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sexta-feira, outubro 08, 2010

Georges Charpak (1924-2010)

Georges Charpak, Nobel da Física em 1992, fez parte desse grupo minoritário de cientistas que se preocupa em interagir com a sociedade, em transpor o que se faz no interior dos laboratórios para o cidadão comum. Charpak publicou excelentes livros de divulgação científica como "De Tchernobyl en tchernobyls", Odile Jacob, 2005, "Soyez savants, devenez prophètes", Odile Jacob, 2004 ou a sua única obra traduzida em português "Feiticeiros e Cientistas", Gradiva, 2002. Estas obras são um reflexo da intervenção de Charpak contra a charlatanice, as pseudo-ciências e a cupidez do mercado, onde de uma forma espirituosa desmonta os artifícios de espécies várias desde astrólogos, passando por economistas com poucos escrúpulos até a cientistas sociais iluminados pelo além. O sentido crítico que empregou nas suas análises da sociedade teriam sido da maior utilidade para combater o charlatanismo de mercado dos tempos que correm.
Recordo as palavras duras e violentas com que classificou os responsáveis da direcção da nossa televisão pública quando aceitou subscrever uma petição contra uma rubrica diária de astrologia da RTP. Não era um homem meigo para charlatães e afins. Charpak vai deixar saudades, mas também deixou escola, uma grande escola de espírito crítico.

segunda-feira, abril 12, 2010

Historieta de Estaline sobre o massacre de Katyn

A delegação polaca que desapareceu no acidente aéreo de Smolensk ia assistir uma cerimónia em honra dos cerca de 20 mil polacos assassinados sob a ordem de Estaline durante a II Guerra Mundial. Para além do que de terrível encerra o assassinato de 20 mil pessoas, Estaline conseguiu tornar esta história ainda mais nauseabunda do que já era.

Entre os polacos assassinados - capturados quando a URSS invadiu e partilhou a Polónia com a Alemanha Nazi - contavam-se: um almirante, dois generais, dezenas de coronéis e de tenentes, centenas de majores e capitães, milhares de soldados, um príncipe, refugiados, professores universitários, médicos, engenheiros, advogados, jornalistas e escritores. Algum tempo depois deste episódio, o governo polaco no exílio reuniu-se com Estaline para assinar o pacto Sikorski-Mayski cujo objectivo era formar um exército polaco em território soviético para combater a Alemanha. Nessa ocasião o primeiro-ministro polaco Władysław Anders, que desconhecia o paradeiro dos oficiais polacos assassinados em Katyn, forneceu a Estaline uma lista destes militares na esperança que o exército russo os pudesse encontrar ou libertar das garras dos nazis. Estaline recebeu a lista num misto de surpresa e de embaraço. Acenou com a cabeça que sim, que iria fazer um esforço para os encontrar. Mais tarde, garantiu a Władysław Anders que estes homens tinham sido libertados, mas que lhes tinham perdido rasto.

Perguntem ao PCP o que acha deste episódio...

sexta-feira, abril 27, 2007

República Neoconservadora da Polónia

A Courrier Internacional desta semana inclui um dossier muito bom sobre a deriva neoconservadora que grassa na Polónia visto por intelectuais polacos e pela imprensa internacional.
É muito interessante analisar os resultados das políticas neoconservadores de origem americana na Europa. A experiência neoconservadora polaca acaba por ser útil pelo menos por uma razão, para que os europeus tenham mais certezas sobre aquilo que não querem importar dos EUA.


Caixa de comentários:
"A Polónia constitiu um estudo de caso interessantíssimo. Não só pelo seu alinhamento canino em relação a qualquer coisa que venha do Atlântico, mas também pelas bem significativas propostas de reintrodução da pena de morte, de proibição da homossexualidade a funcionários públicos e à tentativa falhada (felizmente) de proibição geral do aborto. Coisinha mais reaça não há. Poderão argumentar que se trata de uma compensação pelos tempos da rolha soviética. Cada um acredita no que entende. O que sei é que a Polónia, como qualquer outro Estado, para aderir à UE compromete-se com o acquis e, supostamente, com um certo espírito. Tem sido o que se sabe." Sérgio

"a condição da mulher com companheiro na Polónia é servi-lo enquanto ele se senta a beber cerveja. Se houve país europeu da CE que a mentalidade das mulheres me provocou pena e revolta foi a Polónia." Henedina

terça-feira, abril 24, 2007

Sistema de defesa anti-míssil dos EUA na Europa

A intervenção de 13 de Março da Ana Gomes no Parlamento Europeu, resume muito bem a questão política sobre o sistema de defesa anti-míssil que alguns continuam a querer impingir à Europa:

"...é escandalosamente atentatória dos compromissos europeus a consideração unilateral pela Polónia, República Checa e Reino Unido da participação no sistema de defesa anti-míssil dos EUA: para quê a UE, ou mesmo a NATO, senão para discutir o futuro estratégico da Europa?"

É de facto escandaloso e é também uma fonte provável de revolta dos cidadãos europeus contra os EUA e a NATO. Brevemente escreverei sobre o sistema anti-míssil, em particular o que tem sido publicado sobre o assunto por especialistas da área.