Mostrar mensagens com a etiqueta oceanos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta oceanos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, outubro 11, 2010

Emissões de CO2 e a acidificação dos oceanos

(publicado no portal Esquerda.net)

Num artigo de revisão intitulado “Ocean acidification: a millennial challenge” publicado esta semana na revista científica Energy & Environmental Science, os investigadores Matthias Hofmann e Hans Joachim Schellnhuber concluem que as consequências do aumento da acidez dos oceanos poderão tornar-se irreversíveis caso as emissões de dióxido de carbono (CO2) ultrapassem os 1000 Pg (Pg = 1015g) no período entre 2000 e 2049. O artigo alerta também que o excesso de CO2 reduz a produção de gases marinhos que contribuem para a formação de nuvens sobre os oceanos. A formação de menos nuvens diminui o poder de reflexão da radiação solar, amplificando o aquecimento global através de um efeito de realimentação positiva. Perante estes resultados, os autores relembram que estamos perante um forte motivo para actuar e reduzir o mais rapidamente possível as emissões de dióxido de carbono.

A acidificação dos oceanos é um assunto relativamente novo, embora tenha vindo a ser estudado há mais de 20 anos. Em 2008, a comunidade científica europeia juntou-se em torno do projecto EPOCA (European Project on OCean Acidification) e um consórcio de organizações internacionais que engloba a ONU tem acompanhado a evolução da acidificação dos oceanos. Este consórcio reunido sob o nome Ocean Acidification publicou em 2009 um importante documento de informação e orientação política para combater as consequências da acidificação dos oceanos.

O aumento de acidez da água dos oceanos diminui a taxa de calcificação de organismos que produzem conchas, carapaças e esqueletos de calcário, tais como os moluscos e os corais e afectam também a base da cadeia alimentar dos oceanos: o plâncton. Desde 1750, a acidez média dos oceanos aumentou em cerca de 30%. Este aumento resulta da emissão de CO2 para a atmosfera, produzido pela actividade humana desde o início da era industrial. Os cerca de 25 milhões de toneladas de CO2 que se combinam por dia com a água dos oceanos produzem ácido carbónico que faz baixar progressivamente o pH dos oceanos. Desde 1750, os nossos oceanos absorveram cerca de um terço do CO2 emitido pelo homem diminuindo o pH médio da água de 8,16 no início do século XIX para 8,05 no século XXI. Estima-se que o pH poderá descer para 7,6 em 2100 se forem mantidas as taxas actuais de emissão de CO2.

segunda-feira, maio 03, 2010

Programa de protecção da subida do nível do mar

(Publicado no portal Esquerda.net)
Na sequência da publicação de trabalhos científicos que indicam uma subida do nível do mar entre 20 e 80 cm até ao final deste século, da divulgação de estudos que revelam a erosão de 20% da orla costeira europeia e da destruição causada pela tempestade Xynthia, a UE (União Europeia) decidiu implementar dois programas de protecção do seu litoral. Os programas THESEUS e PEGASO abrangem 170 mil quilómetros de costa europeia abrangendo 20 países. Estes dois programas representam um investimento de cerca de 13,5 milhões de euros, no entanto calcula-se que este investimento permitirá dividir por quatro o custo dos estragos causados pela subida do nível do mar. O programa THESEUS consiste na avaliação das consequências económicas, ambientais e sociais da subida do nível do mar e na elaboração de medidas de organização do litoral mais apropriadas. O seu orçamento é de 6,5 milhões de euros e conta com a participação de 31 instituições europeias. O programa PEGASO tem por objectivo a aplicação do protocolo de gestão integrada das regiões costeiras do Mediterrâneo, que permite aos estados em causa gerir conjuntamente o litoral, independentemente das fronteiras legais que dividem o mesmo meio natural. Neste programa participam 23 instituições de 15 países coordenadas pela Universidade Autónoma de Barcelona. A UE contribui em 7 milhões de euros para este programa.

A subida do nível médio da água do mar observada nos últimos 100 anos deve-se à diminuição da massa dos glaciares e à expansão térmica dos oceanos causadas pelo aquecimento global. Apesar de o nível do mar ter subido cerca de 120 metros desde o fim da última era glaciar (há cerca de 21 mil anos) acabou por estabilizar há 2 mil anos atrás. No entanto, desde o início da era industrial o planeta aqueceu e a partir do final século XIX o nível do mar começou a subir a uma taxa progressivamente crescente. Durante o século XX, o nível do mar subiu em média cerca de 1,7 mm por ano. Nas últimas décadas esta média subiu para cerca de 3 mm por ano. No entanto, a evolução do nível do mar não é uniforme, por exemplo nas últimas décadas o nível o Índico Ocidental desceu e o nível do Índico Oriental e do Pacífico Ocidental registaram as subidas mais elevadas do planeta. Desta forma, a destruição do litoral é mais uma consequência do aquecimento global que afectará de forma desigual diferentes regiões do mundo a que se juntarão ainda as desigualdades inerentes à capacidade de diferentes povos para lidar com catástrofes naturais.

segunda-feira, abril 27, 2009

Preocupante Acidificação da Água dos Oceanos

(Publicado no Portal Esquerda.net)

Desde 1750, a acidez média dos oceanos aumentou cerca de 30%. Este aumento resulta da emissão de dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera produzido pela actividade humana desde o início da era industrial. A subida vertiginosa da concentração de CO2 na atmosfera tem contribuído também para o aumento do efeito de estufa da atmosfera terrestre e deste modo para o aquecimento global da Terra, mas os seus efeitos negativos não se ficam por aqui. Hoje em dia os cerca de 25 milhões de toneladas de CO2 que se combinam por dia com a água dos oceanos produzem ácido carbónico, diminuindo progressivamente o pH dos oceanos. Desde 1750, os nossos oceanos absorveram cerca de um terço do CO2 emitido pelo homem diminuindo o pH médio da água de 8,16 no início do século XIX para 8,05 no século XXI. Estima-se que o pH poderá descer para 7,6 em 2100 se forem mantidas as taxas actuais de emissão de CO2.

Os primeiros estudos da acidificação da água dos oceanos são recentes, começaram há cerca de 20 anos e os primeiros resultados foram publicados há cerca de 15 anos. Apesar de se tratar de uma área de estudo muito recente, os resultados obtidos até hoje são assustadoramente concludentes. O aumento de acidez da água afecta de uma forma clara organismos que produzem conchas, carapaças e esqueletos de calcário, tais como os moluscos e os corais e afectam também a base da cadeia alimentar dos oceanos: o plâncton. Em trabalhos científicos recentes realizados no Reino Unido e em França observou-se um pH ácido, cerca de 6, no aparelho digestivo dos moluscos capturados em zonas onde o mar apresenta um pH da ordem de 7, mais ácido do que a média global dos oceanos. A acidez do aparelho digestivo estava a causar a sua morte. Observou-se também que o aumento da acidez diminui a taxa de produção de calcário das conchas dos moluscos, contribuindo para que esta defesa vital destes organismos se torne muito mais frágil.

O Laboratório de Oceanografia de Villefranche-sur-Mer em França e a Universidade de Plymouth no Reino Unido são as instituições que têm realizado os trabalhos mais importantes neste domínio. A opinião dos investigadores destas instituições é clara e unânime e vai no sentido de que se não reduzirmos drasticamente as nossas emissões de CO2 afectaremos de uma forma catastrófica os ecossistemas dos nossos oceanos.