quinta-feira, maio 31, 2007

Transporte ferroviário vs transporte rodoviário

1- Uma tonelada de mercadorias transportada por camião consome 3 a 4 vezes mais energia do que o seu transporte por via ferroviária.
2- A emissão equivalente de CO2 do transporte ferroviário é cerca de 10 vezes inferior à de um camião.
3 - O contributo do camião para as alterações alterações climáticas tem um impacto económico negativo 2,5 vezes superior ao transporte ferroviário (dados UIRR).

quarta-feira, maio 30, 2007

A expansão da rede europeia de alta velocidade



Esta semana foi concluída a linha do TGV Este que liga o TGV ao ICE alemão, ligando também uma série de cidades de grande e média dimensão da Europa central: Metz, Reims, Estrasburgo, Luxemburgo, Frankfurt, Zurique, Basileia, etc. É agora possível ir de Londres a Munique sempre em comboio de alta velocidade.

O mapa apresentado é retirado do sítio internet do TGV, e representa os países que integram a actual rede europeia de alta velocidade. A expansão para o leste não tardará muito. É sabido que este tipo de transporte é menos poluente do que o avião e do que o transporte rodoviário, além disso é o único transporte de massas capaz de competir com o avião em rapidez em trajectos de algumas centenas de quilómetros. Vêem Portugal no mapa? Claro que não! Em Portugal a visão política de futuro de uma boa parte dos políticos, não é o comboio de alta velocidade, a política de futuro é antes o camião, o autocarro, o avião e claro, o automóvel (de preferência TTs de 3500 cm3) atrelado às inevitáveis auto-estradas e as suas gulosas portagens. Obviamente, políticos como Marques Mendes e os ultra-liberais do costume vão continuar a combater o TGV e a aprovar viadutos, pontes e túneis caríssimos e inúteis, como o túnel do Marquês, a aprovar estádios de futebol e a proteger e alimentar as empresas que constroem auto-estradas caríssimas destinadas às moscas (para que serve a auto-estrada do litoral que vai duplicar a A1?).

PS- Há um argumento engraçado em Portugal contra o TGV, segundo o qual o TGV foi concebido para circular apenas em regiões e países planos. É cada planície de uma ponta à outra da Suiça e de Itália...

terça-feira, maio 29, 2007

Polónia vs Venezuela

Há qualquer coisa de polaco na república populista da Venezuela e qualquer coisa de venezuelano na república neoconservadora da Polónia. Ambas se revoltam contra o pai (EUA e URSS). Paga o povo.

domingo, maio 27, 2007

4 meses, 3 semanas e 2 dias

Ler no sítio do canal ARTE a crítica ao filme "4 meses, 3 semanas e 2 dias" do romeno Cristian Mungiu, Palma de Ouro de 2007. Aqui a crítica a todos os filmes premiados.

Vu du Ciel


Carrosséis agrícolas alimentados pela água de lençóis freáticos no deserto Wadi Rum, Jordânia

Da autoria de Yann Arthus-Bertrand, "Vu du Ciel" é uma série de quatro filmes sublimes onde é apresentado e analisado o estado actual do planeta. Alternado entre esplêndidas imagens da Terra vista do céu, entrevistas a mulheres e homens que dedicam a sua vida à defesa dos ecossistemas e a denúncia de variados atentados à biosfera, Arthus-Bertrand apresenta-nos uma série de uma qualidade invulgar que interpela de uma forma muito inteligente o espectador. Arthus-Bertrand calcorreou o planeta da Gronelândia à Nova Caledónia, para nos mostrar as graves consequências nos ecossistemas provocadas pelo aquecimento global, a ameaça que o nosso modo de vida representa para a biodiversidade do planeta e mostrando também os bons exemplos em que o trabalho dos cientistas e de organizações especializadas teve sucesso na recuperação de ecossistemas considerados praticamente perdidos.

A série de Arthus-Bertrand que conjuga a imagem com a apresentação dos mais recentes dados científicos - disponíveis no sítio da série - é a melhor representação audiovisual dos riscos apresentados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas. "Vu du Ciel" é uma série incontornável para todos aqueles que se interessam pela ecologia, as alterações climáticas e o futuro do planeta. A série tem vindo a ser apresentada no canal France 2 (TV5), mas uma série desta qualidade é de emissão obrigatória em qualquer televisão do mundo. Resta saber qual será a primeira televisão portuguesa que vai sacrificar um punhado de horas de estupidificação televisiva (ler futebol, variedades da vida real ou telenovelas) por uma série sublime, inteligente e popular.

quinta-feira, maio 24, 2007

Concordo

"Claro que cá fora, as mulheres são de um modo geral mais “mestres” e mais “belas” e eles dificilmente competem quer numa quer noutra qualidade, mas talvez tenha sido também isso uma fonte de atracção, porque ajuda ao escapismo masculino pensar que, pelo menos, na televisão, as mulheres são mais burras do que eles.", Pacheco Pereira, entrada "Belas e Mestres" no Abrupto.

O meu pai ganhou a Liga Record

O meu pai depois de se reformar dedicou-se à salutar actividade de treinador de bancada e fê-lo com sucesso como se pode ler aqui. Estou orgulhoso obviamente. Para além disso, a próxima vez que me pegar com o Paulo Querido sobre o Scolari já tenho mais um argumento a meu favor: ser filho do campeão dos treinadores de bancada. Toma lá embrulha Paulo! ;)

O sucesso do meu pai não surge ao acaso, eu conheço-o, a matemática teve uma importância fundamental. Apesar de não ter um curso superior, conhecendo a Universidade como conheço não tenho dúvidas nenhumas que poderia ter tirado um curso de matemática, física ou economia (ou outros cursos que envolvessem cálculos) com muita facilidade. Mas, o meu pai teve o azar de fazer parte da geração de António Barreto, de Fátima Bonifácio e de Vasco Graça Moura. Nesses tempos só os ricos é que iam para as Universidades, todos os outros que tivessem algum talento em vez de ir para a Universidade iam fazer o que era poupado aos filhos dos ricos: bater os costados no ultramar. É por isso que este sucesso do meu pai de certa forma me entristece, porque tenho a certeza que se tivesse tido as mesmas oportunidades que eu - ensino universal e gratuito - o seu futuro seria outro, o seu talento para a matemática não seria desperdiçado em profissões menores.

terça-feira, maio 22, 2007

Chegar de comboio a Lisboa antes das 9h

Finalmente, algum responsável da CP iluminado pela luz do Altíssimo descobriu que não existiam comboios provenientes de Coimbra e do Porto que chegassem a Lisboa antes das 9 horas da manhã. 9:20 era o melhor que se arranjava. Com reuniões e compromissos marcados para as 9:00, as pessoas do Porto e de Coimbra eram obrigadas a recorrer ao transporte individual ou a passar a véspera em Lisboa. Quantas vezes estoirei dinheiro desta maneira, do meu bolso e dos dinheiros públicos, para cumprir com pontualidade os meus compromissos de trabalho marcados para as 9 horas em Lisboa. Agora temos um Alfa que chega às 8:22 a Lisboa, estamos melhor sem dúvida, mas parece-me que os responsáveis pelos horários da CP não estão bem a par dos horários dos voos do aeroporto da Portela. Em qualquer país civilizado da Europa, as linhas de comboio que servem os aeroportos (parece-me que foi essa a intenção da construção da gare do Oriente) oferecem horários de chegada a partir das 6:30 da manhã. Desconfio que vamos ter que esperar mais alguns longos anos até que um dos responsáveis dos horários da CP volte a ser iluminado pelo Altíssimo, relembrando-o de que existem portugueses que moram a norte de Vila Franca de Xira cujos voos saem do aeroporto da Portela a partir das 7 da manhã...

segunda-feira, maio 21, 2007

31

31 títulos, entre os quais três taças europeias e uma taça intercontinental. A transferência de Baía para o Barcelona continua a ser a mais cara transferência de sempre de um guarda-redes. O Vítor é na minha opinião um dos mais talentosos futebolistas portugueses de sempre, na minha opinião só superado em talento pelo Figo e pelo Eusébio, mas o seu imenso desportivismo, a sua eloquência (quantos futebolistas do seu nível conseguem articular duas ideias seguidas?), a sua inteligência, o seu comportamento disciplinar exemplar e o respeito que sempre demonstrou pelos adversários fazem dele o maior desportista que passou pelos relvados portugueses nas últimas décadas. Homens assim são raros. É por isso que muitos de nós, adeptos do Porto, esperamos muito mais do Vítor. A cadeira de Presidente do FCP é dele quando ele quiser, mas desconfio que o 31 vai passar a 32, 33, etc. se o Vítor juntar à braçadeira de capitão a de treinador. Se o nosso país tivesse menos preconceitos a selecção ficaria muito bem entregue a um homem assim.

sexta-feira, maio 18, 2007

Escandaloso: nomeação de Rui Pereira e praxe

- A nomeação de Rui Pereira, juiz do Tribunal Constitucional, para Ministro da Administração Interna faz-me sentir cidadão de uma autêntica república das bananas. Hoje no tribunal, amanhã ministro, quiçá depois de amanhã outra vez no tribunal e por aí fora. O essencial da democracia e um dos pilares fundamentais que distinguem as democracias do despotismo que é a separação entre poder político e poder judicial é neste caso completamente desprezada. Sinto convulsões estomacais.

- O mínimo que se exige à Reitoria da Universidade de Coimbra é a expulsão dos responsáveis pelo violento abuso de que foram alvo os alunos do primeiro ano no dia que antecedeu o início da Queima das Fitas. A violência da praxe combate-se não apenas aplicando as leis da República (válidas para todos os cidadãos) aos alunos universitários, mas também através da aplicação de castigos internos que garantam a liberdade de estudo e de circulação de todos os alunos no espaço universitário. A melhor forma de combater este flagelo é cultivando o salutar acto de denunciar a violência universitária quer na PSP quer na Reitoria. A proibição da Praxe já se sabe que seria uma ideia tão brilhante como proibir de fumar ao ar livre ou proibir o véu, sabemos bem que existirão sempre meia dúzia de masoquistas que gostam de se passear com as trombas pintadas e de ser insultados de bestas para baixo, nem que seja só para contrariar os anti-praxistas.

quinta-feira, maio 17, 2007

Palmas de Ouro por ordem de preferência

Partilho com os caríssimos leitores cinéfilos todos os filmes Palma de Ouro de Cannes que vi por ordem de preferência:

Underground - Emir Kusturica (1995)
La Dolce Vita - Federico Fellini (1960)
Barton Fink - Joel e Ethan Coen (1991)
Blow-Up - Michelangelo Antonioni (1967)
Dancer in the dark - Lars von Trier (2000)
Elephant - Gus van Sant (2003)
O Piano - Jane Campion (1993)
Adeus minha Concubina - Chen Kaige (1993)
Taxi Driver - Martin Scorsese (1976)
Fahrenheit 9/11 - Michael Moore (2004)
Pulp fiction - Quentin Tarantino (1994)
Paris, Texas - Wim Wenders (1984)
O Pianista - Roman Polanski (2002)
A Criança - Jean-Pierre et Luc Dardenne (2005)
Sexo Mentiras e Video - Steven Soderbergh (1989)
Segredos e Mentiras - Mike Leigh (1996)
A Missão - Roland Joffé (1986)
A Enguia - Shohei Imamura (1997)
O Quarto do Filho - Nanni Moretti (2001)
Apocalypse now - Francis Ford Coppola (1979)
Brisa de Mudança - Ken Loach (2006)

Residencial Eurostadium é ilegal, obviamente!

Desde o início que se sabia que a Residencial Eurostadium em Coimbra era ilegal. Bastava ler os regulamentos de construção para aquela zona da cidade. Mas o sentimento de impunidade que gozavam o Grupo Amorim e a Câmara de Coimbra não os demoveu nem um milímetro de continuar a obra e de vender todos os T0 para "estudantes" (é estudantes é...).
A sentença do Tribunal é claríssima.
Conheço o arquitecto que teve a coragem de denunciar o caso à justiça há quatro anos. Tive a oportunidade de testemunhar alguns dos transtornos que sofreu na sua vida pessoal durante todo esse tempo, foi uma autêntica luta de David contra Golias ao serviço da cidadania. Faz falta mais gente assim.

terça-feira, maio 15, 2007

Festival de Cannes no Canal ARTE

Até ao dia 27 de Maio, o canal ARTE vai acompanhar o festival de Cannes exibindo filmes premiados em edições anteriores, reportagens, documentários e crítica sobre os autores e os filmes presentes este ano. A não perder por qualquer cinéfilo que se preze. ;)

Belle Toujours

"Belle Toujours" é a continuação imaginada por Manoel de Oliveira da história de "Belle de Jour" 40 anos depois. "Belle Toujours" conta com a interpretação de Bulle Ogier a substituir Catherine Deneuve na personagem de Séverine e Michel Piccoli sempre na pele de Henri Husson. A estreia do novo filme do Mestre está marcada para dia 14 de Junho.

segunda-feira, maio 14, 2007

Belle de Jour



"Belle de Jour" de Luis Buñuel é uma adaptação ao cinema de um romance de Joseph Kessel. A qualidade dos elementos que Buñuel acrescentou ao original levaram o próprio Kessel a admitir que o filme era superior ao seu romance. Esta obra-prima de Buñuel conta a história de Séverine (Catherine Deneuve) uma aristocrata frígida, cuja vida sexual com Pierre, o seu marido, é praticamente inexistente. Severine descobre um discreto bordel, onde poderá trabalhar durante o dia, na ausência de Pierre, com o intuito de dar largas aos seus fantasmas e com a esperança de encontrar aí algo que possa dar de novo um sentido à sua vida sexual com Pierre. No entanto, os planos de Séverine serão alterados quando esta conhece Henri Husson (Michel Piccoli), um cliente habitual do bordel...

Esta obra-prima de Buñuel confrontou em 1967 a sociedade da época com fantasmas femininos que representavam uma clara transgressão às normas estabelecidas - estávamos a um ano do Maio de 68. No entanto, apesar das transformações sociais que ocorreram até aos dias de hoje, a obra de Buñuel continua actual. Para ilustrar a actualidade da obra transcrevo uma pequena parte de um excelente texto intitulado igualmente "Belle de Jour" da autoria Joana Amaral Dias publicado na revista Manifesto n°5:

"...apenas a validação a a apreciação da prostituição voluntária, que entretanto substituiu o discurso abolicionista na cena internacional, verdadeiramente desafia as perspectivas tradicionais sobre a sexualidade feminina, ela é frequentemente conjugada no modo criminal ou estigmatizante. As mulheres que escolhem ser prostitutas e recusam o estatuto de vítimas, são mais provavelmente ostracizadas e desprezadas... implicitamente dizendo-se que, pela sua transgressão, "merecem o que têm"."

sábado, maio 12, 2007

Sábado em Coimbra XXXV: aos juristas da cidade

Coimbra é a cidade do Direito, com uma densidade de advogados, professores, alunos de Direito e profissionais da área que bate qualquer outra cidade do país. Tendo os conimbricenses o privilégio de ter tantos especialistas das leis que nos regem, o rumo que leva o desenvolvimento da cidade inspira-me uma série de questões dirigidas aos meus caríssimos conterrâneos juristas:

- Porque é que em Coimbra se cometem ilegalidades grosseiras com tanto à-vontade?
- Porque é que um empresário constrói um prédio à vista de toda a gente com vários andares acima do limite permitido pela lei? Esta é uma ilegalidade impossível de esconder, está à vista de todos, não se trata de uma recôndita cave transformada em parque de estacionamento, trata-se de um prédio junto a uma das artérias mais frequentadas da cidade. Será que o empresario estava convicto que teria cobertura jurídica?
- Porque é que se cometeram ilegalidades grosseiras nas demolições na Baixa e na construção do Studio Residence no Eurostadium?
- Porque é que proliferam as urbanizações selvagens, sem espaços verdes, sem transportes públicos, sem passeios, sem estética, destruindo irremediavelmente os poucos espaços verdes que ainda existem na cidade?
- Porque é que se constrói à beira da estrada por todo lado, fora dos limites da cidade e dos limites das vilas e das aldeias que rodeiam Coimbra?
- Será que os meus conterrâneos juristas não vêem estas aberrações?
- Os meus conterrâneos juristas que auferem tão onerosos salários, não viajam? Não vêm que no resto da Europa não se vê esta selvajaria dentro e fora dos limites das cidades?
- Não acham estranho que em Coimbra se possa construir em todo o lado? As nossas leis não são muito diferentes das espanholas ou francesas. Quando atravessam a cidade a pé ou ao volante do vosso veículos, estas aberrações não vos inspira uma reflexão sobre o respeito das leis que regem o espaço urbano da nossa cidade?
- Não vos causa indignação o caos urbanístico em que mergulhou a cidade nos últimos 10 anos?

Coimbra, uma cidade histórica e com estilo único no país, está cada vez mais feia, caótica e agressiva. Se vocês, caros conterrâneos juristas, não se indignarem com ilegalidades desta dimensão, o resto dos conimbricenses pouco podem fazer - os poucos corajosos vêm os seus processos eternizados nos tribunais apesar dos pareceres favoráveis das suas reclamações.

Sábado em Coimbra XXXIV

quarta-feira, maio 09, 2007

Quando o país se confronta com a dura realidade

A histeria nacional do momento, o caso da menina inglesa desaparecida no Algarve, tem tido a virtude de confrontar os portugueses com o que a imprensa viperina e o cidadão médio mal informado do norte da Europa, neste caso de Inglaterra, pensam realmente de Portugal e dos portugueses. Independentemente da nossa polícia estar a conduzir bem ou mal as investigações, por defeito para o inglês médio a polícia portuguesa só pode trabalhar mal. Um país cuja organização do território é uma lástima e que até há bem pouco tempo praticava julgamentos medievais de mulheres, só pode desencadear este tipo de reacção epidérmica, por muito bons que sejam o Cristiano Ronaldo ou o Mourinho em Inglaterra. Futebol é futebol, civismo é civismo. É provavelmente injusto para a polícia que está a trabalhar no duro no Algarve, mas a culpa dessa imagem negativa é de todos nós, somos nós que construímos esta imagem do país.

Babel à portuguesa
Esta é também uma ocasião para os que não gostaram de Babel por acharem o filme "politicamente correcto" compararem o que se está a passar com o episódio de Babel passado em Marrocos. Aí têm ao vivo e em directo do Algarve um filme "politicamente correcto"...

Guerra Fria parte II

Abaixo transcrevo uma passagem de um texto sobre o sistema anti-míssil do Instituto de Estudos Estratégicos e Internacionais bem elucidativo do que a Administração Bush anda a preparar juntamente com os governos checo e polaco nas costas dos cidadãos europeus. É de assinalar a reacção popular negativa mesmo no caso polaco.

"A opinião pública do país [Rep. Checa] está dividida sobre esta questão. Segundo uma sondagem públicada pelo Prague Daily Monitor, 61 por cento dos inquiridos mostraram-se contra a instalação do radar. Enquanto que num referento local, a população da aldeia Trokavek – onde vai ser instalado o radar – votou em massa contra a iniciativa norte-americana. Apenas um dos 72 eleitores da localidade votou favoravelmente. Contudo, é de realçar que o resultado do escrutínio não foi considerado vinculativo.
Não se julgue que é só a opinião pública checa que está contra a proposta vinda da América. De acordo com a revista Warsaw Voice – que cita uma sondagem da televisão pública polaca – 73 por cento dos inquiridos defendem a realização de um referendo sobre a instalação de uma parte do sistema de defesa antimíssil norte-americano no seu país. Além disso, 49 por cento das pessoas dizem estar contra esta iniciativa da Casa Branca e apenas 37 por cento veêm a medida como positiva.
Os dois maiores responsáveis políticos do país, o presidente Lech Kaczynsky e o Primeiro-Ministro, Jaroslaw Kaczynski, estão disponíveis para dialogar com o presidente norte-americano George W. Bush. Dizem preferir ser eles próprios a negociar com os EUA, em vez de confiarem na UE e na NATO para tratar destas questões de segurança, afirmando estar perante questões meramente "bilaterais".
"

segunda-feira, maio 07, 2007

O Pacto Ecológico de Nicolas Hulot

O Pacto Ecológico apresentado por Nicolas Hulot antes do início da campanha eleitoral foi na minha opinião a contribuição política mais interessante para estas presidenciais francesas. Apontado pela imprensa como candidato, Nicolas Hulot surgiu nas sondagens com 10% de intenção de voto. Humildemente não apresentou candidatura às presidenciais, mas conseguiu a assinuatura do seu Pacto Ecológico da parte de todos os candidatos excepto Arlette Laguiller, Besancenot (já se sabe que o Marxismo tem resposta para tudo...), Le Pen, De Villiers e Nihous.

Na sequência do Pacto Ecológico, Nicolas Hulot lançou o livro "Pour un Pacte Écologique". A obra de Hulot para além de ser um interessantíssimo retrato das actuais sociedades em que vivemos, apresenta sem grandes preconceitos ideológicos 10 objectivos para que o nosso modo de vida possa ser compatível com os recursos finitos do planeta e com equilíbrio que rege os ciclos do clima terrestre. Hulot divide os seus objectivos em 10 áreas diferentes: economia, energia, agricultura, território, transportes, fiscalidade, biodiversidade, saúde, investigação científica e política internacional. Hulot apresenta números crús e chocantes sobre o nosso modo de vida actual: apenas 7% das matérias-primas estão presentes nos produtos que consumimos; 80% desses produtos são utilizados uma única vez; a produção de um computador portátil de 3kg necessita do equivalente energético de 350kg de petróleo; 1 kg de cereais necessita de 1000 litros de água; um hamburguer necessita de 10 mil litros de água; 47% dos frutos e legumes europeus contêm pesticidas; a superfície de florestas primárias do planeta foi reduzida a 1/4.
Esta é uma obra incontornável sobre a sustentabilidade do nosso modo de vida, sobre o futuro das próximas gerações e sobre a reflexão política a que estaremos obrigados nos próximos 100 anos, imposta pelos limites do nosso planeta. Assim que possível tentarei aqui transcrever algumas das suas passagens mais interessantes.

domingo, maio 06, 2007

quinta-feira, maio 03, 2007

Mais uma ilegalidade grosseira em Coimbra

Aqui descrita pela Catarina Martins.
Espanta-me o à-vontade com que se cometem ilegalidades deste calibre na cidade do Direito.

Surpreendente Ségolène

Já sabíamos que cabia a Ségolène atacar. Também já sabíamos que a Sarkozy bastava gerir a vantagem das sondagens. Apesar disso, Ségolène surpreendeu toda gente, inclusive o próprio Sarkozy. Ségolène esteve muito melhor no ataque a Sarkozy do que este a gerir a sua vantagem. Sabemos que a proeza de Ségolène terá pouca expressão na inversão da tendência de voto, mas foi muito interessante ver Sarkozy a entrar no debate de peito feito contra a semana das 35 horas de trabalho e a sair do debate com as 35 horas entre as pernas. Ficámos a saber que Sarkozy não quer acabar com as 35 horas, nem as principais associações patronais (estas já consultaram os índices de produtividade). Em vez, Sarkozy propõe aumentar as horas extraordinárias. Num país onde apenas metade dessas horas são utilizadas, a ideia é fraca.
Grandes calinadas foram proferidas pelos dois sobre a energia nuclear, valeu-lhes o desconhecimento sobre o assunto da generalidade dos eleitores. Ségolène patinou fortemente nos números da segurança social e Sarkozy transpareceu alguma insegurança nos seus conhecimentos quando interpelado com agressividade, mesmo quando tinha razão.
Foi essa determinação na interpelação do adversário, esse espremer constante dos conhecimentos e das propostas do outro, que fez deste debate um grande debate. Ambos se queimaram, ambos ficaram expostos às suas fragilidades, mas as propostas políticas ficaram muito mais claras para os eleitores. Estou a pensar nos quatro debates insonsos entre Kerry e Bush, onde se repetiam constantemente frases feitas, onde o raciocínio político era linear e simplista apesar da gravidade dos assuntos (como a guerra) e onde os candidatos se debatiam como se tivessem num campo de squash, contra a parede, e não olhos nos olhos.

quarta-feira, maio 02, 2007

Tenho um animal morto no meu prato!

"Tenho um animal morto no meu prato!", assim exclamou um amigo, filho de emigrantes portugueses nos EUA, após regressar ao país e lhe servirem um robalo grelhado num restaurante de Peniche. Nos EUA este amigo habituou-se a comer comida embalada em caixinhas, café fechado em goblets de cartão, queijos coloridos e sem cheiro, croquetes de todos os tipos de carne moída com formazinhas do Mickey e de peixinhos iguais aos desenhos da escola primária, pipocas da cor dos marcadores fluorescentes da Stabilo e bolachas com pepitas de morango, mas sem morango, pepitas feitas de pequenas gomas vermelhas com aroma artificial a morango.

Nos EUA ninguém proibiu que se coma peixe grelhado, que se veja a cor do café, que se toque num grão de milho ou que se comam morangos frescos, mas na realidade a "mão invisível" da religião do Mercado encarregou-se de que a esmagadora maioria dos americanos já não saiba o que de facto come. Sabem que comem marcas, que comem coisas trituradas, depois enformadas e coloridas como nos filmes da Disney e de Hollywood, sabem o número dos menus do restaurante X e a cor do "queijo" (em geral são emulsões lácteas e não queijo) que sai fora da sanduíche do menu Y.

Na prática, a ideologia do ultraliberalismo, da mão invisível e do modo de vida que Pacheco Pereira defende para a Europa, responsável pela alienação alimentar da maior parte dos americanos (os mais pobres), é muito mais proibitiva, sem proibir, do que os preconceitos alimentares religiosos comuns às religiões do livro (os católicos também os têm). É particularmente uma ideologia mais proibitiva do que o Islão a quem Pacheco Pereira dedica a entrada "Daqui a uns anos, na Europa, será assim?". Na verdade, e apesar da diferença de níveis de vida, em média, a alimentação de um muçulmano é muito mais variada do que a alimentação de um americano. Se deixássemos, seria essa alimentação "americana" que a Europa teria à mesa "daqui a uns anos", nada de peixes mortos no prato, nem queijos que cheiram mal, nem legumes crus, tudo seria servido em caixinhas da Disney, com histórias dos sobrinhos do Mickey. Dos sobrinhos, obviamente! É que as criancinhas poderiam ficar chocadas se fossem filhos do Mickey. Como é que se iria depois explicar que o Mickey tem um pénis a Minie uma vagina que servem para copular e ter filhos?