Acabou a participação de Portugal no europeu, que alívio! Os portugueses vão poder a voltar concentrar-se no que interessa, nas telenovelas e nos romances que envolvem dirigentes desportivos (confiram as grelhas dos principais canais em horário nobre). Vão poder voltar às estimulantes aventuras de personagens de novela que não trabalham, que passam a vida em casas e lugares sofisticados e cuja única atividade a que se dedicam é a cochichar sobre a vida alheia. Para os que não gostam há sempre alternativas, as aventuras sexuais de Pinto de Costa, conspirações de árbitros e belas reportagens sobre o treino do dia de um dos três grandes. Aleluia, estava a ver que não!
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quinta-feira, junho 28, 2012
quinta-feira, junho 02, 2011
A ideia da privatização da RTP
A avaliar pela grelha semanal das duas estações privadas à hora a que podem ver televisão as pessoas que trabalham e estudam , a privatização da RTP deixa antever um futuro brilhante para um dos países da Europa que mais tempo passa à frente da televisão. Infelizmente para uma boa parte da população, de baixo nível educacional, que não lê, a televisão é o principal meio de educação. É esta xaropada de telenovelas, de concursos rasca e de telejornais sensacionalistas que lhes servem os privados de segunda a sexta:
TVI
19:32 Morangos Com Açúcar VIII
20:00 Jornal das 8
21:25 Remédio Santo
22:30 Anjo Meu
23:20 Sedução
SIC
20:00 Jornal da Noite
21:30 Peso Pesado - Diários
22:25 Laços de Sangue
23:40 Araguaia
Não haja ilusões a grelha televisiva de quem comprar a RTP (muito provavelmente a preço de saldos) não vai fugir muito disto. Juntando isto à brilhante ideia de acabar com o Ministério da Cultura, e em certos meios do PSD há inclusivamente quem queira extinguir o Ministério da Educação, a hercúlea tarefa de recuperação do nosso atraso educacional será ainda mais difícil.
TVI
19:32 Morangos Com Açúcar VIII
20:00 Jornal das 8
21:25 Remédio Santo
22:30 Anjo Meu
23:20 Sedução
SIC
20:00 Jornal da Noite
21:30 Peso Pesado - Diários
22:25 Laços de Sangue
23:40 Araguaia
Não haja ilusões a grelha televisiva de quem comprar a RTP (muito provavelmente a preço de saldos) não vai fugir muito disto. Juntando isto à brilhante ideia de acabar com o Ministério da Cultura, e em certos meios do PSD há inclusivamente quem queira extinguir o Ministério da Educação, a hercúlea tarefa de recuperação do nosso atraso educacional será ainda mais difícil.
sexta-feira, outubro 15, 2010
O Serviço Público da Grande Entrevista...
(publicado no Esquerda Republicana)Nas últimas 5 edições, a Grande Entrevista, aquela que deveria ser a entrevista de referência em horário nobre da televisão pública, que deveria reflectir as principais preocupações do país, recebeu dois treinadores de futebol (Queiroz e Bento), um presidente de um clube (Bettencourt) e um ex-colega da RTP condenado a 7 anos por pedofilia (Carlos Cruz). Do ponto de vista do serviço público pior que isto era difícil. Aproveita-se apenas a condenação da RTP pela ERC no branqueamento de Carlos Cruz.
Num período de crise profunda seria bem mais interessante dissecar com responsáveis económicos e políticos o processo BPN e BPP que originou o buraco de 4,5 mil milhões de euros com repercussões nos salários em 2011. Seria mais interessante entrevistar equitativamente quem defende políticas de austeridade (como as que afundaram a Irlanda) e quem defende a linha do nobel Krugman, de estímulo da economia através do investimento público. Ou entrevistar os responsáveis dos partidos ideologicamente ligados ao modelo económico que provocou esta crise: CDS, PSD e este PS. Ou ainda convidar um dos responsáveis da banca nacional que participaram na recente especulação financeira de que fomos alvo. Por exemplo, Fernando Ulrich declarou recentemente que não existia especulação. Seria interessante confrontá-lo com a realidade. Dissecar se o seu banco participou ou não nas recentes operações especulativas. E se participou pouco ou se participou muito. E que consequências teve essa especulação para a nossa economia e para os bolsos dos especuladores.
Mas nada disto interessa, está-se já a ver mais servicinho público na próxima semana com o presidente do Benfica, o treinador do Porto, um dirigente da arbitragem ou (anotem bem, porque há lata para tudo) o candidato à presidência da FPF casado com a própria entrevistadora.
Mas nada disto interessa, está-se já a ver mais servicinho público na próxima semana com o presidente do Benfica, o treinador do Porto, um dirigente da arbitragem ou (anotem bem, porque há lata para tudo) o candidato à presidência da FPF casado com a própria entrevistadora.
quinta-feira, outubro 07, 2010
O branqueamento televisivo da banca
Como se já não bastasse a factura de cerca de 4,5 mil milhões de euros do BPN e do BPP a ser paga por todos através da redução de salários e do aumento do IVA, temos que gramar com a operação de branqueamento da banca montada nos nossos canais de televisão. Esta petição pelo pluralismo da discussão da situação económica na televisão é muito certeira quando refere que os comentadores escolhidos oscilam "entre os que concordam [com o PEC] e os que concordam mas querem mais sangue". Basta ver, as pausas para publicidade da SIC e TVI para perceber quem paga os salários de Mário Crespo e companhia. Na discussão sobre a actual crise muito pouco é apontado aos verdadeiros culpados: BPN, BPP, especuladores do BPI e BCP e boa parte do restante sector financeiro. Muito menos é discutido sobre o que será necessário fazer para evitar que a nossa economia volte a ficar dependente das asneiras destas instituições. Discute-se apenas onde se corta nos gastos públicos (obviamente há sempre gastos a reavaliar, reajustar e a cortar) como se estes fossem a origem do problema, mas não são. Por este caminho, vamos fazer cortes em serviços públicos essenciais, esses cortes vão servir para cobrir as asneiras da banca e dos mercados financeiros, e daqui a 5 ou 10 anos arriscamo-nos a voltar a pagar os devaneios do sector financeiro porque nada está a ser feito para o moralizar.
terça-feira, setembro 07, 2010
Tempo de Antena para um Manipulador
Independentemente de Carlos Cruz vir a ser confirmado culpado ou conseguir ser pronunciado inocente, acho chocante a deferência para com o imenso poder manipulador deste indivíduo e para com as suas jogadas à margem da lei. Desde o famoso directo simultâneo em três telejornais, passando pela sua exibição em programas de variedades durante o processo, até à conferência de imprensa e o Prós e Contras de hoje, Carlos Cruz não perdoou uma. O que é mais lamentável é o serviço público televisivo ter alinhado num programa de pós-julgamento na praça pública - as questões puramente de justiça discutidas eram perfeitamente banais - em que o principal assunto foi o branqueamento dos crimes pelos quais foi dado como culpado Carlos Cruz. Vimos um verdadeiro manipulador em acção, um indivíduo que não tem problemas em fazer uso da boa vontade dos seus ex-colegas, fazendo-se tratar por tu pela apresentadora e pedindo para ter "mais 2 ou 3 minutos de tempo de antena" depois de já ter falado bem mais do que qualquer elemento do público. Vimos um manipulador que usa passagens cirúrgicas das palavras prudentes de uma vítima, de um psicólogo e de um advogado das vítimas, para as colar ao seu discurso de defesa. Assistimos a referências da treta a apoios nas redes sociais e a comentários em que admite violar a lei para defender os seus interesses. E assistimos a um painel que na prática alinhou naquilo, uns por ingenuidade ao citar passagens e problemas do processo fornecidos pela defesa de Cruz outros por pura passividade crítica à manipulação permanente de Carlos Cruz. A única coisa que há a louvar neste programa é a posição das pessoas que se recusaram a participar naquilo. Uma verdadeira náusea televisiva.
PS- Já que Carlos Cruz gosta tanto de citar as passagens do processo que lhe convêm, gostava que explicasse o ACASO do seu motorista (Carlos Mota) ser um fugido à justiça por pedofilia. Há pessoas a quem neste mundo ocorrem ACASOS tão bizarros como ganhar duas vezes o totoloto. A bizarria prova-se através dos bilhetes registados no quiosque. Onde estão os "bilhetes" que provam o ACASO ocorrido com Carlos Cruz?
PS- Já que Carlos Cruz gosta tanto de citar as passagens do processo que lhe convêm, gostava que explicasse o ACASO do seu motorista (Carlos Mota) ser um fugido à justiça por pedofilia. Há pessoas a quem neste mundo ocorrem ACASOS tão bizarros como ganhar duas vezes o totoloto. A bizarria prova-se através dos bilhetes registados no quiosque. Onde estão os "bilhetes" que provam o ACASO ocorrido com Carlos Cruz?
quarta-feira, março 10, 2010
As repúblicas das televisões
Em Abril de 2009 escrevi aqui que José Sócrates deveria ser substituído. As razões que invoquei na altura são mais do que suficientes para afastar um primeiro ministro numa democracia em que há o mínimo de respeito pelo ordenamento do território. Não preciso da lama de Moura Guedes, nem da verborreia debitada por Mário Crespo para contestar Sócrates. Dito isto, preocupa-me profundamente a vitimização de membros de direcções das televisões e de alguns jornalista televisivos incompetentes, abertamente manipuladores e mal intencionados, que tentam surfar na vaga dos factos graves da nebulosa que se formou em torno de Sócrates. Preocupa-me a tomada de consciência por parte de alguns directores (como Eduardo Moniz) e alguns jornalistas (como Moura Guedes e Mário Crespo) de que podem usar o seu poder mediático para destruir com a maior impunidade e que esse poder é no nosso caso nacional superior ao poder político e ao poder judicial. O julgamento da televisão sobrepõe-se ao dos tribunais, seja ele justo ou injusto.Quando vivi em Itália, em meados dos anos 90, ainda Berlusconi era um "menino de coro". Tinha um poster no quarto das "Asas do Desejo" onde se lia "filme distribuído por Sílvio Berlusconi". Na altura pensei ingenuamente que havia na direita italiana algum bom gosto. Os canais da novíssima Mediaset apresentavam uma grelha de programação extremamente erudita quando comparada com a nossa TVI. Daí à Força Itália e da Força Itália a uma república televisiva, foram dois passos. Em pouco mais de 15 anos Berlusconi controla o país através das televisões . Ser primeiro-ministro dá-lhe o bónus das televisões estatais, as que lhe faltavam na colecção. Hoje, faz quase tudo o que quer na política, é boçal, é grosseiro, é racista, insulta quem lhe apetece, com confiança total na condescendência que lhe conferem os seus canais de televisão.
Do binómio Moura Guedes e Eduardo Moniz já lhes conhecemos um cinismo sem limites e assumido com orgulho, que os leva a tomar partido pela mediocridade com toda a arrogância possível e de sorriso dos lábios. Ambos assumiram plenamente uma programação miserável e facilitista onde impera a estupidificação à base de telenovelas e de futebol a toda a hora, um telejornal sensacionalista onde se debita o programa político do CDS disfarçado de informação e programas de variedades da vida real onde se contribuiu para branquear a honra de árbitros e de autarcas corruptos (na Quinta das Celebridades por exemplo). Não há um único documentário, um programa histórico, um programa sobre língua portuguesa, ciência ou cidadania. Criaram com todo o orgulho uma televisão que baixa a fasquia do conhecimento e da capacidade crítica dos portugueses.Moura Guedes já passou pela bancada parlamentar do CDS. A promiscuidade do casal com a política só a não vê quem não quer. A importância exacerbada da televisão no país com o mais baixo nível de educação da Europa, um país de pessoas que não lêem, castra o espírito crítico da população com menos instrução. Este é o terreno ideal para surgir mais dia menos dia um berlusconi. E não tenham dúvidas que o berlusconi português será bem pior que o verdadeiro Berlusconi.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Sobre a liberdade de expressão e a perseguição
Do Oceano Atlântico à Raia conheço casos de jornalistas perseguidos, controlados e manipulados pelos pequenos poderes locais, por vezes por questões absolutamente idiotas que incomodam este ou aquele senhor que patrocina a publicação. Estes jornalistas que levam forte e feio nas canelas não se podem "atirar para chão para pedir penalty", não podem "simular falta" como Mário Crespo e pedir o castigo máximo perante o megafone dos media nacionais. Pura e simplesmente porque não têm esse megafone das televisões à disposição. Levam nas canelas e têm que continuar como se nada fosse, se caírem o jogo não pára.
É por esta razão que a vitimização de personagens como Moura Guedes, Eduardo Moniz ou Mário Crespo me sabem a lágrimas de crocodilo. Ao nível deles, as presas transformam-se em predadores, a televisão de hoje é uma forma de poder bem mais poderosa do que o poder político quando operada com suficiente maquiavelismo. Para esse peditório, o peditório familiar Guedes-Moniz, nem com um cêntimo contribuirei.
É por esta razão que a vitimização de personagens como Moura Guedes, Eduardo Moniz ou Mário Crespo me sabem a lágrimas de crocodilo. Ao nível deles, as presas transformam-se em predadores, a televisão de hoje é uma forma de poder bem mais poderosa do que o poder político quando operada com suficiente maquiavelismo. Para esse peditório, o peditório familiar Guedes-Moniz, nem com um cêntimo contribuirei.
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
Os brinca-na-areia da televisão
O artigo de hoje no Diário das Beiras do Gonçalo Capitão do PSD cita duas ideias chave sobre o caso Mário Crespo, que se poderia aplicar igualmente ao caso M. Moura Guedes:
- "tal turbulência mostra, cristalinamente, a força e a relevância dos media [...] um novo poder quase insindicável";
- "as próprias vedetas mediáticas estão bem cônscias da sua relevância e que estamos no país em que qualquer avançado (no futebol ou na vida pública) sabe que atirando-se para o chão ao menor “bafo” do adversário, haverá, com certeza, penálti."
- "tal turbulência mostra, cristalinamente, a força e a relevância dos media [...] um novo poder quase insindicável";
- "as próprias vedetas mediáticas estão bem cônscias da sua relevância e que estamos no país em que qualquer avançado (no futebol ou na vida pública) sabe que atirando-se para o chão ao menor “bafo” do adversário, haverá, com certeza, penálti."
quarta-feira, junho 25, 2008
O exame do 9º ano é fácil
Se o exame do 9º ano foi fácil, não o deveria ser, quem percorreu longas carreiras académicas sabe que se paga sempre, mais tarde ou mais cedo, a factura de provas fáceis.
Dito isto, há algo que me perturba muito mais nesta história do exame fácil. É registar a histeria com que o Correio da Manhã, o 24 Horas, a TVI e afins lidam com o assunto, como se fossem virgens intocáveis de educação televisiva, de rigor, de serviço público, é ver uma grelha da TVI e aquilo é só documentários e programas culturais, é abrir o Correio da Manhã e é só secções dedicadas à ciência e à cultura. O mais interessante ainda é constatar que quem surfa a fundo nestas ondas de histeria de mãos dadas com os referidos meios de comunicação, são os órfãos do Salazarismo e o PP, em particular o seu excelentíssimo presidente, famoso pelo belo exemplo que foi aquele colosso do ensino superior português: a Universidade Moderna.
Dito isto, há algo que me perturba muito mais nesta história do exame fácil. É registar a histeria com que o Correio da Manhã, o 24 Horas, a TVI e afins lidam com o assunto, como se fossem virgens intocáveis de educação televisiva, de rigor, de serviço público, é ver uma grelha da TVI e aquilo é só documentários e programas culturais, é abrir o Correio da Manhã e é só secções dedicadas à ciência e à cultura. O mais interessante ainda é constatar que quem surfa a fundo nestas ondas de histeria de mãos dadas com os referidos meios de comunicação, são os órfãos do Salazarismo e o PP, em particular o seu excelentíssimo presidente, famoso pelo belo exemplo que foi aquele colosso do ensino superior português: a Universidade Moderna.
A TVI é fácil
A TVI andou a transmitir durante anos um programa de variedades da vida real onde a principal actividade de jovens em idade escolar era coçar as virilhas durante horas a fio. Numa ocasião em que fui fazer uma acção de divulgação numa escola secundária de uma região onde o nível educacional dos pais dos alunos era baixíssimo, ao interpelar os alunos com a tradicional pergunta "o que queres fazer quando fores grande", um deles respondeu com um ar convicto "quero ser rico sem fazer nada". Nem futebolista, nem actor, nem modelo, a profissão era nem mais nem menos que não fazer nada. Na altura, lembrei-me logo do exemplo que os jovens do Big Brother, jovens que ganharam rios de dinheiro "sem fazer nada", representaram para todo um país onde a educação não é valorizada e onde se vê televisão em doses excessivas.
Reparem na semelhança do ambiente de falta de respeito do famoso vídeo da escola Carolina Michaelis e do vídeo da agressão no Big Brother da TVI.
O que foi escrito também serve para a SIC generalista.
Reparem na semelhança do ambiente de falta de respeito do famoso vídeo da escola Carolina Michaelis e do vídeo da agressão no Big Brother da TVI.
O que foi escrito também serve para a SIC generalista.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Novo Canal e Serviço Público (comentários)
"As TVs privadas em sinal aberto, aquelas cuja mensagem chega a milhões de portugueses, têm uma programação miserável. Telenovelas, reality-shows, filmes e séries americanos e...telejornais tablóides. Debate ? Documentários ? Jornalismo de investigação ? Filmes europeus ou asiáticos ? Zero horas, zero atenção. Neste capítulo, apesar da fraca programação da RTP1 e RTP2 (demasiados concursos e shows, muita superficialidade) o Estado mostra-se muito mais capaz de administrar a coisa pública. Só quem não quer ver, é que não vê o falhanço da SIC e TVI na formação da identidade cívica e cultural dos portugueses, tal como a Lei da Televisão obriga."
J. Vaz
"Sem prejuízo daquilo que apontas, acho mais preocupante o projecto de televisão digital terrestre que está planeado em dois pacotes de canais: um gratuito e outro de assinatura. Além dos custos do receptor, mesmo para ter acesso ao pacote gratuito, está-se mesmo a ver que os canais de sinal aberto não vão ser melhores do que os actuais e vão ter muita publicidade. Quanto aos canais de assinatura, espero para ver, mas sem grandes expectativas."
David Luz (Linha dos Nodos)
J. Vaz
"Sem prejuízo daquilo que apontas, acho mais preocupante o projecto de televisão digital terrestre que está planeado em dois pacotes de canais: um gratuito e outro de assinatura. Além dos custos do receptor, mesmo para ter acesso ao pacote gratuito, está-se mesmo a ver que os canais de sinal aberto não vão ser melhores do que os actuais e vão ter muita publicidade. Quanto aos canais de assinatura, espero para ver, mas sem grandes expectativas."
David Luz (Linha dos Nodos)
quinta-feira, outubro 11, 2007
Como combater o tele-lixo
É simples. Basta memorizar (ou escrever num papelinho) a publicidade que passa durante os circo-jornais da TVI, da SIC generalista e da RTP e a publicidade que passa entre as telenovelas e os programas de variedades da vida real, depois quando for às compras, compre os produtos concorrentes das marcas que fazem publicidade à hora do tele-lixo.
terça-feira, outubro 09, 2007
Comentários sobre o tele-lixo
"A questão é que Pacheco Pereira não pode admitir que aquilo que ele defende (inexistência de televisões públicas, privatização dos media) é parte do problema que se debate e não a sua solução (não sou sectário para não reconhecer a existência de belíisimos canais privados)."
Sérgio
"A televisão pública em alguns aspectos tambem entra no choradinho,o "caso Esmeralda"tem dado aberturas de telejornais,directos,e dois programas do Prós e Contras.No caso "Meddie" não ficou atrás das privadas.Portanto quanto a tele-lixo é geral."
D. Almeida
"Admito,para mim,a gota de água foi aquela aberração chamada A bela e o mestre,com a profºa de "como colocar os talheres correctamente", a académica que plagia e o que nem português sabia falar ( precisava de uma lição dos mestres,estava na cara). Era sexista e foi cruel ouvir mulheres a confirmarem que o sexo feminino era realmente mais estupido,enquanto elogiavam os seios das burras.
Depois,a Floribella e a sua mensagem salazarista: não vale a pena ambicionar,nem desejar uma vida melhor,porque os ricos são infelizes. Infelizmente,a árvore falante esqueceu-se de dizer às criancinhas que os ricos,por terem dinheiro,podem resolver a sua tristeza no terapeuta.
A TV passa continuamente a mensagem que não se pode confiar no governo e de que a politica não é para nós.
Mesmo em termos desportivos,a ideologia de direita é notória: apenas são transmitidos,em canais abertos portugueses (não conheço o Sport TV,pelo q não posso comentar)desportos de massas,e apenas a vertente masculina,enquanto a Eurosport se esforça por divulgar todos os desportos,apostando há muito na transmissão de futebol feminino,etc."
Coralina (Ashton's Martinis)
Sérgio
"A televisão pública em alguns aspectos tambem entra no choradinho,o "caso Esmeralda"tem dado aberturas de telejornais,directos,e dois programas do Prós e Contras.No caso "Meddie" não ficou atrás das privadas.Portanto quanto a tele-lixo é geral."
D. Almeida
"Admito,para mim,a gota de água foi aquela aberração chamada A bela e o mestre,com a profºa de "como colocar os talheres correctamente", a académica que plagia e o que nem português sabia falar ( precisava de uma lição dos mestres,estava na cara). Era sexista e foi cruel ouvir mulheres a confirmarem que o sexo feminino era realmente mais estupido,enquanto elogiavam os seios das burras.
Depois,a Floribella e a sua mensagem salazarista: não vale a pena ambicionar,nem desejar uma vida melhor,porque os ricos são infelizes. Infelizmente,a árvore falante esqueceu-se de dizer às criancinhas que os ricos,por terem dinheiro,podem resolver a sua tristeza no terapeuta.
A TV passa continuamente a mensagem que não se pode confiar no governo e de que a politica não é para nós.
Mesmo em termos desportivos,a ideologia de direita é notória: apenas são transmitidos,em canais abertos portugueses (não conheço o Sport TV,pelo q não posso comentar)desportos de massas,e apenas a vertente masculina,enquanto a Eurosport se esforça por divulgar todos os desportos,apostando há muito na transmissão de futebol feminino,etc."
Coralina (Ashton's Martinis)
quarta-feira, outubro 03, 2007
A condescendência da direita com o tele-lixo
Exceptuando os canais estatais, a televisão portuguesa é de direita, reflecte um modelo e uma filosofia de direita que mesmo os próprios canais estatais têm uma forte tendência a copiar (sublinho a palavra copiar). Esse modelo de televisão segue a lógica do mercado, tudo é uma mercadoria e as regras aplicam-se por igual a toda a mercadoria, quer a mercadoria seja a Maria João Pires quer seja a Ronalda ou o Zé Cabra. Está ausente qualquer noção de serviço público, a noção é mais de servicinho, de servicinho aos patrocinadores claro! Já todos ouvimos a máxima da boca de Rangel, de Balsemão & companhia de que a televisão serve para "dar às pessoas o que elas querem ver". O problema é que na prática não é bem isso que se passa, na prática a televisão "dá às pessoas o que os patrocinadores querem que elas vejam".
O resultado desta filosofia é uma degradação completa do panorama televisivo dos canais que transmitem em sinal aberto. A SIC e a TVI já não estão com meias medidas, a dose servida é telenovela e futebol em contínuo em horário nobre. Os telejornais duram mais de uma hora para oferecer um pobre conteúdo informativo e um excesso de sensacionalismo. Treinos de futebol, histórias de faca e alguidar, todo o tipo de dramas que envolve criancinhas, jantaradas de clubes, de partidos e inúmeros directos inúteis onde entram reformados meio mirones meio testemunhas de não-sei-o-quê, que viram, viram não, ouviram ou disseram-lhes não-sei-o-quê, são o grosso do conteúdo informativo. Os telejornais sérios dos nossos parceiros europeus duram meia hora onde a informação do país e do mundo é mais desenvolvida, os directos são raríssmos, e os fait-divers e o desporto resumem-se aos 5 minutos finais. A excepção ao futebol e às telenovelas são os programas de variedades da vida real, em que jovens mais ou menos famosos coçam as virilhas durante horas a fio enquanto ganham rios de massa. São sem dúvida programas exemplares para os jovens do país com o pior nível educacional da Europa. Em horário nobre não há mais nada para oferecer para além disto...
Este é um modelo de televisão sem diversidade, de uma aridez cultural absoluta. Em todos os países da Europa há tele-lixo, mas em nenhum país os canais a emitir em sinal aberto oferecem tele-lixo na proporção em que nos é servida em Portugal. Na França, no Reino Unido, na Alemanha, os canais estatais e privados gratuitos transmitem reportagens, documentários, debates e divulgação científica em horário nobre, os cidadãos desses países estão minimamente informados sobre a política, a economia, a justiça, a ciência, o país e o mundo. No nosso país, os tele-dependentes sem hábitos de leitura e com um nível educacional sofrível já perderam o fio à meada nestas matérias, só com futebol e telenovelas não se vai lá, têm muita dificuldade em perceber os novos tempos.
Sendo Portugal um dos países onde mais se vê televisão considero lamentável a calma com que a direita deixou as coisas chegarem a este ponto. No entanto, a passada semana, todos concordaram com a atitude de Santana Lopes na SIC Notícias, mas quem é que tem compactuado com o problema por ele apontado? E não vale a pena dizer que o problema é das televisões e não da direita, porque Balsemão e ex-directores da TVI estiveram ou continuam muito ligados às altas esferas do PSD e do PP. Para cúmulo a grande cruzada televisiva da direita dos últimos tempos foi a censura do programa "Acontece" do canal 2. Conseguidos os objectivos, o tele-lixo foi ganhando espaço sem que a reacção da direita fosse proporcional à cruzada contra o "Acontece". Leiam o que os principais cronistas de direita escreveram contra o "Acontece" e comparem com o que se tem escrito sobre o tele-lixo, muitos deles chegam ao ponto de desculpabilizar e justificar esse tipo de programação. Um exemplo deste tipo de discurso é este texto de Pacheco Pereira que critica países onde a difusão cultural funciona muito bem e onde a cultura e o nível educacional dos cidadãos é elevadíssimo. No texto, o autor defende uma filmografia de entretenimento contra a filmografia de matriz mais cultural a que é dada prioridade na Europa. Dá o exemplo da Guerra das Estrelas, mas poderia ser o Harry Poter, ou um Walt Disney, que são no fundo os filmes que fazem parte do universo das escolhas dos consumidores de tele-lixo.
O resultado desta filosofia é uma degradação completa do panorama televisivo dos canais que transmitem em sinal aberto. A SIC e a TVI já não estão com meias medidas, a dose servida é telenovela e futebol em contínuo em horário nobre. Os telejornais duram mais de uma hora para oferecer um pobre conteúdo informativo e um excesso de sensacionalismo. Treinos de futebol, histórias de faca e alguidar, todo o tipo de dramas que envolve criancinhas, jantaradas de clubes, de partidos e inúmeros directos inúteis onde entram reformados meio mirones meio testemunhas de não-sei-o-quê, que viram, viram não, ouviram ou disseram-lhes não-sei-o-quê, são o grosso do conteúdo informativo. Os telejornais sérios dos nossos parceiros europeus duram meia hora onde a informação do país e do mundo é mais desenvolvida, os directos são raríssmos, e os fait-divers e o desporto resumem-se aos 5 minutos finais. A excepção ao futebol e às telenovelas são os programas de variedades da vida real, em que jovens mais ou menos famosos coçam as virilhas durante horas a fio enquanto ganham rios de massa. São sem dúvida programas exemplares para os jovens do país com o pior nível educacional da Europa. Em horário nobre não há mais nada para oferecer para além disto...
Este é um modelo de televisão sem diversidade, de uma aridez cultural absoluta. Em todos os países da Europa há tele-lixo, mas em nenhum país os canais a emitir em sinal aberto oferecem tele-lixo na proporção em que nos é servida em Portugal. Na França, no Reino Unido, na Alemanha, os canais estatais e privados gratuitos transmitem reportagens, documentários, debates e divulgação científica em horário nobre, os cidadãos desses países estão minimamente informados sobre a política, a economia, a justiça, a ciência, o país e o mundo. No nosso país, os tele-dependentes sem hábitos de leitura e com um nível educacional sofrível já perderam o fio à meada nestas matérias, só com futebol e telenovelas não se vai lá, têm muita dificuldade em perceber os novos tempos.
Sendo Portugal um dos países onde mais se vê televisão considero lamentável a calma com que a direita deixou as coisas chegarem a este ponto. No entanto, a passada semana, todos concordaram com a atitude de Santana Lopes na SIC Notícias, mas quem é que tem compactuado com o problema por ele apontado? E não vale a pena dizer que o problema é das televisões e não da direita, porque Balsemão e ex-directores da TVI estiveram ou continuam muito ligados às altas esferas do PSD e do PP. Para cúmulo a grande cruzada televisiva da direita dos últimos tempos foi a censura do programa "Acontece" do canal 2. Conseguidos os objectivos, o tele-lixo foi ganhando espaço sem que a reacção da direita fosse proporcional à cruzada contra o "Acontece". Leiam o que os principais cronistas de direita escreveram contra o "Acontece" e comparem com o que se tem escrito sobre o tele-lixo, muitos deles chegam ao ponto de desculpabilizar e justificar esse tipo de programação. Um exemplo deste tipo de discurso é este texto de Pacheco Pereira que critica países onde a difusão cultural funciona muito bem e onde a cultura e o nível educacional dos cidadãos é elevadíssimo. No texto, o autor defende uma filmografia de entretenimento contra a filmografia de matriz mais cultural a que é dada prioridade na Europa. Dá o exemplo da Guerra das Estrelas, mas poderia ser o Harry Poter, ou um Walt Disney, que são no fundo os filmes que fazem parte do universo das escolhas dos consumidores de tele-lixo.
sexta-feira, setembro 28, 2007
A nossa televisão é um circo!
O episódio de Santana Lopes na SIC Notícias (o melhor canal nacional na minha opinião) pode ser visto como um sintoma de um certo "bater no fundo" das nossas televisões. É preciso estar-se muito próximo do grau zero para um dos políticos que deve grande parte da sua carreira ao circo televisivo nacional (foi comentador de futebol e de política, lembram-se?) ser aquele que protesta de forma mais certeira contra o delírio em que se transformaram os noticiários do melhor canal de televisão.
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