Publicado a 27 de Dezembro no jornal As Beiras:
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quarta-feira, janeiro 30, 2013
segunda-feira, agosto 20, 2012
O pior exemplo para os jovens
O péssimo exemplo para os jovens da não demissão de Relvas é o assunto da minha crónica de hoje no Pontos de Vista da Rádio Clube Foz do Mondego.
Horário: 10h45 com repetição às 18h40.
quarta-feira, julho 18, 2012
domingo, maio 08, 2011
Investimento público em ciência e na educação produziu resultados positivos
(publicado no portal Esquerda.net)

O relatório da Comissão Europeia que revela uma progressão considerável no ensino e na investigação em Portugal, demonstra claramente uma relação causa efeito entre o investimento público na educação e na investigação depois do 25 de Abril e o progresso obtido nestes domínios. Portugal teve a segunda mais alta taxa de doutoramento da União Europeia entre os 25 e os 34 anos, três para cada mil habitantes, ao nível da Finlândia e atrás da Suécia (3,2 doutorados para cada mil habitantes). No período compreendido entre 2000 e 2009 duplicou o número de diplomados no ensino superior entre os 30 e os 34 anos. Registou-se no mesmo período o maior
crescimento da Europa de diplomados em Matemática, Ciências e Tecnologias. Estes dados explicam o aumento quase exponencial (ver gráfico) verificado no número de publicações científicas por ano de autoria ou co-autoria de investigadores portugueses (incluídas no Science Citation Index Expanded - Thomson Reuters/ISI).
No ensino secundário verificou-se uma melhoria nos resultados nos testes internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment), no entanto o abandono escolar continua a ser o mais elevado da União Europeia, apesar de ter diminuído consideravelmente nos últimos 30 anos. O relatório refere que nos restantes países mais de metade dos jovens com poucos estudos não têm emprego ou não estão à procura, mas em relação a Portugal conclui: “os jovens abandonam a escola para entrar num mercado de trabalho que dá oportunidades de emprego a quem tem baixas qualificações”.
Christopher Pissarides, Prémio Nobel da Economia de 2010, apelou recentemente para mais investimento na educação em tempos de crise, de forma a preparar melhor os jovens antes de entrarem num mercado de trabalho em crise, justificando que é melhor aplicar o dinheiro na continuidade do percurso escolar do que pagar subsídios de desemprego aos jovens que abandonam o sistema de ensino.
Perante estes argumentos e estes indicadores, o desmantelamento do ensino público e insinuações de extinção do Ministério da Educação, avançados recentemente por algumas associações na órbita dos partidos de direita, poderão revelar-se medidas catastróficas e contribuir fortemente para prolongar o estado de recessão ou de estagnação do país.

O relatório da Comissão Europeia que revela uma progressão considerável no ensino e na investigação em Portugal, demonstra claramente uma relação causa efeito entre o investimento público na educação e na investigação depois do 25 de Abril e o progresso obtido nestes domínios. Portugal teve a segunda mais alta taxa de doutoramento da União Europeia entre os 25 e os 34 anos, três para cada mil habitantes, ao nível da Finlândia e atrás da Suécia (3,2 doutorados para cada mil habitantes). No período compreendido entre 2000 e 2009 duplicou o número de diplomados no ensino superior entre os 30 e os 34 anos. Registou-se no mesmo período o maior
crescimento da Europa de diplomados em Matemática, Ciências e Tecnologias. Estes dados explicam o aumento quase exponencial (ver gráfico) verificado no número de publicações científicas por ano de autoria ou co-autoria de investigadores portugueses (incluídas no Science Citation Index Expanded - Thomson Reuters/ISI).No ensino secundário verificou-se uma melhoria nos resultados nos testes internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment), no entanto o abandono escolar continua a ser o mais elevado da União Europeia, apesar de ter diminuído consideravelmente nos últimos 30 anos. O relatório refere que nos restantes países mais de metade dos jovens com poucos estudos não têm emprego ou não estão à procura, mas em relação a Portugal conclui: “os jovens abandonam a escola para entrar num mercado de trabalho que dá oportunidades de emprego a quem tem baixas qualificações”.
Christopher Pissarides, Prémio Nobel da Economia de 2010, apelou recentemente para mais investimento na educação em tempos de crise, de forma a preparar melhor os jovens antes de entrarem num mercado de trabalho em crise, justificando que é melhor aplicar o dinheiro na continuidade do percurso escolar do que pagar subsídios de desemprego aos jovens que abandonam o sistema de ensino.
Perante estes argumentos e estes indicadores, o desmantelamento do ensino público e insinuações de extinção do Ministério da Educação, avançados recentemente por algumas associações na órbita dos partidos de direita, poderão revelar-se medidas catastróficas e contribuir fortemente para prolongar o estado de recessão ou de estagnação do país.
terça-feira, outubro 27, 2009
A Má Educação: Viriato
Na obra "Os Lusitanos no tempo de Viriato" de João Inês Vaz (Ed. Ésquilo 2009) podemos encontrar mais um exemplo da miséria do ensino no tempo do Estado Novo e do espírito doentio desses tempos:
"Nos inícios do século XX, Mendes Correia foi uma das figuras mais acérrimas defensoras da ligação directa entre Portugueses e Lusitanos (...) na afirmação de uma raça portuguesa distinta das outras conhecidas, chegando mesmo a considerar um tipo de hominídeo próprio do território português, o selvagem homo taganus que teria vivido nas margens da Ribeira de Muge. Ora, o que hoje se sabe desta população dos finais do Neolítico/Mesolítico é que (...) as análises antropológicas nada revelam de diferente em relação a outros homens do mesmo período neo/mesolítico.
O Estado Novo fez da questão da raça uma ideia fundamental do orgulho nacional e por isso era importante manter e propagandear o mais possível esta ideia da relação umbilical com os Lusitanos. A História ensinada nas escolas primárias, Liceus e Escolas Industriais transmitia a ideia da formação da pátria a partir da Lusitânia, enaltecia-se a bravura dos Lusitanos e apresentava-se a dedicação de Viriato à Pátria como exemplo a seguir" (pag. 200 e 201)
"Nos inícios do século XX, Mendes Correia foi uma das figuras mais acérrimas defensoras da ligação directa entre Portugueses e Lusitanos (...) na afirmação de uma raça portuguesa distinta das outras conhecidas, chegando mesmo a considerar um tipo de hominídeo próprio do território português, o selvagem homo taganus que teria vivido nas margens da Ribeira de Muge. Ora, o que hoje se sabe desta população dos finais do Neolítico/Mesolítico é que (...) as análises antropológicas nada revelam de diferente em relação a outros homens do mesmo período neo/mesolítico.
O Estado Novo fez da questão da raça uma ideia fundamental do orgulho nacional e por isso era importante manter e propagandear o mais possível esta ideia da relação umbilical com os Lusitanos. A História ensinada nas escolas primárias, Liceus e Escolas Industriais transmitia a ideia da formação da pátria a partir da Lusitânia, enaltecia-se a bravura dos Lusitanos e apresentava-se a dedicação de Viriato à Pátria como exemplo a seguir" (pag. 200 e 201)
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Saudades de D. Carlos e de Salazar (act.)
No blogue Atlântico manifestam-se saudades pelo Rei D. Carlos: "poderia dar lugar a outro Portugal, provavelmente mais liberal" caso tivesse sobrevivido ao atentado de que foi vítima (comparar com a Itália, Hungria ou Roménia onde as monarquias se mantiveram até 1944). Por ali também já se manifestaram saudades por Salazar (frontalmente criticadas pelo Tiago Mendes).
As minhas saudades dos regimes que representavam um e o outro são estas:

Ano em que se atingiu a alfabetizacao de metade da populacao nas diferentes regioes da Europa, "A sociedade da confianca", Instituto Piaget.
País: % de pessoas na escola em 1840,1850,1887,1928
EUA: 15, 18, 22, 24
Inglaterra: ?, 12, 16, 16
Holanda: 12, 13, 14, 19
Rússia/URSS: ?, 2, 3, 12
Alemanha: 17, 16, 18, 17
França: 7, 10, 15, 11
Hungria: ?, ?, 12, 16
Espanha: 4, ?, 11, 11
Grécia: ?, 5, 6, 12
Portugal: ?, 1, 5, 6
Aconselho ainda a leitura do texto "Atraso Português" do Prof. Carlos Fiolhais no seu livro "A coisa mais preciosa que temos", Gradiva, 2002. É um texto brilhante onde é feito o retrato do ensino em Portugal nos últimos 200 anos.
As minhas saudades dos regimes que representavam um e o outro são estas:

Ano em que se atingiu a alfabetizacao de metade da populacao nas diferentes regioes da Europa, "A sociedade da confianca", Instituto Piaget.
País: % de pessoas na escola em 1840,1850,1887,1928
EUA: 15, 18, 22, 24
Inglaterra: ?, 12, 16, 16
Holanda: 12, 13, 14, 19
Rússia/URSS: ?, 2, 3, 12
Alemanha: 17, 16, 18, 17
França: 7, 10, 15, 11
Hungria: ?, ?, 12, 16
Espanha: 4, ?, 11, 11
Grécia: ?, 5, 6, 12
Portugal: ?, 1, 5, 6
Aconselho ainda a leitura do texto "Atraso Português" do Prof. Carlos Fiolhais no seu livro "A coisa mais preciosa que temos", Gradiva, 2002. É um texto brilhante onde é feito o retrato do ensino em Portugal nos últimos 200 anos.
terça-feira, setembro 11, 2007
Propinas, Nível Educacional e Abandono Escolar
Portugal é o país europeu com o nível educacional mais baixo da Europa (excluindo Malta): apenas cerca de 26% dos portugueses concluíram o 12º ano, a percentagem da população com o ensino superior é a mais baixa e as taxas de analfabetismo e de abandono escolar são as mais elevadas da Europa. O país europeu cujo nível educacional está a seguir ao nosso é Espanha com cerca de 40% da população com o 12º ano concluído, quase o dobro de Portugal. Há muito que aqui defendo que o combate a este flagelo deveria ser a prioridade número 1 nacional. Por esta razão, à luz dos referidos dados considero que o último parágrafo desta contribuição de Vital Moreira para o debate não traz nada de positivo ao combate do problema. E para não entrarmos em esquemas de pescadinha de rabo na boca respondendo à oposição às propinas afirmando que com mais propinas há mais apoio social escolar, convém ter uma ideia do nível a partir do qual um estudante português tem acesso a esse apoio social e do nível de investimento que os outros países da UE consagram ao apoio social escolar. Os números lançados pelo Pedro Sales são muito significativos. As diferenças negativas de todos os indicadores de apoio escolar não são uns meros 2 ou 3% em relação à média dos restantes países, são cerca de 20% ou mais. Estes números para um país que precisa de recuperar um atraso educacional enorme são uma vergonha. Se o Vital Moreira entregar estes números aos seus pares europeus trocando o nome dos países por letras (Portugal=A, Espanha=B, França=C, etc.), tenho a certeza que lhe responderão que o país A (Portugal) é um país rico, com um alto nível educacional, abandono escolar residual e analfabetismo inexistente. Convido-o vivamente a fazer a experiência via email com os seus ex-colegas da Comissão de Veneza, por exemplo.
O "contra" do Pedro Sales é muito bem fundamentado, está muito longe de ser um "Porque Sim". O "a favor" do Vital Moreira é que é justificado de uma forma muito fraquinha e não é apenas do ponto de vista quantitativo, como demonstram os números lançados pelo Pedro. Do ponto de vista qualitativo gostaria que o Vital Moreira me respondesse objectivamente qual é a racionalidade de, num país que tem de recuperar um enorme atraso educacional, pedir o esforço de investimento a uma larga fracção (já excluindo os ricos) dos que deveriam ser o alvo desse mesmo investimento, pelos custos acrescidos que já comportam? Se há alguma causa pela qual vale a pena pagar impostos em Portugal é a causa da recuperação do nosso atraso educacional, essa sim é verdadeiramente uma CAUSA NOSSA. Para além disso, o Vital Moreira acha que os estudantes deslocados cujos rendimentos familiares ficam um pouco acima do nível para beneficiar do apoio escolar - que é uma grande percentagem dos estudantes nas zonas mais pobres do país - se sentem ou são encorajados para estudar na Universidade com o nível de propinas que é praticado? Sobretudo quando na família e na terrinha ninguém fez esse percurso, não há hábitos de estudo, de leitura e ainda se olha com desconfiança quem estuda.
O "contra" do Pedro Sales é muito bem fundamentado, está muito longe de ser um "Porque Sim". O "a favor" do Vital Moreira é que é justificado de uma forma muito fraquinha e não é apenas do ponto de vista quantitativo, como demonstram os números lançados pelo Pedro. Do ponto de vista qualitativo gostaria que o Vital Moreira me respondesse objectivamente qual é a racionalidade de, num país que tem de recuperar um enorme atraso educacional, pedir o esforço de investimento a uma larga fracção (já excluindo os ricos) dos que deveriam ser o alvo desse mesmo investimento, pelos custos acrescidos que já comportam? Se há alguma causa pela qual vale a pena pagar impostos em Portugal é a causa da recuperação do nosso atraso educacional, essa sim é verdadeiramente uma CAUSA NOSSA. Para além disso, o Vital Moreira acha que os estudantes deslocados cujos rendimentos familiares ficam um pouco acima do nível para beneficiar do apoio escolar - que é uma grande percentagem dos estudantes nas zonas mais pobres do país - se sentem ou são encorajados para estudar na Universidade com o nível de propinas que é praticado? Sobretudo quando na família e na terrinha ninguém fez esse percurso, não há hábitos de estudo, de leitura e ainda se olha com desconfiança quem estuda.
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