sábado, dezembro 08, 2012

Um editorial digno do gato fedorento

Este editorial do número de hoje de "O Figueirense" faz-me lembrar um sketch do Gato Fedorento em que um matarroano, claramente comprado pelo poder, vai-se manifestar em frente ao hospital a favor do encerramento das urgências. No referido editorial só falta o autor apelar ao encerramento de "O Figueirense", ele está tão satisfeito com o fim do jornal como está o matarroano enquanto lhe estão a cortar uma perna. "Mais força" grita com entusiasmo o matarroano, enquanto lhe serram a perna. Joaquim Gil agradece enquanto lhe encerram o jornal...

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Afinal a puta não era virgem

É caso para dizer que a puta perdeu a virgindade. Sabia-se que a puta tinha dormido com o PS, com o PSD, com Cavaco, com a Fundação Oriente, com Ricardo Salgado, etc., mas a puta jurava a pés juntos que era virgem. Agora é melhor jurar com as pernas cruzadas. Não se preocupem, se algo correr mal espera-lhe um poiso na Jerónimo Martins, e não será certamente para carregar as caixas de fruta do Pingo Doce.





terça-feira, dezembro 04, 2012

A verdade sobre o ensino secundário privado

Aquilo que muita gente já sabia e que já tinha sido objecto de muitas denúncias que o ministério continua a ignorar. Isto é um escândalo, não há outra forma de classificar isto. Mas tudo o que se diz sobre a empresa GPS não se fica por aqui, há atividades e práticas bem mais graves do que é aqui descrito e que têm vindo a ser denunciadas por aqueles que conhecem melhor a empresa.

Esta reportagem é também para os idiotas úteis que andaram a apoiar as manifestações contra o corte nos apoios às escolas privadas. Hoje, alguns deles estão no governo, outros são conselheiros de estado.





Roleta Russa

Publicado a 29 de Novembro no jornal As Beiras:

sexta-feira, novembro 16, 2012

O Bairro Fantasma

(publicado na edição de ontem do jornal As Beiras)
Cidade Fantasma, algures no Nevada, EUA, Agosto de 2001
Numa das mais recentes sextas-feiras, enquanto esperava um amigo, deambulei durante uma hora pelo Bairro Novo à hora do jantar. Por momentos foi invadido pelo mesmo sentimento que tive quando atravessei uma cidade fantasma no Nevada. Havia casas, uma oficina, um hotel, lojas, os postes de eletricidade intactos e sinais de trânsito imaculados. Mas não havia gente. A estrada, parcialmente coberta de areia, era regularmente atravessada por bolas de feno. Fiz parte de um conjunto de marretas que há uns anos atrás alertou que a abertura de demasiadas grandes superfícies na Figueira poderia ter este resultado. A crise só acelerou o processo. O que mais me custa, é constar que a vitrina da Casa Havanesa já não tem livros. Mas ainda pode ser pior. Há três anos, no Casino da Figueira, chamei a atenção para a lógica estranha dos despedimentos do próprio Casino. Nesse dia fiz muitos amigos... Hoje, as luzes do Casino ainda iluminam o Bairro Novo. Nem quero imaginar como será o Bairro se estas se apagam.

O deseduquês

Publicada no jornal As Beiras de 8 de Novembro de 2012:

terça-feira, novembro 13, 2012

Sobre o Bloco

Estive nesta convenção pela Moção B, a moção dinamizada pelo João Madeira, Daniel Oliveira, Adelino Fortunato, entre outros. Tal como eles não me revi na forma como foi escolhida a atual coordenação do BE.  A minha crítica estende-se ainda à forma como o Bloco tem gerido as suas alianças, por um lado de uma forma muito desconfiada com a esquerda mais moderada (socialistas que não aderiram à terceira via, independentes, etc.) e por outro demasiado condescendente com os ataques dos partidos comunistas do GUE e com as suas políticas de tolerância a ditaduras abjetas (Coreia, China, Angola, etc.). Em suma, cada vez que as táticas e as práticas do Bloco se assemelham ao que de menos interessante tem o PCP, afastamos simpatias e potenciais aderentes.
Com 85 delegados eleitos e apenas 80 presentes, conseguimos 110 votos (~ 25%) para a Mesa Nacional e mais de 120 para a Comissão de Direitos. Não foi nada mau. Tendo surgido muito tardiamente, o movimento que se iniciou com a Moção B deixou no ar um forte potencial contagiante a muitos aderentes da Moção A. 
O discurso final do João Semedo foi inteligente e tomou em conta muitas das nossas críticas. Ainda bem.

terça-feira, novembro 06, 2012

A grande desilusão

Não escrevo por mim, escrevo pelos meus colegas e amigos (cientistas, divulgadores, estudantes, etc.) que tinham grandes expectativas neste Ministro da Educação e Ciência. A sua aura de bom divulgador sempre gerou alguma empatia no meio científico. Fui testemunha direta dessa empatia quando lhe atribuímos o título de sócio honorário da Sociedade Portuguesa de Astronomia. No entanto, os indícios da desilusão estavam lá desde o início, quando aceitou participar num ministério de fusão da educação com a ciência, em que a justificação da fusão era de um economicismo puramente populista, e quando aceitou participar num governo cujo primeiro-ministro apresenta um curriculum estranho, muito mais dedicado à Jota do que aos estudos, um primeiro-ministro sem qualquer noção da importância da ciência no desenvolvimento das sociedades modernas. A que se agrava o facto de estarmos a falar do autor de "O Eduquês em Discurso Directo", livro onde são desenvolvidas ideias altamente moralistas do ensino. 
Cedo se percebeu que a componente dedicada à ciência iria ficar mais a cargo da FCT, do que de um ministério saturado com o trabalho relativo ao ensino secundário. Depois começaram os primeiros problemas de financiamento de bolseiros e universidades. A seguir veio o caso Relvas, tratado com muita condescendência e profunda lentidão. Supunham os meus colegas e amigos que o mesmo autor de "O Eduquês em Discurso Directo" atuasse com firmeza ou, pelo menos, coerentemente fizesse um ultimato ao primeiro-ministro: ou ele ou Relvas. Mas não, as conclusões da inspeção à Lusófona deixam margem para tudo, até para Relvas e outros cábulas poderem repetir as cadeiras que fizeram de uma forma ilegal. Pior, até agora Relvas não teve qualquer tipo de sanção.
Nas últimas semanas, as melhores universidades do país, todas públicas, estão a entrar em colapso adotando medidas terceiro-mundistas para não fechar portas, medidas essas que comprometem seriamente a investigação aí realizada, e que é a melhor investigação que se pratica no país.
A desilusão dos meus colegas e amigos é agora profunda, agora que se tornou evidente que a ciência está a ser progressivamente eliminada por um bando de cábulas e chicos espertos bem nas barbas do ministro e autor de "O Eduquês em Discurso Directo".

Ainda há tomates neste mundo


A Standard and Poor's foi condenada na Austrália a uma indemnização de 13 milhões de euros por ter classificado com triplo A produtos tóxicos adquiridos por muncícipios de Nova Gales do Sul em 2008.

domingo, outubro 14, 2012

PCF contra encerramento de centrais nucleares

(publicado no portal Esquerda.net)


Nas últimas semanas, o PCF (Partido Comunista Francês) tem-se manifestado abertamente contra o encerramento das centrais nucleares francesas, em particular contra o encerramento da central nuclear de Fessenheim, na Alsácia, tal como está previsto no programa eleitoral de François Hollande por pressão dos Verdes franceses (Europe Ecologie). O PCF fundamenta as suas posições recorrendo a argumentação onde se invoca a perda dos postos de trabalho, onde se garante a segurança da unidade de Fessenheim e se apela à independência energética nacional. Ora, os postos de trabalho que serão criados no complexo de energias renováveis que substituirá a unidade de Fessenheim, será da mesma ordem de grandeza dos postos de trabalho da central nuclear em causa. Acresce que o encerramento de uma central nuclear é um processo que se prolonga durante vários anos e alguns dos processos de tratamento dos resíduos perigosos chegam a prolongar-se por várias décadas. Mas, o mais grave é que a posição do PCF acaba por dar cobertura à abundante subcontratação de trabalhadores no setor do nuclear, trabalhadores estes que realizam o trabalho mais perigoso, recebendo salários pouco superiores ao salário mínimo, suportando doses bem acima de qualquer um dos funcionários da central, e que têm sido vítimas de acidentes incapacitantes. A central nuclear de Fessenheim é a mais antiga central francesa em funcionamento, foi construída em 1977, tendo sido previsto na altura um tempo de vida de 20 anos que foi já largamente ultrapassado. Esta central encontra-se localizada numa região de atividade sísmica, sem dar garantias de resistir a um terramoto de magnitude superior a 6,7 na escala de Richter – estima-se que o terramoto com um epicentro a 50 km ocorrido em Basileia em 1356 poderá ter atingido os 6,9 – e à rutura do grande canal da Alsácia. Estes factos não só descredibilizam as garantias de segurança dadas pelo PCF, como são reforçados pelo número de acidentes de nível 0 e de nível 1 que quadruplicou ao longo da última década.

A pobre fundamentação do PCF na defesa da energia nuclear, sobretudo depois de Fukushima, revela um acantonamento ideológico crónico e uma nostalgia do programa nuclear do bloco de leste implementado por partidos como o Partido Socialista Unificado da Alemanha (ex-RDA) e o Partido Comunista da Checoslováquia, ambos representados no GUE/NGL (Esquerda Unitária Europeia e Verdes Nórdicos) no Parlamento Europeu através do Partido do Socialismo Democrático que integra o Die Linke e do Partido Comunista da Boémia e da Morávia (Rep. Checa). Os comunistas checos são acérrimos defensores da energia nuclear e o Die Linke defende uma saída do nuclear apenas a médio ou longo prazo. No GUE também o PCP mostrou abertura à discussão da energia nuclear. Apesar do PCF ter integrado a Frente de Esquerda nas eleições presidenciais, Jean-Luc Mélenchon defende uma saída progressiva do nuclear e propõe a realização de um referendo sobre a questão.

sexta-feira, outubro 12, 2012

José Azevedo deve explicar relatório Armstrong


Em 2004 vibrei com muito gosto com o quinto lugar obtido por José Azevedo na Volta à França. Mas para quem lê o relatório da USADA sobre o caso de doping de Lance Armstrong, José Azevedo terá que prestar esclarecimentos extremamente claros sobre o seu papel na equipa US Postal no Tour de 2004.

Em 2004 a equipa US Postal era constituída por: Lance ARMSTRONG, José AZEVEDO, Manuel BELTRAN, Vjatceslav EKIMOV, George HINCAPIE, Floyd LANDIS, Benjamin GONZALEZ, Pavel PADRNOS e José Luis RUBIERA. No relatório da USADA, entre as inúmeras provas de prática de doping podemos ler o seguinte na secção 2004 que vai da página 67 até à página 71:

"Floyd Landis reported that Ferrari attended the training camp in Puigcerdà to monitor the team members’ blood values and that Ferrari “administered EPO and testosterone as needed to ensure the team was ready for the Tour de France. Floyd Landis saw Lance Armstrong “lying on a massage table wearing a transdermal testosterone patch on his shoulder.” By this time, the use of testosterone patches was quite prevalent on the U.S. Postal Service cycling team."

"Landis testified that, “[o]n or about July 12, 2004, blood was transfused into me and a few other members of the team,” including, Lance Armstrong and George Hincapie Floyd Landis also testified regarding a second transfusion received by Armstrong, Landis and other members of the team. Landis testified that this transfusion occurred on the team bus between the finish of a stage and the hotel and that the driver had pretended to have engine trouble and stopped on a mountain road for an hour so that the team could have blood infused. George Hincapie confirms that, “[a]fter a stage during the 2004 Tour de France blood transfusions were given on the team bus to most of the riders on the team."

"Levi Leipheimer testified that in 2005 when he and Landis were assisting each other with blood transfusions that Landis had told him about an incident at the 2004 Tour where the entire U.S. Postal Service team had received transfusions on the team bus following a stage in the Tour"

Quem lê estas passagens só pode concluir que é grande a probabilidade que José Azevedo como membro da equipa tenha recebido transfusões sanguíneas e tenha consumido EPO e testosterona. 

Espero que a Autoridade Antidopagem de Portugal não esteja a dormir depois deste enorme escândalo. 

sábado, setembro 29, 2012

A voz da Jerónimo Sachs

António Borges, a voz da Jerónimo Sachs e consultor para as privatizações, acha que a TSU (Taxa Social Única) era medida inteligente. A TSU era inteligentíssima para a Jerónimo Martins que iria arrecadar mais uns milhões à custa dos trabalhadores e cobrir as custas das promoções selvagens. Não há decoro nenhum, é inaceitável a cumplicidade entre este governo, os interesses dos grandes grupos económicos e a Goldman Sachs. Esta manifestação de hoje e a de 15 de Setembro foi também contra estas quadrilhas.

quarta-feira, setembro 26, 2012

Degelo record no Ártico

(publicado no portal Esquerda.net)
Ano após ano, no final do Verão, em Setembro, a superfície de gelo do Ártico atinge um valor mínimo. O mínimo deste Verão foi o mais baixo desde 1979, ano em que se começaram a realizar observações por satélite do banco de gelo do Ártico. Foi a 26 de Agosto que esse mínimo foi alcançado tendo sido registada uma superfície de gelo de 4,1 milhões de quilómetros quadrados. No entanto a cobertura de gelo continuou a diminuir, tendo sido registados valores abaixo dos 4 milhões de quilómetros quadrados já no início de Setembro. Os seis anos em que o degelo do Ártico foi mais significativo ocorreram igualmente nos últimos seis anos, entre 2007 e 2012. Este fenómeno está sem dúvida correlacionado com o aumento da temperatura global do planeta, dado que os registos deste ano (até ao mês de Agosto) colocam provisoriamente o ano de 2012 entre os 10 anos mais quentes jamais registados (desde de 1880) e os registos que compreendem o período entre 1998 e 2011 incluem os 10 anos completos mais quentes de sempre.
Segundo a agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration é fortemente provável que em 2016 o banco de gelo do Ártico possa desaparecer por completo no final do Verão. As implicações desta desregulação climática serão percetíveis num ligeiro aumento do nível da água do mar, mas mais preocupante será a diminuição do poder de reflexão dos raios solares à superfície da Terra. Este fenómeno desencadeará um ciclo vicioso em que uma maior absorção dos raios solares pela superfície terrestre provocará um aumento adicional da temperatura que por sua vez fará com que o degelo do Ártico ocorra cada vez mais cedo durante o Verão.
Sabemos que os gases de efeito de estufa, responsáveis pelas alterações climáticas, manter-se-ão na atmosfera durante algumas centenas de anos. Apesar do abrandamento momentâneo das emissões de gases para a atmosfera causado pela crise, as observações deste ano vêm-nos relembrar de uma forma abrupta que o combate à crise é na realidade um combate às crises: a económica e a ambiental.
Relembra-se que a calote polar do Hemisfério Norte é um termómetro mais eficaz das variações climáticas do que a do Hemisfério Sul, dado que a massa oceânica que rodeia a Antártida serve como um gigantesco moderador da temperatura do Polo Sul impedindo variações rápidas da massa de gelo continental e oceânica.

quarta-feira, setembro 19, 2012

À atenção dos figueirenses

Vale a pena ver este documentário "Let's Make Money" sobre os danos que as políticas ultra-liberais estão a causar na economia mundial. Aos figueirenses, chamo especial atenção para a parte compreendida entre 1h12min e 1h25min. Digam-me se não acham aquilo familiar...
 

terça-feira, setembro 18, 2012

A candidatura da Cofina à exploração da RTP

Com este título, o "Cartão Vermelho Violento", a Cofina mostra do que será capaz se lhe oferecerem uma televisão. Estou mesmo em crer que este número do Correio da Manhã é uma espécie de  oficialização da sua candidatura à exploração da RTP. Só falta a assinatura do ministro Relvas e do administrador da Jerónimo Martins e ex-Goldman Sachs, o respeitabilíssimo António Borges.

quarta-feira, setembro 12, 2012

Petição “Sem Ciência não há futuro”


Esta petição dirigida ao Ministro da Educação e da Ciência destaca na sua introdução que “a aposta na Ciência configura uma das soluções mais eficazes para a saída da crise” e que “a par do desenvolvimento da tecnologia, permitirá relançar a economia nacional e criar emprego”.

Para que estes objetivos possam ser alcançados, os autores da petição apelam para a urgência em travar o aumento da “fuga de cérebros”, destacando que este problema representa um “impensável desperdício económico em época de crise: é o investimento de décadas na Educação que agora abandona o país”. Recorde-se que o aumento exponencial da produção científica nacional, cada vez mais premiada e reconhecida a nível internacional, deve-se em grande medida ao trabalho de milhares de bolseiros. No entanto, para além desse trabalho de investigação é exigido irregularmente aos bolseiros que assegurem “uma parte substancial das necessidades de docência das universidades” e “uma série de outras funções, incluindo administrativas”. É denunciado também um conjunto importante de disfuncionalidades e problemas burocráticos graves que estão a atingir este ano os bolseiros de investigação da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia). A estes problemas conjunturais juntam-se problemas crónicos do nosso sistema científico. Os bolseiros não têm direito ao subsídio de desemprego, “não progridem na carreira (porque a carreira não existe), não têm direito a contrato de trabalho e os seus vencimentos não são atualizados há mais de 10 anos”. Conclui-se que esta geração de investigadores é simultaneamente, a “mais qualificada de sempre e, por comparação, a mais precária”.

Tendo em conta os problemas descritos reivindicam-se cinco medidas imediatas:

1. A regularização do fluxo de verbas da FCT para as entidades gestoras, de forma a permitir a plena execução dos projetos;

2. Que a FCT dê prioridade à análise da rubrica "Recursos Humanos" (Bolsas), quer para Bolsas Individuais, quer para as bolsas associadas a projetos, dado que essas verbas se encontram autorizadas e orçamentadas desde a aprovação do Projeto/Plano de Trabalhos;

3. Que se proceda aos pagamentos em atraso do Seguro Social Voluntário imediatamente;

4. Que se melhore o serviço de atendimento telefónico e de correio eletrónico da FCT, permitindo àqueles que não residem em Lisboa resolver os seus problemas com celeridade;

5. Que o Senhor Ministro da Educação e Ciência interceda junto do governo, para que este assuma como prioritária uma política de incentivos conducente à criação de emprego que absorva a mão-de-obra altamente qualificada e o seu saber.

Esta petição que oportunamente chama a atenção para a importância da ciência no desenvolvimento do país e, simultaneamente, apela à resolução de problemas muito concretos que atingem o elo mais fraco do sistema científico nacional, os bolseiros, pode ser assinada aqui.

segunda-feira, setembro 10, 2012

O polvo da Goldman Sachs (com a lula Borges)

Confirmo que esta emissão foi o acontecimento televisivo do dia em França (em Portugal o acontecimento é todos os dias bola e novelas), como se diz no Jugular. Interessante foi o anúncio de Mario Draghi (um dos visados) de compra de dívida ter surgido um dia após a difusão do documentário...
 
_Goldman Sachs - La banque qui dirige le monde 1/2 por tchels0o
_Goldman Sachs - La banque qui dirige le monde 2/2 por tchels0o

quarta-feira, setembro 05, 2012

Roubar é uma atividade competitiva

A Suíça é o país com o melhor índice de competitividade da economia. A multiplicidade de escândalos financeiros a que a banca Suíça está ligada, juntamente com as contas clandestinas dos maiores criminosos do mundo (que nestes tempos já ninguém liga) são sem dúvida um importante fator de competitividade, a batota sempre foi competitiva. E se dúvidas houver basta ver quem está em segundo. Singapura, esse país dirigido por uma máfia familiar onde o crime e a corrupção do clã dominante são legais, vem logo a seguir. A receita é a mesma da Suíça, mas numa versão com menos escrúpulos.

terça-feira, agosto 21, 2012

segunda-feira, agosto 20, 2012

O pior exemplo para os jovens


O péssimo exemplo para os jovens da não demissão de Relvas é o assunto da minha crónica de hoje no Pontos de Vista da Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, julho 27, 2012

As Férias Possíveis

A minha coluna de ontem no jornal As Beiras:



Para cada vez mais pessoas as férias são as possíveis e não as desejadas. Os mercados mandam, os governos obedecem e você aguenta a austeridade. O destino paradisíaco é uma miragem e a escapadela cá dentro só se for num parque de campismo. 
Apesar de algum desleixo, os espaços naturais do concelho são variados e aliciantes. Há caminhadas deslumbrantes a fazer à beira rio, entre salinas e arrozais, à beira mar podemos desfrutar da sombra de um pinheiro manso, esquiar dunas, apanhar lapas e mergulhar no oceano. A Lagoa da Vela, a serra e os pinhais são locais ideais para um piquenique ou para um raide de BTT. Isto não se oferece nas praias artificiais dos destinos de baixo custo. Gratuito e melhor é ouvir à noite a rebentação das ondas e caçar estrelas cadentes no firmamento.

segunda-feira, julho 23, 2012

Melhores resultados de sempre em Olimpíadas de Matemática

(publicado no portal Esquerda.net)

A delegação portuguesa obteve o maior número de medalhas (uma medalha de ouro, uma de prata, duas de bronze) em Olimpíadas de Matemática desde que Portugal entra na competição, desde 1989. No entanto esta competição teve a sua primeira edição em 1959, mas nesses tempos parte das escolas secundárias do nosso país não tinha professores ou aulas de matemática. Nalgumas escolas a carência de professores de matemática era remediada por aulas lecionadas por oficiais do exército. Mas ainda mais grave, era o facto de o regime não considerar o ensino secundário como uma meta universal para todos os jovens portugueses, isto numa época em que na Europa do Norte e do Leste a licenciatura universitária e o doutoramento já estavam no horizonte de um jovem da classe média.
Na classificação por equipas destas olimpíadas de matemática que decorreram na Argentina, a equipa portuguesa ficou classificada em 37° lugar entre 100 países participantes. O 33° lugar em 2009 foi a melhor posição obtida pela equipa portuguesa, embora obtendo menos medalhas que na corrente edição e nenhuma de ouro. Medalhas de ouro foram apenas obtidas uma este ano e uma medalha em 2011, ambas conseguidas por Miguel Santos, aluno do 11° ano da Escola Secundária de Alcanena.
Graças ao Projeto Delfos do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra e ao esforço anónimo de muitos professores e de muitas escolas do país, a motivação e a preparação dos alunos para este tipo de eventos tem vindo a melhorar nos últimos anos. Também ajudaria se déssemos um bocadinho menos de atenção ao futebol e às novelas e um bocadinho mais de destaque nos meios de comunicação às proezas destes atletas mais cerebrais. 

Volta José Santos e traz o cartaz...

José Santos, um dos heróis do Tour, deu aulas de Educação Física na Figueira da Foz.
Ler no Esquerda.net.


sábado, julho 21, 2012

9 anos de bitaites

Há 9 anos, a Klepsýdra foi lançada para a blogosfera. Hoje como ontem continuamos cheios de pica.
Este ano o Mestre de Cerimónias deste aniversário é Anthony Bourdain. Ele ofereceu-se e nós não o contrariámos. Como é hábito, segue o programa da maluqueira do dia.


2012 Klepsýdra Club Session

00.00-00.15 - Discurso de abertura de Anthony Bourdain intitulado: "Desde que leio a Klepsýdra as minhas omeletes ficam perfeitinhas".
00.15-00.45 - Warm Up - Se Hou
00.45-01.45 - Monika Kruse
01.45-02.45 - Armin Van Buuren
02.45-03.00 - Tom Craft Grand Warm Up - DJ Muxaxo
03.00-04.45 - Tom Craft
04.45-05.30 - Eric Morillo
05.30-06.00 - ATB
06.00-06.30 - Monsieur Philippe Corti

quinta-feira, julho 12, 2012

Volto já

Bosões, esquemas para inchar CVs de jotinhas do PS PSD e CDS, a apatia do ministério da ciência, o rendimento mínimo garantido do secretário de estado de Portas, tanto haveria para aqui escrevinhar nestes dias.
As férias sem internet são uma maravilha. Até já.

quinta-feira, junho 28, 2012

Acabou a alienação, voltemos às telenovelas

Acabou a participação de Portugal no europeu, que alívio! Os portugueses vão poder a voltar concentrar-se no que interessa, nas telenovelas e nos romances que envolvem dirigentes desportivos (confiram as grelhas dos principais canais em horário nobre). Vão poder voltar às estimulantes aventuras de personagens de novela que não trabalham, que passam a vida em casas e lugares sofisticados e cuja única atividade a que se dedicam é a cochichar sobre a vida alheia. Para os que não gostam há sempre alternativas, as aventuras sexuais de Pinto de Costa, conspirações de árbitros e belas reportagens sobre o treino do dia de um dos três grandes. Aleluia, estava a ver que não!  

Arte Xávega

A minha coluna de hoje no jornal As Beiras:

quarta-feira, junho 27, 2012

O Robalo tem que jogar


Hugo Almeida ou o robalo que roça o dorso no relvado.

Consultem ali as estatísticas. 
Portugal é a equipa com mais cantos marcados: 35. É a equipa com mais cruzamentos tentados (55) e mais cruzamentos concretizados (12). Ainda há dúvidas? O meu conterrâneo Hugo Almeida (o Robalo) só pode ser a opção número um para o ataque neste esquema de jogo.



segunda-feira, junho 25, 2012

Gases de motores a gasóleo são cancerígenos



O Centro Internacional para a Investigação do Cancro, uma agência da Organização Mundial de Saúde, anunciou que está cientificamente comprovado que as emissões de partículas finas dos motores a gasóleo aumentam o risco de cancro do pulmão. Os trabalhos científicos que o demonstram foram realizados na Europa e nos EUA, em particular em minas em que os trabalhadores estiveram expostos às emissões de motores a gasóleo.

Nas últimas décadas tem-se assistido na Europa à proliferação de viaturas movidas por motores a gasóleo, em grande medida pelas vantagens fiscais oferecidas pelos governos europeus comparativamente à gasolina. Os construtores de automóveis têm apostado nestas motorizações dado que os motores a gasóleo emitem menos dióxido de carbono por quilómetro que as viaturas movidas a gasolina (embora os motores a gasolina na prática não emitam partículas), permitindo às marcas vender viaturas que cumprem os limites de emissões de gases de efeito de estufa. No entanto, numerosos engenheiros que trabalharam para as grandes marcas mundiais de automóveis denunciaram que na Europa a opção pelo gasóleo serviu também para vender automóveis muito mais caros, explorando a margem de poupança que um consumidor realiza ao escolher uma viatura a gasóleo em vez de uma viatura a gasolina. A diferença de custos de produção entre um motor a gasolina e a gasóleo para o mesmo modelo não justifica a diferença no preço de venda.

Hoje em dia refinar gasóleo é mais caro do que refinar gasolina, sobretudo pelas exigências técnicas associadas à legislação que restringe a quantidade de enxofre presente no gasóleo. Tendo em conta as conclusões deste estudo, interessa refletir se faz sentido na Europa (nos EUA os motores a gasóleo são menos vendidos) o gasóleo continuar a ter maiores benefícios fiscais em relação à gasolina para os automóveis particulares. No entanto, deve continuar a investigação do impacto das melhorias realizadas nos novos motores a gasóleo para reduzir as emissões de partículas finas, para se perceber a real redução de riscos que estas alterações representam.

Estaleiros, Porto da Figueira, Pesca Ilegal e Corsários

Estaleiros, Porto da Figueira, Pesca Ilegal e Corsários é mixórdia temática da minha crónica de hoje na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, junho 22, 2012

Ciganos nossos

Um interessante documentário da Mundi Romani sobre a realidade das comunidades ciganas do distrito de Coimbra. Ainda há muita coisa a melhorar e muitos problemas a resolver, mas neste documentário é evidente que há um antes e um depois da intervenção das redes de apoio social, contrariando em larga medida o habitual paleio de café sobre os ciganos. Participa no documentário o amigo Bruno Gonçalves, um mediador social que tem feito um excelente trabalho no distrito.


quinta-feira, junho 21, 2012

Marchas Impopulares

A minha coluna de hoje no jornal As Beiras:


Checo para totós

Pronunciar os nomes dos jogadores checos parece uma trivialidade, mas não é. Vamos lá a uma pequena lição para leigos e comentadores (e que grandes calinadas ouvimos dos comentadores):

Petr Čech = Pétr Tcherr (ch em checo pronuncia-se como o ch duro em alemão; as vogais são todas abertas)
Tomáš Sivok = Tómáásh Civok (š = sh; as vogais acentuadas são longas)
Jaroslav Plašil = Iaroslav Plashil (j=i)
Václav Pilař= Vatslav Pilarj (c=ts e ř=rj)
Petr Jiráček= Petr Iiráátchek (č=tch)

Logo

Tomáš Rosický= Tomash Rozitskii
Daniel Kolář= Daniel Kolarj

Por favor não digam mais Roziqui ou Petr Chéche...

segunda-feira, junho 18, 2012

À atenção do comité central do PCP

"A Chinese Foreign Ministry spokesman says Beijing is hopeful Sunday's election in Greece can help stabilize the economic situation in the European Union. Hong Lei told reporters Monday that China welcomed the results, which pave the way for the formation of a pro-austerity government, and hopes it will bode well for the 17 nations sharing the euro currency.Fonte CBS.

Eu nem comento...

domingo, junho 17, 2012

Intoxicação

Quem esteve atento à imprensa internacional de hoje, leu as múltiplas de declarações de instituições financeiras e de partidos com elas comprometidos a prever todo o tipo de catástrofes possíveis para a Grécia, a Europa e o Mundo, caso ganhe o Syriza. A intoxicação dá como certa a saída da Grécia do euro. Juntos, os partidos gregos que defendem a saída do euro vão ter menos de 15%. Como é que a Grécia vai sair do euro? Só se for empurrada. Vão ser os bancos e o sistema financeiro a empurrar a Grécia para fora do euro, eles que curiosamente participaram no saque? Ou vai ser a CDU de Merkel?  Estou curioso para ver quem serão os protagonistas que vão tentar ter mais legitimidade do que a expressão dos eleitores gregos nas urnas.

sexta-feira, junho 15, 2012

Syriza, uma bela resposta dos gregos

Depois da crise estalar, a reação nas urnas foi, grosso modo, a de castigar o boneco que estava no poder. Outra reação frequente foi votar no candidato-palhaço. Em Portugal tivemos essa versão em José Manuel Coelho sem grande sucesso, mas em Reiquiavique o palhaço ganhou e governa desde 2010. Depois houve a reação mais clássica que é votar na constelação de partidos ultra-conservadores e nacionalistas, partidos que não têm programa político a médio e a longo prazo, onde tudo se baseia na culpabilidade de uma certa faixa da população por todos os males do país (ciganos, desempregados, imigrantes, judeus, muçulmanos, etc.). Outro clássico é o discurso anti-políticos muito do agrado dos principais culpados da crise, setor financeiro e banca, para sacudir a água do capote. Foi deste discurso anti-políticos, por exemplo, que surgiu a Forza Italia de Berlusconi em meados dos anos 90, depois da operação Mãos Limpas. Eram todos maus e corruptos, exceto ele Berlusconi, aliás como o tempo veio a demonstrar...
Se recuarmos um pouquinho na máquina do tempo, até aos anos 30 do século XX, descobrimos o maravilhoso futuro que este cocktail de nacionalistas, palhaços e políticos anti-políticos reservou à Europa. Foi só a pior catástrofe de sempre. Nunca se destruiu tanto e nunca se morreu tanto na Europa em tão pouco tempo.

Durante as últimas décadas houve algumas famílias políticas que sempre se recusaram a compactuar com uma economia onde o estado e os cidadãos estivessem reféns dos mercados financeiros, que preferiam um modelo onde os mercados estivessem ao serviço dos cidadãos, das empresas e da qualidade de vida. E por isso foram frequentemente ostracizados.  
Exemplos conhecidos são a família dos Verdes Europeus, esquerdas alternativas (a que pertence o BE e o Syriza), alguns partidos socialistas e sociais-democratas que não se deslumbraram com os mercados e, à direita, alguns partidos democratas-cristãos genuínos que não venderam a alma ao diabo. Estes partidos raramente governaram nas últimas décadas de devaneio financeiro, é natural. 
Dada a gravidade da sua situação, a Islândia foi um dos primeiros casos em que os eleitores perceberam que era preciso escolher os que sempre se bateram contra o tipo de economia que destruiu o país e elegeram a Aliança Social Democrata (partido da família do BE). Em toda a Europa, partidos desta mesma família esquerdista e europeísta (a favor do euro e de mais integração) como o Front de Gauche em França, o Syriza na Grécia, o Partido Socialista na Holanda e partidos da família dos Verdes estão a aumentar consideravelmente a sua representatividade. Os Verdes já governam em Baden-Württemberg. Na Holanda e na Grécia tudo indica que estes partidos poderão discutir a vitória nas próximas eleições. Se forem governo não é garantido que os respetivos países se transformem num mar de rosas, mas uma coisa é certa, os mercados por muito que lhes custe vão começar a trabalhar mais ao serviço do Estado, dos cidadãos, das empresas e dos produtores. A expressão da vontade de mudança dos gregos, aderindo massivamente ao Syriza, é de louvar. O mais fácil seria exprimir a vontade de mudança aderindo aos nacionalismos, aos populismos anti-políticos e aos palhaços cujo programa político é nulo a médio e a longo prazo e que só iria agravar o caso das gerações seguintes. A escolha dos gregos pelo Syriza até poderá revelar-se uma desilusão, mas por muito má que seja essa desilusão esta escolha comportará consigo sempre mais futuro e mais esperança para as próximas gerações do que todas as outras opões, aliás já mais do que batidas.

Boa sorte Syriza!

quarta-feira, junho 13, 2012

Teria sido mais simples

Rui Rio propôs que autarquias muito endividadas deveriam ser geridas por uma comissão administrativa (mais tacho para António Borges?) e não ter eleições. Tendo em conta que o seu partido é um dos principais responsáveis pelo endividamento das autarquias teria sido mais simples se propusesse que o seu partido não concorresse às câmaras que endividou, em vez de impedir o concurso de partidos e de independentes que defendem outras formas de gestão local, menos agarrados a negociatas que envolvem muito betão e a alterações selvagens de PDM's.

terça-feira, junho 12, 2012

Mansos e comprometidos


"Se Portugal fosse um país onde se jogasse limpo, serviço público de televisão teria de ser assim.
No Prós e Contras de ontem à noite, quando falou  António Borges,  deveria ter passado em rodapé o seu curriculum vitae: Vice-Governador do Banco de Portugal, ex-Vice-Presidente do Conselho de Administração da Goldman Sachs, ex-Administração do Citibank, ex-BNP Paribas, ex-Petrogal, ex-Sonae,  ex-Cimpor e ex-Vista Alegre, ex-qualquer coisa no FMI, actual conselho de administração da Jerónimo Martins e ministro do Governo PSD-CDS/PP para as privatizações."

"O programa de hoje [Prós e Contras] é um  exemplo perfeito, onde, sem contraditório, se ouviu uma série de porta-vozes da política actual, de António Borges a António Vitorino. António Borges, a quem não foi perguntado nada de incómodo, a António Vitorino que representa uma das vozes "responsáveis" do PS que em todos os momentos cobre sempre o governo em funções. Há  cinco, quatro, três, dois anos, ou seja, em termos históricos, HOJE, exactamente com a mesma voz grave e responsável, António Borges defendia a política suicidária do sistema financeiro que conduziu ao desastre cujos custos todos pagamos, e Vitorino não dizia nada de incómodo para Sócrates"


Concordo

segunda-feira, junho 11, 2012

iFixit

Nos anos 60, um engenheiro da República Democrática da Alemanha foi apresentar a um salão internacional de eletrodomésticos uma lâmpada que segundo o próprio não se fundia. Orgulhoso da sua invenção, o engenheiro alemão estranhou a falta de interesse que a invenção despertou entre os seus concorrentes. Um deles chamou-o à parte e disse-lhe que se comercializasse essa lâmpada nos EUA todos iriam perder uma margem considerável de lucro. Desde 1925 que os principais fabricantes de lâmpadas (Phoebus, Osram, Philips, e General Electric) tinham chegado a um acordo para estabelecer uma longevidade de 1000 horas em vez da média de 2500 horas que eram registadas nos testes.
A longevidade programada de eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos não é um problema de hoje, mas está a tomar proporções sem precedentes à medida que aumenta o número de multinacionais que aderem à filosofia de produtos não reparáveis associados a esquemas em que é estabelecido propositadamente um tempo de vida limitado a um componente basilar de funcionamento do aparelho. Empresas como a Epson e a Apple foram recentemente objeto de denúncias públicas significativas deste tipo de práticas. A Epson começou a equipar impressoras onde um dos chips que controlava a execução da impressão era programado de raiz para funcionar até às 18000 cópias. A partir desse número, o software da impressora deixa de transmitir a ordem de impressão (vale a pena ler a desculpa da Epson). No caso da Apple, desde 2003 telefones e leitores de música começaram a ser equipados com baterias integradas de curta longevidade (cerca de dois anos) que não permitem uma substituição trivial.
Um grupo de admiradores dos produtos Apple e de ex-trabalhadores da empresa, desiludidos com a política da longevidade programada criaram a empresa iFixit dedicada à reparação de eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos objeto de longevidade programada. No seu sítio explicam como reparar em casa alguns desses aparelhos.
Podemos descobrir aí os métodos perversos da Apple para impedir a substituição das baterias (colas, parafusos incompatíveis com as chaves de fendas, armadilhas mecânicas), obrigando o cliente a dirigir-se às lojas Apple para resolver o problema onde os custos da substituição da bateria são de cerca de 70% do valor do produto. Na prática o cliente é forçado a trocar o seu modelo pelo novo modelo lançado no mercado. Como resultado de protestos, processos em tribunal e do ativismo de variados grupos de cidadãos, a Apple começou a alterar alguma da sua política de longevidade programada.
Entretanto, em Livermore, Califórnia, no quartel dos bombeiros locais existe uma lâmpada acesa em contínuo desde 1901 (na foto).

Proteção e redes sociais em tempos de crise

Proteção e redes sociais em tempos de crise é o assunto da minha crónica de hoje no Pontos de Vista da Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

terça-feira, junho 05, 2012

Trânsito de Vénus

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Vénus vai passar à frente do Sol hoje e amanhã, mas infelizmente o fenómeno não será visto em Portugal porque ocorre quando o Sol se encontra abaixo do horizonte. No entanto para quem quiser observar em direto este fenómeno que não se irá repetir nos próximos 100 anos, existem duas páginas que vão transmitir o trânsito de Vénus em direto. Aqui sítio da ESA e aqui direto dos Astrónomos Sem Fronteiras.

Como o plano orbital de Vénus não está alinhado exatamente com o da Terra, os trânsitos são raros e ocorrem duas vezes durante período de oito anos, para voltarem a acontecer apenas mais de um século depois. O último trânsito aconteceu em 2004, mas o próximo apenas ocorrerá em 2117.

domingo, junho 03, 2012

Travar a erosão e salvar a onda


O tema da minha crónica desta segunda no Pontos de Vista, na Rádio Clube Foz do Mondego, é sobre a solução que poderá travar a erosão na margem sul e salvar a onda do Cabedelo.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

quarta-feira, maio 30, 2012

Um passo à frente outro atrás

Na Arábia Saudita, uma mulher num centro comercial desafia uma brigada dos bons costumes quando abordada por mostrar o cabelo e por pintar as unhas.
Na Ucrânia, as claques mais radicais exibem o seu antissemitismo e o seu racismo com todo o à-vontade, com a complacência das autoridades.
Sinais dos tempos que correm.

domingo, maio 27, 2012

UE moraliza alegados benefícios para a saúde de alimentos e de produtos

 Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo de campanhas publicitárias que garantem variadíssimos benefícios para a saúde decorrentes do consumo de produtos alimentares, de limpeza, de cosmética, etc. Sem um mecanismo de regulação apropriado numerosas marcas enveredaram abertamente pela publicidade enganosa, de que o exemplo mais flagrante e mais caricato foi o da chamada pulseira do equilíbrio. No entanto, a Power Balance viria a ser condenada por um tribunal australiano por publicidade enganosa e obrigada a propor um reembolso a todos os clientes que adquiriam a pulseira do equilíbrio.
A partir desta semana a rotulagem e a publicidade dos produtos comercializados na UE (União Europeia) que anunciam benefícios para a saúde dos consumidores vão passar a estar mais sujeitas ao escrutínio científico. A UE limitou a uma lista de 222 os benefícios para a saúde confirmados cientificamente. Todas as empresas que vendem produtos com rotulagem referindo benefícios para a saúde que não integram a referida lista, têm seis meses para retirar do mercado os respetivos produtos e para parar todas as campanhas publicitárias com informação infundada.
A marca de iogurtes Activia do grupo Danone é um dos principais visados por esta regulamentação. Após longos anos publicitando benefícios para a saúde, em particular benefícios para a digestão e para o fluxo intestinal, em 2010 a Danone concordou pagar uma multa de 21 milhões de dólares por exagero nos benefícios para a saúde propagandeados em campanhas publicitárias realizadas nos EUA. Com esta medida a UE dotou-se de um instrumento importante para moralizar e para regular o poder das multinacionais que operam no nosso continente. Convém lembrar, algumas destas empresas movimentam fluxos de dinheiro superiores aos orçamentos de alguns países da UE.

sexta-feira, maio 25, 2012

Ministra da Agricultura deveria demitir-se

Não é de ontem nem de hoje, mas o problema tem-se vindo a agravar desde que Soares dos Santos decidiu lançar o seu projeto político (sem ir a votos) espezinhando uma série de leis da república. O dumping que já se praticava a lume brando (e não era só o Pingo Doce a praticá-lo), tomou proporções incontroláveis quando outras cadeias de supermercados seguiram a famosa campanha dos 50% de desconto, isto apesar de estarem em curso investigações por concorrência desleal em inúmeros supermercados da Jerónimo Martins. Já há mais de 100 anos que a experiência, a história e os livros de economia nos ensinam que o dumping destrói a economia e produz desemprego entre produtores (principalmente agricultores) e comércio local.

Hoje foi tornado público que os estragos e as faturas das promoções selvagens do Pingo Doce começaram a chegar aos produtores e aos agricultores. O Pingo Doce começou a pressionar os produtores exigindo um aumento de margem para si, "uma verba que o produtor teria de entregar ao Pingo Doce, uma renegociação de contratos e verbas para reforço de competitividade". Isto são coisas dos filmes do Padrinho. Nas palavras de um dos principais representantes dos produtores nacionais existem "empresas com medo represálias caso não aceitem as condições dos supermercados, nomeadamente com marcas que podem desaparecer das prateleiras" e temem-se já "falências, desemprego, desinvestimento na produção nacional e, eventualmente, um aumento das importações".

A passividade da Ministra da Agricultura (e de não-sei-quantas-pastas) perante as sucessivas campanhas de 50% foi confrangedora. Será que o CDS tem receio de afrontar Soares dos Santos? E porquê? Muito provavelmente, agora é tarde demais para o ministério intervir, para evitar que os estragos se continuem a propagar até aos nossos bolsos, deixando um rasto de desemprego atrás de si entre agricultores, produtores e trabalhadores do comércio local. Como tudo isto é demasiado grave no momento de crise que atravessamos, demita-se senhora Ministra.


quarta-feira, maio 23, 2012

Os Donos de Portugal em versão integral

Moralização dos "benefícios" dos alimentos

A rotulagem e a publicidade dos alimentos que pretendem uma série de benefícios para a saúde dos consumidores vão passar a estar mais sujeitas ao escrutínio científico. A União Europeia limita a uma lista de 222 as alegações de benefícios para a saúde e dá 6 meses a todas as empresas para retirar do mercado produtos com informação infundada sobre os seus benefícios para a saúde. Parece que os famosos iogurtes Activia vão ser uma das principais "vítimas" desta moralização.

segunda-feira, maio 21, 2012

O Tafamidis no combate à doença dos pezinhos

É o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.


Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

segunda-feira, maio 14, 2012

Os meus 23

Onze tipo
Mika,
Fábio Coentrão, Bruno Alves, Rolando, João Pereira,

Nani, João Moutinho, Raúl Meireles, Ronaldo, Quaresma,

Hugo Almeida,

Banco
Paulo Bento (com Mourinho ao telefone)

Rui Patrício, Quim
Ricardo Costa, Paulo Jorge, Nélson, Tonel
Vieirinha,  Miguel Veloso, Custódio, Rúben Micael, Carlos Martins
Nélson Oliveira, Varela

Mika? Já vi tudo o que tinha a ver sobre o Mika. Zero golos sofridos até à final do mundial de sub-21 (com uma única asneira que faz parte dos ossos do ofício). Um guarda-redes que sabe agarrar a bola com as duas mãos como um jogador de basket. Envergadura de Petr Cech: 1,95 m. Só lhe falta experiência, pena foi que não tivesse jogado em encontros de preparação. Depois de Vítor Baía, vamos voltar a ter um grande guarda-redes.
Pepe de fora? Sou contra a batota nas seleções. Quando o Liechtenstein ganhar o campeonato do mundo com 11 brasileiros, 6 portugueses, 5 turcos e um cidadão do Liechtenstein, talvez se lembrem de mudar regras.
Com utilização frequente no meu onze tipo: Nélson por João Pereira, Vieirinha por Moutinho, Varela por Quaresma, e Nélson Oliveira por Hugo Almeida

Erros do passado

A chuva de indemnizações exigidas ao município da Figueira por erros do passado é o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

quinta-feira, maio 10, 2012

As repúblicas das televisões II

Há cerca de dois anos escrevi isto sobre os abusos televisivos de Eduardo Moniz. A revelação de que os nossos serviços secretos andaram a trabalhar para a TVI e para o programa político debitado e definido pelo alinhamento noticioso, só reforçam aquilo que escrevi. A televisão é uma forma de poder e ombreia quer com o poder político quer com o poder judicial. Se não assumirmos isto, a nossa democracia será sempre coxa.

quarta-feira, maio 09, 2012

segunda-feira, maio 07, 2012

A energia nuclear no centro do debate presidencial francês

(publicado no portal Esquerda.net)

A energia nuclear foi um dos pontos principais de debate e do programa dos candidatos à eleição presidencial francesa. No país que mais depende desta forma de energia, a ampla variedade de posições sobre este tema produziu um debate intenso quer entre esquerda e direita, mas também entre os próprios candidatos de esquerda.

O programa de Nicolas Sarkozy é claro na afirmação do nuclear como uma opção estratégica fundamental para contornar a dependência das energias fósseis. A posição de Marine Le Pen, embora muito vaga, defende a continuidade do nuclear para garantir a independência nacional da França no setor energético, embora tenha admitido que a energia nuclear é perigosa e que a longo prazo deva ser equacionada a sua substituição.

Eva Joly, dos Verdes, apresentou o único programa abertamente pela extinção da produção de energia nuclear. Aliás, foi sob a pressão de um acordo assinado entre Verdes e o Partido Socialista Francês que o programa de François Hollande passou a integrar medidas concretas para a redução da energia nuclear a curto e a médio prazo. Em particular, o encerramento da central de Fessenheim nos próximos cinco anos. A central de Fessenheim, localizada na Alsácia perto de uma falha sísmica, é a mais velha central francesa, em atividade há 35 anos, e também a que comporta maiores riscos de ocorrência de um acidente grave. Outra medida importante é a redução a 50% da energia nuclear na produção de energia elétrica até 2025. O valor atual é de 75%, sendo o mais elevado do mundo. No entanto, Hollande defende a continuidade do programa de construção do novo reator EPR (European Pressurised Reactor/Evolutionary Power Reactor).

Jean-Luc Mélenchon defende uma saída progressiva do nuclear e propôs a realização de um referendo sobre a questão. Entre os seus apoiantes diretos, o Partido Comunista Francês defende a continuidade do programa nuclear, enquanto o Partido de Esquerda é contra.

Entre declarações confusas e pouco claras sobre o assunto, o candidato Philippe Poutou do NPA admitiu a falta de unanimidade dentro do seu partido sobre a questão da energia nuclear, embora o seu programa proponha a saída da energia nuclear dentro de 10 anos.

A candidata da Lutte Ouvrière, Nathalie Arthaud mostrou-se favorável à energia nuclear no quadro de uma gestão pública.

No caso de vitória de Sarkozy, não se espera nenhuma alteração ao programa nuclear francês nos próximos cinco anos. No caso de vitória de Hollande, pelo menos existe a esperança de uma inflexão das prioridades energéticas do país e do encerramento da central de Fessenheim, no entanto nada de radicalmente diferente ocorrerá certamente no panorama energético francês.

quinta-feira, maio 03, 2012

segunda-feira, abril 30, 2012

Petição Contra o Encerramento da Delegação da Lusa em Coimbra

Assinar a Petição Contra o Encerramento da Delegação da Lusa em Coimbra aqui, mais uma machadada na descentralização e no desenvolvimento equilibrado do país.

Miguel Portas

O legado de Miguel Portas é o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, abril 27, 2012

A zona de conforto dos piegas

São uns piegas dos nossos jovens, instalados refasteladamente na sua "zona de conforto" entre os 300 e os 900€ (tabela do Publico). Coitadinho é do milionário Soares dos Santos que vai chorar para o programa do Mário Crespo queixar-se que a margem de lucro é muito curta no setor do retalho, ele que nem explora os nossos agricultores (outros na zona de conforto), nem faz dumping de preços, nem nada. 

quinta-feira, abril 26, 2012

quarta-feira, abril 25, 2012

Obrigado Miguel



Era leitor fiel da revista Vida Mundial e do semanário Já dirigidos pelo Miguel Portas. Mas foi um artigo no DN sobre a pobreza no Iémene que me chamou a atenção para a personagem. Era uma opinião de esquerda que sobressaía largamente do lote. Sempre que comentava os seus artigos do DN não ficava sem resposta. Da troca de galhardetes surgiu uma amizade que durou até hoje. Quando colaborei com o Miguel no Parlamento Europeu tive o privilégio de assistir à forma intensa, contagiante e mobilizadora como intervia na política europeia. O Miguel era uma daquelas estrelas de brilho raro que ofuscava o céu cinzento da política europeia.
Obrigado Miguel pela forma humana, criativa, entusiasta, bem disposta e inteligente com que encaraste o trabalho de eleito ao serviço do povo.

segunda-feira, abril 23, 2012

Sectarismo na esquerda francesa: NPA/LCR e Verdes


A NPA (o novo oleado da LCR) escolheu voluntariamente a via do sectarismo recusando a aliança com Mélenchon, mas muito pior que isso foi a escolha de um candidato absolutamente impreparado para representar o programa da LCR. Mais uma vez a LCR não resistiu ao populismo barato e escolheu um candidato com o único propósito de ir rapar votos a um sector da sociedade sem haver a mínima preocupação de perceber se o candidato estava preparado ou motivado para representar essas ideias. Foi um desastre,   Philippe Poutou foi recorrentemente gozado nos debates e entrevistas em que participou pelas inúmeras gafes e desconhecimento completo de alguns dos principais tema políticos e do seu próprio programa político. 
Em 2001, em Estrasburgo, tive oportunidade de participar em debates com Alain Krivine. Independentemente de concordarmos ou não com ele, constatei de perto que o homem era uma verdadeira sumidade. Desde então a escolha dos candidatos da LCR/NPA não se processa segundo a capacidade do candidato para transmitir o programa político, mas antes segundo o cálculo do voto que se vai buscar se o candidato é carteiro, ou se usa lenço ou se trabalha na indústria automóvel (ouvir a intervenção Michel Onfray sobre este assunto). O populismo barato e o sectarismo explicam os 1,15% obtidos.


Os Verdes decidiram escolher uma candidata contra Nicolas Hulot, de longe o Verde francês mais popular. Apesar de não se candidatar, há cinco anos as sondagens chegaram a colocá-lo nos 15%. Mas como Nicolas Hulot é um militante recente e não estava suficientemente purificado, a ala mais sectária dos Verdes franceses estendeu-lhe todas as cascas de banana possíveis para evitar a sua escolha como candidato. Conseguiu-o, Eva Jolly foi eleita candidata, mas era uma candidata sem motivação, sem grandes ideias ou estratégias que pudessem encaixar no programa dos Verdes. A sua campanha foi errática, confusa e sem chama como testemunham os 2,3% obtidos. No entanto, é preciso não esquecer que o ponto fraco dos Verdes são as presidenciais, a sua posição contra o sistema presidencialista sempre mobilizou pouco os militantes ecologistas.



Amigos improváveis

É o título do filme que serve de tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.
Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

domingo, abril 22, 2012

Hollande 28 Sarkozy 26

Segundo a rádio belga Première, sondagens feitas à boca das urnas dariam o primeiro lugar a Hollande com 28%, seguido de Sarkozy com 26%, Marine Le Pen com 16%, Jean-Luc Mélenchon 13% a 14% e François Bayrou cerca de 10%. A abstenção está abaixo dos 20%, o que é notável nos tempos que correm.

sexta-feira, abril 20, 2012

Sarkozy, Silvia Šarközy

Senhoras e senhores, diretamente da Eslováquia, Silvia Šarközi (lê-se charcouzi), cigana da minoria húngara e vocalista dos Cigánski Diabli. Bom fim de semana.

quinta-feira, abril 19, 2012

Menu a três euros e meio

Fui jantar a um estabelecimento da baixa coimbrã onde era proposto um menu a três euros e meio: sopa, prato e sobremesa. Li várias vezes "menu a três euros e meio". Para me certificar de não sei o quê, mudei de página e voltei à página inicial e continuava lá escrito "menu a três euros e meio". Quando chegou a empregada a minha escolha foi clara: "quero um menu a três euros e meio". Queria degustar o sabor da crise. A sopa, de legumes, foi o melhor do menu. Nalgumas tascas do norte da Europa poderia facilmente ser cobrada a três euros e meio. Escolhi salsicha com ovo estrelado, era a opção quatro. A opção um era omelete, a dois era um filete de frango e a terceira não me recordo. O acompanhamento era sempre o mesmo: batata frita e salada. Uma salsicha engelhada de lata (não era Nobre nem Izidoro, era pior) acompanhava um ovo borrachóide com a gema cozida. Era tudo mau no prato principal. A sobremesa era uma gelatina de fruta que poderia integrar sem problemas um menu a 5,99 € de uma cadeia de comida rápida ou que poderia ser vendida à peça na Disneylandia na Califórnia a dez dólares mais taxas.

No final daquele repasto que não foi muito delicado com o meu esófago e as minhas paredes intestinais, fiquei a pensar longamente no esforço de todos aqueles habitantes, transeuntes e trabalhadores da baixa cuja única opção para se manterem à tona é aquele menu a três euros e meio. Mas o meu pensamento foi também para a gente séria da banca e da finança, para aqueles voos de jato da empresa, Lisboa-Nova Iorque, para as senhoras dos gestores irem às compras e para os bravos corretores da City que depois de passarem uma árdua jornada de trabalho a carregar em botões onde se joga a sorte de trabalhadores mal pagos a milhares de quilómetros de Londres acabam o dia num clube hípico local fazendo apostas milionárias nas corridas.