo surpreendido com a pergunta do moderador sobre qual a posição do PCP sobre o nuclear, lá se deve ter lembrado que a União Soviética possuía muitas centrais nucleares e respondeu que o Partido iria estudar essa hipótese. Foi a partir deste momento que o PCP aderiu ao nuclear (corrijam-se se estiver errado, se houver documentos anteriores ao debate) e foi também a partir desta altura que começaram as divergências com os Verdes. A simultaneidade destes dois acontecimentos não me parece ser pura coincidência.

A questão do nuclear para os Verdes não pode ser uma questão de simples divergência com o PCP, quanto a mim é no mínimo uma questão de ruptura com o PCP e poucas soluções restam aos Verdes para que não percam mais a pouca credibilidade ainda têm.

1) Podem sair da coligação do PCP e
a) concorrer sozinhos às eleições com o apoio dos Verdes Europeus;
b) aliar-se ao BE com o apoio dos Verdes Europeus (opção mais lógica);

2) ou simplesmente dissolver o partido e acabar com a farsa, deixando espaço para que surja um verdadeiro partido ecologista dentro da filosofia dos Verdes Europeus;

3) ou continuar a empatar na aliança com PCP e assim continuar prejudicar a defesa das causas ecológicas em Portugal.