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sexta-feira, junho 10, 2011

O advogado do terror



"O Advogado do Terror" é um filme que descreve o percurso de Jacques Vergès, um advogado francês, filho de pai da Reunião e mãe vietnamita, em cuja carteira de clientes figuraram o terrorista Carlos, o nazi Klaus Barbie, entre outras personagens culpadas de crimes violentos.
O mais interessante deste filme é perceber que a motivação de Vergés para defender uma série de personagens detestadas pelo mundo ocidental está claramente associada a uma vingança pela humilhação sofrida pelos pais durante o período colonial francês. A cada defesa de um inimigo público das ex-potências coloniais discerne-se uma pequena victória contra o estado que tratou a sua mãe como uma cidadã de segunda. Vergés utiliza a ironia e o cinismo sem limites para demonstrar o que sente.
Outra parte interessante do filme é a abordagem sobre o desaparecimento temporário de Vergés. Teria ele colaborado com Carlos? O seu modo de vida fausto e burguês rimavam pouco com o modo de vida austero dos grupos terroristas de extrema esquerda. Estaria Vergés a simular uma participação na organização de Carlos, para mais uma vez humilhar os estados ocidentais?

sexta-feira, novembro 12, 2010

Terrorismo financeiro nacional

"Já o tenho dito, repito: os bancos portugueses que exigem cortes de salários e de abonos de família, e que aplaudem o acordo entre o PS e PSD para o orçamento, fazem parte dos corsários que estão a comprar a dívida pública nacional com juros de mais de 7%. Ontem, compraram mais de 350 milhões em títulos. Isto é, como juro de 7%, por cada milhão que o BPI, BES, BCP ou outros investem em títulos da dívida portuguesa, exigem o pagamento de 2 milhões dentro de dez anos. Ficamos a pagar impostos para garantir esta renda. Compreende-se porque querem o aumento dos impostos. "Fizemos tudo bem", dizia Ricardo Salgado, do BES, a propósito do acordo orçamental que patrocinou. Tudo bem feito. Pagamos o dobro do que nos emprestam. A especulação não é só criada pelos fundos de capitais alemães ou chineses. A especulação mora num balcão de um banco perto de si."
Francisco Louçã, 11/11/2010.

quarta-feira, abril 21, 2010

Terrorismo Financeiro

Os ataques de investidores financeiros à Grécia e a Portugal tentando ganhar muito dinheiro à custa da situação difícil dos dois países é inaceitável, é um ataque que produz pobreza e desemprego em troco do enriquecimento fácil de personagens cujas actividades não produzem nada de útil para a sociedade. Até quando teremos que aceitar este sistema absurdo? Este terrorismo financeiro é bem pior, é bem mais avassalador do que o terrorismo da ETA ou do IRA. É a soberania dos dois países que está a ser ameaçada. Somos tão ferozes com os terrorismos regionais, mas depois tão mansinhos com o terrorismo financeiro internacional.
O PSD e o CDS não podem fingir que isto não é nada com eles. O modelo de sociedade que defendem criaram este ambiente propício ao crime e ao terrorismo financeiro quase generalizado.

segunda-feira, março 23, 2009

O Complexo Baader Meinhof



"O Complexo Baader Meinhof" é mais uma excelente produção da Constantin Films integrando uma série de filmes que revisitam o passado recente da Alemanha. O realizador Uli Edel dá-nos a sua interpretação histórica do grupo de extrema-esquerda Facção Exército Vermelho, dirigido por Andreas Baader e Ulrike Meinhof, mostrando-nos um grupo pouco doutrinado, mais motivado e deslumbrado pelo radicalismo das actividades da organização. Alguma crítica alemã considerou que Uli Edel se afastou um pouco da realidade, representando um grupo sexy de terroristas. No entanto, considero que o "Complexo Baader Meinhof" é uma interessantíssima viagem à história recente da Europa, ao terrorismo de inspiração marxista e às ilusões que vinham do lado de lá da cortina de ferro. A cena em que se grita em uníssono na universidade "Ho! Ho! Ho Chi Minh!" é um soberbo estímulo para a nossa memória.
Excelentes interpretações de Johanna Wokalek, de Martina Gedeck e de Moritz Bleibtreu. A não perder!

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Memória curta: Madrid, 11 de Março

Serve esta entrada só para relembrar que o pior atentado ocorrido em Espanha desde o fim da Guerra Civil, foi o atentado de 11 de Março e foi consequência directa da política anti-terrorista de Aznar.