Sabe melhor que o "bife" que Contador ingeriu na Holanda antes do Tour de 2010. Gosto de voltar a ver ganhar ciclistas que atacam e se cansam de seguida, que não são especialistas em tudo, que não andam a gerir os efeitos secundários dos comprimidos atrás das rodas do número dois da equipa. Mas o Andy vai ter que treinar mais o contra-relógio, enquanto isso outros adquirem uns comprimidozitos para ganhar contra-relógios.
A investigação no domínio das energias renováveis deu mais um passo com o desenvolvimento de dois novos tipos de células fotovoltaicas. Graças a um projeto apoiado pela União Europeia, e com a colaboração do Imperial College, a empresa britânica G24i lançou no mercado células solares com boa eficiência tanto fora como dentro de casa, funcionando com um nível de iluminação semelhante ao que existe no interior dos nossos lares. Estas células não funcionam como as células fotovoltaicas normais, funcionam através de um processo inovador que se assemelha à fotossíntese, tal como as plantas.
No Centro de Microelectrónica de Provença, em Gardanne, França, foi desenvolvido um novo tipo de células solares ultrafinas e transparentes. Estas células fotovoltaicas foram já aplicadas a telemóveis, numa configuração de película colada a uma das faces do aparelho. Com uma hora de exposição ao Sol, um telemóvel pode ser carregado parcialmente, permitindo 30 de minutos de utilização em modo de conversação. Através da exposição ao Sol durante 6 horas é possível carregar completamente a bateria de um telemóvel. Mas estas películas transparentes poderão ser adaptadas no futuro a automóveis, a aviões e a edifícios, ampliando o seu leque de aplicações.
Tendo em conta que uma pilha convencional de 1,5 V polui um volume de água superior ao volume que ingerimos durante toda a nossa vida e que as baterias dos telemóveis são compostas por substâncias e por materiais tóxicos e perigosos, estes novos avanços vão permitir diminuir a poluição do ambiente e economizar energia à escala doméstica.
Todos os que se bateram pelo cancelamento das medidas de supressão de serviços do Hospital da Figueira estão de parabéns: deputados eleitos, movimentos, bloguistas e cidadãos anónimos. Sinceramente, por momentos pensei que o pior pudesse acontecer a curto ou médio prazo. No entanto, a situação económica do país e os ziguezagues do nosso Primeiro ainda nos podem trazer alguma surpresa inesperada.
Se esta sondagem holandesa se confirmar nas urnas, que tal Soares dos Santos mudar a sua sede para Marte ou Urano. Ou para o Monte Olimpo ou o Paraíso.
Depois de mais uma cimeira europeia sem novidades para combater a crise, vale a pena relembrar esta entrevista de Wolfgang Franz (conselheiro de Merkel) à Euronews, onde este explica porque é contra a emissão de títulos de dívida em euros. Neste resumo da entrevista falta a passagem mais interessante. Quando pressionado pelo jornalista como justificava a sua oposição às euro-obrigações, Wolfgang Franz referiu que os restantes países da zona euro não sabiam o que é ter uma inflação alta. Acrescentou que na Alemanha ainda há quem se lembre dessa péssima experiência. O problema é que os motivos que levaram à hiper-inflação de 1923 (um pão chegou a custar dezenas de milhares de milhões de marcos) se devem exclusivamente à sucessão de castigos absurdos que os vencedores da primeira guerra infligiram à Alemanha. Em particular, quando a França passou a absorver nesse ano toda a produção de carvão alemã como represália ao atraso no pagamento das dívidas de guerra.
À primeira vista as motivações de Wolfgang Franz parecem enquadradas pelo típico ódio contra a inflação, tão típicos da ideologia Reagan-Thatcher. Como se uma inflação alta fosse pior do que o momento económico que estamos a viver. Mas numa segunda análise perguntamo-nos se não estamos perante uma vingança velada de muito mau gosto (que atinge a própria Alemanha). É nisto que anda a patinar a Europa. Resta a esperança de as próximas eleições alemãs apearem estes senhores definitivamente.
O Supremo Tribunal de Justiça revogou a absolvição de Domingos Névoa da Bragaparques, condenando-o a 5 meses de prisão que serão de pena suspensa caso Domingos Névoa indemnize o Estado em 200 mil euros (a pena inicial era de apenas 5 mil euros). Relembro que Ricardo Sá Fernandes tinha sido condenado por difamação e ao pagamento de 10 mil euros, por ter apelidado Domingos Névoa de agente corruptor e vigarista. Só recentemente Sá Fernandes foi absolvido de uma decisão que tinha escandalizado o país.
Convém também relembrar quem é que nos blogues defendeu com afinco a causa de Domingos Névoa. Por exemplo, vale a pena recordar este texto da autoria de João Miranda, escrito no dia seguinte à acusação de Domingos Névoa, no seu habitual estilo troca-tintas onde desculpabiliza e vitimiza Domingos Névoa (o corrupto ilegal, claro o corrupto legal é Sá Fernandes). Outras postas menos trapalhonas mas puramente gratuitas vão no mesmo sentido, aqui e aqui, escritas por André Azevedo Alves, um dos autores do blogue Anacleto, um blogue com muito nível onde não se faziam ataques pessoais nenhuns (ad hominem, não é isso?).
Nomeei aqui há pouco tempo Rafael Marques como a personalidade de 2011, pela sua coragem no combate contras os corruptos que governam (que se governam) Angola. A RTP dedicou um Prós&Contras que me chocou, onde os corruptos que governam Angola eram apresentados como parceiros legítimos de uma nova amizade entre os dois países. O programa também chocou Pedro Rosa Mendes , que lhe dedicou esta crónica na Antena 1. A Antena 1 não perdeu tempo para o eliminar da programação. É esta a linha do "Obama de Massamá": broches aos corruptos que (des)governam Angola.
Um estudo realizado pela Universidade da Sabóia, em França, mostra que a superfície total dos glaciares existentes nos Alpes diminuiu em cerca de 25% ao longo das últimas 4 décadas. Este estudo baseou-se na cartografia e na evolução temporal dos glaciares alpinos franceses. Os dados utilizados no estudo foram extraídos de carta topográficas anteriores a 1970 do IGN (Institut Géographique National), de imagens dos satélites Landsat 5 e Landsat 7 (com resolução de 30 e 15 metros, respectivamente) e de fotografias aéreas do IGN (com uma resolução de 50 cm). Foram cartografados cerca de 600 glaciares entre o maciço das Aiguilles Rouges na Alta Sabóia até Ubaye nos Alpes Meridionais. A superfície total dos glaciares estudados era de 375 km2 em 1970, em 1985 reduziu-se a 340 km2 tendo totalizado apenas 275 km2 no registo de 2009.
A fusão acelerada dos glaciares tem consequências importantes no clima local, aumentando o caudal dos rios que nascem nas respectivas formações montanhosas, com um correspondente aumento da pluviosidade e do risco de inundações em comparação com os anos anteriores. Mas a fusão local registada nos Alpes Franceses é com grande probabilidade consequência do aquecimento global resultante da actividade humana registado nas últimas décadas. A taxa a que os glaciares derreteram evolui de uma forma semelhante à curva do aquecimento do clima e, mais importante, tem correspondido aos resultados estimados pelos modelos de simulação do clima aplicados aos glaciares alpinos, reforçando as conclusões dos sucessivos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas sobre o impacto da actividade humana no clima do nosso planeta.
Não existe documentação que demonstre a residência de Afonso Henriques em Guimarães. Pela documentação que nos chega até hoje o nascimento do nosso primeiro rei ocorreu muito provavelmente em Viseu ou nas suas imediações ("D. Afonso Henriques" de José Mattoso, Temas & Debates, pag. 25-27). Dona Teresa datou e assinou em Viseu vários documento antes e depois do nascimento de Afonso I. É pouco credível que uma mulher grávida na Idade Média se deslocasse 150 km a partir de Viseu para dar à luz em Guimarães e regressasse imediatamente a Viseu. A sede do poder do Condado de Portucalense foi transferida para Coimbra já durante a época do Conde D. Henrique, o pai do primeiro rei. Todos os actos de Afonso Henriques que estão na origem da transformação do Condado em Reino ocorrem tendo o Fundador já residência indubitável em Coimbra. Ler "D. Afonso Henriques" de José Mattoso, cap. VI pag. 105-111, sobre a importância histórica (palavras de José Mattoso) da localização da corte de Afonso I em Coimbra.
Perante factos e dúvidas, irrita as certezas que continuam a ser propagadas de que Guimarães é a "cidade berço". Certezas que não só contrariam a documentação analisada, como cada vez mais são difíceis de casar com os territórios de dúvida da biografia de Afonso Henriques. Este fim-de-semana por ocasião das comemorações de Guimarães Capital da Cultura, mais uma vez foi dado um péssimo exemplo a nível institucional ao continuar a alimentar-se a lenda da Guimarães Cidade Berço. É lamentável numa sociedade baseada no conhecimento que se continue a substituir o trabalho resultante da investigação cuidada da nossa história por lendas sentimentais.
Na sua edição de Dezembro a revista Ler dedica uma secção a escritores não traduzidos para português, na sequência de mais um Nobel da Literatura atribuído a um escritor praticamente desprezado pelas nossas editoras. Preparava-me para acrescentar Beigbeder a essa lista, quando descubro que há 10 anos atrás a Editorial Presença publicou o original 99 Francs com o título "14,99€ - A Outra Face da Moeda". O seu estilo auto-ficcional, libertino e intelectual é lido e traduzido nos países balticos, Rússia e na conservadora Turquia. A sua obra já deu origem a dois filmes, o novíssimo "L'amour dure trois ans" e o espirituoso "99 Francs" com Jean Dujardin. Mas Frédéric Beigbeder apresenta alguns inconvenientes para os nossos editores: não é marialvista, não escreve sobre sopas de peixe com leite de mamas, não se leva a sério e goza a fundo consigo mesmo (esta o macho luso não perdoa). É pena, passa-nos ao lado a prosa de um escritor que descreve intencionalmente o seu tempo, que vive a fundo o seu tempo, que gosta do seu tempo, que descreve o mundanismo dos nossos dias, uma espécie de Balzac do século XXI, enfim um escritor que daqui a 200 anos será apreciado por transmitir um retrato fiel das vivências da nossa geração.
Um país como o nosso que exporta tantos produtos interessantes (da cortiça ao vinho) e com qualidade, confesso que me dá asco essa conversa do "compre nacional". Se os outros países fizessem o mesmo íamos lavar os pés com vinho e deixar o CDS cortar rente os sobreiros que Nobre Guedes e Assunção Cristas pouparam. Separo esta questão do debate muito válido de taxar produtos em função da distância onde foram produzidos, por razões ecológicas.
Se quisermos ser uns grandes patriotas o melhor serviço que temos a fazer pelo país é pedir SEMPRE o recibo. Mas aí o patriota que há em nós perde logo a mesma garganta que se inflamou com o slogan "compre nacional". Em publicação recente, o Observatório de Economia e Gestão de Fraude estima em cerca de 42,7 mil milhões, ou 24,8% do PIB, o volume da economia paralela em 2010. A média estimada da economia paralela entre os países da OCDE é de 16,4 % do PIB. Se estas transações pagassem um imposto médio de 20% no nosso país, o défice em 2010 teria sido de 2,8% em vez de 8,6%. É esta a dimensão do roubo.
Tal como denunciei ontem no As Beiras, o Pingo Doce (e não só) faz dumping de preços de produtos de primeira necessidade. Eis aqui a prova numa intervenção realizada hoje pela ASAE. Agora que Soares dos Santos foi ingrato e fugiu para a Holanda é que as autoridades portuguesas se lembraram de intervir...
A vitimização ensaiada por Soares dos Santos no caso Pingo Doce só convence quem não conhece as práticas hegemónicas dos grandes grupos de distribuição. Os pequenos e médios comerciantes locais já se habituaram a lutar contra legislação que favorece os amplos horários de abertura das grandes superfícies, contra o dumping de preços em produtos de primeira necessidade compensados por serviços e rendas de lojas, contra a chantagem para redução das margens dos produtores e contra a influência destes grupos nos grandes partidos. Ao apoiar candidaturas políticas, os batalhões de advogados destas empresas influenciam a parte do programa político que lhes diz respeito. Recentemente condenado por planeamento fiscal abusivo, o patriota Soares dos Santos é ironicamente o maior importador do setor.
Esta semana foram anunciados cortes de 39% no orçamento para 2012 da Fundação para a Ciência e a Tecnologia - instituição que tem a seu cargo a atribuição de bolsas individuais e de projetos científicos. Ao contrário do que foi anunciado estamos claramente perante um orçamento desadequado à continuidade de uma investigação de qualidade e em quantidade para responder às exigências das nossas empresas e da indústria nacional. Um orçamento tão reduzido limitar-se-á a financiar algumas ilhas que perderão a ligação aos restantes grupos de investigação perdendo-se massa crítica para concorrer a projetos internacionais e para manter a participação em instituições internacionais como o ESO, o CERN, a ESA ou o Acelerador Europeu de Sincrotrão. Desta forma, as consequências deste corte contrariam o apelo do governo a concorrer a projetos europeus para compensar a escassez de financiamento.
Os projetos europeus têm taxas de aprovação inferiores a 10%, onde primam centros de investigação dos países europeus de maior dimensão onde existem autênticas agências apenas dedicadas à redação dos extensos e herméticos formulários europeus de candidatura. Se esta é a via escolhida, então no mínimo o ministério deveria promover a criação de gabinetes dedicados à redação de projetos europeus. Com o amadorismo que reina na máquina burocrática da maior parte das nossas instituições muita investigação de qualidade ficará logo pelo caminho na altura do preenchimento do formulário.
O mais perturbador é a absoluta falta de estratégia do ministério num momento de profunda crise, momento em que a ciência poderia ser um dos principais motores para sair da crise. Enuncia-se como estratégia ministerial a promoção da excelência. Promover a excelência não é estratégia nenhuma em si, qualquer ministério da ciência sério procurará promover a excelência. Para onde vai a ciência nacional? Como a investigação realizada nas universidades poderá ser mais eficaz na sua ligação à sociedade e ao tecido empresarial? Qual a importância a dar à investigação fundamental e à inovação? Como promover a investigação nas empresas privadas? São questões que ficam sem resposta. Há uma abstração total do potencial científico do país, fica-se com a sensação que a investigação é um fardo para este governo e só não se desiste por completo de financiar a ciência porque isso teria repercussões internacionais sérias, inclusivamente no seio da comissão tripartida que nos está a emprestar dinheiro.
A governação do país vai numa direção e no meio científico cada um segue para seu lado, em passeio aleatório.
Esta entrevista de Alexandre Soares dos Santos é um festival de grandes lições de moralismo que se resume nesta frase: "...temos que olhar para nós e perguntar o que é que eu posso fazer pelo meu país".
Mas há outras muito boas: - "Há toda uma maneira de estar na sociedade que tem que mudar", sem dúvida diria eu; - Soares dos Santos queixa-se que "o Estado tem que pagar tudo, não se pode tocar no serviço nacional de saúde". Foi com este sistema tão perverso e universal que a taxa de mortalidade infantil em 30 anos passou do terceiro-mundismo para um valor melhor que os EUA, onde vigora a filosofia de Soares dos Santos; - Propõe "reguladores [da iniciativa privada] não nomeados por partidos políticos (...) um sistema [de regulação] com gente, imparcial, competente e conhecedora". Ora um sistema de reguladores não nomeados pelos eleitos e conhecedores, que tal os regulados regularem-se a si próprios? Ou numa versão imparcial, pagos pelos regulados, assim tipo a relação imparcial entre a Arthur Andersen e a ENRON; - "O país tem que ser mais eficiente, tem que trabalhar mais horas". Errado! Para o país ser mais eficiente tem que trabalhar melhor por unidade horária. Tsk, tsk, isto dá chumbo na escola secundária. Aqui para aderir ao movimento Boicote ao Pingo Doce.
PS- As "entrevistas" de José Gomes Ferreira têm muito que se lhe diga, lá iremos um destes dias.
No que se define hoje como território nacional já se falou celta, latim, galego-português e apenas no reinado de Afonso II se escreveu o primeiro documento oficial em português. Em 1882, no ano em que foi colocada esta placa junto ao Elevador do Bom Jesus de Braga era assim que se escrevia saída: sahida. O primeiro acordo ortográfico entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras entrou em vigor em 1911, tendo eliminado o h em posição medial do verbo sair, no seu capítulo III:
III - [letra h em posição medial] É eliminada a letra h do interior de todos os vocábulos portugueses, com execpção do seu emprêgo, como sinal diacrítico, nas combinações ch, lh, nh, com os valores que as seguintes palavras exemplificam, e únicamente para êles: chave, malha, manha. Portanto, escrever-se hão, sem o h, inibir, exortar, etc., e, semelhantemente, sair, coerente, aí, proìbir, etc.
O novo acordo começou a ser trabalhado em 1985, há mais de 25 anos. Neste acordo mudam de grafia 2 703 palavras. No Brasil mudam 1254 (~ 1% do total das palavras) e perde-se um acento: o trema. Nos restantes países de expressão portuguesa mudam 2 264 palavras (cerca de 1,75% do total). A partir de agora escrever-se-á por aqui segundo as regras do novo acordo ortográfico. Ouvi e li especialistas, uns contra outros a favor. A favor ouvi argumentação muito bem fundamentada e contra o acordo ouvi sobretudo muita descarga de fígado contra o multiculturalismo, o "dantes é que era bom" e histórias de sofisticada intriga internacional. Pessoalmente preferia que a nossa língua adotasse regras semelhantes ao castelhano, italiano, alemão e línguas eslavas, em que não há ambiguidades entre a escrita e a fonética. Demos um passo nessa direção mas ainda estamos longe. Do ponto de vista estético tenho mais reservas, faz-me confusão escrever ótimo em vez de óptimo, apesar de já ter interiorizado quando escrevo em língua italiana - a herdeira direta da nossa língua mãe, o latim - a escrita de ottimo e de Egitto. Dou razão a um amigo italiano especialista em latinas, quando me relembra que o português e o romeno são as línguas latinas mais conservadoras.
Volto ao assunto da violência doméstica. Em França e Espanha está a ser utilizado há mais de um ano um telemóvel para mulheres vítimas de violência conjugal. Destinado a prevenir ataques após a separação de casais com historial de violência doméstica, este telefone portátil é equipado de um botão muito acessível que após premido mais de três segundos entra em modo voz alta e simultaneamente liga a uma central de urgência especializada no apoio às vítimas de violência conjugal. Este sistema já permitiu a intervenção rápida da polícia em várias centenas de casos nos dois países referidos. Isto dava um jeitão por cá.
A minha coluna da passada quinta-feira no jornal As Beiras:
Os sacos de plástico que pendem das mãos são de um supermercado de produtos baratos, os carros estacionados de baixa cilindrada, em segunda ou terceira mão. Estamos longe das fantasias do CDS, dos beneficiários de rendimento mínimo com piscina e Mercedes à porta. Neste bairro social do concelho da Figueira, os habitantes cuidam da amostra de jardim que torna mais ameno o espaço entre as caixas de betão onde vivem. São simpáticos com os vizinhos e transeuntes, mas poderiam não ser dada a elevada taxa de desemprego e de abandono escolar. Vem-me à memória os tempos em que vivi perto de uma violenta cité francesa. Investigue-se até às últimas consequências a Figueira Domus, proteja-se quem denunciou e tentou mudar más práticas, mas não percamos de vista quem mais precisa.
Fui um dos ultimos a embarcar no ER (Esquerda Republicana), ha mais de um ano e picos. Depois de outras experiencias bloguisticas, devo dizer que me sinto especialmente bem neste blogue criado pelo Ricardo Alves. Dizer que me sinto bem, nao é sinonimo de dizer que me sinto confortavel. As minhas costelas europeista e ambientalista desencaixam frequentemente no puzzle do ER. E nos bastidores a malta pega-se e pega-se bem. Mas mesmo nessas pegas eu aprecio algo que depois tambem transparece no palco principal. É um sentido critico muito frontal, nem sempre facil de digerir, mas que é do mais salutar exercicio intelectual. Tambem gosto da forma como se evita a facil tentacao da fulanizacao e as coleras histericas tao amigas dos contadores de cliques. O Esquerda Republicana com este perfil nunca pode ser lider de audiencias, mas esse premio deixamos para o Quim Barreiros e o Tony Carreira.
Distingue-se aqui com a Klepsýdra de Ouro a personalidade do ano. Distingue-se a imensa coragem e o excelente trabalho de investigação de Rafael Marques. Isto é mais forte do que a Primavera árabe. Trata-se de um homem só contra um regime assassino e corrupto. Em "Diamantes de Sangue" (Tinta da China, 2011), Rafael Marques denuncia os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. Na região do Cuango, para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e polícias são não só coniventes como também protagonistas desses crimes (sic).
Desde a morte de Kim Jong-Il, a tortura colectiva a que o Partido Comunista da Coreia submeteu os coreanos nao conhece limites. Depois da imposicao de ignobeis choros mal ensaiados, seguem-se os passarinhos que prestam homenagem a Kim Jong-Il. A semana passada a direccao do PCP num exercicio de benovolencia com um dos maiores criminosos do mundo - na Coreia do Norte morre-se de fome, mas ha dinheiro para armas nucleares - expressou as suas condolencias pelo falecimento de Kim Jong-Il. Na mesma semana em que se opos ao voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel. Duvido que a esmagadora maioria dos simpatizantes e militantes do PCP se revejam nisto.
Depois de Mario Draghi, Mario Monti e Lucas Papadémos (ex-Goldman Sachs), mais um cargo político europeu importantíssimo atribuído a um quadro oriundo de uma das empresas financeiras responsáveis pela crise mundial: Luís de Guindos (ex-Lehman Brothers) é Ministro da Economia do governo Rajoy. Não há vergonha na cara.