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quinta-feira, junho 21, 2012

Checo para totós

Pronunciar os nomes dos jogadores checos parece uma trivialidade, mas não é. Vamos lá a uma pequena lição para leigos e comentadores (e que grandes calinadas ouvimos dos comentadores):

Petr Čech = Pétr Tcherr (ch em checo pronuncia-se como o ch duro em alemão; as vogais são todas abertas)
Tomáš Sivok = Tómáásh Civok (š = sh; as vogais acentuadas são longas)
Jaroslav Plašil = Iaroslav Plashil (j=i)
Václav Pilař= Vatslav Pilarj (c=ts e ř=rj)
Petr Jiráček= Petr Iiráátchek (č=tch)

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Tomáš Rosický= Tomash Rozitskii
Daniel Kolář= Daniel Kolarj

Por favor não digam mais Roziqui ou Petr Chéche...

terça-feira, dezembro 20, 2011

Homenagem a Havel

Václav Havel (lê-se Vatslav, c=ts) é sobretudo sinónimo de coragem. Contra o regime comunista legitimado pelos tanques soviéticos, Havel foi reunindo em torno de si de uma forma mais ou menos caótica dissidências várias da sociedade checoslovaca que agrupava desde católicos a trotsquistas, apesar da permanente perseguição e das passagens pela prisão de que foi alvo. Quando a URSS começou a vacilar, foi com a mesma coragem que Havel apareceu nas primeiras linhas da contestação, quando ainda era incerto se uma nova vaga de tanques soviéticos pudesse voltar a intervir ou não.
Todos estes episódios são relatados com muito humor nas memórias de Havel, "To the Castle and Back", sobretudo quando descreve o estoicismo burocrático dos funcionários do PC checo bem como os delírios fanáticos dos ultraliberais que seguem o actual presidente Václav Klaus.
Mas Havel, é também um exemplo de um grande europeísta, daqueles que fazem falta na Europa nos dias de hoje. O seu primeiro discurso perante o Parlamento Europeu em 1994 não poderia ser mais actual. Havel apela à construção de uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e à eleição directa pelos cidadãos europeus de um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19).
Havel, o checo enfezado que costumava passar férias no Algarve, vai deixar muitas saudades.

terça-feira, novembro 17, 2009

Havel sobre o anti-comunismo tardio

No dia dos 20 anos revolução de veludo, eis uma brilhante passagem do livro de Havel, "To the Castle and Back", pag. 115, numa clara alusão ao anti-comunismo doentio e de circunstância do actual presidente Vaclav Klaus.

"Shortly after the revolution and the arrival of freedom, a very special kind of anticommunist obsession established itself in public life. It was as though some people - people who had been silent for years, who had voted obediently in communist elections, who had thought only about themselves and had been careful not to get into trouble - now felt the sudden need to compensate in some aggressive way for their humiliation. And so they took aim at the people who least held it against them, that is, the dissidents. (...) at a time when dissidents appeared to be a tiny group of crazy Don Quixotes, the aversion to them was not as intense as it was later, when history had proven them right. Ultimately, many new anticommunists vented more anger against the dissidents than against the representatives of the old regime.

(..) this ideology revealed a lot about itself in a recent article claiming that the dissidents played no special role in the fall of communism because communism was brought down by "normal" citizens behaving conventionally, that is, by putting their own private interests first, which means that they may have stolen the occasional brick from a building state."

terça-feira, novembro 03, 2009

Havel sobre os delírios de Vaclav Klaus

No dia em que Vaclav Klaus assinou o Tratado de Lisboa e a República Checa abandonou o regime presidencial forçado em que viveu nas últimas semanas, vale a pena ler como ex-presidente Vaclav Havel descreve o actual presidente da República Checa:

"In the news Vacláv Klaus was offended on behalf of the whole country by the response of some members of the European Parliament to his comments on the European constitution than he was offended once again, this time because foreigners are mucking about in our Czech pigsty. (...) For those not in the know, some background: during the World War II a concentration camp for the Roma [ciganos] was built in the South Bohemia. (...) The Roma, rightly, see this place as a memorial site, and they find it intolerable that a mega pig farm is standing on the spot today. For years there has been a discussion in our country about the subject. (...) The European Parliament passed a resolution on the Roma and the solving of their problems that makes reference to the Czech pig farm and recommends that it be relocated.
And that is what offended Václav Klaus: such gross interference into our purely Czech affairs! We'll look after our own little Czech pigsty ourselves, and we're not remotely interested in any assistance from outsiders! And in any case - that Czech concentration camp wasn't really much of a concentration camp; it was only a place to put those who didn't want to work!
When one hears this, one is overcome with a secret longing that democratic, educated, and cultured Europe will meddle as much as possible in our Czech affairs. It is demonstrably in our own interests."
"To the Castle and Back", Vaclav Havel, pag. 133.

Convém relembrar que Vasco Pulido Valente classificou recentemente Klaus como um liberal. Percebe-se bem a concepção de liberal que há neste país...

Tratado de Lisboa aprovado na Rep. Checa

A fuga para a frente do presidente anti-europeísta Vaclav Klaus não deu em nada como se esperava, o Tribunal Constitucional Checo considerou o Tratado de Lisboa conforme com a lei checa. Fica o registo do abuso de poder e do populismo praticado por Klaus durante este processo denunciado por Vaclav Havel, entre outros.

Confirma-se o que havia escrito aqui àqueles amigos de esquerda que estavam contra o Tratado Constitucional. A não aprovação deste teve como consequência um deslocamento do texto do novo tratado para uma versão ligeiramente mais à direita do que a original. Apesar de tudo, este tratado teve uma expressiva aprovação de quase toda a esquerda europeia e vai permitir melhor participação dos cidadãos, reforçar os poderes do Parlamento Europeu e conter mais os caprichos soberanistas e populistas de alguns chefes de estado.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Havel sobre Klaus

Vale a pena ler as justas críticas de Vaclav Havel - o maior combatente contra o totalitarismo comunista da Checoslováquia - ao actual presidente Vaclav Klaus sobre os expedientes anti-democráticos de que este tem feito uso para impedir a ratificação do Tratado Simplificado. Klaus é aquilo que se pode designar como um órfão do Bushismo, um anti-europeísta primário, ultra-liberal, que respeita muito pouco a democracia e as instituições democráticas, muito na linha populista dos irmãos Kachinsky da Polónia.

quinta-feira, abril 23, 2009

Vaclav Havel sobre a mão invisível

Uma das passagens interessantes de que tomei nota na minha leitura de "To the Castle and Back" de Vaclav Havel. Respondendo a uma questão sobre a transição do comunismo para a economia de mercado na República Checa:

"What bothered me most, however, was the fact that I found a lack of conceptual vision, not only in the economy, but in our very understanding of what the state should be. "The invisible hand of the market" was supposed to take care of everything, but there are things that simply can't take of, and I would even say that this glorious "invisible hand" is occasionally capable of committing some highly visible crimes" pag. 159.

sexta-feira, março 27, 2009

Saudades de Havel

Ando a ler "To the Castle and Back", um livro de memórias de Vaclav (pronuncia-se Vatslav) Havel, e por mero acaso estava a ler a passagem sobre o seu primeiro discurso ao Parlamento Europeu em 1994 quando tomei conhecimento do ridículo discurso do primeiro-ministro Topolanek sobre as medidas de Obama para combater a crise. O seguidismo atlantista não tem limites, mesmo depois de Bush, de Palin e de Rumsfeld terem sido varridos da política americana. Vale a pena ler a caracterização do discurso de Topolanek feita pela Ana Gomes. O discurso de Havel de 1994 contrasta fortemente com os discursos no Parlamento Europeu de Topolanek e do presidente Vaclav Klaus, um político do nível de Alberto João Jardim. Nas palavras de Havel de 1994 há o desejo de construir uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e elegendo um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19). O discurso de Havel é um verdadeiro discurso de estadista, mas estadista é coisa que neste momento não existe na Rep. Checa. Os discursos de Klaus e de Topolanek são discursos típicos de bloguistas assanhados, de café de esquina, de velhos casmurros que nunca saíram da sua capelinha e têm raiva de tudo o que não conhecem. O discurso de Topolanek só tem uma coisa positiva, é que o seu governo vai ficar a ver por um canudo o radar anti-mísseis americano. É um duplo castigo depois de ter perdido as eleições regionais em todo o país em grande medida por querer impor o mesmo radar à revelia da população.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Srpen 68

A 21 de Agosto de 1968, o fotógrafo checo Josef Koudelka tinha acabado de chegar de um périplo fotográfico sobre a vida dos ciganos nos países de leste. Os tanques do Pacto de Varsóvia, bem obedientes ao poder de Moscovo, entraram na Checoslováquia com o objectivo de "libertar" o povo checo das decisões "políticas reaccionárias" do governo de Alexander Dubček.
Durante os longos dias em que os tanques soviéticos permaneceram em Praga, Koudelka tirou milhares de fotografias. Algumas delas foram publicadas no ocidente sob o nome "anónimo de Praga". Alguns anos mais tarde, Koudelka conseguiu um visto para o ocidente para expor o seu trabalho sobre os ciganos e só voltou à Checoslováquia depois da Revolução de Veludo.
Koudelka publica agora cerca de uma centena das suas melhores fotos neste Invaze 68, assinalando os 40 anos da ocupação da Checoslováquia. Koudelka expõe actualmente as fotos na Câmara Municipal de Praga. Vista a exposição, recomendo-a vivamente aos amigos que ainda acham que o marxismo é recauchutável.

segunda-feira, maio 19, 2008

I served the king of England



"I served the king of England", a nova obra de Jiří Menzel, vencedor do Oscar do melhor filme estrangeiro em 1967 com o filme "Comboios Rigorosamente Vigiados", é uma deliciosa comédia em registo ingénuo que retrata a vida de um empregado de mesa de Praga durante os conturbados tempos da anexação nazi até ao fim da segunda guerra mundial. Tal como a sua obra de 67, este "I served the king of England" é uma adaptação ao cinema de um livro de autoria do escritor checo Bohumil Hrabal.
Este filme invulgar representa com muito humor e imaginação as relações de poder entre ricos e servidores, os excessos da dolce vita e a pequena rivalidade mesquinha dos que tudo fazem para cair na graça dos poderosos.
Mas a minha parte preferida do filme é a forma como é retratada a ocupação nazi. Num registo ingénuo lapidar (um pouco ao estilo de La Vita è Bella de Begnini), os delírios da ideologia nazi são correspondidos com um humor delirante, diria mesmo estratosférico, como a cena do passeio à beira do Vltava com a sua namorada bávara em que esta lhe explica de uma forma romântica o problema de namorar com um indivíduo de uma raça inferior ou ainda a cena dos mutilados de guerra no centro de reprodução nazi.
A salientar ainda a grande prestação do actor búlgaro Ivan Barnev.

sexta-feira, março 28, 2008

Vaclav Havel prefere Hillary Clinton

Não deixa de ser significativo que Václav Havel (ler VaTSlav e não VaKlav), um dos subscritores da carta dos oito governantes europeus que em 2003 apoiaram a intervenção no Iraque, tenha declarado esta semana à principal cadeia de televisão pública da República Checa que a sua preferência entre os candidatos à Casa Branca vai para Hillary Clinton. Significa isto que Havel se coloca no campo dos democratas no que toca à política de ocupação do Iraque, afastando-se definitivamente da sua posição de 2003.