Mostrar mensagens com a etiqueta segurança social. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta segurança social. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, junho 11, 2012

Proteção e redes sociais em tempos de crise

Proteção e redes sociais em tempos de crise é o assunto da minha crónica de hoje no Pontos de Vista da Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Quem mais precisa


A minha coluna da passada quinta-feira no jornal As Beiras:

Os sacos de plástico que pendem das mãos são de um supermercado de produtos baratos, os carros estacionados de baixa cilindrada, em segunda ou terceira mão. Estamos longe das fantasias do CDS, dos beneficiários de rendimento mínimo com piscina e Mercedes à porta. Neste bairro social do concelho da Figueira, os habitantes cuidam da amostra de jardim que torna mais ameno o espaço entre as caixas de betão onde vivem. São simpáticos com os vizinhos e transeuntes, mas poderiam não ser dada a elevada taxa de desemprego e de abandono escolar. Vem-me à memória os tempos em que vivi perto de uma violenta cité francesa.
Investigue-se até às últimas consequências a Figueira Domus, proteja-se quem denunciou e tentou mudar más práticas, mas não percamos de vista quem mais precisa.

domingo, janeiro 24, 2010

Certificação de empresas social e ambientalmente responsáveis

(Publicado no portal Esquerda.net)
Em Filadélfia, nos EUA, foi criada a certificação "B", da palavra benefit, para distinguir os benefícios gerados por contributos sociais e ambientais das empresas. Este certificado B é atribuído após uma inspecção realizada por um painel constituído por 8 consultores independentes que analisa a empresa segundo cerca de 200 critérios que cobrem aspectos relacionados com: a comunidade, os trabalhadores, o ambiente, os fornecedores e os clientes. Grosso modo esses critérios encerram em si as seguintes questões fundamentais:

- A empresa integra explicitamente benefícios ambientais e sociais entre os seus objectivos?

- A empresa partilha toda a informação financeira (excepto informação dos salários) com os seus empregados?

- Quais os responsáveis da empresa que serão avaliados em função do cumprimento dos objectivos sociais e ambientais?

- As contribuições políticas e as participações em grupos de pressão são realizadas de uma forma aberta e transparente?

Por exemplo, uma empresa com certificado B recorre geralmente a fornecedores locais (limitando as emissões de CO2 relativas ao transporte) e contrata trabalhadores provenientes de bairros menos favorecidos situados nas proximidades. No entanto, as actividades destas empresas devem estar devidamente enquadradas por boas práticas de transparência. Os relatórios de contas deverão ser exaustivos e claros, bem diferentes dos relatórios fantasiosos do mundo financeiro durante o clima optimista que precedeu a presente crise financeira. Auditorias aleatórias e rigorosas verificam se estas empresas cumprem de facto o que é declarado.

O processo de reconhecimento deste certificado começou na cidade de Filadélfia, mas está neste momento em curso alargamento a seis estados dos EUA, para que todas as empresas beneficiem da parte da administração estadual de reduções de taxas, de impostos e de outro tipo de incentivos. No entanto, estas empresas registam já benefícios que se traduzem na fidelização da sua clientela e na sua integração em redes orientadas para o serviço social que reduz custos de operatividade.

Eis alguns dos resultados conseguidos até ao presente entre as empresadas com certificado B:

  • 72% recorrem a energias renováveis ;

  • 51% aplicam políticas de utilização de transportes públicos e de partilha de automóveis entre os seus empregados;

  • 82% participam em programas de voluntariado nas comunidades locais;

  • 74% são parceiras de associações locais de caridade, atribuindo donativos de cerca de 10% dos seus lucros;

  • 90% são propriedade de empresários locais, cuja percentagem de proprietários mulheres e pertencentes a minorias étnicas é três vezes superior à média;

  • 44% aplicam políticas de partilha de propriedade da empresa com os seus trabalhadores.

quinta-feira, outubro 30, 2008

O Modelo Social Europeu em Dresden


Dresden, Saxónia, Alemanha (Outubro de 2008)

Este ano o Nuclear Science Symposium decorreu em Dresden, em território da ex-RDA. O ano passado participei na edição de 2007 do mesmo congresso que decorreu no Havai. Algumas recordações tristes ficaram, como aquelas dezenas de velhinhos a invadir um jardim público no centro de Honolulu disputando este e aquele canto para ali passarem a noite, ou a gigantesca cidade de tendas e rulotes a norte de Pearl Harbor ou ainda famílias inteiras a utilizar os balneários das praias como se fosse uma casa de banho privada. Estava num país da OCDE, mas aquilo parecia o terceiro mundo.

Este ano em Dresden, ex-RDA, ex-território do socialismo real, apesar de aqui e ali se verem alguns vestígios do passado, alguns prédios standard do socialismo, dos que se vêem de Bratislava até Pequim, deparei com uma cidade equilibrada, sem a ostentação novo-riquista e sem bolsas de pobreza visíveis a olho nu. Foi para ali que foi uma parte do PIB da UE durante os últimos 15 anos, para as pessoas, para o concreto, enquanto nos EUA o PIB servia para engordar Wall Street e o Lehman Brothers. O desemprego na Saxónia é elevado, bem acima dos 10%, mas os habitantes de Dresden têm hoje a sua cidade finalmente reconstruída da II Guerra Mundial e, mais importante ainda, sabem o que os espera quando tiverem 65 anos. Uma coisa é quase certa, não vão terminar os seus dias a disputar um lugar num jardim público, mesmo que a vida não corra lá muito bem.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

O Modelo Sicko Americano


A explicação da baixa diminuição do número de "mortes evitáveis" do gráfico publicado no Ladrões de Bicicletas, apesar da elevada verba gasta em cuidados de saúde nos EUA, é nos dada com muita clareza por Jeremy Rifkin:

"When it came to evaluating the fairness of the countries' health care, the US ranked 44th, or the last place among the OECD nations.
(...) the United States spends more per capita for health care than any other nation of the world, according to the OECD - $4,900 per person in 2001. Most of the increased cost is attributable to the high administrative costs and margins associated with running a for-profit health-care system. Moreover, because so many millions of Americans are ininsured, they cannot afford preventive care and do not attend to an illness at the outset. Waiting until the ilness has advanced to a crisis increases the medical cost significantly (...) this is a perfect example of the disconnect between the measure of pure economic activity, reflected in the GDP, and the quality of life a society enjoys."

"The European Dream: How Europe’s Vision of the Future is Quietly Eclipsing the American Dream", Jeremy Rifkin, ed. Polity, 2004, pag. 80

segunda-feira, novembro 19, 2007

O Modelo Sicko Americano

Na downtown de Honolulu, por volta das nove e meia da noite, os pobres começavam a ocupar os bancos, os cantinhos, os pedaços de relva para dormir. Eram muitos, muitos mesmo, como já perdemos a memória na Europa. A maior parte eram pessoas de idade, e brancas, que deveriam estar na reforma, mas que aqui chegaram ao fim dos seus dias sem sequer um tecto para dormir.

À minha frente uma senhora vai empurrando um carrinho das compras cheio de tralha, aquela tralha é tudo o que lhe resta após uma vida de trabalho.

Ao meu lado um senhor idoso, obeso, bebe fanta. Nos EUA, a fanta é mais barata do que uma garrafa água, mas tem o ligeiro problema de fazer engordar. Ele fez a opção possível, tecnicamente a única possível.

Junto às praias paradisíacas de Waimea, Mokuleia, Kahana e Kailua, amontoam-se caravanas e tendas que são a residência de famílias inteiras que aproveitam os balneários das praias como casa de banho.

Na costa Oeste de Oahu, ao longo da faixa costeira, longe dos roteiros turísticos, existe um gigantesco "bairro da tenda", uma espécie de bairro da lata composto por tendas de campismo.

Na Europa também temos muitos pobres. Em média, os nossos pobres vivem talvez com menos 100$ por mês do que os pobres americanos, mas não vivem assim, não estão excluídos do sistema desta maneira, não sofrem do mal de falta de tecto de uma forma tão generalizada. E o que vi em Honolulu é tão mau como o que vi em Los Angeles, embora consideravelmente pior do que Washington ou Nova Iorque. Mas a pobreza aliada à exclusão é uma constante das downtowns americanas que visitei, a um nível que começa a ser raro ver-se deste lado do atlântico, mesmo nos sítios piores, como na baixa do Porto, por exemplo.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Sobre as bolsas de investigação

O nosso leitor Pedro Andrade, sobre a questão das bolsas para investigadores, faz-nos a seguinte pergunta:

não será difícil pedir direitos quando estes para as restantes pessoas começam a desaparecer?

Os direitos a que me referi são tão básicos que julgo que ninguém no seu perfeito juízo os contesta. Se não damos condições às pessoas para poder ter filhos e cuidar deles, estamos a contribuir para o colapso da sociedade. Ainda por cima estamos a falar de um grupo de pessoas bastante dinâmicas, logo a sociedade tem todo o interesse em velar para que possam viver condignamente. Infelizmente isso não acontece. Não acontece a meu entender por incompetência, incúria, autismo e desorganização dos governantes responsáveis. A anterior equipa de Pedro Lynce tinha um pouco de tudo isto. Nos países em que há uma aposta clara na ciência e na tecnologia este tipo de aberrações não existem. Existe sim uma aposta em cativar pessoas competentes e não uma política de irresponsabilidade permanente em relação àqueles que podem trazer uma mais valia importante à sociedade. Por isso julgo que os nossos políticos da direita à esquerda não teriam grandes problemas em normalizar as condições de vida dos bolseiros às existentes nos outros países mais desenvolvidos. O problema é que isso dá trabalho e às vezes prefere-se perder semanas a brincar com despachos para safar a filha do amigo do que para servir os investigadores, os estudantes ou a sociedade em geral.