Mostrar mensagens com a etiqueta Médio Oriente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Médio Oriente. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, maio 30, 2012

Um passo à frente outro atrás

Na Arábia Saudita, uma mulher num centro comercial desafia uma brigada dos bons costumes quando abordada por mostrar o cabelo e por pintar as unhas.
Na Ucrânia, as claques mais radicais exibem o seu antissemitismo e o seu racismo com todo o à-vontade, com a complacência das autoridades.
Sinais dos tempos que correm.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Quando o Dubai foi modelo do ultraliberalismo

Neste texto de Pacheco Pereira em que se nega a crise mundial insinuando que a crise atinge apenas os EUA e a Europa e não a Ásia, onde a mesma Ásia surge como um exemplo de maior purismo ideológico ultraliberal (embora não perfeito), aparece ali no cabeçalho com grande pompa a torre Burj do Dubai. Este tipo de ideias foram reproduzidas por outros blogues que seguem a ideologia expressa no Abrupto mas com muito menos brilhantismo. Uns viajaram ao Médio Oriente e ficaram maravilhados, outros limitaram-se a pendurar nos seus blogues belas imagens do esplendor do Dubai. No entanto, já nessa altura os mercados financeiros do Dubai estavam em grandes dificuldades, mas a distracção é tal... E foram os mesmos mercados financeiros, o cerne da filosofia ultraliberal, os principais responsáveis pela crise e pela implosão do Dubai. Com mais ou menos impacto a crise alastrou-se fortemente a todos os principais mercados financeiros da Ásia e hoje mesmo mercados como o de Singapura estão em sérias dificuldades.

Tentar ver no Dubai um exemplo foi a fuga para a frente possível na altura. Hoje a realidade é mais complicada. Começa a ser cada vez mais difícil sustentar a orientação das economias em função dos caprichos dos mercados financeiros.

sexta-feira, novembro 27, 2009

O estoiro do Dubai


(foto BBC)

A crise já tinha batido forte no Dubai, a principal praça financeira do Médio Oriente, mas desta vez os sinais são fortes de que o rei vai nu. Depois de ter praticamente esgotado as suas reservas de petróleo, o principal consórcio do Dubai do sector financeiro solicitou um adiamento de pagamento de dívidas. A situação é de tal modo grave que foi suspensa a construção em curso da maior torre do mundo, aquele que seria o símbolo da pujança económica do Dubai.
É mais um rude golpe para os nossos fundamentalistas da fé no mercado que viam nas praças do Médio Oriente um purismo ideológico que os americanos já teriam desvirtuado. Adivinham-se explicações complicadas para justificar os absurdos do ultra-liberalismo.

segunda-feira, março 09, 2009

Fundador da Al Qaeda critica Bin Laden

A crise das críticas dos dissidentes não se resume ao PS, PSD e PCP, estende-se à própria Al Qaeda. Via Courrier International, encontrei um artigo que vale a pena ler de uma ponta à outra publicado por David Blair no Telegraph onde são relatadas as críticas do Dr. Fadl (ex-Al Qaeda) a Osama bin Laden, onde Fadl acusa Osama de cada gota de sangue derramado no Iraque e no Afeganistão. É certo que Fadl está numa prisão no Egipto, e sabemos que um bastão e uns eléctrodos são capazes de fazer milagres, mas a resposta de 200 páginas elaborada por Zawahiri é um forte indicador que as críticas de Fadl são genuínas.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Onde está a esquerda Israelo-Palestiniana?



Durante a minha vida de nómada europeu convivi com refugiados israelitas palestinianos ateus, israelitas católicos, com libaneses muçulmanos, libaneses ateus, palestinianos muçulmanos e sei lá que mais! Amizades duradouras, amizades fugazes, colegas de trabalho e co-autores de artigos científicos ouvi-os durante anos sobre a questão israelo-palestiniana. Algumas das histórias eram duras e deixaram sequelas físicas. As opiniões sobre o conflito eram diversas, mas eram comuns num ponto: a solução não passava pela disputa da fronteira ao centímetro e só poderia ser de cariz diplomático.

Até hoje, a única ocasião em que essa solução foi conseguida deve-se ao esforço quer da esquerda palestiniana quer da esquerda israelita. Por muito criticáveis que sejam, o que é certo é que Rabin ou Arafat conseguiram (com ajuda, mas a diplomacia é assim mesmo) o que mais ninguém conseguiu. Desde então, Rabin foi assassinado por extremistas fanáticos cujo objectivo de boicotar o processo de paz foi plenamente conseguido e Arafat morreu deixando caminho livre à extrema-direita e aos fanáticos do Hamas (preferia não ter razão, caro Francisco). Com a direita dura, a extrema-direita e os fanáticos quase todos no poder em Israel e na Palestina, a guerra a meio-gás é a solução ideal para se perpetuarem no poder. E a vitimização é uma arma que ambas as partes empregam com maestria. Eles sabem muito bem o que fazem. Os mísseis de Israel dão votos ao Hamas e os rockets do Hamas dão votos à direita dura e 'a extrema-direita israelita. Aliás, não me admirava nada se o espectro político das duas partes se deslocasse ainda mais para a direita. Há bem pior do que o Kadima em Israel e dentro do Hamas há quem considere os actuais governantes como traidores. E é exactamente a palavra traidor que tem sido a palavra-chave dos extremistas. Segundo o seu assassino Rabin era um traidor e Arafat sempre foi um traidor para o Hamas (apesar de estes terem sido apoiados por Israel). Todos os que tentarem um processo de paz naquela zona serão forçosamente traidores. É uma lógica que só deixa de fora do conceito de traidor os mais sanguinários e os mais fanáticos, esses serão sempre virgens puras intocáveis.

A região entrou num processo de retro-realimentacao positiva que desloca sucessivamente o espectro partidário para o fanatismo e a ortodoxia, que cultiva a paranóia colectiva e a vitimização. Para além de uma intervenção da ONU, só vejo uma solução para quebrar este ciclo vicioso. Seria algo como uma união das esquerdas israelo-palestinianas e da minoria de direita que acredita na diplomacia num programa político comum para a resolução do conflito; num compromisso de paz pré-eleitoral que deixasse apeados os amigos dos mísseis e dos rockets, que os isolasse. Assim cada rocket e cada míssil disparado antes das respectivas eleições teria um valor político muito mais reduzido. A esquerda europeia poderia dar uma valiosa ajuda nesse difícil combate interno, sobretudo depois da eleição de um presidente dos EUA de "esquerda". Convém relembrar que foi justamente com um presidente americano de "esquerda" que Rabin e Arafat assinaram os acordos de Oslo.

terça-feira, janeiro 15, 2008

20 000 000 000 $ em armas para Sauditas

Cerca de 20 mil milhões de dólares em vendas de armas ao regime mais criminoso do mundo é a verdadeira cartada "diplomática" do presidente Bush no Médio Oriente. O resto são fotografias para crentes e acólitos da Administração Bush. O grosso da fatia do negócio envolve mísseis Patriot e kits para bombas telecomandadas (Joint Direct Attack Munitions).
Os EUA andam a armar até aos dentes a Arábia Saudita - um dos 10 países do mundo que mais gasta em armas (foto AP/BBC). Resta saber a quem será destinado todo esse arsenal. Concordo com a opinião de uma parte do Congresso americano que considera mais provável os alvos poderem ser os próprios EUA e Israel...

quarta-feira, novembro 21, 2007

Relembrar as mentiras sobre ADM no Iraque

Há mais de dois anos comentei aqui o livro "Disarming Iraq" da autoria de Hans Blix, o coordenador das inspecções de armas de destruição em massa (ADM) no Iraque. Dois anos depois o livro não perdeu a actualidade. Transcrevo a minha entrada de então:

Durante o processo de inspecções do Iraque lideradas por Hans Blix existiu uma constante pressão da administração Bush para montar um cenário de uma suposta ameaça apocalíptica da parte do Iraque sobre o mundo ocidental, os EUA e Israel em particular. Esse cenário em que supostamente armas de destruição em massa (ADM) estariam prontas a ser disparadas em 45 minutos nunca foi verificado por qualquer observação dos inspectores no Iraque liderados por Hans Blix, nem pelos melhores especialistas mundiais de ADM (Departamento de Energia dos EUA, DE; Institute for Science and International Security, ISIS; e Agência Internacional de Energia Atómica, AIEA). Por outro lado a tentativa de montar um cenário apocalíptico por parte dos EUA e do Reino Unido não é uma simples opinião política, essa tentativa foi bem real, está documentada e registada e ironicamente acabou por obter resultados em países em que existe um défice de consciência crítica e de falta de rigor dos políticos em assuntos de carácter científico, como em Portugal.
Hans Blix no seu livro "Disarming Iraq" descreve com detalhe e de uma forma muito fundamentada as ilusões que a propaganda americana e britânica impingiram ao mundo com algum sucesso. Depois do anúncio da comissão americana de inspecções de armamento no Iraque de que não existiam ADM, todos os argumentos apresentados pela administração Bush parecem hoje particularmente ridículos e falsos. No entanto convém recordar os argumentos que sustentaram a existência de ADM no Iraque, para que não caiam no esquecimento:

1- Uma ogiva para explosivos de fragmentação para mísseis de curto alcance encontrada numa sucata de uma fábrica encerrada e decadente. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Não foi encontrado qualquer vestígio de agentes químicos ou biológico na ferrugem dos restos da ogiva.

2- Um drone com um raio de acção de controlo a partir do solo de 8 km, cuja capacidade de carga útil era inferior a 20 kg. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Com uma carga útil de 20 kg e um raio de controlo de 8 km deveria ser para matar pássaros na periferia de Bagdad...

3- Tubos de alumínio para enriquecimento de urânio por centrifugação - Foram comprados ilegalmente, mas serviam para a construção de foguetes. O DE e AIEA declararam vezes sem conta que aqueles tubos não serviam para as centrifugadoras. Um dos inspectores americanos depois intervenção no Iraque sugeriu que fossem utilizados em canalizações...

4- "Yellow stone" ou urânio natural supostamente importados pelo Iraque ao Niger é um material cuja utilização em armas nucleares requer um tratamento industrial complexo que a caduca indústria Iraquiana nunca poderia executar. O mais engraçado, é que a suposta importação de "yellow stone" por parte do Iraque é baseada num recibo apresentado pela administração americana e que se provou ser uma falsificação. A administração Bush declarou mais tarde que "alguém" falsificou esse recibo, eles só o tinham apresentado. Nunca se soube quem era esse "alguém". É outra forma de dizer "não sei quem FUI"...

5- Os famosos camiões de armas biológicas apresentados por Powell na ONU, como se veio a confirmar no fim da guerra, eram camiões de transporte de hidrogénio utilizados em balões meteorológicos de alta altitude. Já assisti a um lançamento de um balão a hidrogénio desse tipo e posso garantir que é algo de muito corrente o facto do enchimento ser feito por camiões. Mas o pior de toda esta história é que a ISIS, os especialistas em armas biológicas dos EUA, da Rússia e do Iraque disseram que aquela acusação só revelava uma ignorância tremenda dos serviços secretos britânicos. É que todos os especialistas em armas biológicas, inclusive os Iraquianos, consideravam a opção de utilização de camiões como uma opção perigosíssima, pois basta um pequeno acidente de trânsito para provocar uma catástrofe. O calor que se faz sentir no Iraque torna impraticável a utilização de laboratórios móveis que pudessem funcionar a uma temperatura aceitável sem adulterar os agentes biológicos.

Quase todas estas informações eram conhecidas antes da intervenção, mesmo assim avançou-se para o Iraque sob o pretexto das ADM. O cúmulo do propagandismo americano foi quando Condoleza Rice algumas semanas antes da intervenção no Iraque declarou: "as pessoas só vão dar razão aos EUA quando virem um cogumelo nuclear [produzido pelo Iraque]". Isto depois da AIEA, do DE dos EUA e da ISIS terem dado como finalizadas as inspecções de armas nucleares e como encerrado o programa nuclear Iraquiano...

terça-feira, agosto 21, 2007

Ninive, Iraque: cerca de 200 mortos

Pois é Bruno, os atentados não aconteceram no "mundo ocidental", aconteceram no Iraque. Os solenes discursos sobre os atentados de Londres e de Madrid tão apelativos à lágrima de crocodilo perdem a espontaniedade no caso dos atentados da província iraquina de Ninive. Percebe-se bem o quanto o Iraque preocupa quem apoiou a sua invasão.

segunda-feira, julho 30, 2007

Armar o Médio Oriente até aos dentes

Os EUA continuam a encher de armas uma das mais sinistras ditaduras do mundo: a Arábia Saudita (já aqui escrevi que a Arábia Saudita faz parte do top ten mundial de orçamentos militares). 20 mil milhões de dólares em armas é o que consta nos contratos que envolvem ainda outros regimes ditatoriais e teocráticos: Emiratos Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Bahrein e Omã.

A notícia gerou protestos em Israel, que na minha opinião são absolutamente compreensíveis. Se perguntarem a um Saudita contra quem aquelas armas deveriam ser utilizadas ou a um Israelita para adivinhar para onde elas serão apontadas a resposta é a mesma: Israel. Para compensar o governo americano decidiu aumentar a ajuda militar a Israel para 3 mil milhões de dólares por ano... Estão a ver o mesmo filme que eu, não estão? Assim que forem assinados os contratos, a cotação das acções das empresas americanas produtoras de armas terão todas as condições para subir tipo Amstrong no Col do Turini. À próxima escaramuça que venha a acontecer no Médio Oriente adivinha-se um saudável incremento de vendas de casa com piscina e de carros de luxo aos investidores e aos quadros das empresas de armamento envolvidas no negócio.

É este o verdadeiro modo de vida que Bush deseja exportar para o Médio Oriente, é o fanatismo religioso de basooka ao ombro ao serviço do ultraliberalismo económico. Exportar democracia não produz adrenalina nos mercados, nem pó para os narizes dos investidores das bolsas.

quarta-feira, março 14, 2007

Verdades do Iraque como azeite em copo de água

Para quem tinha lido o livro "Disarming Iraq" de Hans Blix, as suas declarações de manipulação por parte dos governos britânico e americano do relatório sobre as armas de destruição em massa (ADM) não são grande novidade. Em "Disarming Iraq" já está lá tudo, num livro muito interessante nunca traduzido para português, vá-se lá saber porquê...

Aqui fica uma entrada de 11 de Outubro de 2004 em que comento as denúncias de Hans Blix em "Disarming Iraq" sobre o processo de inspecções de ADM.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Desnuclearização do Médio Oriente

O recente livro de Miguel Portas sobre o Líbano, "No Labirinto", que aqui comentei, lança uma ideia que defendo há muito e que pode dar um contributo importante para pacificar o Médio Oriente. Na página 196 o Miguel refere que as potências nucleares poderiam fazer uma "proposta que seguramente seduziria Teerão: a desnuclearização do Médio e do Próximo Oriente." Como é sabido Israel, a Índia e o Paquistão são os três países da região que possuem armas nucleares. No passado, dois países (a Ucrânia e a África do Sul) desmantelaram com sucesso a totalidade dos seus arsenais nucleares, logo não seria nada de extraordinário desmantelar os arsenais nucleares dos três países referidos. Dado o carácter simbólico que a acção representaria - um passo atrás do ponto de vista militar - a desnuclearização poderia aliviar um pouco a tensão política do Médio Oriente e retirar a vontade do Irão a prosseguir os seus avanços no desenvolvimento de tecnologia nuclear, sem recorrer a ameaças que só têm tido o efeito contrário ao desejado.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

No Labirinto: o Líbano entre guerras, política e religião

Aquando da sua apresentação em Coimbra, Vital Moreira disse deste livro que revelava o melhor Miguel Portas, o Miguel Portas das Viagens. Subscrevo inteiramente. É o Miguel conta com entusiasmo as suas viagens pelo Líbano e regiões vizinhas, descreve com paixão lugares, ruínas, pedras e mezzés. É o Miguel que lê nos olhos e nos gestos das gentes e nos transmite sem rodeios as suas impressões sobre aquelas micro-sociedades, a importância dos clãs familiares, a ostentação que convive com a miséria e a pobreza, a religião que separa, mas que é praticamente a única instituição solidária num país deslumbrado pela banca e pela bolsa.

A Parte I do livro intitulada "O nascimento de uma nação" é de leitura obrigatória para todos aqueles que se interessam pela política do Médio e Próximo Oriente. Muito bem documentada, esta Parte I faz-nos um resumo da história recente do Líbano e da região - o Líbano como país só existe desde 1941 - ligando as divisões étnicas, religiosas e políticas à efervescência e ao trânsito de povos que houve naquela região desde há mais de dois mil anos. "Nunca um país tão pequeno acolheu tanta diferença" (pag. 29) é a frase de Miguel Portas que melhor ilustra a equação libanesa. É esta concentração de povos e religiões numa região onde se disputam intensamente territórios há dezenas de séculos que torna tudo tão complexo de se realizar no Líbano, mesmo quando a tarefa em si parece simples. Ao lermos esta Parte I damo-nos conta da imensa quantidade de asneiras que foram escritas por comentadores e cronistas políticos durante o ataque ao Líbano no passado Verão, nomeadamente o apoio aos pedidos irrealistas de Israel para que o governo libanês eliminasse o Hezbollah. Era o mesmo que pedir a alguém para fumar num paiol de armas.

A segunda parte descreve os 33 dias em que o Líbano foi atacado por Israel, a envolvente política que deu origem ao conflito e a situação resultante do pós-guerra. A presença do Miguel no Líbano durante o conflito oferece-nos uma visão muito mais rica e precisa das reacções políticas e sociais que acompanharam o conflito, nomeadamente o estatuto e a popularidade que o Hezbollah ganhou à custa das bombas israelitas. Pessoalmente, considero os capítulos "Hezbollah" e "Islamismo" demasiado optimistas e o citado messianismo socialista da autoria de Françoies Thual (pag. 150) parece-me uma longínqua miragem política. Enquanto Israel ameaça, o Hezbollah ganha simpatias, aderentes e muitos votos, mas em tempo de paz, por muito que o Hezbollah tenha evoluído, os resquícios de políticas de extrema-direita religiosa não desaparecem de um dia para o outro. O meu pessimismo é reforçado pelas opiniões das minhas amizades libanesas do sul do país.

A total desorientação e o isolamento da diplomacia americana durante as negociações são muito bem resumidas pelo Miguel e são um exemplo flagrante da falta de estudo e de tacto para lidar com a referida complexidade da equação libanesa. É a mesma complexidade, que o Miguel conhece como poucos no nosso país, que faz do seu apoio ao reforço da FINUL subordinada à autoridade libanesa uma rara opinião credível e sólida sobre o assunto. Contrasta com a reacção pavloviana (parafraseando um amigo bloquista) que classificou a "intervenção da FINUL" (já lá estava antes da guerra) de novo imperialismo. Como refere bem o Miguel, o retirar dessa força funcionaria como um convite para o segundo round de Israel, sem testemunhas, com pontes e estradas por construir a facilitar o assalto.

Apesar de Israel ter mostrado mais uma vez uma superioridade militar brutal, a imagem do país emergiu do conflito enxovalhada como nunca. O Miguel termina bem concluindo que apesar da pesistência e da complexidade dos problemas, o resultado deste conflito mostrou que vale a pena exercer a política contra o primado da guerra.

terça-feira, fevereiro 17, 2004

Iraque: Regard de Bernard-Henri Lévy

Je rentrais de cet autre monde. Tout le temps qu'a duré le débat sur la question de savoir si renverser Saddam était la priorité du moment et si le sort de la planènte se jouait, ou non, à Bagdad, j'étais dans le trou noir de Karachi. Et je ne pouvait pas, je ne peux toujours pas, ne pas songer que cette guerre irakienne (...) témognait d'une singulière erreur de calcul historique.
Un régime déjà largement désarmé quand, dans le bas-fonds des villes pakistanaises, se trafiquaient les secrets nucléaires.
Un des derniers diactateurs politiques, répertorié dans les bestiaires anciens, à l'heure où je voyais se dresser des bêtes sans espèce, aux ambitions sans limites, pour qui la politique n'est, au mieux, qu'une fiction utile.
Et, contre ce dictateur, à l'appui de cette guerre-spectacle donnée en pâture à l'opinion mondiale, une coalition de fortune où - suprême dérision - l'on prétendait enrôler ce même Pakistan que je voyais devenir la propre maison du Diable.


Bernard-Henri Lévy, «Qui a tué Daniel Pearl», Editions Grasset (2003).