Depois da sucessão de acontecimentos relatados em "Meltdown Iceland" houve eleições na Islândia que foram ganhas por uma coligação de esquerda: sociais-democratas (centro-esquerda) e aliança verde-vermelha (uma espécie de Bloco de Esquerda lá do sítio). O Rui Tavares conta o que se passou a seguir.
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sexta-feira, dezembro 10, 2010
quinta-feira, dezembro 09, 2010
Como se afundou a Islândia
Como se de um romance se tratasse, em "Meltdown Iceland", Roger Boyes (Bloomsbury, 2009) conta-nos a história da ascensão meteórica e queda da Islândia. Essa história está intimamente ligada à do primeiro-ministro que mais tempo esteve em funções (de 1991 a 2004): David Oddsson. Em 1984, aquando de um debate televisivo com a participação de Milton Friedman, Oddsson teve uma revelação divina: a modernidade passava pelas políticas de Reagan e Thatcher.Nos anos 80, a Islândia era uma sociedade socialista que investia fortemente na saúde e na educação, a taxa de mortalidade infantil era das mais baixas do mundo, bem como o número de habitantes por médico, o nível educacional era dos mais elevados do planeta e o mercado de trabalho andava próximo do pleno emprego. Estavam criadas as condições para que uma nova geração mais ambiciosa desse início a uma festa rija ao som do trio: Friedman, Thatcher e Reagan. Assim que chega ao poder, Oddsson privatiza tudo o que pode. Quem tinha dinheiro e estava no sítio certo na hora certa, independentemente de ser incompetente ou charlatão, partia com um avanço esmagador e dominador num horizonte de décadas. Estávamos em 1991. Formam-se logo nessa altura as primeiras máfias económicas e os primeiros monopólios perversos, graças à ausência de critérios para as privatizações. Uma política de estado mínimo avessa a intervir no sector privado e a desregulação radical dos mercados transformou a Islândia da noite para o dia. Em pouco tempo, o objectivo principal de pescadores e agricultores era apostar nos mercados sobre o sucesso ou falhanço da sua própria produção. Os objectivos das actividades em si passaram para um plano secundário. A banca expandiu-se para lá da ilha, contraindo dívida atrás de dívida, compravam-se lojas de luxo em Londres, cadeias de supermercados na Dinamarca e instituições financeiras na Holanda. Os jovens licenciados em gestão tinham emprego imediato na banca, onde começavam a receber avultados bónus ao fim de pouco mais de um mês de trabalho.
A Islândia era uma ilha resplandecente banhada por um mar de rosas. A Islândia maravilhava Harvard, o país crescia cerca de 7% ao ano, a Moody's mantinha a notação do país sempre lá em cima, os banqueiros liam a Arte da Guerra de Sun Tzu tomando-se por guerreiros vikings dos tempos modernos e mais importante que tudo os reguladores dormiam com os banqueiros - Oddsson foi governador do Banco da Islândia a partir de 2004.
Os três principais bancos islandeses endividaram-se cerca de 8 vezes o PIB da Islândia, muito para lá da capacidade de resposta do Banco da Islândia. Quando os credores britânicos pediram o seu dinheiro de volta, orgulhosa e arrogantemente o governo islandês do partido de Oddsson respondeu que só garantia os depósitos dos islandeses. Ironicamente, o governo britânico accionou de imediato uma lei anti-terrorismo aprovada a pensar nos movimentos financeiros da Al-Qaeda, para congelar todos os bens da banca islandesa no Reino Unido. Abriu-se o alçapão e a Islândia mergulhou no vazio. A política anti-União Europeia, a aposta numa moeda nacional sem dimensão para jogar no mercado global (vários artigos especializados alertaram a Islândia para esse risco) deixou a Islândia isolada no meio do Atlântico, Reagan, Thatcher ou Friedman já tinham saído de cena, sem aliados, sem estruturas económicas a quem pedir auxílio, a Islândia bateu no fundo. Nas últimas páginas, Roger Boyes descreve um país em vésperas das eleições de 2009, em estado de choque, com uma dívida per capita de 400 milhões de dólares, ou seja cada família comportava uma dívida média de 1,6 mil milhões de dólares. Boyes descreve um zombie económico a viver de esmolas da Rússia, à mercê da caridade de banqueiros russos manhosos.

Lê-se no cartaz: David (Oddsson) Bin Laden.
segunda-feira, novembro 02, 2009
I'm lovin' it
Este fim-de-semana a cadeia McDonalds encerrou todos os seus tascos na Islândia. A desvalorização da coroa islandesa aliada ao facto de todos os ingredientes serem importados, acabaram por reduzir dramaticamente os lucros da multinacional. Que chatice, a crise financeira acaba por fazer vítimas entre um dos baluartes do capitalismo sem regras. Os mesmos estabelecimentos reabriram sob a marca Metro, em que os ingredientes são apenas de origem local (foto).terça-feira, abril 28, 2009
25 de Abril na Islândia II
Vale a pena ler este artigo do Renato Soeiro no Esquerda.net sobre as consequências das eleições na Islândia. Espero que uma das consequências seja a adesão da Islândia à UE e ao euro. Paradoxalmente, espero que o façam pelas razões que fazem temer a Esquerda Verde da Islândia referidas pelo Renato:
"Entre toda a esquerda [verde] nórdica há uma tradicional oposição à União Europeia, que é vista como uma interferência na soberania nacional, tendo sempre como consequência baixar os elevados níveis de protecção e de remuneração de que gozam os trabalhadores naqueles países, classificados como os melhores do mundo em muitos dos índices internacionais de qualidade de vida e justiça social."
Ora, eu espero que a entrada da Islândia para a UE ajude a levantar a fasquia dos níveis de protecção e de remuneração e a elevar os índices de qualidade de vida dos restantes países. Seria de certa forma uma atitude solidária para com as outras esquerdas da Europa que se batem em países muito mais conservadores. Temo que o acantonamento das esquerdas nas respectivas capelinhas, nos seus cantinhos da Europa, poderão pôr em causa mais facilmente essas políticas.
"Entre toda a esquerda [verde] nórdica há uma tradicional oposição à União Europeia, que é vista como uma interferência na soberania nacional, tendo sempre como consequência baixar os elevados níveis de protecção e de remuneração de que gozam os trabalhadores naqueles países, classificados como os melhores do mundo em muitos dos índices internacionais de qualidade de vida e justiça social."
Ora, eu espero que a entrada da Islândia para a UE ajude a levantar a fasquia dos níveis de protecção e de remuneração e a elevar os índices de qualidade de vida dos restantes países. Seria de certa forma uma atitude solidária para com as outras esquerdas da Europa que se batem em países muito mais conservadores. Temo que o acantonamento das esquerdas nas respectivas capelinhas, nos seus cantinhos da Europa, poderão pôr em causa mais facilmente essas políticas.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
A transformação política da Islândia
O país da Europa que mais sofreu com a crise está a operar uma transformação política extraordinária. Os Verdes de Esquerda estão na frente das sondagens. Preparam-se dois referendos, um sobre a adesão ao euro e outro sobre a adesão à UE. A direita, a responsável ideológica pela crise, continua a descer a pique nas sondagens.
Por cá ainda vai havendo espaço para o niilismo da crise, por lá, onde se sente no pêlo a bancarrota, já não há lugar para floriados retóricos.
Por cá ainda vai havendo espaço para o niilismo da crise, por lá, onde se sente no pêlo a bancarrota, já não há lugar para floriados retóricos.
terça-feira, janeiro 27, 2009
Islândia: aliança Verde-Social Democrata
Os Verdes e os Sociais Democratas (equivalente ao nosso PS) estão perto de um acordo para formar um governo provisório, após a queda do governo conservador responsável pelo colapso da Islândia. Poderá ser um bom exemplo para o resto da Europa que foi afectada pela crise.
segunda-feira, novembro 10, 2008
Björk sobre o descalabro da Islândia
No The Times a cantora Björk desabafa sobre a crise financeira e sobre as pobres ideias para sair do buraco financeiro propostas pelos mesmo políticos que afundaram o país. O genial plano de salvação nacional propõe a transformação do país numa gigantesca metalurgia em regime de "monocultura" de produção de alumínio. Björk teme o pior pela paisagem, pelo ambiente e pela economia do país, caso haja uma crise no mercado do alummínio (déjà vu).
quinta-feira, outubro 09, 2008
Se a Islândia tivesse aderido ao euro...
Se a Islândia tivesse aderido ao euro certamente não estaria a passar pelos problemas gravíssimos que estão a provocar um caos económico no país como já não se via na Europa desde o fim da União Soviética, em particular uma inflação de 15% e a desvalorização em 60% da coroa islandesa em apenas um ano. Se a Islândia tivesse aderido ao euro tal como outros pequenos países da Europa que não pertencem à UE (San Marino, Andorra, Mónaco e Vaticano) estaria sem dúvida a passar por graves problemas decorrentes da crise financeira, mas a protecção que lhe garantiria a moeda europeia impediria certamente o estado de falência técnica em que se encontra o país. Aliás o "chapéu de chuva" do euro está a proteger outras moedas em grandes dificuldades dentro da UE. A Islândia que era uma das mais saudáveis e ricas democracias da Europa entrou num tal estado de retrocesso que necessitará provavelmente pelo menos uma década para sair do fundo do buraco onde se encontra.
Este é o momento ideal para ler os delírios escritos pelo economista João Ferreira do Amaral contra o euro em Outubro de 2000.
Este é o momento ideal para ler os delírios escritos pelo economista João Ferreira do Amaral contra o euro em Outubro de 2000.
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