A delegação polaca que desapareceu no acidente aéreo de Smolensk ia assistir uma cerimónia em honra dos cerca de 20 mil polacos assassinados sob a ordem de Estaline durante a II Guerra Mundial. Para além do que de terrível encerra o assassinato de 20 mil pessoas, Estaline conseguiu tornar esta história ainda mais nauseabunda do que já era.Entre os polacos assassinados - capturados quando a URSS invadiu e partilhou a Polónia com a Alemanha Nazi - contavam-se: um almirante, dois generais, dezenas de coronéis e de tenentes, centenas de majores e capitães, milhares de soldados, um príncipe, refugiados, professores universitários, médicos, engenheiros, advogados, jornalistas e escritores. Algum tempo depois deste episódio, o governo polaco no exílio reuniu-se com Estaline para assinar o pacto Sikorski-Mayski cujo objectivo era formar um exército polaco em território soviético para combater a Alemanha. Nessa ocasião o primeiro-ministro polaco Władysław Anders, que desconhecia o paradeiro dos oficiais polacos assassinados em Katyn, forneceu a Estaline uma lista destes militares na esperança que o exército russo os pudesse encontrar ou libertar das garras dos nazis. Estaline recebeu a lista num misto de surpresa e de embaraço. Acenou com a cabeça que sim, que iria fazer um esforço para os encontrar. Mais tarde, garantiu a Władysław Anders que estes homens tinham sido libertados, mas que lhes tinham perdido rasto.
Perguntem ao PCP o que acha deste episódio...


Entre as minhas últimas leituras estão duas edições estrangeiras que mereciam uma edição portuguesa: "
A biografia histórica de Schuman, um dos "pais" da actual União Europeia, retrata um homem muito simples e dedicado à causa pública, um homem encalhado entre o mundo germânico e latino, que viveu entre a Lorena, a Alsácia e o Luxemburgo, que passou pela ocupação alemã, enfim um desses cidadãos que frequentou a escola da tolerância. O mais impressionante desta obra é a tremenda incerteza que reinava entre os homens que decidiram instituir a Comunidade do Carvão e do Aço e de seguida a Comunidade Europeia. Não tinham bem a certeza que "monstro" estavam a criar, mas tinham a certeza de algo bem concreto: a Europa não se podia ao luxo de voltar a entrar em guerra. Nisso eles acertaram, e os povos dos países signatários estão em paz entre si há mais de 50 anos, um record desde a queda do Império Romano.
O delírio permanente que se instalou na política italiana teve mais um episódio nas regionais de hoje. À boleia do eleitorado de Berlusconi, os candidatos separatistas da Liga de Bossi obtiveram vitórias históricas. Para Berlusconi está tudo bem, no pior dos casos o norte poderá enriquecer vendendo puzzles em lojas de souvenires, a sul descalça-se a bota e lança-se ao mar...

Do binómio Moura Guedes e Eduardo Moniz já lhes conhecemos um cinismo sem limites e assumido com orgulho, que os leva a tomar partido pela mediocridade com toda a arrogância possível e de sorriso dos lábios. Ambos assumiram plenamente uma programação miserável e facilitista onde impera a estupidificação à base de telenovelas e de futebol a toda a hora, um telejornal sensacionalista onde se debita o programa político do CDS disfarçado de informação e programas de variedades da vida real onde se contribuiu para branquear a honra de árbitros e de autarcas corruptos (na Quinta das Celebridades por exemplo). Não há um único documentário, um programa histórico, um programa sobre língua portuguesa, ciência ou cidadania. Criaram com todo o orgulho uma televisão que baixa a fasquia do conhecimento e da capacidade crítica dos portugueses.
