Durante estes dias, em Colónia, Dusseldórfia (Düsseldorf), Mogúncia (Mainz) e um pouco por toda a Alemanha, os alemães foram totalmente solidários com Passos Coelho. Aproveitaram o Carnaval para trabalhar no duro, em jejum obviamente, observando um silêncio conventual, sob voto de castidade, terminando a quadra em oração coletiva agradecendo a misericórdia do FMI e dos corretores da City.
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quarta-feira, fevereiro 22, 2012
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
terça-feira, fevereiro 14, 2012
Parece que é Carnaval na Alemanha
Na Alemanha, por estes dias, inúmeras cidades festejam o Carnaval, em desfiles rematados por megaconcertos que se prologam até às tantas da manhã. O feriado de Carnaval é local variando a data do(s) corso(s) de cidade para cidade. Os corsos de Colónia e de Mainz (na foto) são gigantescos e em nível de loucura colectiva fazem lembrar a Love Parade, a Festa da Cerveja de Munique ou a Queima das Fitas de Coimbra.Se motivos faltassem, o exemplo dado por quem nos empresta dinheiro, mostra o quão ridículo é obrigar cidades que festejam o Carnaval como o Funchal, Ovar, Mealhada, Loulé, Figueira da Foz ou Torres Vedras a abdicar da tolerância de ponto por motivos económicos. Perguntem aos presidentes das câmaras de Colónia ou de Mainz se eles perdem dinheiro nesse dia.
segunda-feira, novembro 15, 2010
Sobre o futuro dos resíduos nucleares
(publicado no Esquerda.net)
Os recentes protestos contra o transporte de onze vagões de resíduos nucleares entre a unidade de tratamento de La Hague, em França e Gorleben na Alemanha, contribuiriam para reabrir o debate sobre o futuro dos resíduos radioactivos produzidos por centrais nucleares. Actualmente, os resíduos nucleares mais perigosos acumulam-se em piscinas de arrefecimento e hangares ventilados. Espera-se poder vitrificar os produtos de fissão não recicláveis em blocos que serão acondicionados em contentores de aço selados a serem posteriormente armazenados em galerias escavadas em extractos subterrâneos de granito, argila ou sal situados a mais de 500 metros de profundidade. Este tipo de resíduos mantém uma actividade acima do nível da radioactividade natural durante mais de 600 mil anos.
O governo alemão tencionava construir um depósito com custos da ordem de milhares de milhões de euros para os seus resíduos mais perigosos numa mina de sal em Gorleben, onde ocorreram alguns dos recentes protestos. No entanto, a 15 de Janeiro deste ano foram evacuados 126 mil barris de resíduos nucleares de perigosidade mediana, que tinham sido colocados em 1967 numa mina de sal de Asse, depois de terem sido detectadas numerosas fugas de água contaminada. Klaus-Jürgen Roehlig, perito em gestão de resíduos da Universidade de Clausthal, declarou que este incidente “coloca em causa a escolha de minas de sal para armazenar os resíduos nucleares mais perigosos”.
Recentemente, os EUA decidiram suspender o armazenamento de resíduos nucleares no fundo da única mina que estava prevista para o efeito, na Montanha Yucca no Nevada, depois de terem sido gastos mais de 10 mil milhões de dólares no projecto. Por ordem do presidente Obama foi criada uma comissão de peritos para encontrar nova solução para os resíduos nucleares. Estão em cima da mesa soluções de depósito em furos de grande profundidade no fundo dos oceanos, no interior dos glaciares do Pólo Sul e soluções mais exóticas como a ejecção dos resíduos para o espaço.
Entre os países com programas nucleares civis, apenas a França, a Suécia e Finlândia possuem programas em marcha para guardar os resíduos em galerias subterrâneas de grande profundidade.
Custos infindáveis
Outra vertente dos protestos dos manifestantes franco-alemães que convém realçar é a questão dos custos infindáveis da energia nuclear. Desde que foram lançados os primeiros programas nucleares civis nos anos 50 – muitos destes programas resultaram de programas militares extremamente caros – nunca foram guardados definitivamente em algum lugar da Terra os resíduos nucleares mais perigosos, nocivos durante mais de 600 mil anos. Desde então, as parcelas para a factura real dos custos da energia nuclear não têm parado de aumentar e continuarão a aumentar durante mais 600 mil anos, se não se encontrar entretanto uma nova técnica para encurtar o período de perigosidade dos produtos de fissão. Até esse dia, não podemos estimar com precisão e honestidade quais os verdadeiros custos de 1 kWh produzido por uma central nuclear.
Os recentes protestos contra o transporte de onze vagões de resíduos nucleares entre a unidade de tratamento de La Hague, em França e Gorleben na Alemanha, contribuiriam para reabrir o debate sobre o futuro dos resíduos radioactivos produzidos por centrais nucleares. Actualmente, os resíduos nucleares mais perigosos acumulam-se em piscinas de arrefecimento e hangares ventilados. Espera-se poder vitrificar os produtos de fissão não recicláveis em blocos que serão acondicionados em contentores de aço selados a serem posteriormente armazenados em galerias escavadas em extractos subterrâneos de granito, argila ou sal situados a mais de 500 metros de profundidade. Este tipo de resíduos mantém uma actividade acima do nível da radioactividade natural durante mais de 600 mil anos.
O governo alemão tencionava construir um depósito com custos da ordem de milhares de milhões de euros para os seus resíduos mais perigosos numa mina de sal em Gorleben, onde ocorreram alguns dos recentes protestos. No entanto, a 15 de Janeiro deste ano foram evacuados 126 mil barris de resíduos nucleares de perigosidade mediana, que tinham sido colocados em 1967 numa mina de sal de Asse, depois de terem sido detectadas numerosas fugas de água contaminada. Klaus-Jürgen Roehlig, perito em gestão de resíduos da Universidade de Clausthal, declarou que este incidente “coloca em causa a escolha de minas de sal para armazenar os resíduos nucleares mais perigosos”.
Recentemente, os EUA decidiram suspender o armazenamento de resíduos nucleares no fundo da única mina que estava prevista para o efeito, na Montanha Yucca no Nevada, depois de terem sido gastos mais de 10 mil milhões de dólares no projecto. Por ordem do presidente Obama foi criada uma comissão de peritos para encontrar nova solução para os resíduos nucleares. Estão em cima da mesa soluções de depósito em furos de grande profundidade no fundo dos oceanos, no interior dos glaciares do Pólo Sul e soluções mais exóticas como a ejecção dos resíduos para o espaço.
Entre os países com programas nucleares civis, apenas a França, a Suécia e Finlândia possuem programas em marcha para guardar os resíduos em galerias subterrâneas de grande profundidade.
Custos infindáveis
Outra vertente dos protestos dos manifestantes franco-alemães que convém realçar é a questão dos custos infindáveis da energia nuclear. Desde que foram lançados os primeiros programas nucleares civis nos anos 50 – muitos destes programas resultaram de programas militares extremamente caros – nunca foram guardados definitivamente em algum lugar da Terra os resíduos nucleares mais perigosos, nocivos durante mais de 600 mil anos. Desde então, as parcelas para a factura real dos custos da energia nuclear não têm parado de aumentar e continuarão a aumentar durante mais 600 mil anos, se não se encontrar entretanto uma nova técnica para encurtar o período de perigosidade dos produtos de fissão. Até esse dia, não podemos estimar com precisão e honestidade quais os verdadeiros custos de 1 kWh produzido por uma central nuclear.
segunda-feira, outubro 25, 2010
Soul Kitchen
Soul Kitchen do realizador turco Fatih Akin conta a história de Zinos, um péssimo cozinheiro grego a ganhar a vida num nauseabundo restaurante de Hamburgo. Zinos cruza-se com Shayn Weiss, um excelente cozinheiro que se demite de um restaurante de luxo por se recusar a fazer um gaspacho quente. Zinos e Shayn remodelam o menu do restaurante. O restaurante perde clientes. Zinos contrata o irmão Illias (Moritz Bleibtreu) acabado de sair da prisão para DJ do restaurante, criando o Soul Kitchen. Com Illias o restaurante ganha alma e clientes, mas simultaneamente recomeçam os problemas de Zinos. Nisto há uma namorada turca, uma terrível dor de costas, empresas imobiliárias sem escrúpulos e um velho grego que parece uma reencarnação do pescador de Hemingway. A salada é muito boa e resulta num dos mais deliciosos e humorados filmes de 2010. A não perder!segunda-feira, fevereiro 22, 2010
O Laço Branco

Em "O Laço Branco" de Michael Haneke desenrola-se uma cena em casa de um pastor protestante, ocorrida em 1914. O pastor prepara-se para punir à vardasca dois dos seus filhos: Klara e Martin. As personagens reúnem-se na sala de jantar para dar início ao ritual de punição. Fecha-se a porta e a câmara fixa-se fora da sala de jantar, mesmo em frente à porta fechada... Ouvem-se vozes. A porta abre-se, Martin passa em frente à câmara e desaparece. Martin regressa, volta a passar em frente da câmara, leva na mão direita uma vardasca. A porta fecha-se. Passados alguns instantes ouve-se o zumbido da vardasca e os gritos do rapaz.
Ucrânia, 1941:
A ocupação alemã dá azo a linchamentos públicos de judeus por parte dos ucranianos que consideravam os judeus aliados dos bolcheviques. Os nazis, entusiasmados pelo ódio que os ucranianos tinham aos judeus, colocaram em prática um sistema de assassínio em massa mais expedito. Transportavam os judeus em camiões até ao interior de uma floresta e estes eram posteriormente assassinados a tiro em frente a uma cova, para o interior da qual tombavam após o disparo. Essa cova era escavada pelo próprio judeu assassinado, com a mesma pá que este transportava consigo durante a viagem de camião...
Ucrânia, 1941:
A ocupação alemã dá azo a linchamentos públicos de judeus por parte dos ucranianos que consideravam os judeus aliados dos bolcheviques. Os nazis, entusiasmados pelo ódio que os ucranianos tinham aos judeus, colocaram em prática um sistema de assassínio em massa mais expedito. Transportavam os judeus em camiões até ao interior de uma floresta e estes eram posteriormente assassinados a tiro em frente a uma cova, para o interior da qual tombavam após o disparo. Essa cova era escavada pelo próprio judeu assassinado, com a mesma pá que este transportava consigo durante a viagem de camião...
domingo, dezembro 20, 2009
Adeus Lenine

"Good Bye Lenin" é um delicioso filme que retrata o fim do comunismo na RDA através do percurso nostálgico de Alexander que tenta esconder à mãe, uma ex-funcionária do partido comunista, que o regime tinha acabado. Alexander ilude a mãe, acamada num hospital com uma grave doença cardíaca, fazendo-a crer que a RDA ainda existe para a poupar de um choque fatal. Alexander recupera produtos, revistas, comida da ex-RDA que já ninguém quer para demonstrar à mãe que a RDA continua viva e se recomenda. Durante o périplo de Alexander revisitamos os restos de um país vetusto e de um povo encalhado num limbo social, onde se perdeu o pouco de positivo que havia no comunismo e se abraçou o pior do capitalismo. Uma das passagens mais simpáticas do périplo nostálgico dá-se quando Alexander contrata um ex-astronauta da ex-RDA para se fazer passar pelo novo presidente da república num programa de televisão especialmente preparado para a mãe. Apreciei muito a simbologia do astronauta presidente em substituição de Erich Honecker.
A narrativa baseada numa estrutura niilista funciona muito bem, a fazer lembrar "A Vida é Bela" de Roberto Begnini. Por vezes, é mais poderoso alinhar no niilismo para denunciar um regime absurdo do que responder à letra aos seus defensores.
Sugestão cinematográfica para os 20 anos do fim do regime de Nicolae Ceauşescu
A narrativa baseada numa estrutura niilista funciona muito bem, a fazer lembrar "A Vida é Bela" de Roberto Begnini. Por vezes, é mais poderoso alinhar no niilismo para denunciar um regime absurdo do que responder à letra aos seus defensores.
Sugestão cinematográfica para os 20 anos do fim do regime de Nicolae Ceauşescu
segunda-feira, março 23, 2009
O Complexo Baader Meinhof

"O Complexo Baader Meinhof" é mais uma excelente produção da Constantin Films integrando uma série de filmes que revisitam o passado recente da Alemanha. O realizador Uli Edel dá-nos a sua interpretação histórica do grupo de extrema-esquerda Facção Exército Vermelho, dirigido por Andreas Baader e Ulrike Meinhof, mostrando-nos um grupo pouco doutrinado, mais motivado e deslumbrado pelo radicalismo das actividades da organização. Alguma crítica alemã considerou que Uli Edel se afastou um pouco da realidade, representando um grupo sexy de terroristas. No entanto, considero que o "Complexo Baader Meinhof" é uma interessantíssima viagem à história recente da Europa, ao terrorismo de inspiração marxista e às ilusões que vinham do lado de lá da cortina de ferro. A cena em que se grita em uníssono na universidade "Ho! Ho! Ho Chi Minh!" é um soberbo estímulo para a nossa memória.
Excelentes interpretações de Johanna Wokalek, de Martina Gedeck e de Moritz Bleibtreu. A não perder!
Excelentes interpretações de Johanna Wokalek, de Martina Gedeck e de Moritz Bleibtreu. A não perder!
quinta-feira, outubro 30, 2008
O Modelo Social Europeu em Dresden

Dresden, Saxónia, Alemanha (Outubro de 2008)
Este ano o Nuclear Science Symposium decorreu em Dresden, em território da ex-RDA. O ano passado participei na edição de 2007 do mesmo congresso que decorreu no Havai. Algumas recordações tristes ficaram, como aquelas dezenas de velhinhos a invadir um jardim público no centro de Honolulu disputando este e aquele canto para ali passarem a noite, ou a gigantesca cidade de tendas e rulotes a norte de Pearl Harbor ou ainda famílias inteiras a utilizar os balneários das praias como se fosse uma casa de banho privada. Estava num país da OCDE, mas aquilo parecia o terceiro mundo.
Este ano em Dresden, ex-RDA, ex-território do socialismo real, apesar de aqui e ali se verem alguns vestígios do passado, alguns prédios standard do socialismo, dos que se vêem de Bratislava até Pequim, deparei com uma cidade equilibrada, sem a ostentação novo-riquista e sem bolsas de pobreza visíveis a olho nu. Foi para ali que foi uma parte do PIB da UE durante os últimos 15 anos, para as pessoas, para o concreto, enquanto nos EUA o PIB servia para engordar Wall Street e o Lehman Brothers. O desemprego na Saxónia é elevado, bem acima dos 10%, mas os habitantes de Dresden têm hoje a sua cidade finalmente reconstruída da II Guerra Mundial e, mais importante ainda, sabem o que os espera quando tiverem 65 anos. Uma coisa é quase certa, não vão terminar os seus dias a disputar um lugar num jardim público, mesmo que a vida não corra lá muito bem.
Este ano em Dresden, ex-RDA, ex-território do socialismo real, apesar de aqui e ali se verem alguns vestígios do passado, alguns prédios standard do socialismo, dos que se vêem de Bratislava até Pequim, deparei com uma cidade equilibrada, sem a ostentação novo-riquista e sem bolsas de pobreza visíveis a olho nu. Foi para ali que foi uma parte do PIB da UE durante os últimos 15 anos, para as pessoas, para o concreto, enquanto nos EUA o PIB servia para engordar Wall Street e o Lehman Brothers. O desemprego na Saxónia é elevado, bem acima dos 10%, mas os habitantes de Dresden têm hoje a sua cidade finalmente reconstruída da II Guerra Mundial e, mais importante ainda, sabem o que os espera quando tiverem 65 anos. Uma coisa é quase certa, não vão terminar os seus dias a disputar um lugar num jardim público, mesmo que a vida não corra lá muito bem.
domingo, outubro 05, 2008
Dominó da crise da Alemanha para a Bélgica
O grupo alemão Hypo Real Estate está à beira da falência, correndo o risco de levar consigo o grupo belga Dexia, que se pensava já estar ao abrigo de problemas depois do plano de emergência implementado pelo governo belga na passada sexta-feira. Tudo depende do acordo de Merkel para a injecção de 50 mil milhões de euros.
Imaginem, nestas horas que vão decorrendo, acólitos convictos da mão invisível, grandes seguidores do ultra-liberalismo à americana a pedincharem esta módica quantia à mão socialista, ao bolso do contribuinte alemão...
Imaginem, nestas horas que vão decorrendo, acólitos convictos da mão invisível, grandes seguidores do ultra-liberalismo à americana a pedincharem esta módica quantia à mão socialista, ao bolso do contribuinte alemão...
quarta-feira, abril 25, 2007
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