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segunda-feira, abril 05, 2010

Acordo de redução de armas nucleares entre Rússia e EUA

(publicado no portal Esquerda.net)
Esta semana Barack Obama e Dmitri Medvedev chegaram a um novo acordo sobre a redução de armas nucleares. O anterior tratado START (Strategic Arms Reduction Treaty) foi assinado pelas duas partes em 1991 - na altura a Rússia ainda integrava a URSS - e expirou no passado mês de Dezembro de 2009. O novo pacto que será assinado em Praga no próximo dia 8 de Abril, prevê a redução do arsenal de ambos os países para 1550 ogivas nucleares. Actualmente, o arsenal nuclear russo estima-se em cerca de 2500 ogivas nucleares e o número de ogivas americanas estima-se ligeiramente acima das 2000 unidades. O acordo de redução abrange também os diferentes meios de transporte de cargas nucleares até aos alvos: mísseis, submarinos, bombardeiros e camiões equipados de rampas de lançamento.

A maior novidade deste acordo são o aumento do rigor no mecanismo de verificação de aplicação do tratado, que deverá ser "irreversível, verificável e transparente", e a atribuição aos sistemas de mísseis defensivos do mesmo nível de perigosidade bélico que as actuais armas ofensivas.

Os elevados custos de manutenção e os problemas de segurança que colocam as velhas instalações onde são guardados os arsenais nucleares de ambos os países têm vindo a ser fortemente criticados por diversos especialistas, como Robert McNamara, representando a razão principal que forçou o acordo, mais do que a vontade política.

Actualmente, estão instaladas 480 ogivas nucleares na Europa pertencentes à NATO: 20 na Bélgica, 150 na Alemanha, 90 em Itália, 20 na Holanda, 110 no Reino Unido e 90 na Turquia. Seria de todo desejável que estas armas fizessem parte de um acordo que incluísse a Europa, dado que estas armas sofrem dos mesmos problemas apontados aos arsenais russo e americano. Recentemente, uma acção do grupo de activistas belga Bomspotting que milita contra a proliferação de armas nucleares, mostrou com uma facilidade desconcertante como se entra clandestinamente nas instalações de Kleine Brogel, na Bélgica, onde se encontram cerca de 20 cargas nucleares da NATO (Ver vídeo abaixo).





segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Interrogar Durão Barroso sobre ADM no Iraque

Tony Blair foi recentemente interrogado publicamente sobre a sua decisão de invadir o Iraque sob o pretexto da existência de ADM (armas de destruição em massa). Durante o interrogatório Blair passou por maus momentos, enquanto nos media o inspector da ONU Hans Blix tinha finalmente direito a oferecer aos britânicos, em horário nobre, a visão dos inspectores da ONU sobre a existência de ADM, bem diferente da versão anglo-americana.

Ninguém se esqueceu que na altura Durão Barroso foi categórico, afirmando que viu as provas da existência de ADM no Iraque. Mais tarde, em 2007, Barroso afirmou que lhe transmitiram informações "que não corresponderam à verdade". Fica no ar que Portugal foi enganado ao mais alto nível por outros países, com a agravante de estes serem países aliados. Seria de todo interesse da segurança nacional o Parlamento pedir uma audição ao ex-primeiro ministro. Seria importante ficarmos a saber definitivamente quem enganou Durão Barroso e tirar as respectivas conclusões sobre o bom funcionamento dos serviços de informação e aconselhamento ao mais alto nível e eventualmente tomar medidas à altura da gravidade do caso com os respectivos países que enganaram Barroso.

terça-feira, novembro 27, 2007

Consequências das declarações de Barroso II

A Ana Gomes comenta as declarações de Barroso sobre as ADM no Iraque como uma "tentativa de limpar o seu nome". Sugiro à Ana Gomes que acredite (tal como eu) nas declarações de Durão Barroso, pelo menos num primeiro tempo. É que as declarações de Barroso são gravíssimas. Portugal foi enganado ao mais alto nível por outros países, com a agravante de serem países aliados. Isto é muito mais grave do que as declarações do Procurador Geral da República sobre as escutas telefónicas. Trata-se da segurança do Estado ameaçada ao mais alto nível. Porque é que a Ana Gomes juntamente com a esquerda parlamentar não exige uma audição ao ex-primeiro ministro? Tira-se tudo a limpo. Ou ficaremos a saber definitivamente quem enganou Durão Barroso e poderemos tomar medidas à altura da gravidade do caso com os respectivos países, ou chegaremos à conclusão que o ex-primeiro ministro está a tentar limpar o seu nome, se de facto ninguém o enganou ou se se deixou enganar voluntariamente.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Consequências das declarações de Barroso

Durão Barroso, ao revelar que lhe transmitiram informações "que não corresponderam à verdade" sobre a existência de armas de destruição em massa, deveria ser objecto, pelo menos, de uma audição parlamentar para se saber com rigor como e quem enganou o nosso primeiro-ministro da altura. Relembro que estamos a falar de um assunto de estado da maior gravidade: a guerra. Na guerra morre gente, não se trata propriamente de um banal assunto de Estado como uma subida de taxas de juro ou mesmo da realização de um referendo popular. Relembro ainda que já houve audições parlamentares a jornalistas, por causa de uma vírgula.
Se foi a Administração Bush que enganou o nosso primeiro-ministro deveriam ser tiradas consequências à altura da gravidade dos factos, visto que fazemos parte de uma aliança militar com os EUA: a NATO. A aliança militar entre dois países é incompatível com este tipo de práticas, bastante comuns, isso sim, entre países rivais.
Se as informações enganosas vieram de outra fonte qualquer, o caso é ainda mais grave porque revelaria que estamos permanentemente expostos a ser ludibriados ao mais alto nível do Estado sobre assuntos da maior relevância política.

Fosse Portugal um país sério e esta questão seria tirada a limpo até às últimas consequências, o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Parlamento não deveriam admitir com passividade que o nosso país tenha sido enganado ao mais alto nível sem que sejam extraídas quaiquer conclusões e as consequências devidas.

O aconselhamento científico do Primeiro Ministro
O episódio Barroso revela igualmente como é perigoso um primeiro-ministro não ter conselheiros científicos à altura das suas funções. Na altura da cimeira havia cientistas e militares em Portugal que saberiam certamente reconhecer os camiões de hidrogénio ou pelo menos formar uma opinião crítica sobre a ideia de o Iraque transportar agentes biológicos em camiões pelo meio do deserto a altas temperaturas (ver 5. da entrada anterior). Além do mais, os comentários dos peritos americanos do Departamento de Energia e dos russos às "provas" apresentadas por Powell eram já conhecidos na altura. A quem recorreu Barroso para confirmar as provas que lhe foram apresentadas, visto que ele não tinha obviamente competência para as analisar? É uma questão que não deveria ficar sem resposta, porque é a "brecha" por onde entrou a informação enganosa.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Relembrar as mentiras sobre ADM no Iraque

Há mais de dois anos comentei aqui o livro "Disarming Iraq" da autoria de Hans Blix, o coordenador das inspecções de armas de destruição em massa (ADM) no Iraque. Dois anos depois o livro não perdeu a actualidade. Transcrevo a minha entrada de então:

Durante o processo de inspecções do Iraque lideradas por Hans Blix existiu uma constante pressão da administração Bush para montar um cenário de uma suposta ameaça apocalíptica da parte do Iraque sobre o mundo ocidental, os EUA e Israel em particular. Esse cenário em que supostamente armas de destruição em massa (ADM) estariam prontas a ser disparadas em 45 minutos nunca foi verificado por qualquer observação dos inspectores no Iraque liderados por Hans Blix, nem pelos melhores especialistas mundiais de ADM (Departamento de Energia dos EUA, DE; Institute for Science and International Security, ISIS; e Agência Internacional de Energia Atómica, AIEA). Por outro lado a tentativa de montar um cenário apocalíptico por parte dos EUA e do Reino Unido não é uma simples opinião política, essa tentativa foi bem real, está documentada e registada e ironicamente acabou por obter resultados em países em que existe um défice de consciência crítica e de falta de rigor dos políticos em assuntos de carácter científico, como em Portugal.
Hans Blix no seu livro "Disarming Iraq" descreve com detalhe e de uma forma muito fundamentada as ilusões que a propaganda americana e britânica impingiram ao mundo com algum sucesso. Depois do anúncio da comissão americana de inspecções de armamento no Iraque de que não existiam ADM, todos os argumentos apresentados pela administração Bush parecem hoje particularmente ridículos e falsos. No entanto convém recordar os argumentos que sustentaram a existência de ADM no Iraque, para que não caiam no esquecimento:

1- Uma ogiva para explosivos de fragmentação para mísseis de curto alcance encontrada numa sucata de uma fábrica encerrada e decadente. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Não foi encontrado qualquer vestígio de agentes químicos ou biológico na ferrugem dos restos da ogiva.

2- Um drone com um raio de acção de controlo a partir do solo de 8 km, cuja capacidade de carga útil era inferior a 20 kg. Supostamente serviria para espalhar agentes químicos. Com uma carga útil de 20 kg e um raio de controlo de 8 km deveria ser para matar pássaros na periferia de Bagdad...

3- Tubos de alumínio para enriquecimento de urânio por centrifugação - Foram comprados ilegalmente, mas serviam para a construção de foguetes. O DE e AIEA declararam vezes sem conta que aqueles tubos não serviam para as centrifugadoras. Um dos inspectores americanos depois intervenção no Iraque sugeriu que fossem utilizados em canalizações...

4- "Yellow stone" ou urânio natural supostamente importados pelo Iraque ao Niger é um material cuja utilização em armas nucleares requer um tratamento industrial complexo que a caduca indústria Iraquiana nunca poderia executar. O mais engraçado, é que a suposta importação de "yellow stone" por parte do Iraque é baseada num recibo apresentado pela administração americana e que se provou ser uma falsificação. A administração Bush declarou mais tarde que "alguém" falsificou esse recibo, eles só o tinham apresentado. Nunca se soube quem era esse "alguém". É outra forma de dizer "não sei quem FUI"...

5- Os famosos camiões de armas biológicas apresentados por Powell na ONU, como se veio a confirmar no fim da guerra, eram camiões de transporte de hidrogénio utilizados em balões meteorológicos de alta altitude. Já assisti a um lançamento de um balão a hidrogénio desse tipo e posso garantir que é algo de muito corrente o facto do enchimento ser feito por camiões. Mas o pior de toda esta história é que a ISIS, os especialistas em armas biológicas dos EUA, da Rússia e do Iraque disseram que aquela acusação só revelava uma ignorância tremenda dos serviços secretos britânicos. É que todos os especialistas em armas biológicas, inclusive os Iraquianos, consideravam a opção de utilização de camiões como uma opção perigosíssima, pois basta um pequeno acidente de trânsito para provocar uma catástrofe. O calor que se faz sentir no Iraque torna impraticável a utilização de laboratórios móveis que pudessem funcionar a uma temperatura aceitável sem adulterar os agentes biológicos.

Quase todas estas informações eram conhecidas antes da intervenção, mesmo assim avançou-se para o Iraque sob o pretexto das ADM. O cúmulo do propagandismo americano foi quando Condoleza Rice algumas semanas antes da intervenção no Iraque declarou: "as pessoas só vão dar razão aos EUA quando virem um cogumelo nuclear [produzido pelo Iraque]". Isto depois da AIEA, do DE dos EUA e da ISIS terem dado como finalizadas as inspecções de armas nucleares e como encerrado o programa nuclear Iraquiano...

quarta-feira, março 14, 2007

Verdades do Iraque como azeite em copo de água

Para quem tinha lido o livro "Disarming Iraq" de Hans Blix, as suas declarações de manipulação por parte dos governos britânico e americano do relatório sobre as armas de destruição em massa (ADM) não são grande novidade. Em "Disarming Iraq" já está lá tudo, num livro muito interessante nunca traduzido para português, vá-se lá saber porquê...

Aqui fica uma entrada de 11 de Outubro de 2004 em que comento as denúncias de Hans Blix em "Disarming Iraq" sobre o processo de inspecções de ADM.