A beatificação de Pio XII por insistência do Papa Bento XVI constituirá a celebração de um silêncio mortal, a celebração do oportunismo e a celebração da cumplicidade com o pior da história do século XX. Aliás, o silêncio e a inacção da igreja perante os casos de pedofilia já são uma grande demonstração de coerência com a herança de Pio XII. Mas sobretudo, ao beatificar Pio XII, este Papa envia um sinal bem forte a todos os crentes de que mais vale estar calado, mais vale colaborar e mais vale aproveitar as pequenas oportunidades quando confrontados com as piores arbitrariedades cometidas nos seus locais de trabalho, nas suas famílias e nas suas comunidades.
Apesar do Vaticano precisar que a beatificação de Pio XII considera apenas "as suas virtudes enquanto cristão, pondo de parte qualquer apreciação da importância histórica de todas as suas decisões operacionais", com o mesmo critério poderíamos beatificar operacionais das SS, kapos dos campos de concentração e talvez inclusivamente alguns dos autores da solução final. Tenho a certeza que entre estes indivíduos havia gente perfeitamente honesta, louvável e integra antes de participar activamente na barbárie nazi. Mas é na adversidade que se testa a verdadeira integridade das pessoas ou, por outras palavras, o seu potencial de beatificação. Nesse particular Pio XII fez parte desse pelotão do silêncio, desse pelotão da cobardia perante a barbárie que foi um pelotão tão ou mais terrível que os próprios pelotões SS.
Taslima Nasreen e Caroline Fourest publicaram "


A má imagem que parte do clero espanhol transmitiu ao resto da Europa, durante as semanas da campanha eleitoral, uma imagem retrógrada, preconceituosa e de intromissão em assuntos públicos, ficou registada e servirá de exemplo futuro de como o clero não se deve comportar em sociedades modernas e laicas.
