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sábado, abril 18, 2009

Sábado em Coimbra XLIV: A Poesia do 17

(foto Jornal Cabra)

Se fizéssemos uma recolha dos momentos mais poéticos da história de Portugal, o 17 de Abril de 1969 em Coimbra estaria entre esses momentos.
A minha humilde homenagem a essa rapaziada corajosa, que num país de carneirinhos mansos, interpelou olhos nos olhos o mais alto representante do regime totalitário e o pôs a andar da cidade de rabinho enfiado entre as pernas (consta até que lhe apalparam o cu e ele fingiu que não sentiu...).

Ler o Luís Januário, o prof. Carlos Fiolhais e Vital Moreira.

Sábado em Coimbra XLIII

sábado, janeiro 17, 2009

Sábado em Coimbra XLIII: Quebra Bar

O Quebra Bar pode ser Quebra Lar,
depende da noite.
O Quebra Lar pode ser Quebra Lar
depende da noite se Quebra é substantivo ou verbo.

O Quebra Bar pode ser Brokeback Bar,
depende da noite,
ou Quebra las Costillas,
depende do cliente.

Vou pela tostas, pela música e pelo vinho,
(ah! como é difícil encontrar bares que servem vinho)
Gosto menos da fumarada,
o seu Quebranhar de Aquiles!

Sábado em Coimbra XLII

sábado, dezembro 20, 2008

Sábado em Coimbra XLII: o blogue do Tó Zé

Para muitos dos meus leitores de Coimbra o Tó Zé dispensa apresentações. O Tó Zé é um dos poucos conimbricenses que trata a cidade por tu, conhece-lhe as manhas, os delírios, sabe de cor o programa das festas e os recantos onde ocorrem performances maradas.
O Tó Zé tem um blogue: Por Mão Própria.

Sábado em Coimbra XLI

segunda-feira, setembro 22, 2008

Sábado em Coimbra XLI: sai um jantar para o Afonso!

Este sábado, o ilustre J.J., após uma interessante e acidentada exposição sobre a influência da descoberta das bebidas alcoólicas na expansão das confissões religiosas, lançou-se numa aposta kamikaze contra este vosso humilde servidor e uma terceira alma. O Afonso, o Henriques, que descansava ali no seu túmulo a 20 passos da nossa mesa da esplanada do Santa Cruz, abanava a cabeça como quem diz "criei eu este país há 900 anos para isto..." Entretanto, dada a generosidade do desafio, propus que igualmente o Afonso fosse beneficiário do jantar a prémio, ficando nestes termos registada a aposta nas crónicas coimbrãs de 20 de Setembro do santo ano de 2008.
A pedido do próprio Afonso deixo aqui a ligação que lhe dá direito ao merecido jantar. Antevejo já um banquete onde se queimarão árvores inteiras na assa de robustos bois, que a fome de 900 anos não se resolve com duas ou três lebres.

Sábado em Coimbra XL

sábado, junho 07, 2008

Sábado em Coimbra XL: lendo Afonso a Afonso

Ando a ler a biografia de Afonso Henriques de José Mattoso.
Sento-me na esplanada do café Santa Cruz e leio-a em pensamento alto para o Afonso ouvir, ele está ali dentro na igreja, a apenas alguns metros.
Li-lhe a passagem onde Viseu é apontada com grande probabilidade de ser a cidade do seu nascimento. Ele não se descoseu, nem uma nem duas.
Quando lhe descrevi a reacção de cólera gerada em Guimarães à recente descoberta dos historiadores, o Afonso mandou uma grande cabeçada com o seu capacete de metal na laje que cobre o seu túmulo, ouvi-o às voltas lá dentro, muy agitado...

Sábado em Coimbra XXXIX

sábado, maio 10, 2008

Sábado em Coimbra XXXIX: roteiro do vinho

Durante os meus estudos vivi em Itália e em França e em qualquer destes países produtores de vinho pode-se beber um bom vinho numa discoteca ou num bar nocturno. Em Coimbra, tal como no resto do país para se beber um bom vinho depois da meia-noite é preciso elaborar um roteiro clandestino. A bebida padrão é o fino, aquela água de lavar cevada mal fermentada. Imaginem, que por duas vezes pedi um vinho branco no Irlandês (servem ali um sauvignon razoável) e trouxeram-me uma cerveja dizendo aqui está o seu "fino branco"... Ao ponto a que as orelhas dos empregados estão treinadas para ouvir a palavra fino!
Tirando o Irlandês, bebe-se um Esteva no Quebra Costas (baratíssimo) e o Rock Café é o primeiro bar nocturno em que detecto espumantes e champanhes. Eu sei que estou a deixar de fora o Garden, que não frequento há anos. Se conhecerem algum bar aberto depois da meia-noite que sirva vinho façam favor de usar a caixa de comentários, faremos um roteiro.

Sábado em Coimbra XXXVIII

sábado, fevereiro 02, 2008

Sábado em Coimbra XXXVIII: O Emanuel

O Emanuel é um ciganito romeno, talvez dos seus 10 anos,
O Emanuel costuma cravar-me na esplanada do Santa Cruz,
ele já sabe a resposta: "oh Emanuel tens que ir para a escola",
se fosse um dos outros miúdos ali da Baixa, mandava-me logo para o caralho.
Mas o Emanuel não, faz um ar triste, os pais destinaram-lhe a rua.

Diariamente, Carlos Encarnação, o Presidente da Câmara, passa por ali a pé,
não é cego, vê o Emanuel e outras crianças por ali a pedir.
Observo a sua cara de preocupado.
Para o Emanuel, a escola bem pode esperar...

Sábado em Coimbra XXXVII

sábado, setembro 08, 2007

Sábado em Coimbra XXXVII: a serenata

Muita da canção de Coimbra, incluindo aquilo a que se chama Fado de Coimbra, são variações da época em que o Bel Canto e as trovas italianas estavam na moda (meados do séc. XIX). Na altura as serenatas popularizaram-se entre os estudantes tendo atravessado as décadas e as modas até aos dias de hoje.

Coimbra é uma das poucas cidades da Europa do século XXI cujos habitantes têm o privilégio de assistir a uma serenata espontânea. Ela à janela, ele cá em baixo, de guitarra ao peito ou acompanhado por amigos. Aprecio a coragem dos trovadores (eu não me atreveria a tal iniciativa sob o risco de levar com uma arca frigorífica em cima). E aprecio esta resistência romântica da cidade à era do mp3 e do sofá-televisão, uma era interpassiva, como a apelida Žižek por oposição à efectiva interactividade.

Sábado em Coimbra XXXVI

sábado, junho 09, 2007

Sábado em Coimbra XXXVI: conversas com o Afonso

Sempre que vou ao café Santa Cruz tento ficar no canto da esplanada mais próximo da igreja, mais próximo do Afonso, o Afonso Henriques. Do seu túmulo, que fica a apenas alguns metros da minha mesa, o Afonso saúda-me erguendo ligeiramente a espada pousada sobre o peito. De seguida iniciamos grandes cavaqueiras sobre o estado da nação e do mundo. Ele quer saber tudo. Falamos do passado e falamos destas ruazinhas em frente a nós, quem vivia ali há 800 e tal anos, os episódios passados com os seus servidores, os seus soldados, os clérigos e as mulheres que serviam todos estes homens. Fixo o início da rua direita e começo a percorrê-la de sandálias, sobre a lama amassada pelas montadas, pelos comerciantes, viajantes e locais que vinham à praça de Coimbra recém conquistada para o campo do cristianismo. Toco alguns dos artefactos à venda, bem como as castanhas, as peras e as romãs de há 800 anos, respiro fundo e sinto o cheiro original desta cidade...

Sábado em Coimbra XXXV

sábado, maio 12, 2007

Sábado em Coimbra XXXV: aos juristas da cidade

Coimbra é a cidade do Direito, com uma densidade de advogados, professores, alunos de Direito e profissionais da área que bate qualquer outra cidade do país. Tendo os conimbricenses o privilégio de ter tantos especialistas das leis que nos regem, o rumo que leva o desenvolvimento da cidade inspira-me uma série de questões dirigidas aos meus caríssimos conterrâneos juristas:

- Porque é que em Coimbra se cometem ilegalidades grosseiras com tanto à-vontade?
- Porque é que um empresário constrói um prédio à vista de toda a gente com vários andares acima do limite permitido pela lei? Esta é uma ilegalidade impossível de esconder, está à vista de todos, não se trata de uma recôndita cave transformada em parque de estacionamento, trata-se de um prédio junto a uma das artérias mais frequentadas da cidade. Será que o empresario estava convicto que teria cobertura jurídica?
- Porque é que se cometeram ilegalidades grosseiras nas demolições na Baixa e na construção do Studio Residence no Eurostadium?
- Porque é que proliferam as urbanizações selvagens, sem espaços verdes, sem transportes públicos, sem passeios, sem estética, destruindo irremediavelmente os poucos espaços verdes que ainda existem na cidade?
- Porque é que se constrói à beira da estrada por todo lado, fora dos limites da cidade e dos limites das vilas e das aldeias que rodeiam Coimbra?
- Será que os meus conterrâneos juristas não vêem estas aberrações?
- Os meus conterrâneos juristas que auferem tão onerosos salários, não viajam? Não vêm que no resto da Europa não se vê esta selvajaria dentro e fora dos limites das cidades?
- Não acham estranho que em Coimbra se possa construir em todo o lado? As nossas leis não são muito diferentes das espanholas ou francesas. Quando atravessam a cidade a pé ou ao volante do vosso veículos, estas aberrações não vos inspira uma reflexão sobre o respeito das leis que regem o espaço urbano da nossa cidade?
- Não vos causa indignação o caos urbanístico em que mergulhou a cidade nos últimos 10 anos?

Coimbra, uma cidade histórica e com estilo único no país, está cada vez mais feia, caótica e agressiva. Se vocês, caros conterrâneos juristas, não se indignarem com ilegalidades desta dimensão, o resto dos conimbricenses pouco podem fazer - os poucos corajosos vêm os seus processos eternizados nos tribunais apesar dos pareceres favoráveis das suas reclamações.

Sábado em Coimbra XXXIV

sábado, março 31, 2007

Sábado em Coimbra XXXIV: Requiem pela Rua Direita

Rua Direita, Rua Direita, essa rua torta,
que vai do Terreiro da Erva à Igreja de Sta. Cruz
onde se confessa a via romana da ex-Aeminium,
os pecados por ali sempre se pagaram, mas nunca se apagaram.

...eis que chegam os bulldozers,
essas borrachas rotring da santíssima trindade.
Em nome da Câmara, da Académica e do Grupo Amorim, Ámen!

Sábado em Coimbra XXXIII

sábado, fevereiro 24, 2007

Sábado em Coimbra XXXIII: sombras de Pessoa

Nas ruas da baixa ainda há leitarias, tasquinhas, serve-se mau vinho,
por ali encalhados no tempo vagueiam muitos personagens singulares.
Chamo-lhes sombras de Pessoa, são alcoólicos da leitura, bêbados da retórica,
recriam a baixa de Lisboa do início do século XX, na Coimbra do século XXI.
Marxistas esclarecidos (dizem eles), DJs franco-atiradores, cyber-alfarrabistas,
"jovens" dos anos 80 encalhados entre o punk e o gótico, a fauna é variada.
Talvez avariada...
Parecem-me relíquias do Universo de Pessoa a cavalo em Gagarine e Carl Cox

Sábado em Coimbra XXXII

sábado, junho 03, 2006

Sábado em Coimbra XXIX: a paridade explicada aos cegos

Ontem, sexta-feira (desta vez faço batota ao Sábado em Coimbra) cerca das 18.30, o suburbano com destino à Figueira da Foz estava, como é habitual, apinhado de mulheres. São mulheres que trabalham no pequeno comércio da cidade, nalguns serviços mal remunerados e nalgumas pequenas empresas que se situam ali no centro de Coimbra. Estas mulheres moram em pequenas vilas e aldeias dos arredores, não têm carro, ou se têm carro esse está com o marido, mas a maior parte nem sequer carta de condução tem. À minha frente uma senhora lê um jornal russo, é a única que está a ler no comboio. Uma placa informa que a carruagem tem 80 lugares. A carruagem está cheia e a cena é cavalheiresca. Somos 5 homens a viajar de pé e apenas dois viajam sentados. No total somos 85 passageiros, entre os quais apenas 7 homens, menos de 10% portanto.
No dia anterior ao entrar atrasado no avião que me trouxe de volta para Portugal, atravesso a zona da business class que contava uns 15 passageiros, era só homens!
Provavelmente nenhuma daquelas 78 mulheres teve os recursos, a oportunidade ou o ambiente familiar para estudar nas mesmas escolas e nas mesmas universidades onde estudaram aqueles 15 homens da business class. Numa sociedade conservadora é assim, a engenharia social pratica-se intramuros no seio familiar, quando se vai ao domingo à igreja ou quando se procura um emprego. Numa sociedade conservadora as leis que ditam uma paridade ao contrário não se publicam, não são palpáveis, mas estão lá, apesar de ser mais fácil fingirmos que somos cegos.

Sábado em Coimbra XXVIII

sábado, março 27, 2004

Sábado em Coimbra V: Fairy durou 73 dias

Descobri mais uma utilidade para os blogues! Graças às datas associadas aos textos, consegui calcular quanto tempo é que me durou o último detergente para a loiça que comprei, pois ficou aqui registado o dia em que o comecei a utilizar. Ontem gastei a última gota. Chego assim à conclusão que o Fairy me durou 73 dias. Voltei a comprar Fairy, mas para a próxima vou dar uma oportunidade a um detergente nacional para mostrar o que vale.

Sábado em Coimbra IV

sábado, março 20, 2004

Sábado em Coimbra IV: regar as plantas

Uma das minhas missões mais importantes é cuidar das plantas.
É no mínimo irónico, eu que era o terror das plantas da minha avó.
Nessa altura de bola na mão, no quintal da minha avó rodeado de plantas, imaginava-me entre os melhores jogadores de basquete do mundo, driblava americanos, ganhava ressaltos aos mais altos postes soviéticos, fazia um corte-e-passe com um extremo jugoslavo e afundava na cara de espanhol. A minha avó é que não achava piada nenhuma, sempre que a bola saía das «quatro linhas» quem pagava eram as plantas.
Hoje, sábado em Coimbra, as minhas plantas aplaudem enquanto as rego com água fresquinha.

Sábado em Coimbra III

sábado, março 13, 2004

Sábado em Coimbra III: a dois

Tarefas repartidas, a mim calha-me a ida ao mercado.
O preço dos morangos oscila entre 1,50 e 3 €.
A mulher onde costumo comprar os ovos surpreende-me
com um belo molho de alho francês. Compro!
Desconfio da proveniência do robalo: Atlântico
Cheira-me a viveiro…
Ele pisca-me o olho e salta para a minha cesta!

Sábado em Coimbra II

sábado, março 06, 2004

Sábado em Coimbra II: Sol = lavar o chão

Está um belíssimo dia de Sol.
Corro para a dispensa, empunho com vigor o balde e a esfregona.
Toca a lavar o chão!
Abro as janelas e arejo a casa,
Os tapetes decoram os parapeitos.
Se a minha mãe visse isto ficava orgulhosa de mim!

Sábado em Coimbra I

sábado, fevereiro 28, 2004

Agradável manhã de sábado Coimbrã

Correr no Choupal com o melhor amigo (uma volta em 32min 50s).
Ir ao mercado e sentir o perfume dos legumes e das frutas frescas.
Finalmente em casa, ponho o grelhador a aquecer lá fora,
A vítima é uma dourada. Pelo tamanho deve ser de viveiro…