O que pensará o europeu comum quando esta noite descobrir que a final da Liga Europa decorre na Irlanda com dois finalistas portugueses (só faltava o árbitro ser grego para completar o ramalhete)?
Se consultar as respectivas dívidas privadas (220% do PIB em Portugal e 350% na Irlanda) produzidas pelos sectores imobiliário e a banca de ambos os países, andará perto da revelação deste milagre.
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quarta-feira, maio 18, 2011
segunda-feira, maio 16, 2011
Quem andou a elogiar a Irlanda...
Neste interessante artigo do Prémio Nobel Paul Krugman pode ler-se:
"people who praised Ireland as a role model shouldn’t be giving lectures on responsible government" (quem andou a elogiar a Irlanda como modelo a seguir não deveria dar lições de moral sobre governação responsável).
Neste aspecto, o discurso de Paulo Portas aqui relembrado e aplaudido na altura pela sua bancada é muito eloquente. Obviamente, os extremistas do Bloco de Esquerda é que estavam equivocados.
Mas o artigo de Krugman descreve também como as elites responsáveis pela crise têm sacudido a água do capote, fazendo-se passar por sérios e austeros (isto faz-se através das televisões que são controladas pela direita) distribuindo acusações ao processo democrático e ao comum eleitor, afastando as atenções dos crimes e imoralidades cometidos pelo sistema financeiro:
"So it was the bad judgment of the elite, not the greediness of the common man, that caused America’s deficit. And much the same is true of the European crisis."
terça-feira, março 01, 2011
Paulo Portas na Ilha das Maravilhas
Em 2001, Paulo Portas visita a Irlanda reunindo com o primeiro-ministro Bertie Ahern do partido Fianna Fáil com o objectivo de "abordar o método irlandês para atingir o equilíbrio orçamental, a contenção da despesa pública, as reformas estruturais e o uso e fiscalização dos fundos comunitários". Entretanto, numerosas instituições financeiras e imobiliárias começavam a delapidar a Irlanda endividando-se fortemente no exterior, incitando o cidadão a endividar-se para comprar a casa que precisava e a que não precisava. Mas nessa altura o dinheiro a crédito fluía a rodos e isso era suficiente para Bertie Ahern e Paulo Portas provarem a validade do sistema.
Até 2008, Paulo Portas falava da Irlanda de Bertie Ahern como se fosse um quadro do Fianna Fáil classificando a sua política económica como "um exemplo a seguir pelo Estado Português". A partir de 2009 Paulo Portas deixou de falar sobre a Irlanda...
Este fim-de-semana, o mesmo Fianna Fáil teve o seu pior resultado de sempre passando de 41% para 17%. As eleições foram ganhas pelo Fine Gael. Julgaria o caro leitor que Paulo Portas reflectisse seriamente sobre a derrota estrondosa do partido e das políticas que tanto tempo apoiou e que levaram a Irlanda ao abismo. Tal como noutras ocasiões Paulo Portas colou-se a uma vitória que não é sua, à vitória do Fine Gael. Vale a pena ler Paulo Portas no facebook felicitar o Fine Gael recorrendo à justificação esfarrapada de que o Fine Gael faz parte do seu grupo político no Parlamento Europeu, o PPE. Adivinha-se já Paulo Portas a cantar as próximas vitórias do PSD, dado que também este pertence ao PPE... Mas a memória é tramada para os troca-tintas, e a memória diz-nos que foi por iniciativa de Paulo Portas em 1999 que o CDS abandonou o PPE para aderir aos nacionalistas da UEN (União para a Europa das Nações) da qual faziam parte os seus grandes amigos do Fianna Fáil. Se hoje o CDS está no PPE deve-se apenas ao acordo de coligação com o PSD nas europeias de 2004 e 2009 que lhe retirou a autonomia para escolher a UEN.
Até 2008, Paulo Portas falava da Irlanda de Bertie Ahern como se fosse um quadro do Fianna Fáil classificando a sua política económica como "um exemplo a seguir pelo Estado Português". A partir de 2009 Paulo Portas deixou de falar sobre a Irlanda...
Este fim-de-semana, o mesmo Fianna Fáil teve o seu pior resultado de sempre passando de 41% para 17%. As eleições foram ganhas pelo Fine Gael. Julgaria o caro leitor que Paulo Portas reflectisse seriamente sobre a derrota estrondosa do partido e das políticas que tanto tempo apoiou e que levaram a Irlanda ao abismo. Tal como noutras ocasiões Paulo Portas colou-se a uma vitória que não é sua, à vitória do Fine Gael. Vale a pena ler Paulo Portas no facebook felicitar o Fine Gael recorrendo à justificação esfarrapada de que o Fine Gael faz parte do seu grupo político no Parlamento Europeu, o PPE. Adivinha-se já Paulo Portas a cantar as próximas vitórias do PSD, dado que também este pertence ao PPE... Mas a memória é tramada para os troca-tintas, e a memória diz-nos que foi por iniciativa de Paulo Portas em 1999 que o CDS abandonou o PPE para aderir aos nacionalistas da UEN (União para a Europa das Nações) da qual faziam parte os seus grandes amigos do Fianna Fáil. Se hoje o CDS está no PPE deve-se apenas ao acordo de coligação com o PSD nas europeias de 2004 e 2009 que lhe retirou a autonomia para escolher a UEN.
domingo, fevereiro 27, 2011
Derrota estrondosa de Paulo Portas na Irlanda
Não sei quantas vezes Paulo Portas referiu a Irlanda como exemplo político. Quem o ouvia ficava com a sensação que tinha escrito o programa de governo em conjunto com o executivo irlandês, os impostos baixos, uma economia a caminho do estado mínimo, a atracção de capitais estrangeiros, etc. Claro que não referia que o investimento estrangeiro era essencialmente volátil, que as empresas investiam e os particulares compravam casa com o dinheiro que não tinham, apesar dos impostos baixos. Tudo isto coexistia com bolsas de pobreza chocantes financiadas quase exclusivamente pela União Europeia, porque o novo capitalista irlandês era contra os subsídios... Ironicamente, agora vive todo o país de subsídios internacionais por causa dos que eram contra os subsídios.
Paulo Portas é especialista em colar-se às vitórias dos outros (primeiro referendo do aborto, vitória de Durão Barroso nas legislativas, etc.) mas tem esta derrota coladinha à pele.
Paulo Portas é especialista em colar-se às vitórias dos outros (primeiro referendo do aborto, vitória de Durão Barroso nas legislativas, etc.) mas tem esta derrota coladinha à pele.
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
Nunca Acreditei na Ideia do Tigre Celta
"Nunca Acreditei na Ideia do Tigre Celta. Bebi demais, na Irlanda. Ouvi muita música, demais, na Irlanda. (...) Vestiram-nos de executivos na ponte aérea para Londres e nos intercontinentais para Bóston, acolheram regras continentais, tentaram higienizar os muros da Factory, os jardins de Dun'Laghoire, as ruas de Cork, Clifden, Galway ou Siglo. Para fabricar o Tigre Celta estragaram uma parte da minha Irlanda."Diria mais caro Francisco. O homo sapiens sempre bebeu demais, sempre cantou e dançou demais. A espaços a civilização tentou domá-lo, ou higienizá-lo, a Santa Inquisição, o Comité Central e Wall Street, entre outras seitas religiosas. Mas o homo sapiens é muita macaco. É macaco. Não é tigre.
quarta-feira, junho 16, 2010
38 anos para reconhecer a barbárie
Acho interessante quando sou confrontado com opiniões que dão o Reino Unido como uma democracia exemplar. Ontem, 38 anos depois, um Primeiro Ministro britânico reconhece finalmente o bloody sunday, um massacre de cidadãos que manifestavam desarmados por um regimento de para-quedistas britânicos. Isto não é aceitável em democracia e ainda muito menos numa democracia exemplar.
Quem acompanha a política britânica sabe que assim que se passa do território da Inglaterra para os restantes territórios do Reino Unido os atropelos à democracia são frequentes. A não reunificação da Irlanda - a reunificação era uma promessa dos acordos de independência - é uma mancha na história da Europa que continua a ser alimentada por hooligans orangistas ao serviço de Sua Majestade. Para cumulo, o contribuinte europeu ainda tem que pagar um programa de pacificação da Irlanda do Norte: o programa PEACE II. Ironicamente, o contribuinte europeu tem a seu cargo os custos da exemplaridade da democracia britânica.
Quem acompanha a política britânica sabe que assim que se passa do território da Inglaterra para os restantes territórios do Reino Unido os atropelos à democracia são frequentes. A não reunificação da Irlanda - a reunificação era uma promessa dos acordos de independência - é uma mancha na história da Europa que continua a ser alimentada por hooligans orangistas ao serviço de Sua Majestade. Para cumulo, o contribuinte europeu ainda tem que pagar um programa de pacificação da Irlanda do Norte: o programa PEACE II. Ironicamente, o contribuinte europeu tem a seu cargo os custos da exemplaridade da democracia britânica.
terça-feira, junho 17, 2008
O NÃO ultra-liberal e atlantista da Irlanda
O grande vencedor do referendo irlandês foi Declan Ganley, ultra-liberal e atlantista, fundador do movimento Libertas, o movimento que mais se empenhou e mais gastou de longe na campanha do NÃO. Este movimento foi fortemente financiado por neo-conservadores americanos, parceiros de negócios de Ganley nos EUA, que temem o sucesso do projecto europeu. Nunca saiu tão barato aos neocons americanos boicotar a construção europeia, este referendo ficou muito mais barato do que o programa ECHELON, que durante anos a fio teve como objectivo combater a Europa através da espionagem industrial.
O Sinn Féin fez o papel da esquerda útil aos planos de Ganley, com um discurso contra o neo-liberalismo, mas votando de mão dada com os piores neo-liberais, tal como já se tinha passado em França com a LCR. E não me venham com tretas de que isto foi uma vitória dos povos, do proletariado, da verdadeira esquerda, o que mobilizou verdadeiramente foi o provincianismo, o populismo, o discurso pro-xenófobo e conservador, onde inclusivamente se juntaram movimentos anti-aborto, do multi-milionário Declan Ganley.
O Sinn Féin fez o papel da esquerda útil aos planos de Ganley, com um discurso contra o neo-liberalismo, mas votando de mão dada com os piores neo-liberais, tal como já se tinha passado em França com a LCR. E não me venham com tretas de que isto foi uma vitória dos povos, do proletariado, da verdadeira esquerda, o que mobilizou verdadeiramente foi o provincianismo, o populismo, o discurso pro-xenófobo e conservador, onde inclusivamente se juntaram movimentos anti-aborto, do multi-milionário Declan Ganley.
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