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quarta-feira, julho 13, 2011

Sardanhada

Tendo escolhido este ano a Sardenha para carregar baterias dou-me com uma Itália a resvalar para o mesmo buraco onde caíram Portugal, Irlanda e Grécia. Com uma dívida pública de cerca de 130% do PIB, cerca de 40% mais do que Portugal mas com uma dívida privada e externa inferiores, a Itália pode ser a próxima vítima do liberalismo selvagem. Portugal é muito falado na TV Berlusconi (todos os canais disponíveis) após a despromoção atribuída pelas agências de notação, não passa despercebido o exemplo dos ultra-liberais portugueses que estão a provar do seu próprio veneno.
Mas o pior de tudo, é calma de Barroso e Van Rompuy perante a crise. Tenham dignidade e demitam-se.

terça-feira, março 30, 2010

Um tiro na bota

O delírio permanente que se instalou na política italiana teve mais um episódio nas regionais de hoje. À boleia do eleitorado de Berlusconi, os candidatos separatistas da Liga de Bossi obtiveram vitórias históricas. Para Berlusconi está tudo bem, no pior dos casos o norte poderá enriquecer vendendo puzzles em lojas de souvenires, a sul descalça-se a bota e lança-se ao mar...

terça-feira, novembro 10, 2009

Il Divo



"Il Divo" é a história de um político sem qualidades que se perpetuou no poder. Giulio Andreotti foi sete vezes presidente do Conselho entre 1972 e 1992. Negociava com todo o espectro político desde que isso significasse a sua continuidade. Negociou com a igreja e com a máfia. No início dos anos 90 foi eleito senador vitalício. Pouco tempo depois o seu partido, a Democracia Cristã, desintegrou-se nas malhas da operação "mãos limpas". Andreotti foi condenado a uma pena de 24 anos que nunca cumpriu, fazendo uso da sua imunidade política, pena essa que viria a ser anulada mais tarde.
Nesta obra Paolo Sorrentino apresenta o percurso político de Andreotti de uma forma intencional e deliciosamente teatralizada, bem adequada à personagem política. Giulio Andreotti era um verdadeiro artista.

quarta-feira, agosto 12, 2009

L'amore ritrovato

"L'Amore Ritrovato" de Carlo Mazzacurati é uma história de infidelidade masculina clássica dos anos 30 em Itália. Giovanni reencontra Maria, uma paixão dos seus tempos de juventude. Esse encontro, quase idílico, parece prenunciar uma relação perfeita, mas cedo a revelação de que Giovanni é casado faz desabar as esperanças de Maria. Neste quadro clássico a obra de Mazzacurati destaca-se pela intensidade, pela intensidade do prazer, pela intensidade da esperança, pela intensidade da ingenuidade e pela intensidade da desilusão. Giovanni insiste na relação, ignorando tudo o resto por alguns meses. No entanto, a II Guerra Mundial aproxima-se a passos largos e a relação entre Maria e Giovanni parece seguir o rumo dramático da conjuntura internacional...
Muito boas interpretações de Stefano Acorsi e Maya Sansa.

domingo, outubro 26, 2008

quinta-feira, outubro 23, 2008

Petição por Roberto Saviano

Seis prémios Nobel (Dario Fo, Mikhail Gorbachov, Gunter Grass, Rita Levi Montalcini, Orhan Pamuk e Desmond Tutu) lançaram no jornal La Repubblica uma petição de apoio a Roberto Saviano, o autor de Gomorra, ameaçado de morte pela Camorra que vive sobre protecção permanente da polícia. Nos dois primeiros dias foram recolhidas cerca de 110 mil assinaturas. Para quem quiser juntar o seu nome a esta longa lista, eis o sítio da petição.

segunda-feira, outubro 13, 2008

Gomorra



"Gomorra" é um filme de Matteo Garrone baseado na obra do mesmo nome do jornalista napolitano Roberto Saviano. Saviano está sob ameaça de morte desde 2006, residindo em local secreto e vigiado por uma escolta policial permanente. "Gomorra" é uma ficção construída a partir de investigações realizadas por Saviano sobre a rede económica da Camorra em Nápoles, em particular sobre as negociatas que envolvem o tráfico de droga, o tráfico de lixo tóxico e a exploração na industria têxtil.
Tendo em conta a actual situação da Itália, onde a criminalidade é indecentemente imputada aos ciganos e aos estrangeiros, "Gomorra" é um filme oportuno que refresca a memória dos mais distraídos, aqueles para quem os crimes da mafia passaram a ser matéria corrente e por isso esquecidos. Tal como o demonstra "Gomorra", a violência da Camorra não é comparável aos pequenos crimes que são imputados aos ciganos, é uma violência brutal e permanente que não tem paralelo em toda a Europa, é uma violência de uma cidade que em grande parte é terra de ninguém. Ali em Nápoles, tal como na Sicília, Berlusconi não tem tomates para tomar o mesmo tipo de medidas securitárias que tem implementado no resto do país contra os ciganos.
"Gomorra" é composto por quatro histórias paralelas, cada uma abordando diferentes sectores de influência da Camorra e diferentes níveis de actuação, do pequeno bandido que trabalha por conta própria ao baronato que gere as redes locais. "Gomorra" representa a violência com muita crueza a par com as ilhas de dignidade que algumas mulheres e homens tentam manter no meio do caos social, embora pagando por isso o preço mais elevado. O filme é falado em dialecto napolitano, opção que lhe confere mais autenticidade, mas obriga a ler as legendas mesmo quem fala italiano.
"Gomorra" é um dos grandes filmes de 2008, a não perder!

quinta-feira, julho 17, 2008

Bolonha sem carros

São 10 da noite, várias ruas do centro de Bolonha estão fechadas à circulação automóvel. Os restaurantes e os bares de vinhos instalaram as mesas em plena rua, disfarçando o traçado da estrada recorrendo a grandes vasos de plantas, tochas elegantes, sofás e pequenos palcos onde se toca música ao vivo. A rua parece viva, avisto famílias e grupos de amigos em amena cavaqueira, gesticulando obviamente, belas italianas abordadas por jovens impacientes, casais em cenas românticas e até um cantinho recatado destinado à leitura, ao qual adiro imediatamente.

Já lá vai o tempo da Bolonha atulhada de carros e motoretas, da Via Independenza negra do fumo dos tubos de escape. Ao contrário do que se fez em Portugal, o célebre dia sem carros, evoluiu para outras formas de restrição de circulação automóvel, inicialmente a restrição estava programada para certos dias da semana evoluindo progressivamente para a restrição completa do acesso ao centro excepto transportes públicos, velocípedes e das viaturas dos habitantes locais. Estamos a falar da cidade onde vive Luca di Montezemolo, o presidente da Fiat e da Ferrari.

Por cá continuamos quase há 10 anos na fase do dia sem carros, seguido de 364 dias sem cérebro. Aliás, o dia sem carros tem servido mais ao já habitual marialvismo anti-ecológico dos nossos cronistas mais provincianos, do que propriamente para preparar e reflectir sobre o futuro, esse futuro escasso em combustíveis fósseis. Continuam a construir-se viadutos caríssimos e túneis faraónicos que incitam a usar ainda mais o transporte individual, mas o pior é que quase toda a gente acha tudo isto normal...

sábado, fevereiro 23, 2008

Ferrero Garden



Só para fazer inveja à malta em Portugal, aproveito a oportunidade para apresentar os novíssimos Ferro-Roché à venda em Itália, chamados Ferrero Garden. Nham, nham!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Bolonha dos sabores

Tortellini, tortelloni,
alla ricotta o al ragù,
Tortellini, tortelloni,
con zucca e senza zucca,
Tortellini, tortelloni,
a nadar de costas, crawl e bruços no prato.

Uma piscina, duas piscinas, três piscinas, no Mercatto delle Erbe,
cores, cheiros, mais cores e intensos cheiros,
beringela, rúcula, san giovese, pasta fresca,
tomate que sabe a tomate, azeite em garrafa escura e parmesão de 24 meses.
Os olhos já transmitiram o estímulo ao estômago...
Um Campari-laranja e buon appetito da Bologna!

quinta-feira, dezembro 20, 2007

Acordar em Bolonha

Acordo.

Levanto os estores e contemplo o telhado renascentista do museu cívico medieval, em segundo plano as estátuas da igreja vizinha, projectadas no céu.

A estrada em frente é empedrada, os passos ecoam nas paredes e o barulho das motoretas trepa até ao telhado.

Saio e mergulho nas arcadas de Bolonha,
são 38 km de arcadas só no centro histórico. Aqui o chapéu de chuva é superfulo.

Caminho ao longo da Via Emilia, no sentido contrário ao da Torre Asinelli.
Recentemente, Bolonha foi devolvida às pessoas e aos transportes públicos, o alto da Torre vê-se agora na perfeição, sem smog pelo meio

Espero o autocarro.

Espero...

Chega atrasado,
estamos em Itália...

quinta-feira, agosto 30, 2007

A Melhor Juventude

"A Melhor Juventude" de Tullio Giordana pode ser visto como uma parábola da história de Itália desde o pós-guerra até aos nossos dias, através da vida de dois irmãos, Matteo e Nicola, e da bela Giorgia, uma jovem doente mental (será ela a Itália?). Nicola é um psiquiatra que se vai dedicar a tentar curar Giorgia e Matteo entra nas fileiras da polícia tentando à sua maneira curar uma Itália enferma pelas actividades das máfias regionais e empresariais. Durante os 383 minutos de filme (dividido em duas partes), acompanhamos os principais acontecimentos da história recente de Itália que vão servindo de pano de fundo ao desenrolar das vidas de Nicola e Matteo, das cheias de Florença à luta contra as máfias sicilianas, passando pelas inevitáveis Brigadas Vermelhas. No episódio das Brigadas Vermelhas, o filme tem a virtude de mostrar a capacidade do marxismo para mergulhar num estado de profunda estupidez e de ódio pessoas dóceis e inteligentes.
A narrativa do filme não é meiga para o polícia Matteo, talvez porque a luta contra a criminalidade organizada seja uma luta inglória, luta essa em que a polícia em vez de controlar parece ser ela controlada pelas grandes redes mafiosas empresariais.

"A Melhor Juventude" é uma obra-prima do cinema italiano, com excelentes interpretações, entre as quais destaco a de Alessio Boni (Matteo) e é sobretudo uma obra que ajuda a combater um dos males resultante do imediatismo das nossas sociedades actuais: a memória curta.

Curiosidade mórbida: este excelente filme foi transmitido pela RTP cerca da uma e meia da manhã...