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segunda-feira, dezembro 20, 2010

Mil milhões em submarinos, zero em transparência

Em tempo de crise vamos desembolsar um luxo: mil milhões de euros em submarinos. O mínimo que se exige é que todas as transacções envolvidas sejam transparentes. Não só não são, como não há muita vontade de investigar por parte deste governo, apesar dos fortes indícios de fraude. Paulo Portas pode descansar e continuar a culpar os ciganos e os desempregados pela crise.
As denúncias da eurodeputada Ana Gomes são um oásis de decência no meio da carneirada que se apoderou do Partido Socialista.

sexta-feira, novembro 19, 2010

4 razões para sair da NATO

(publicado no Esquerda Republicana)
1- Por uma questão de princípio. A NATO é provavelmente a organização internacional menos democrática a que Portugal pertence. Todos sabemos que são os EUA quem manda na NATO (sublinho o verbo mandar) e os restantes países são simples figurantes, úteis para legitimar as decisões tomadas em Washington. Em geral, o quadro agrava-se durante os mandatos do Partido Republicano. Eu nem quero pensar o que terá que aceitar um membro da NATO europeu se alguma vez os EUA tiverem um presidente do Tea Party. Nesse caso fazer parte da NATO será sinónimo de dormir com o inimigo.

2- Os EUA nunca cumpriram inteiramente com as suas obrigações nas Lages e violaram frequentemente a legislação nacional, usando a base para transporte ilegal de prisioneiros e trânsito ilegal de armas nucleares. Dada a posição estratégica das Lages, o Estado Português poderia usar o espaço da base para outros fins, transformando as Lages numa base de socorro internacional com patrocínio da ONU, equipada com navios rápidos, helicópteros e aviões de socorro, busca e transporte de mantimentos. Só nos últimos anos uma base desse tipo teria sido muito útil para agir com rapidez no Haiti, em Nova Orleães (os primeiros a chegar foram guardas canadianos...), na busca do avião da Air France caído ao largo do Brasil, etc.

3- Existem ameaças maiores à nossa segurança do que as ameaças militares. O aquecimento global, a penúria energética, a penúria de água potável e o terrorismo financeiro são ameaças bem maiores à nossa soberania. Neste particular os EUA, os patrões da NATO, têm sido mais inimigos da Europa e do Mundo do que propriamente aliados. Não rima tirarmos fotografias conjuntas e sorridentes como aliados na NATO e depois o resto do ano andarmos a dar tiros nos pés uns aos outros através de guerras monetárias, terrorismo financeiro, dumping ambiental e laboral que se traduz em desemprego e baixa na qualidade de vida para os cidadãos. Isto não é sério. No concreto não somos aliados.

4- Acho fundamental que Portugal conjugue a sua estratégia militar com países que partilhem a mesma concepção de liberdade, diplomacia internacional e democracia. Acho desejável a participação num eventual exército europeu da UE e/ou outros países que rejeitem a tortura, a imposição da democracia pelas armas, o cinismo travestido de diplomacia (a realpolitik) e a utilização dos recursos naturais sem sustentabilidade. E não me digam que só os EUA é que nos podem defender. A França tem um poder nuclear e militar suficientemente dissuasor para lidar com qualquer potência do mundo (são publicações militares especializadas que o afirmam).

quarta-feira, maio 09, 2007

Guerra Fria parte II

Abaixo transcrevo uma passagem de um texto sobre o sistema anti-míssil do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais bem elucidativo do que a Administração Bush anda a preparar juntamente com os governos checo e polaco nas costas dos cidadãos europeus. É de assinalar a reacção popular negativa mesmo no caso polaco.

"A opinião pública do país [Rep. Checa] está dividida sobre esta questão. Segundo uma sondagem públicada pelo Prague Daily Monitor, 61 por cento dos inquiridos mostraram-se contra a instalação do radar. Enquanto que num referento local, a população da aldeia Trokavek – onde vai ser instalado o radar – votou em massa contra a iniciativa norte-americana. Apenas um dos 72 eleitores da localidade votou favoravelmente. Contudo, é de realçar que o resultado do escrutínio não foi considerado vinculativo.
Não se julgue que é só a opinião pública checa que está contra a proposta vinda da América. De acordo com a revista Warsaw Voice – que cita uma sondagem da televisão pública polaca – 73 por cento dos inquiridos defendem a realização de um referendo sobre a instalação de uma parte do sistema de defesa antimíssil norte-americano no seu país. Além disso, 49 por cento das pessoas dizem estar contra esta iniciativa da Casa Branca e apenas 37 por cento veêm a medida como positiva.
Os dois maiores responsáveis políticos do país, o presidente Lech Kaczynsky e o Primeiro-Ministro, Jaroslaw Kaczynski, estão disponíveis para dialogar com o presidente norte-americano George W. Bush. Dizem preferir ser eles próprios a negociar com os EUA, em vez de confiarem na UE e na NATO para tratar destas questões de segurança, afirmando estar perante questões meramente "bilaterais".
"