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quinta-feira, junho 16, 2011

A escravidão moderna na Ryanair

Já aqui defendi que a Ryanair deveria ser colocada na lista negra de companhias aéreas elaborada pela União Europeia. Este testemunho de uma hospedeira da Ryanair é muito ilustrativo das práticas abusivas e escravizantes da empresa. Por muito, menos outras empresas já foram multadas e punidas na justiça.
Se razões faltassem ao caríssimo leitor, eis mais uma para não voar na Ryanair.

domingo, março 27, 2011

Subcontratação, precariedade e insegurança no sector nuclear

(publicado no portal Esquerda.net)

Os três trabalhadores japoneses contaminados – dois deles hospitalizados – por uma fuga de água altamente radioactiva no reactor 3 da central de Fukushima eram trabalhadores subcontratados. Os avisos dos respectivos dosímetros não foram respeitados, tendo os trabalhadores sido sujeitos a doses entre os 170 e os 180 mSv, perto da dose limite diária de 250 mSv para a qual se verificam sintomas físicos imediatos.

Desde o início das operações de controlo da temperatura dos reactores, 14 trabalhadores da Tepco receberam doses acima dos 100 mSv, a dose limite típica a que um trabalhador do sector nuclear poderá estar sujeito durante um ano. A estes juntam-se mais de uma dezena de trabalhadores feridos e um morto aquando das explosões dos edifícios dos reactores.

Todos estes acidentes aconteceram num quadro de operações de urgência e de desespero, em que as regras de segurança deixam de ser uma prioridade, onde o voluntarismo inconsciente anda de mão dada com a falta de transparência de quem dirige as operações.

Em Chernobyl também foi assim, embora a escala fosse outra. Cerca de 500 mil “liquidadores” – assim apelidados os bombeiros, os militares e todos os civis que participaram nas operações após o acidente – estiveram sujeitos a doses de radiação extremamente elevadas. Foram mais de 4 mil os que morreram como consequência directa da irradiação, dezenas de milhares contraíram doenças crónicas que os incapacitaram para sempre e que provocaram a sua morte prematura através de causas indirectas, não relacionadas com a radiação em si. Poderia pensar-se que os trabalhadores das centrais nucleares só estão sujeitos a estes níveis de perigosidade nos casos excepcionais em que ocorrem acidentes muito graves. Infelizmente assim não é.

Recentemente uma reportagem da La Une belga denunciou uma situação intolerável de subcontratação de trabalhadores no sector no nuclear (começa aos 1:18:30 do vídeo do programa disponível na internet). Estes trabalhadores fazem o trabalho mais perigoso, recebem salários pouco superiores ao salário mínimo, suportam doses bem acima de qualquer um dos funcionários da central e como se pode verificar na reportagem têm acontecido acidentes (1:23:10 de programa) incapacitantes para estes trabalhadores, que posteriormente não têm quem acusar nos tribunais.

Não admira que as estatísticas de saúde dos funcionários permanentes da central revelem excelentes resultados, não são estes quem faz o trabalho sujo, em especial as entradas no ambiente altamente radioactivo dos reactores durante as paragens para manutenção. Grave também é verificar que são atribuídas a estes trabalhadores subcontratados responsabilidades fundamentais para a segurança da central, responsabilidades essas que deveriam ser dos quadros da central, e mais preocupante ainda é constatar a pressão a que estes trabalhadores estão sujeitos para produzir bons, embora falseados, relatórios de segurança.

domingo, março 20, 2011

Subcontratação no sector nuclear

Esta reportagem da La Une belga mostra uma situação intolerável de subcontratação de trabalhadores no sector no nuclear (começa aos 1:18:30 do programa). Estes trabalhadores fazem o trabalho mais perigoso, recebem salários pouco superiores ao salário mínimo, suportam doses bem acima de qualquer um dos funcionários da central e como se pode verificar têm acontecido acidentes (1:23:10 do programa) incapacitantes para estes trabalhadores, que frequentemente não têm quem acusar nos tribunais. Não admira que nas estatísticas de saúde dos funcionários da central sejam apresentados excelentes resultados, não são estes quem faz o trabalho sujo.

Grave também é verificar que estes trabalhadores subcontratados e pouco qualificados têm responsabilidades fundamentais para a segurança da central, responsabilidades essas que deveriam ser dos quadros da central, e mais preocupante ainda é perceber a pressão a que estes trabalhadores estão sujeitos para produzir bons relatórios de segurança.

segunda-feira, maio 03, 2010

Nas nuvens



Não é fácil, nem habitual realizar filmes cujo tema é o trabalho. Este "Nas nuvens" de Jason Reitman, o realizador de Juno, junta-se ao grupo restrito de filmes muito interessantes que reflectem sobre o emprego. "Nas nuvens" conta a história de um quadro de uma empresa de despedimentos, uma empresa paga para substituir o empregador no acto do despedimento. Ryan Bingham (George Clooney) percorre a América de lés a lés em registo glamour, percorrendo aeroportos, dormindo em hotéis de luxo, conduzindo grandes bólides, pago a peso de ouro para despedir. Este glamour rima com um cinismo que fazem de Ryan um homem orgulhosamente só, cujo o objectivo principal é atingir 10 milhões de milhas no seu cartão de passageiro frequente. A narrativa flui deliciosa e inteligentemente entre a futilidade e o luxo da vida de Ryan e o desespero dos novos desempregados, entre os amores efémeros de Ryan e as vidas destruídas de trabalhadores que dedicaram décadas da sua vida a uma empresa. No entanto, uma nova recruta da empresa vem perturbar a doce monotonia de Ryan...

Espero ter dado argumentos suficientemente sólidos às leitoras Klepsýdra para convencerem os seus parceiros a deslocarem-se ao cinema ver o George Cloon... opps!... ver este "Nas nuvens", digo. ;)

sexta-feira, abril 17, 2009

Sinais dos tempos: Manifestação no Mónaco




Não, não estamos todos a sonhar é mesmo uma manifestação no Principado do Mónaco por mais direitos sociais, contra a precariedade, por melhores salários, etc., uma manif como deve ser, com bandeirinhas vermelhas e tudo, que desfilou entre Ferraris e Aston Martins.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

Several million "green jobs"

Ler "A Different Recession" de Harold Meyerson no The Washington Post (registo gratuito). Extracto do texto:

"As in Roosevelt's time, we need a policy that boosts incomes and finds new solutions for our energy needs. FDR's long-term income remedies included Social Security, the Wagner Act (which made it possible for many workers to join unions) and public works projects -- including a massive electrification of rural America. A comparable set of solutions today would include the passage of the Employee Free Choice Act, which would enable workers in nonexportable service-sector jobs to unionize without fear of being fired. It would include a massive, federally financed program to retrofit America, creating several million "green jobs" in the process."

segunda-feira, março 19, 2007

Depois digam que a culpa é da Europa...

É escandalosa a situação dos ex-trabalhadores da Companhia Portuguesa do Cobre que continuam com verbas avultadas para receber por o Estado ter aplicado só em 2000 a directiva comunitária dos anos 80 que obriga à criação do Fundo de Reserva de Garantia Salarial. A legislação vigente em 1996, na altura da falência, dava prioridade às dívidas aos bancos. Os bancos receberam, os trabalhadores também não...