quarta-feira, junho 13, 2012

Teria sido mais simples

Rui Rio propôs que autarquias muito endividadas deveriam ser geridas por uma comissão administrativa (mais tacho para António Borges?) e não ter eleições. Tendo em conta que o seu partido é um dos principais responsáveis pelo endividamento das autarquias teria sido mais simples se propusesse que o seu partido não concorresse às câmaras que endividou, em vez de impedir o concurso de partidos e de independentes que defendem outras formas de gestão local, menos agarrados a negociatas que envolvem muito betão e a alterações selvagens de PDM's.

terça-feira, junho 12, 2012

Mansos e comprometidos


"Se Portugal fosse um país onde se jogasse limpo, serviço público de televisão teria de ser assim.
No Prós e Contras de ontem à noite, quando falou  António Borges,  deveria ter passado em rodapé o seu curriculum vitae: Vice-Governador do Banco de Portugal, ex-Vice-Presidente do Conselho de Administração da Goldman Sachs, ex-Administração do Citibank, ex-BNP Paribas, ex-Petrogal, ex-Sonae,  ex-Cimpor e ex-Vista Alegre, ex-qualquer coisa no FMI, actual conselho de administração da Jerónimo Martins e ministro do Governo PSD-CDS/PP para as privatizações."

"O programa de hoje [Prós e Contras] é um  exemplo perfeito, onde, sem contraditório, se ouviu uma série de porta-vozes da política actual, de António Borges a António Vitorino. António Borges, a quem não foi perguntado nada de incómodo, a António Vitorino que representa uma das vozes "responsáveis" do PS que em todos os momentos cobre sempre o governo em funções. Há  cinco, quatro, três, dois anos, ou seja, em termos históricos, HOJE, exactamente com a mesma voz grave e responsável, António Borges defendia a política suicidária do sistema financeiro que conduziu ao desastre cujos custos todos pagamos, e Vitorino não dizia nada de incómodo para Sócrates"


Concordo

segunda-feira, junho 11, 2012

iFixit

Nos anos 60, um engenheiro da República Democrática da Alemanha foi apresentar a um salão internacional de eletrodomésticos uma lâmpada que segundo o próprio não se fundia. Orgulhoso da sua invenção, o engenheiro alemão estranhou a falta de interesse que a invenção despertou entre os seus concorrentes. Um deles chamou-o à parte e disse-lhe que se comercializasse essa lâmpada nos EUA todos iriam perder uma margem considerável de lucro. Desde 1925 que os principais fabricantes de lâmpadas (Phoebus, Osram, Philips, e General Electric) tinham chegado a um acordo para estabelecer uma longevidade de 1000 horas em vez da média de 2500 horas que eram registadas nos testes.
A longevidade programada de eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos não é um problema de hoje, mas está a tomar proporções sem precedentes à medida que aumenta o número de multinacionais que aderem à filosofia de produtos não reparáveis associados a esquemas em que é estabelecido propositadamente um tempo de vida limitado a um componente basilar de funcionamento do aparelho. Empresas como a Epson e a Apple foram recentemente objeto de denúncias públicas significativas deste tipo de práticas. A Epson começou a equipar impressoras onde um dos chips que controlava a execução da impressão era programado de raiz para funcionar até às 18000 cópias. A partir desse número, o software da impressora deixa de transmitir a ordem de impressão (vale a pena ler a desculpa da Epson). No caso da Apple, desde 2003 telefones e leitores de música começaram a ser equipados com baterias integradas de curta longevidade (cerca de dois anos) que não permitem uma substituição trivial.
Um grupo de admiradores dos produtos Apple e de ex-trabalhadores da empresa, desiludidos com a política da longevidade programada criaram a empresa iFixit dedicada à reparação de eletrodomésticos e aparelhos eletrónicos objeto de longevidade programada. No seu sítio explicam como reparar em casa alguns desses aparelhos.
Podemos descobrir aí os métodos perversos da Apple para impedir a substituição das baterias (colas, parafusos incompatíveis com as chaves de fendas, armadilhas mecânicas), obrigando o cliente a dirigir-se às lojas Apple para resolver o problema onde os custos da substituição da bateria são de cerca de 70% do valor do produto. Na prática o cliente é forçado a trocar o seu modelo pelo novo modelo lançado no mercado. Como resultado de protestos, processos em tribunal e do ativismo de variados grupos de cidadãos, a Apple começou a alterar alguma da sua política de longevidade programada.
Entretanto, em Livermore, Califórnia, no quartel dos bombeiros locais existe uma lâmpada acesa em contínuo desde 1901 (na foto).

Proteção e redes sociais em tempos de crise

Proteção e redes sociais em tempos de crise é o assunto da minha crónica de hoje no Pontos de Vista da Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

terça-feira, junho 05, 2012

Trânsito de Vénus

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Vénus vai passar à frente do Sol hoje e amanhã, mas infelizmente o fenómeno não será visto em Portugal porque ocorre quando o Sol se encontra abaixo do horizonte. No entanto para quem quiser observar em direto este fenómeno que não se irá repetir nos próximos 100 anos, existem duas páginas que vão transmitir o trânsito de Vénus em direto. Aqui sítio da ESA e aqui direto dos Astrónomos Sem Fronteiras.

Como o plano orbital de Vénus não está alinhado exatamente com o da Terra, os trânsitos são raros e ocorrem duas vezes durante período de oito anos, para voltarem a acontecer apenas mais de um século depois. O último trânsito aconteceu em 2004, mas o próximo apenas ocorrerá em 2117.

domingo, junho 03, 2012

Travar a erosão e salvar a onda


O tema da minha crónica desta segunda no Pontos de Vista, na Rádio Clube Foz do Mondego, é sobre a solução que poderá travar a erosão na margem sul e salvar a onda do Cabedelo.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

quarta-feira, maio 30, 2012

Um passo à frente outro atrás

Na Arábia Saudita, uma mulher num centro comercial desafia uma brigada dos bons costumes quando abordada por mostrar o cabelo e por pintar as unhas.
Na Ucrânia, as claques mais radicais exibem o seu antissemitismo e o seu racismo com todo o à-vontade, com a complacência das autoridades.
Sinais dos tempos que correm.

domingo, maio 27, 2012

UE moraliza alegados benefícios para a saúde de alimentos e de produtos

 Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento significativo de campanhas publicitárias que garantem variadíssimos benefícios para a saúde decorrentes do consumo de produtos alimentares, de limpeza, de cosmética, etc. Sem um mecanismo de regulação apropriado numerosas marcas enveredaram abertamente pela publicidade enganosa, de que o exemplo mais flagrante e mais caricato foi o da chamada pulseira do equilíbrio. No entanto, a Power Balance viria a ser condenada por um tribunal australiano por publicidade enganosa e obrigada a propor um reembolso a todos os clientes que adquiriam a pulseira do equilíbrio.
A partir desta semana a rotulagem e a publicidade dos produtos comercializados na UE (União Europeia) que anunciam benefícios para a saúde dos consumidores vão passar a estar mais sujeitas ao escrutínio científico. A UE limitou a uma lista de 222 os benefícios para a saúde confirmados cientificamente. Todas as empresas que vendem produtos com rotulagem referindo benefícios para a saúde que não integram a referida lista, têm seis meses para retirar do mercado os respetivos produtos e para parar todas as campanhas publicitárias com informação infundada.
A marca de iogurtes Activia do grupo Danone é um dos principais visados por esta regulamentação. Após longos anos publicitando benefícios para a saúde, em particular benefícios para a digestão e para o fluxo intestinal, em 2010 a Danone concordou pagar uma multa de 21 milhões de dólares por exagero nos benefícios para a saúde propagandeados em campanhas publicitárias realizadas nos EUA. Com esta medida a UE dotou-se de um instrumento importante para moralizar e para regular o poder das multinacionais que operam no nosso continente. Convém lembrar, algumas destas empresas movimentam fluxos de dinheiro superiores aos orçamentos de alguns países da UE.

sexta-feira, maio 25, 2012

Ministra da Agricultura deveria demitir-se

Não é de ontem nem de hoje, mas o problema tem-se vindo a agravar desde que Soares dos Santos decidiu lançar o seu projeto político (sem ir a votos) espezinhando uma série de leis da república. O dumping que já se praticava a lume brando (e não era só o Pingo Doce a praticá-lo), tomou proporções incontroláveis quando outras cadeias de supermercados seguiram a famosa campanha dos 50% de desconto, isto apesar de estarem em curso investigações por concorrência desleal em inúmeros supermercados da Jerónimo Martins. Já há mais de 100 anos que a experiência, a história e os livros de economia nos ensinam que o dumping destrói a economia e produz desemprego entre produtores (principalmente agricultores) e comércio local.

Hoje foi tornado público que os estragos e as faturas das promoções selvagens do Pingo Doce começaram a chegar aos produtores e aos agricultores. O Pingo Doce começou a pressionar os produtores exigindo um aumento de margem para si, "uma verba que o produtor teria de entregar ao Pingo Doce, uma renegociação de contratos e verbas para reforço de competitividade". Isto são coisas dos filmes do Padrinho. Nas palavras de um dos principais representantes dos produtores nacionais existem "empresas com medo represálias caso não aceitem as condições dos supermercados, nomeadamente com marcas que podem desaparecer das prateleiras" e temem-se já "falências, desemprego, desinvestimento na produção nacional e, eventualmente, um aumento das importações".

A passividade da Ministra da Agricultura (e de não-sei-quantas-pastas) perante as sucessivas campanhas de 50% foi confrangedora. Será que o CDS tem receio de afrontar Soares dos Santos? E porquê? Muito provavelmente, agora é tarde demais para o ministério intervir, para evitar que os estragos se continuem a propagar até aos nossos bolsos, deixando um rasto de desemprego atrás de si entre agricultores, produtores e trabalhadores do comércio local. Como tudo isto é demasiado grave no momento de crise que atravessamos, demita-se senhora Ministra.


quarta-feira, maio 23, 2012

Os Donos de Portugal em versão integral

Moralização dos "benefícios" dos alimentos

A rotulagem e a publicidade dos alimentos que pretendem uma série de benefícios para a saúde dos consumidores vão passar a estar mais sujeitas ao escrutínio científico. A União Europeia limita a uma lista de 222 as alegações de benefícios para a saúde e dá 6 meses a todas as empresas para retirar do mercado produtos com informação infundada sobre os seus benefícios para a saúde. Parece que os famosos iogurtes Activia vão ser uma das principais "vítimas" desta moralização.

segunda-feira, maio 21, 2012

O Tafamidis no combate à doença dos pezinhos

É o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.


Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

segunda-feira, maio 14, 2012

Os meus 23

Onze tipo
Mika,
Fábio Coentrão, Bruno Alves, Rolando, João Pereira,

Nani, João Moutinho, Raúl Meireles, Ronaldo, Quaresma,

Hugo Almeida,

Banco
Paulo Bento (com Mourinho ao telefone)

Rui Patrício, Quim
Ricardo Costa, Paulo Jorge, Nélson, Tonel
Vieirinha,  Miguel Veloso, Custódio, Rúben Micael, Carlos Martins
Nélson Oliveira, Varela

Mika? Já vi tudo o que tinha a ver sobre o Mika. Zero golos sofridos até à final do mundial de sub-21 (com uma única asneira que faz parte dos ossos do ofício). Um guarda-redes que sabe agarrar a bola com as duas mãos como um jogador de basket. Envergadura de Petr Cech: 1,95 m. Só lhe falta experiência, pena foi que não tivesse jogado em encontros de preparação. Depois de Vítor Baía, vamos voltar a ter um grande guarda-redes.
Pepe de fora? Sou contra a batota nas seleções. Quando o Liechtenstein ganhar o campeonato do mundo com 11 brasileiros, 6 portugueses, 5 turcos e um cidadão do Liechtenstein, talvez se lembrem de mudar regras.
Com utilização frequente no meu onze tipo: Nélson por João Pereira, Vieirinha por Moutinho, Varela por Quaresma, e Nélson Oliveira por Hugo Almeida

Erros do passado

A chuva de indemnizações exigidas ao município da Figueira por erros do passado é o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

quinta-feira, maio 10, 2012

As repúblicas das televisões II

Há cerca de dois anos escrevi isto sobre os abusos televisivos de Eduardo Moniz. A revelação de que os nossos serviços secretos andaram a trabalhar para a TVI e para o programa político debitado e definido pelo alinhamento noticioso, só reforçam aquilo que escrevi. A televisão é uma forma de poder e ombreia quer com o poder político quer com o poder judicial. Se não assumirmos isto, a nossa democracia será sempre coxa.

quarta-feira, maio 09, 2012

segunda-feira, maio 07, 2012

A energia nuclear no centro do debate presidencial francês

(publicado no portal Esquerda.net)

A energia nuclear foi um dos pontos principais de debate e do programa dos candidatos à eleição presidencial francesa. No país que mais depende desta forma de energia, a ampla variedade de posições sobre este tema produziu um debate intenso quer entre esquerda e direita, mas também entre os próprios candidatos de esquerda.

O programa de Nicolas Sarkozy é claro na afirmação do nuclear como uma opção estratégica fundamental para contornar a dependência das energias fósseis. A posição de Marine Le Pen, embora muito vaga, defende a continuidade do nuclear para garantir a independência nacional da França no setor energético, embora tenha admitido que a energia nuclear é perigosa e que a longo prazo deva ser equacionada a sua substituição.

Eva Joly, dos Verdes, apresentou o único programa abertamente pela extinção da produção de energia nuclear. Aliás, foi sob a pressão de um acordo assinado entre Verdes e o Partido Socialista Francês que o programa de François Hollande passou a integrar medidas concretas para a redução da energia nuclear a curto e a médio prazo. Em particular, o encerramento da central de Fessenheim nos próximos cinco anos. A central de Fessenheim, localizada na Alsácia perto de uma falha sísmica, é a mais velha central francesa, em atividade há 35 anos, e também a que comporta maiores riscos de ocorrência de um acidente grave. Outra medida importante é a redução a 50% da energia nuclear na produção de energia elétrica até 2025. O valor atual é de 75%, sendo o mais elevado do mundo. No entanto, Hollande defende a continuidade do programa de construção do novo reator EPR (European Pressurised Reactor/Evolutionary Power Reactor).

Jean-Luc Mélenchon defende uma saída progressiva do nuclear e propôs a realização de um referendo sobre a questão. Entre os seus apoiantes diretos, o Partido Comunista Francês defende a continuidade do programa nuclear, enquanto o Partido de Esquerda é contra.

Entre declarações confusas e pouco claras sobre o assunto, o candidato Philippe Poutou do NPA admitiu a falta de unanimidade dentro do seu partido sobre a questão da energia nuclear, embora o seu programa proponha a saída da energia nuclear dentro de 10 anos.

A candidata da Lutte Ouvrière, Nathalie Arthaud mostrou-se favorável à energia nuclear no quadro de uma gestão pública.

No caso de vitória de Sarkozy, não se espera nenhuma alteração ao programa nuclear francês nos próximos cinco anos. No caso de vitória de Hollande, pelo menos existe a esperança de uma inflexão das prioridades energéticas do país e do encerramento da central de Fessenheim, no entanto nada de radicalmente diferente ocorrerá certamente no panorama energético francês.

quinta-feira, maio 03, 2012

segunda-feira, abril 30, 2012

Petição Contra o Encerramento da Delegação da Lusa em Coimbra

Assinar a Petição Contra o Encerramento da Delegação da Lusa em Coimbra aqui, mais uma machadada na descentralização e no desenvolvimento equilibrado do país.

Miguel Portas

O legado de Miguel Portas é o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, abril 27, 2012

A zona de conforto dos piegas

São uns piegas dos nossos jovens, instalados refasteladamente na sua "zona de conforto" entre os 300 e os 900€ (tabela do Publico). Coitadinho é do milionário Soares dos Santos que vai chorar para o programa do Mário Crespo queixar-se que a margem de lucro é muito curta no setor do retalho, ele que nem explora os nossos agricultores (outros na zona de conforto), nem faz dumping de preços, nem nada. 

quinta-feira, abril 26, 2012

quarta-feira, abril 25, 2012

Obrigado Miguel



Era leitor fiel da revista Vida Mundial e do semanário Já dirigidos pelo Miguel Portas. Mas foi um artigo no DN sobre a pobreza no Iémene que me chamou a atenção para a personagem. Era uma opinião de esquerda que sobressaía largamente do lote. Sempre que comentava os seus artigos do DN não ficava sem resposta. Da troca de galhardetes surgiu uma amizade que durou até hoje. Quando colaborei com o Miguel no Parlamento Europeu tive o privilégio de assistir à forma intensa, contagiante e mobilizadora como intervia na política europeia. O Miguel era uma daquelas estrelas de brilho raro que ofuscava o céu cinzento da política europeia.
Obrigado Miguel pela forma humana, criativa, entusiasta, bem disposta e inteligente com que encaraste o trabalho de eleito ao serviço do povo.

segunda-feira, abril 23, 2012

Sectarismo na esquerda francesa: NPA/LCR e Verdes


A NPA (o novo oleado da LCR) escolheu voluntariamente a via do sectarismo recusando a aliança com Mélenchon, mas muito pior que isso foi a escolha de um candidato absolutamente impreparado para representar o programa da LCR. Mais uma vez a LCR não resistiu ao populismo barato e escolheu um candidato com o único propósito de ir rapar votos a um sector da sociedade sem haver a mínima preocupação de perceber se o candidato estava preparado ou motivado para representar essas ideias. Foi um desastre,   Philippe Poutou foi recorrentemente gozado nos debates e entrevistas em que participou pelas inúmeras gafes e desconhecimento completo de alguns dos principais tema políticos e do seu próprio programa político. 
Em 2001, em Estrasburgo, tive oportunidade de participar em debates com Alain Krivine. Independentemente de concordarmos ou não com ele, constatei de perto que o homem era uma verdadeira sumidade. Desde então a escolha dos candidatos da LCR/NPA não se processa segundo a capacidade do candidato para transmitir o programa político, mas antes segundo o cálculo do voto que se vai buscar se o candidato é carteiro, ou se usa lenço ou se trabalha na indústria automóvel (ouvir a intervenção Michel Onfray sobre este assunto). O populismo barato e o sectarismo explicam os 1,15% obtidos.


Os Verdes decidiram escolher uma candidata contra Nicolas Hulot, de longe o Verde francês mais popular. Apesar de não se candidatar, há cinco anos as sondagens chegaram a colocá-lo nos 15%. Mas como Nicolas Hulot é um militante recente e não estava suficientemente purificado, a ala mais sectária dos Verdes franceses estendeu-lhe todas as cascas de banana possíveis para evitar a sua escolha como candidato. Conseguiu-o, Eva Jolly foi eleita candidata, mas era uma candidata sem motivação, sem grandes ideias ou estratégias que pudessem encaixar no programa dos Verdes. A sua campanha foi errática, confusa e sem chama como testemunham os 2,3% obtidos. No entanto, é preciso não esquecer que o ponto fraco dos Verdes são as presidenciais, a sua posição contra o sistema presidencialista sempre mobilizou pouco os militantes ecologistas.



Amigos improváveis

É o título do filme que serve de tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.
Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

domingo, abril 22, 2012

Hollande 28 Sarkozy 26

Segundo a rádio belga Première, sondagens feitas à boca das urnas dariam o primeiro lugar a Hollande com 28%, seguido de Sarkozy com 26%, Marine Le Pen com 16%, Jean-Luc Mélenchon 13% a 14% e François Bayrou cerca de 10%. A abstenção está abaixo dos 20%, o que é notável nos tempos que correm.

sexta-feira, abril 20, 2012

Sarkozy, Silvia Šarközy

Senhoras e senhores, diretamente da Eslováquia, Silvia Šarközi (lê-se charcouzi), cigana da minoria húngara e vocalista dos Cigánski Diabli. Bom fim de semana.

quinta-feira, abril 19, 2012

Menu a três euros e meio

Fui jantar a um estabelecimento da baixa coimbrã onde era proposto um menu a três euros e meio: sopa, prato e sobremesa. Li várias vezes "menu a três euros e meio". Para me certificar de não sei o quê, mudei de página e voltei à página inicial e continuava lá escrito "menu a três euros e meio". Quando chegou a empregada a minha escolha foi clara: "quero um menu a três euros e meio". Queria degustar o sabor da crise. A sopa, de legumes, foi o melhor do menu. Nalgumas tascas do norte da Europa poderia facilmente ser cobrada a três euros e meio. Escolhi salsicha com ovo estrelado, era a opção quatro. A opção um era omelete, a dois era um filete de frango e a terceira não me recordo. O acompanhamento era sempre o mesmo: batata frita e salada. Uma salsicha engelhada de lata (não era Nobre nem Izidoro, era pior) acompanhava um ovo borrachóide com a gema cozida. Era tudo mau no prato principal. A sobremesa era uma gelatina de fruta que poderia integrar sem problemas um menu a 5,99 € de uma cadeia de comida rápida ou que poderia ser vendida à peça na Disneylandia na Califórnia a dez dólares mais taxas.

No final daquele repasto que não foi muito delicado com o meu esófago e as minhas paredes intestinais, fiquei a pensar longamente no esforço de todos aqueles habitantes, transeuntes e trabalhadores da baixa cuja única opção para se manterem à tona é aquele menu a três euros e meio. Mas o meu pensamento foi também para a gente séria da banca e da finança, para aqueles voos de jato da empresa, Lisboa-Nova Iorque, para as senhoras dos gestores irem às compras e para os bravos corretores da City que depois de passarem uma árdua jornada de trabalho a carregar em botões onde se joga a sorte de trabalhadores mal pagos a milhares de quilómetros de Londres acabam o dia num clube hípico local fazendo apostas milionárias nas corridas.

Onda do emprego

A minha coluna de hoje no jornal As Beiras:

segunda-feira, abril 16, 2012

Democracia Participativa

É o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

domingo, abril 15, 2012

Governo coreano preferiu míssil a alimentar a população

(publicado no portal esquerda.net)

Às 7:39, hora local (22:39 de quinta-feira em Portugal), a Coreia do Norte lançou da sua base de Sohae um foguetão Unha 3 de 30 metros. Segundo fontes do governo coreano, este foguetão continha um satélite capaz de realizar fotografia da superfície terrestre e capaz de medir vários parâmetros climáticos. Cerca de um minuto depois do lançamento, o Unha 3 explodiu, desfazendo-se em cerca de 20 destroços, que se despenharam no mar a cerca de 165 km a oeste de Seoul.

A colocação do referido satélite em órbita pretendia comemorar o centésimo aniversário do nascimento do primeiro presidente da Coreia do Norte, Kim Il-Sung. No entanto, a verdadeira motivação deste lançamento seria um pretexto para testar a sua tecnologia de mísseis de longo alcance, interdita à Coreia do Norte por uma resolução das Nações Unidas. O desenvolvimento de mísseis de longo alcance está há longa data entre os objetivos do programa nuclear norte coreano, visto que este tipo de lançadores poderá transportar cargas nucleares muito para lá do continente asiático.

A pressão internacional e uma sequência de negociações diplomáticas para que a Coreia do Norte abandone o seu programa nuclear teve como resultado a suspensão das atividades de desenvolvimento de armas nucleares em Fevereiro deste ano e uma moratória aos testes de mísseis em troca de ajuda alimentar internacional. A população da Coreia do Norte sofre de graves carências alimentares, sendo a morte de crianças e de adultos por falta de nutrição uma das principais causas de mortalidade no país. Ao realizar o lançamento deste foguetão, o governo coreano suspendeu intencionalmente a ajuda alimentar internacional, abdicando do abastecimento de alimentos da população em favor de um momento de lirismo patriótico absolutamente falhado.

quinta-feira, abril 12, 2012

Erosão Costeira

A minha coluna de hoje no jornal As Beiras:




Os Donos de Portugal na RTP2, dia 25 de Abril

Estreia no próximo dia 25 de Abril, o documentário Donos de Portugal da autoria de Jorge Costa, produzido no âmbito do Instituto de História Contemporânea para a RTP 2. Eis o resumo e o genérico documentário:

"Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico. O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza. Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins - afirmam-se sobre a mesma base. Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui."


quarta-feira, abril 11, 2012

Uma cintura estelar feita de cometas



O observatório Herschel da ESA desencantou a cintura da estrela Fomalhaut, uma cintura feita de cometas que são aí capturados aos milhares por dia, uma maluqueira inimaginável no nosso sistema solarzinho.

segunda-feira, abril 02, 2012

Regionalização

É o tema da minha crónica no Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

terça-feira, março 20, 2012

Moebius (1938 – 2012)



Jean Giraud, Moebius para os amigos, foi o meu desenhador preferido na minha fase pós-adolescência. A liberdade criativa que Moebius aplicava aos seus universos e às suas personagens ia ao encontro da minha concepção de criança daquilo que poderia ser o mundo depois do ano 2000. Os personagens não tinham uma cor de cabelo estandardizada, uns corriam, outros voavam, outros saltavam e a variedade de humanóides era apenas batida pela miscelânea de feras com apêndices tecnológicos nas partes do corpo mais improváveis. Frequentemente, o registo de Moebius aflorava o delírio e a loucura, não espanta pois o seu mergulho temporário mas profundo na seita Izo Zen. Para o grande público o mais conhecido de Moebius são os cenários gótico-futuristas da série Aliens e a perninha que fez na Marvel desenhando o Surfista Prateado.
Moebius nunca perdeu a sua capacidade de deslumbramento e isso conta muito aqui nesta casa.

segunda-feira, março 19, 2012

O preço do polvo do Pingo Doce

O polvo constituído pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, Jerónimo Martins, Pingo Doce, Soares dos Santos, António Barreto, Medina Carreira, António Borges, etc., em análise na minha crónica Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, março 16, 2012

A Marca Salazar... na saúde


A marca Salazar era isto. Em 1970 nos restantes países da Europa a taxa de mortalidade infantil era menos de 1/5 da nossa. A nossa estava ao nível da taxa de mortalidade infantil do Zimbabwe de 2010. Mas parece que o senhor era honesto (sobretudo para os ricos que viviam das rendas oferecidas pelo Estado), o que é que interessa lá se as crianças tinham médicos e hospitais para se poder tratar. Agora vão ser enchidos chouriços com o nome da criatura. Bela homenagem e não acrescento mais nada.

quarta-feira, março 14, 2012

A anã e os gigantes



O telescópio de infravermelhos Herschel captou um sistema planetário em formação orquestrado por uma anã castanha em torno da qual surgem planetas gigantes do disco de gás e poeira envolvente.

terça-feira, março 13, 2012

Ciência: Espanha e Portugal, o mesmo combate

Tal como em Portugal, em Espanha escolheu-se a irracionalidade da via dos cortes na ciência. Aquele que poderia ser um setor chave para ajudar a Península Ibérica a sair da crise, é tratado como um apêndice incómodo, ao contrário das recomendações da Comissão Europeia. Em Espanha os cortes são mais por razões ideológicas (o ministério que tutela a ciência intitula-se da Educación, Cultura y Deportes), por cá são mais fruto da falta de visão do primeiro-ministro, um espelho fiel da sua brilhantíssima passagem pela universidade.
Já com mais de 8 mil signatários está a circular a Carta Aberta pela Ciência em Espanha. O primeiro parágrafo é sugestivo:

"En las próximas semanas, y a pesar de la recomendación de la Comisión Europea de que los recortes para controlar el déficit público no afecten la inversión en investigación, desarrollo e innovación, el Gobierno y las Cortes Generales de España podrían aprobar unos Presupuestos Generales del Estado que dañarían a corto y largo plazo al ya muy debilitado sistema de investigación español y contribuirían a su colapso."

segunda-feira, março 12, 2012

2/3 dos Japoneses pela saída gradual do nuclear

Dois terços dos japoneses interrogados pelo Asashi Shimbun são pelo abandono definitivo da produção de energia nuclear, mas de uma forma progressiva (aqui com tabelinhas e tudo). Sugiro à Tepco a contratação de Patrick Monteiro para inverter a sondagem...

Estado da pesca

Estado da pesca fluvial e oceânica é o assunto da minha crónica Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

domingo, março 11, 2012

Banco ambientalista em expansão na Europa

(publicado no portal Esquerda.net)

Nos seus folhetos publicitários, o Banco Triodos faz questão em informar os seus potenciais clientes: "Não estamos cotados em bolsa. Não especulamos com o vosso dinheiro e a prática de bónus milionários não faz parte da nossa filosofia.”

O principal setor de atividade deste banco é o crédito a projetos de inovação no domínio ambiental como a agricultura e comércio de produtos biológicos, as energias renováveis, o apoio ao comércio justo, a arquitetura de regeneração urbana (ex:complexo Tour & Taxis, Bruxelas), a construção de edifícios energeticamente sustentáveis e o investimento em empresas inéditas, como a escola de condução económica Key Driving. Mas, para além do domínio ambiental este banco aposta também em investimentos de cariz ético-social, como o microcrédito, fundações que combatem a exclusão social, um projeto de distribuição de instrumentos musicais em segunda mão na Palestina e documentários cinematográficos dedicados a causas ambientalistas e sociais.

Este banco holandês classificado como banco ético entrou em atividade em 1980, o que demonstra que a especulação e a ganância não são condições necessárias para se construir um negócio bancário rentável (ver ação nos painéis da Nasdaq em Nova Iorque). O Triodos ainda não está presente em Portugal. Possui delegações apenas na Holanda, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Espanha. No entanto, espera-se que o exemplo deste banco contagie outras instituições bancárias, sobretudo quando se constata que já atingiu os 355 mil clientes e que os seus lucros relativos a 2011 são cerca de 51% acima dos lucros de 2010.

sexta-feira, março 09, 2012

Aprovada proposta do BE sobre violência doméstica

O Parlamento aprovou a proposta do Bloco de obrigatoriedade do recurso a pulseiras eletrónicas para os agressores das vítimas de violência doméstica, entre outras medidas que visam uma maior proteção das mulheres e das crianças vítimas deste flagelo social. Só em 2011 foram assassinadas 23 mulheres, por violência doméstica.


Efeitos da erupção solar

Os efeitos das duas gigantescas erupções solares já se começaram a manifestar na Terra. Ainda no espaço, os cosmonautas da Estação Espacial Internacional tiveram que se refugiar numa câmara que os protege da radiação solar. As auroras boreais no hemisfério norte são a mais bela e espectacular consequência deste fenómeno. As interferências nas telecomunicações e nas redes de distribuição de electricidade, que podem gerar um apagão, são a face menos simpática da fúria solar.
Felizmente o nosso escudo natural, o campo magnético terrestre, protege-nos de uma chuva de radiação substancialmente nociva (imagem ESA).

quinta-feira, março 08, 2012

Triodos: um banco não cotado em bolsa

Nos seus folhetos publicitários o banco holandês Triodos anuncia ao que anda:
"Nous ne sommes pas cotés en bourse. Nous ne spéculons pas avec votre argent et la pratique des bonus n’a pas cours chez nous".
Este banco entrou em atividade em 1980, o que demonstra que não é necessário roubar e enganar para se construir um negócio bancário rentável. Ainda não está presente em Portugal. Existe apenas na Holanda, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Espanha.

terça-feira, março 06, 2012

Matar a galinha dos ovos de ouro



Ainda há quem defenda as boas intenções da prática da apanha do meixão, mas na verdade o que se está a fazer é de uma forma egoísta comprometer o futuro das próximas gerações e criar ainda mais desemprego e pobreza (foto jornal As Beiras).

segunda-feira, março 05, 2012

Nova vida para os jornais sérios?

O Publico lançou hoje uma edição gratuita que pretende dar início a uma nova filosofia de distribuição, que passa pelos novos suportes técnicos, prometendo retirar bugiganga da edição impressa. Veremos. Espero sinceramente que a nova estratégia corra bem, sobretudo quando se tenta nivelar por cima. No actual panorama em que os jornais sérios de distribuição nacional se reduzem a Publico, i e DN (JN), todos em risco de fechar, seria uma catástrofe ficarmos reduzidos a bodegas tipo Correio da Manhã.

Dívidas dos municípios e gastronomia figueirense

São os assuntos da minha crónica Pontos de Vista de hoje, segunda-feira, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

sexta-feira, março 02, 2012

O Homem Betoneira

A minha coluna no jornal As Beiras de ontem:

Há mais de 800 anos, a ria de Alvor foi invadida por embarcações de cruzados que ajudaram D. Sancho I a conquistar o castelo aí edificado aos almóadas. Rezam as crónicas que a conquista de Alvor foi de extrema violência, mesmo para os padrões da época. Foi preciso esperar pelo século XXI para que tal nível de violência regressasse à ria de Alvor. Aprígio Santos lançou as máquinas à ria destruindo uma extensa parte de área protegida Natura 2000 através de terraplanagens, arranque e queimadas ilegais. A vida do maior empresário figueirense ilustra na perfeição o que foi a fúria betonizadora em nome da especulação imobiliária que grassou nas últimas décadas no nosso país. Gosto de pensar que a sua condenação pelo Tribunal de Portimão possa significar o princípio do fim desse ciclo.

A Figueira no Mapa

A minha coluna no jornal As Beiras de 23 de Fevereiro de 2012 :

Na capa do magnífico Atlas Maior de Joan Blaeu de 1665 da Taschen (2010) identificamos uma secção da Costa de Prata. Em destaque o Cabo Mondego, ao lado do qual identificamos localidades como Buarcos, Santa Catarina, Figueira, Tavarede ou Lavos. O interessantíssimo jogo de computador Napoleão da Sega (2010), na sua extensão dedicada à Campanha Peninsular tem como principal porto a Figueira da Foz, onde se podem construir estaleiros e uma frota naval.
Ironicamente, o desejo de Santana Lopes em “colocar a Figueira no Mapa” não se concretizou graças a palmeiras e a revistas cor-de-rosa. Tanto o Atlas como o jogo Napoleão têm uma distribuição planetária graças à erudição de terceiros, de quem não subestimou a nossa geografia, cultura, arquitetura e história.

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

7 Maravilhas dos Carvalhais


Inicialmente, quando dei com as 7 Maravilhas dos Carvalhais, a ideia pareceu-me curiosa mas algo ingénua. No entanto, depois de dispensar um pouco mais de atenção à iniciativa, reparei que os jovens responsáveis pelo Blog dos Carvalhais deram-se ao trabalho de calcorrear a localidade e desencantar construções e edifícios antigos, aos quais a maior parte dos cidadãos se habituou a não ligar. As fotografias também mostram o estado do património e da arquitectura das localidades do nosso concelho. O que noutras paragens é transformado em charme, atrai turismo e contribui para a qualidade de vida, é por cá ainda muito mal tratado. De qualquer forma, por aqui felicita-se a iniciativa dos jovens do Blog dos Carvalhais, contribuiu para reavivar o interesse pela sua localidade.

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

domingo, fevereiro 26, 2012

Manifesto de Mira Amaral revela-se pobre e erróneo

Publicado no portal Esquerda.net

O terceiro Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal é pouco mais do que um manifesto contra as energias renováveis. Pouco fundamentado, o documento do grupo de pressão liderado por Mira Amaral e por Patrick Monteiro aborda com muita superficialidade as alternativas energéticas (gás de xisto, nuclear, biomassa e biocombustíveis), centrando-se no ataque às eólicas que são citadas diretamente em 16 dos 39 pontos (como eólicas ou intermitentes) e são assunto indireto de cerca de 2/3 do documento.

O mínimo que se espera de um documento sobre política energética é que argumentos técnicos sustentem a sua posição política. Ora o documento limita-se a apresentar indicadores de uma forma seletiva e descontextualizados, que dificilmente se aplicam à realidade europeia e em particular ao caso português. O exemplo mais caricato é modelo escolhido para ilustrar os baixos custos do nuclear. Entre a abundância de exemplos disponíveis, escolheu-se como termo de comparação um país que não tem centrais nucleares construídas ou em fase de construção, que tem apenas centrais em fase de projeto: os Emirados Árabes Unidos. Este grupo de pressão que apresenta tantas dúvidas sobre as eólicas, não tem dúvidas que os Emirados terão no futuro o MWh a 30 dólares, quando o preço do MWh de origem nuclear em qualquer país europeu é superior a 50 dólares. Mais significativo ainda é quando se constata que o preço total das faturas pouco reflete a vantagem do nuclear. Nos três países mais nuclearizados da UE, França, Eslováquia e Bélgica, o MWh custa aos particulares (preços de novembro de 2011): 148€, 182€ e 222€, respetivamente. Em Portugal o seu custo é de 193€, o que representa o 12° país mais caro entre os 27 países da UE. À indústria francesa, eslovaca e belga a eletricidade é fornecida a 76€, 133€ e 118€. Em Portugal o MWh custa 106€, o 20° lugar em 27. Apesar da evidência destes indicadores, podemos ler nas conclusões do manifesto (ponto 39): "o país precisa urgentemente, para ser competitivo e socialmente equilibrado, de ter energia suficiente a preços competitivos".

O documento repete a falsa ideia que as renováveis, em particular as eólicas, representam um peso elevadíssimo na fatura doméstica, quando em média o seu peso é apenas de 1,90 € por mês. Repete também que os custos das renováveis (englobam os naturais investimentos associados a uma nova energia) acumulados em 5 anos são cerca de 7 mil milhões de euros (1,4 mil milhões por ano) quando o impacto dos custos imputados às eólicas no custo da geração de eletricidade foi apenas de 4%, esquecendo os 400 milhões de euros que se poupam anualmente associados à importação de combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, e às licenças de produção de CO2 (estudo Rolland Berger). Curiosamente todas as particularidades relativas à produção de energia eólica são apresentadas como graves, caras e de difícil resolução, mas não se hesita em propor a energia nuclear, essa sim, que comporta problemas técnicos extremamente complexos e verdadeiramente caros. Por exemplo, ainda não se revolveu o problema da conservação dos resíduos nucleares perigosos durante os cerca de 600 mil anos de atividade. Nunca se depositaram resíduos nucleares em definitivo num local adequado. Obviamente, os custos futuros desta fase ainda não foram contabilizados na fatura, sendo apenas certo que serão extremamente caros e que serão pagos pelas gerações futuras.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

De Calouste Gulbenkian a Carlos Cruz

Com todo o respeito que me merece a excelente instituição do mesmo nome, Calouste Gulbenkian, é conhecido, recebia criancinhas num hotel da Avenida de Roma. Nesse tempo em que o país era governado por um senhor honesto, julgado por juízes justos e honestos e vigiado por uma polícia razoável e honesta, sempre que rapazinhos como os rapazinhos da Casa Pia tentavam denunciar os abusos de que eram alvo, arriscavam-se a levar uma carga de porrada da polícia, uma carga de porrada também ela honesta, obviamente.

Foi preciso dobrar o ano 2000, para que o país se livrasse a pouco e pouco dessa gente honesta e os meninos da Casa Pia deixassem de ser ignorados ou agredidos pela autoridade e pelas instituições que supostamente os deveriam proteger. No entanto, a tentativa de manipulação da opinião pública da parte dos poderosos visados no processo da Casa Pia foi impressionante, utilizando a comunicação social com mestria. Lembram-se da entrevista simultânea nos três canais nos jornais das 20h? Não fossem as provas tão esmagadoras, se Carlos Cruz e o seu chauffeur, Carlos Mota (também anteriormente condenado num processo de pedofilia), tivessem sido mais discretos, se não fossem tantos os testemunhos, provavelmente o desfecho teria sido outro. A arma dos poderosos falhou, essa é maior satisfação que me dá este processo. Mas ainda há um longo caminho a percorrer até conseguirmos uma justiça igual para pobres e ricos, para fracos e poderosos.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

A Alemanha solidária com Passos Coelho

Durante estes dias, em Colónia, Dusseldórfia (Düsseldorf), Mogúncia (Mainz) e um pouco por toda a Alemanha, os alemães foram totalmente solidários com Passos Coelho. Aproveitaram o Carnaval para trabalhar no duro, em jejum obviamente, observando um silêncio conventual, sob voto de castidade, terminando a quadra em oração coletiva agradecendo a misericórdia do FMI e dos corretores da City.





Ai Weiwei culpado de pensar pela própria cabeça



Ai Weiwei é um dos milhares de chineses censurados e perseguidos cujo principal crime é pensar pela sua própria cabeça. A sua fotografia está a ser exposta pela primeira vez na Europa, em Paris. Fica a sugestão para os programadores das nossas galerias.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

O estado da ciência ibérica

Em Espanha a ciência é tutelada por um ministério cocktail (para "poupar") que se designa: "Educación, Cultura y Deportes". Ou seja, ciência, ciência, é Mourinhos e as triangulações entre Iniesta, Xavi e Messi. Isto não é de estranhar, são conhecidas os preconceitos fortíssimos do Partido Popular em relação à ciência, os sacanas dos cientistas querem substituir-se ao Altíssimo, é preciso metê-los na ordem.

Por cá temos um primeiro-ministro que claramente não faz a mínima ideia da importância da ciência para sociedade. Em vez de a ciência integrar o esforço de combate à crise, não, cortou-se à bruta, até ao limite de fecho das instituições. A ciência passou a ser um estorvo, em vez de fazer parte da solução. Isto é bem resumido nesta passagem da entrevista do Reitor João Gabriel ao diário As Beiras deste sábado:

"...num momento em que nós devíamos estar completamente focados em sair da crise, a encontrar as vias de desenvolvimento que bem necessárias são, acabamos por gastar uma quantidade impressionante do nosso tempo a tentar sobreviver àquilo que nos impede de funcionar, o que é um direcionamento completamente errado da energia."

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

domingo, fevereiro 19, 2012

Do Carnaval Património Mundial à Pirosice



Hoje tive o privilégio de assistir ao Carnaval de Binche na Bélgica. Este carnaval integrou a lista do património imaterial da humanidade da UNESCO em 2003. É um carnaval extremamente popular que envolve toda a cidade e a região. É um carnaval a pé, sem "carros alegóricos", em que são as próprias famílias e associações a desfilar, mascarados e munidos dos seus próprios instrumentos musicais. É um carnaval democrático, sem bilhetes, perceberam que todos ganham mais assim. É um carnaval onde o público pode participar nas danças coletivas, danças de roda gigantescas em torno das praças principais. Em Binche estudou-se história, não se despejou betão indiscriminadamente em cima da cidade e não se nivelou tudo por baixo para chamar mais gente. Hoje ganham reconhecimento mundial.
No nosso país a tentação de nivelar tudo por baixo é irresistível. Basta comparar os dois cartazes de carnaval: o da Figueira e o de Binche. A pirosice do nosso carnaval é confrangedora.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Cacos do Império Britânico: Malvinas



Desde a rendição do general Charles Cornwallis aos exércitos francês e americano em 1781, o Império Britânico não se poupou a esforços para tentar manter a sua hegemonia. Desde o ataque a Toulon em 1793 que visava impedir que os ideiais republicanos se estendessem ao resto da Europa, até à guerra das Malvinas por iniciativa de Thatcher, passando pelo expediente da Commonwealth para manter as ex-colónias em regime light, o Império Britânico luta contra a sua extinção.

Aproveitando a distração concedida pelo governo de Merkel, o único país da UE com colónias no território da própria União (Irlanda do Norte e Gibraltar) voltou a lançar as garras às Malvinas: submarinos nucleares e o próprio Príncipe Guilherme. A família da Rainha que nunca fez um ato de contrição pelos anos de colonialismo de que foi responsável e o primeiro-ministro com tiques de extrema-direita contra os impostos na City, mostram ao mundo ao que andam. Com o Império Britânico não se brinca.

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Parece que é Carnaval na Alemanha

Na Alemanha, por estes dias, inúmeras cidades festejam o Carnaval, em desfiles rematados por megaconcertos que se prologam até às tantas da manhã. O feriado de Carnaval é local variando a data do(s) corso(s) de cidade para cidade. Os corsos de Colónia e de Mainz (na foto) são gigantescos e em nível de loucura colectiva fazem lembrar a Love Parade, a Festa da Cerveja de Munique ou a Queima das Fitas de Coimbra.
Se motivos faltassem, o exemplo dado por quem nos empresta dinheiro, mostra o quão ridículo é obrigar cidades que festejam o Carnaval como o Funchal, Ovar, Mealhada, Loulé, Figueira da Foz ou Torres Vedras a abdicar da tolerância de ponto por motivos económicos. Perguntem aos presidentes das câmaras de Colónia ou de Mainz se eles perdem dinheiro nesse dia.

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Carnaval

É o tema da minha crónica de hoje, Pontos de Vista, na Rádio Clube Foz do Mondego.

Horário: 10h45 com repetição às 18h40.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Quando sabe bem ganhar na secretaria



Sabe melhor que o "bife" que Contador ingeriu na Holanda antes do Tour de 2010.
Gosto de voltar a ver ganhar ciclistas que atacam e se cansam de seguida, que não são especialistas em tudo, que não andam a gerir os efeitos secundários dos comprimidos atrás das rodas do número dois da equipa.
Mas o Andy vai ter que treinar mais o contra-relógio, enquanto isso outros adquirem uns comprimidozitos para ganhar contra-relógios.

Por você eu roubava os anéis de Saturno



Crescente da lua Enceladus apanhado por baixo dos anéis de Saturno (fotografia da missão Cassini).

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Novas células fotovoltaicas substituem pilhas e baterias

(publicado no portal Esquerda.net)

A investigação no domínio das energias renováveis deu mais um passo com o desenvolvimento de dois novos tipos de células fotovoltaicas. Graças a um projeto apoiado pela União Europeia, e com a colaboração do Imperial College, a empresa britânica G24i lançou no mercado células solares com boa eficiência tanto fora como dentro de casa, funcionando com um nível de iluminação semelhante ao que existe no interior dos nossos lares. Estas células não funcionam como as células fotovoltaicas normais, funcionam através de um processo inovador que se assemelha à fotossíntese, tal como as plantas.

No Centro de Microelectrónica de Provença, em Gardanne, França, foi desenvolvido um novo tipo de células solares ultrafinas e transparentes. Estas células fotovoltaicas foram já aplicadas a telemóveis, numa configuração de película colada a uma das faces do aparelho. Com uma hora de exposição ao Sol, um telemóvel pode ser carregado parcialmente, permitindo 30 de minutos de utilização em modo de conversação. Através da exposição ao Sol durante 6 horas é possível carregar completamente a bateria de um telemóvel. Mas estas películas transparentes poderão ser adaptadas no futuro a automóveis, a aviões e a edifícios, ampliando o seu leque de aplicações.

Tendo em conta que uma pilha convencional de 1,5 V polui um volume de água superior ao volume que ingerimos durante toda a nossa vida e que as baterias dos telemóveis são compostas por substâncias e por materiais tóxicos e perigosos, estes novos avanços vão permitir diminuir a poluição do ambiente e economizar energia à escala doméstica.

domingo, fevereiro 05, 2012

Hospital da Figueira

Todos os que se bateram pelo cancelamento das medidas de supressão de serviços do Hospital da Figueira estão de parabéns: deputados eleitos, movimentos, bloguistas e cidadãos anónimos. Sinceramente, por momentos pensei que o pior pudesse acontecer a curto ou médio prazo. No entanto, a situação económica do país e os ziguezagues do nosso Primeiro ainda nos podem trazer alguma surpresa inesperada.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

À atenção de Soares dos Santos

Se esta sondagem holandesa se confirmar nas urnas, que tal Soares dos Santos mudar a sua sede para Marte ou Urano. Ou para o Monte Olimpo ou o Paraíso.