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segunda-feira, março 05, 2012

segunda-feira, outubro 25, 2010

Soul Kitchen

Soul Kitchen do realizador turco Fatih Akin conta a história de Zinos, um péssimo cozinheiro grego a ganhar a vida num nauseabundo restaurante de Hamburgo. Zinos cruza-se com Shayn Weiss, um excelente cozinheiro que se demite de um restaurante de luxo por se recusar a fazer um gaspacho quente. Zinos e Shayn remodelam o menu do restaurante. O restaurante perde clientes. Zinos contrata o irmão Illias (Moritz Bleibtreu) acabado de sair da prisão para DJ do restaurante, criando o Soul Kitchen. Com Illias o restaurante ganha alma e clientes, mas simultaneamente recomeçam os problemas de Zinos. Nisto há uma namorada turca, uma terrível dor de costas, empresas imobiliárias sem escrúpulos e um velho grego que parece uma reencarnação do pescador de Hemingway. A salada é muito boa e resulta num dos mais deliciosos e humorados filmes de 2010. A não perder!

domingo, setembro 02, 2007

DOC o belo restaurante de Rui Paula

Era fim-de-semana de Páscoa. Pela manhã, em Pinhão, no coração da região vinícola do Douro dou-me conta de uma triste realidade. Eu e alguns turistas estrangeiros percorríamos a vila como baratas tontas à procura de uma garrafeira ou uma loja de produtos vinícolas. Havia uma garrafeira de jeito, mas estava fechada. Confirmo a minha ideia das minhas mini-férias no Douro. A população local serve feudalmente os produtores das grandes caves e vive completamente desligada do turismo vinícola, ao contrário de outras regiões vinícolas europeias que visitei: Mosela Alemã, Alsácia e Champanhe. Subsiste a cultura dos senhores, dos capatazes e dos miseráveis servos. Chocou-me! O Douro tem a paisagem natural mais bem conservada e mais bonita entre as regiões vinícolas que conheço, mas é de longe a região em que a população local menos aproveita o turismo vinícola, e é por isso que é muito pobre.

À tarde, todas as caves por onde passo estão fechadas. Na maior parte da vilas domina a misturada de estilos, a manhosice arquitectónica típica do nosso país, o Peso da Régua é uma cidade horrível. Já desmoralizado e de partida, paro junto a um belo restaurante na Folgosa. Surpresa! O DOC é um excelente restaurante, com bons vinhos, onde o preço condiz com a oferta. O proprietário, Rui Paula, vem à minha mesa verificar se está tudo bem. Diz-me que abriu o negócio há dois dias. Gabei-lhe a casa e disse-lhe que era uma excepção, no deserto com que tinha deparado naquele dia. As minhas palavras foram música para os ouvidos Rui Paula que se queixa da falta de oferta do Douro, do autismo das caves e do desprezo que têm pelos turistas, da manhosice geral, enfim, encetámos ali uma saudável cavaqueira de corte e costura sobre a miséria turística do Douro que exorcizou as respectivas frustrações.

A Revista de Vinhos de Julho dedica-lhe 4 páginas que recomendo aos meus leitores. Para os que visitarem o Douro, parem na Folgosa, no DOC.