segunda-feira, março 31, 2008

Natureza pré-metacínica

Ler o Luís Januário.

Encomendei as faixas na 2ª jornada

Depois de ter apreciado a habilidade dos artistas na 1ª e na 2ª jornada, informei um amigo sportinguista que já tinha encomendado as faixas de campeão 2007-2008. Ele resmungou as coisas do costume que qualquer fiel adepto do FCP está habituado a ouvir. Acrescentei: "Vamos ser campeões, e vamos ganhar com 647 pontos de vantagem para o segundo". Estamos quase lá!

domingo, março 30, 2008

Investigação sobre o clima recebe Prémio Descartes

O consórcio europeu EPICA (European Project for Ice Coring in Antárctica), cujo trabalho de investigação se centra nas alterações do clima terrestre através da análise dos gelos da Antártida, foi um dos co-vencedores do Prémio Descartes, o principal galardão dos Prémios Científicos Europeus atribuídos este mês em Bruxelas. O Prémio Descartes recompensa cada ano o melhor trabalho científico europeu realizado por parcerias transnacionais.

Os membros do consórcio EPICA pertencem a 10 países europeus (Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Holanda, Noruega, Suécia, Suiça e Reino Unido) que financiam os seus trabalhos de investigação em pareceria com a Comissão Europeia. O seu trabalho de investigação centra-se na análise de amostras de blocos de gelo com cerca de um milhão de anos - recolhidas a mais de 3000 metros de profundidade na Antártida - através do estudo da concentração de vários gases, de compostos e de isótopos. Estes parâmetros permitem reconstruir o clima na Terra como ele era há centenas de milhares de anos atrás, os seus ciclos de temperatura, a taxa de precipitação e a composição atmosférica, em particular a dos gases de efeito de estufa. Através da recolha de mais 3000 amostra o consórcio EPICA reconstruiu até à presente data o clima da Antártida até há 800 mil anos atrás. O seu trabalho revelou importantíssimos resultados que permitem conhecer melhor os ciclos do clima terrestre e a relação entre a concentração de dióxido de carbono e a temperatura média do planeta e revelou ainda que as concentrações actuais de dióxido de carbono e de metano - os dois gases de efeito de estufa mais importantes - atingem os valores mais elevados dos últimos 800 mil anos, ou seja de todo o período estudado. O valor de concentração de CO2 é hoje 30% mais elevado do que o valor mais alto registado nos 800 mil anos precedentes. A concentração de metano é mais do dobro do valor mais alto encontrado no mesmo período. O trabalho de investigação do EPICA tem sido publicado nas mais prestigiadas revistas científicas, como a revista Nature (vol. 429, pag. 623-628, 2004 e vol. 444, pag.195-198, 2006) ou a revista Science (vol. 310, nº 5752, pag. 1317 - 1321, 2005).

A equipa de investigadores do EPICA irá continuar o seu trabalho de investigação na Antártida, estendendo a sua análise de amostras de gelo a épocas mais remotas, propondo-se analisar amostras com cerca de um milhão e meio de anos, de modo a compreender melhor uma importante mudança do clima terrestre que ocorreu há cerca de 900 mil anos e que alterou a duração dos ciclos climáticos.

Texto publicado no portal Esquerda.net

sexta-feira, março 28, 2008

Vaclav Havel prefere Hillary Clinton

Não deixa de ser significativo que Václav Havel (ler VaTSlav e não VaKlav), um dos subscritores da carta dos oito governantes europeus que em 2003 apoiaram a intervenção no Iraque, tenha declarado esta semana à principal cadeia de televisão pública da República Checa que a sua preferência entre os candidatos à Casa Branca vai para Hillary Clinton. Significa isto que Havel se coloca no campo dos democratas no que toca à política de ocupação do Iraque, afastando-se definitivamente da sua posição de 2003.

quinta-feira, março 27, 2008

Sobre a crise do capitalismo financeiro

Ler este texto do João Rodrigues no Ladrões de Bicicletas e de Vital Moreira no Causa Nossa.

"A crise do sub prime pode ver-se como uma gigantesca burla em que o resto do mundo (leia-se, os aforradores que aplicaram as suas poupanças em activos denominados em dólares) se viu envolvido e que serviu para canalizar recursos para os EUA a troco de nada. É a forma pós-moderna de saque! Só que em vez do pirata com perna de pau, são uns tipos janotas com ar muito respeitável!"
José Sousa em comentário à entrada "Peculiar matemática ultraliberal"

quarta-feira, março 26, 2008

Os custos do ultraliberalismo

Já todos ouvimos uma boa catequese sobre o despesismo do Estado e as grandes vantagens para os "bolsos do contribuinte" de tudo privatizar, pois supostamente as empresas e o mercado sabem o que é melhor para contribuinte. Ora, esta catequese esquece os imensos custos para os "bolsos do contribuinte" das grandes crises financeiras, que nos últimos 30 anos não têm sido tão raras como isso. Os exemplos apresentados no artigo "History Lesson" na The Economist desta semana são bem representativos:

"Crises in poorer countries tend to be deeper and more costly, often because they are twinned with collapsing currencies. According to a 1996 survey of insolvencies by economists at the World Bank, the bail-out of Argentina's banking system in the early 1980s cost a stunning 55% of GDP to fix.

The rich world's banking troubles have not been cheap either. The bill for bolstering Finland's banks in the early 1990s came to 8% of GDP; Sweden's bail-out was scarcely less dear. America spent more than 3% of GDP cleaning up the savings-and-loan crisis, its priciest to date."

Curiosamente, o mesmo artigo dá alguns exemplos de como o intervencionismo do estado em épocas de crise se poderá saldar em lucro para o contribuinte.

terça-feira, março 25, 2008

O Escafandro e a Borboleta



"O Escafandro e a Borboleta" de Julien Schnabel é um filme baseado na auto-biografia dos últimos meses de vida de Jean-Dominique Bauby (Jean-Do), editor da revista Elle, após um acidente vascular cerebral que o remeteu para um estado de paralisia apelidado de «locked-in syndrome». Jean-Do continuava a ter uma actividade cerebral normal, mas sofria de uma paralisia motora quase total.
Com ajuda de duas enfermeiras e de um medico, Jean-Do consegue estabelecer contacto com o mundo, fazendo uso de um dos poucos movimentos que lhe restaram, o piscar de olho. Ao contrario da maior parte das películas que narram tragédias pessoais, este não é um filme de vitimização lamechas, é sim um filme cheio de bom humor, ironia e sarcasmo, bem à imagem do carácter de Jean-Do que goza frequentemente com o seu próprio estado e com os comentários depressivos de algumas das suas visitas. No entanto, à medida que vamos conhecendo Jean-Do, este vai-se revelando uma personagem sensível, mais interessante, um homem que explora as fronteiras da imaginação como uma criança, que se relaciona com os filhos com um carinho invulgar e que faz uma penitência de tempos passados de profundo individualismo.

"O Escafandro e a Borboleta" de Julien Schnabel é um dos grandes filmes de 2007 que conta com uma excelente interpretação de Mathieu Amalric. Um filme fortemente recomendado aqui na Klepsýdra.

segunda-feira, março 24, 2008

Peculiar matematica ultraliberal

A esmagadora maioria das pessoas nao faz a minima ideia de o quao grosseira pode ser a matematica que domina alguns sectores da alta financa, e muitos tem tirado proveito disso. E' por essa razao que a edicao desta semana da "The Economist" e' incontornavel. Por exemplo no artigo "What went wrong" podemos ler:

"In a recent study Martin Barnes of BCA Research, a Canadian economic-research firm, traces the rise of the American financial-services industry's share of total corporate profits, from 10% in the early 1980s to 40% at its peak last year (see chart 1). Its share of stockmarket value grew from 6% to 19%. These proportions look all the more striking—even unsustainable—when you note that financial services account for only 15% of corporate America's gross value added and a mere 5% of private-sector jobs."


Uma passagem muito certeira que resume bem a falta de rigor em que vive a industria financeira:
"The industry has defied gravity by using debt, securitisation and proprietary trading to boost fee income and profits."

sábado, março 22, 2008

quinta-feira, março 20, 2008

Sir Arthur Clarke

Arthur Charles Clarke foi um dos responsaveis pelo meu gosto pela astrofisica e pelo espaco li todas as suas odisseias, vi os dois filmes que lhe foram consagrados, 2001 de Kubrick e 2010 de Peter Hyams, e esperava com ansiedade pelo dia em que era transmitida a serie "O Misterioso Mundo de Arthur Clarke" onde eram dissecados os chamados fenomenos paranormais. Para alem da sua obra literaria, Arthur Clarke teve um contributo importante para a adopcao de satelites em orbita geoestacionaria no dominio das telecomunicacoes.
A morte de Arthur Clarke fez-me rever velhas memorias de escola primaria. Enquanto esperava que os meus colegas terminassem os exercicios, eu viajava ate' 'as estrelas na minha carteira, sobrevoava o monolito na Lua, ultrapassava a Discovery One e comunicava com o computador Hal 9000, os meus lapis, afiadeiras e borrachas, representavam, cada um, uma nave diferente que congestionava o ceu de Jupiter e de Europa.
Obrigado Sir Arthur!

quarta-feira, março 19, 2008

A charlatanice climática no blogue Atlântico

O blogue Atlântico, pela mão de Paulo Pinto Mascarenhas, adere à moda da pseudociência negacionista das alterações climáticas. Há algum artigo científico publicado numa revista científica com arbitragem pelos pares que fundamente o teor do livro de Marlo Lewis Jr.? Em particular que fundamentem isto:

"a convicção de que o ser humano não é responsável pelas alterações climáticas e a inutilidade das acções em curso para as combater."

"Marlo Lewis Jr. contraria neste livro a corrente alarmista do aquecimento global e tem a coragem de pôr em causa, de forma sistemática e minuciosamente documentada"

Que trabalho científico, publicado numa revista da especialidade, fundamenta estas afirmações? Já que há tanta minúcia e tanta convicção isso daria no mínimo um artigo na Nature, já para não falar num Nobel. Onde está esse trabalho?
Pelo contrário a compilação de milhares de artigos científicos da autoria dos melhores investigadores do clima que foram revistos até à equação pelos pares nas melhores revistas da especialidade deram como resultado uma probabilidade superior a 90% de que a actividade humana tem influência no aquecimento global observado.

Figura TS5 (b) da pag.32 do "Technical Summary" do IPCC:



Se Marlo Lewis Jr. tem alguma coisa a opor às conclusões do IPCC, só tem uma coisa a fazer, é trabalhar e trabalhar muito, muito mesmo. Produzir pelo menos trabalho científico comparável ao que deu origem ao relatório do IPCC, estamos a falar de milhares de artigos validados para publicação nas melhores revistas científicas, Nature, Science, etc. O problema é que os cálculos que ilustram as teses negacionistas não resistem à primeira correcção dos especialistas que revêem os trabalhos, nas raras ocasiões em que há um autor que tenta a sua sorte em revistas muito modestas. Este sítio internet escrito por alguns dos melhores investigadores do clima está cheio de revisões das principais teses negacionistas, a maior parte delas cheias de erros de palmatória, de gente que não domina bem a física, a estatística e a matemática.

PS- Sinceramente, já me falta a paciência para ler tanto disparate sobre o aquecimento global é tanta asneira tanta, tanta, tanta, que eu já deixei de fazer ligações para corrigir os autores que revelam níveis de ignorância ao nível da escola secundária, a maior parte nem se apercebe das asneiras que escreve, é no fundo um retrato triste da educação deste país.

terça-feira, março 18, 2008

A actualidade do livro sobre a ENRON

Porque é que a ENRON faliu da forma como faliu? E o que significa a sua falência no contexto dos mercados mundiais? Eis as principais perguntas a que se propõe responder esta obra da autoria de Bethany McLean e Peter Elkind sobre a empresa que apostou forte na desregulação do mercado de energia. No entanto "The Smartest Guys in The Room" é muito mais do que uma obra sobre política empresarial, é um romance apaixonante forjado pela realidade que narra a impressionante história da ascensão e queda da ENRON, as vidas dos seus quadros, a sua relação com parceiros comerciais, com clientes, com a imprensa e com a política. É deste modo que em jeito de romance vamos seguindo a história dos principais actores, Jeff Skilling (CEO), Ken Lay (Presidente) e Rebecca Mark (sector internacional), desde os tempos de dificuldades vividos no seio de famílias modestas, os dois últimos tendo nascido no Midwest eram a encarnação do sucesso idealizado pelos teóricos do ultraliberalismo puro e duro. Aí estavam os grandes exemplos de que o esforço, o trabalho, o sacrifício, aliado à desregulação e ao ultraliberalismo forjavam o que havia de melhor entre as empresas americanas. Praticamente todos caíram que nem patinhos, a imprensa, os comentadores, os políticos e as principais escolas de economia. Sobre o verdadeiro significado de esforço, de trabalho e de sacrifício, ficamos inteiramente esclarecidos na obra de McLean e Elkin. Durante largos períodos o trabalho dos principais quadros da ENRON pouco os distinguia dos viciados de jogo de um casino, e a se a ENRON era alguma coisa, era sobretudo um casino onde se jogava forte e feio, contra as probabilidades mais desfavoráveis, frequentemente por puro narcisismo e megalomania. E esta é uma das principais interpelações que o livro faz ao leitor. Aceita que a sua fornecedora de internet, de energia ou o seu banco jogue no mercado financeiro a um nível de risco comparado ao jogo de casino? Com a agravante de muitos dos intervenientes, jovenzitos ultraliberais, profundamente crentes nos benefícios sociais do darwinismo de mercado, fazerem uso do mais profundo cinismo, instalando o caos na rede de abastecimento de energia da Califórnia, provocando desemprego, mortes, prejuízo, falências, demissões políticas, em troca de ganhos imediatos de milhões de dólares, ganhos sem esforço, sem produtividade que justificasse os ganhos. Esta foi a permanente história da ENRON, a história de como ganhar milhares de milhões sem produzir, ou produzindo pouco, sem servir os clientes, aproveitando a dimensão e a complexidade da empresa para escapar ao controlo financeiro. Foi assim que foram possíveis grandes manobras através de contas em paraísos fiscais, a criação de fundos de investimento ilegais e especulação bolsista do mais cínico e agressivo que se possa imaginar.
A melhor definição do que era na realidade a ENRON é dada por Rebecca Mark respondendo a um colega céptico em relação às contas da ENRON: "sometimes pigs do fly!"

A ENRON foi ao fundo e levou consigo a Arthur Andersen a empresa de consultadoria que fechava os olhos às manobras mais fraudulentas, juntas produziram dezenas de milhares de desempregados, arruinaram fundos de pensões acumulados durante toda a vida por milhares de trabalhadores e deixaram para a posteridade uma mega-central eléctrica em Dabhol na Índia, que continua parada, e que foi praticamente toda paga pelos contribuintes indianos. Jeff Skilling, o cérebro da ENRON foi condenado a 24 anos de prisão, Ken Lay morreu antes da sentença e a maioria dos quadros envolvidos nas fraudes foram condenados com penas pesadas, à excepção dos que colaboraram com a justiça.

segunda-feira, março 17, 2008

Viver com menos petróleo e menos tubo de escape


Fotografia do sítio Amsterdam Bicycles.

Texto da autoria do caríssimo Mário Alves, especialista em transportes:

Este conjunto de imagens e comentários convidam à reflexão. Recentemente tive a oportunidade de debater em público a questão da obrigatoriedade dos capacetes para ciclistas. Sempre a mesma ratoeira. Ao olhar para estas fotografias, parece-me óbvio que temos sempre duas hipóteses para aumentar a segurança dos mais vulneráveis: a) colocar a responsabilidade de protecção nos mais fracos, obrigando-os a usar capacetes ou negando-lhes a possibilidade de usar em plenitude as ruas que lhes deviam pertencer; b) reduzindo o número e a velocidade dos automóveis. O primeiro tipo de intenções, apesar de na maior parte das vezes bem intencionadas, continuará a espiral absurda de olhar para o problema pelo paradigma estafado que nos fez chegar até aqui. O segundo caminho, mais difícil, implica visão, participação, concertação, liderança.

Um pouco de história: em Março de 1992 foi realizado um referendo, o primeiro em Amesterdão, sobre a necessidade de restrições ao automóvel. Apesar do elevado nível de abstenção, 53% dos votantes escolheu o cenário que incluía uma drástica redução dos automóveis no centro da cidade. Depois de alguma hesitação, devido ao nível de abstenção, a câmara de representantes decidiu avançar com um polémico plano para reduzir 35% das viagens de automóvel no centro. O controlo do estacionamento foi o instrumento principal escolhido. Passado anos de restrição aos pendulares - já nos anos 90 era praticamente impossível um trabalhador encontrar estacionamento de longa duração no centro - a politica de restrição de estacionamento tentou encontrar um balanço entre o estacionamento de curta duração (considerado essencial aos serviços e comércios da cidade) e o estacionamento reservado a residentes. Depois de muita consulta e participação pública, onde a população estava muito dividida, os planos avançaram. Entre as medidas mais dolorosas, a redução de 3,000 lugares de estacionamento, num momento em que muitos clamavam por mais lugares. Nas áreas mais comerciais os lugares para residentes foram reduzidos. Neste momento, pode levar mais de 5 anos a fila de espera para ter um cartão de residente para estacionar - um cartão por fogo obviamente. Contrariamente ao que se afirmava na altura, Amesterdão continua a ter as rendas e o preço por metro quadrado mais altos da Holanda - tanto para espaço residencial, serviços ou comércio. De facto o problema é o oposto: como evitar a gentrificação do centro, apesar de existir uma politica de rendas controladas que, apesar dos seus problemas, consegue manter pessoas de baixos rendimentos no centro.

Parte desta história foi contada há mais de dez anos em Lemmers, L., 1995, ' *How Amsterdam plans to reduce car traffic*', World Transport Policy and Practice', 1 (1), pp25-28. Leo Lemmers finda o seu artigo da seguinte forma:

"To see the real effect [da politica de restrição ao estacionamento], some patience will be required. It will certainly take another ten years to see whether Amsterdam really has set an example for the rest of Europe."

Talvez agora valha a pena voltar a ver as fotografias e procurar os capacetes, as ciclovias e os lugares de estacionamento.

Mário Alves (Mestre em Transportes pelo Imperial College London e consultor de transportes e gestão da mobilidade)

Subida do preço do petróleo e o futuro energético

É o tema do meu artigo deste fim-de-semana publicado no portal Esquerda.net.

sexta-feira, março 14, 2008

Reservas Mundiais de Combustíveis Primários

As reservas estimadas em milhares de quads (1 quad=1018 joules):

Petróleo - 10
Gás Natural -10
Urânio -10
Carvão - 140

Fonte: Jeffrey P. Freidberg, MIT

Se continuarmos a consumir petróleo ao ritmo actual as reservas estimadas serão esgotadas lá para o final do século com duas consequências muito negativas: vamos poluir mais dado que a alternativa mais abundante é o carvão, mais poluente, e vamos prolongar o aquecimento global, dado que o excesso de CO2 que não é absorvido por mecanismos naturais permanece na atmosfera durante mais de 100 anos.

Aproveito para informar os caríssimos leitores que este vai ser o assunto do meu artigo no portal Esquerda.net deste fim-de-semana.

quinta-feira, março 13, 2008

Barril de petróleo a 110 dólares

O barril de petróleo a 110 dólares deveria colocar sérias questões sobre o nosso modo de vida, mas não, à parte uma ou outra reacção mais esclarecida, continuamos para bingo, como se o petróleo fosse infinito e barato para sempre.

Casino Générale II

Foi ontem revelada a cumplicidade de Moussa Bakir com Jérome Kerviel, no caso de fraude da Société Générale. A lista de cúmplices poderá não ficar por aqui, o que compromete a tese de uma acção isolada. Tal como compromete este tese a indiferença dos superiores Jérome Kerviel em relação ao seu trabalho e tal como compromete a queixa em nome colectivo apresentada em Nova Iorque pelo gabinete de advogados Cohen Milstein Hausfeld & Toll contra a Société Générale por lacunas no controlo interno do Banco.

terça-feira, março 11, 2008

A esquerda segundo Negri, Žižek e Bensaïd

A nova revista "La Revue Internationale des Livres et des Idées" publicou no seu número 3 a crítica literária de Negri, Žižek, Bensaïd, entre outros, a obras que reflectem sobre o pensamento de esquerda.

segunda-feira, março 10, 2008

Uma Grande Vitória da Laicidade

No contexto de forte apelo ao voto contra o PSOE por parte de importantes figuras do clero espanhol, como foi o caso do bispo Antonio Maria Rouco, por parte da Opus Dei e de outras organizações órfãs da Santa Inquisição e por parte ainda de grupos pró-franquistas, a vitória de Zapatero é também uma grande vitória do conceito de laicidade num país profundamente católico. Os espanhóis perceberam bem a diferença entre a prática religiosa, que se quer privada, e a prática política, que deve ser universal, para todos, para crentes e não crentes.

A má imagem que parte do clero espanhol transmitiu ao resto da Europa, durante as semanas da campanha eleitoral, uma imagem retrógrada, preconceituosa e de intromissão em assuntos públicos, ficou registada e servirá de exemplo futuro de como o clero não se deve comportar em sociedades modernas e laicas.

domingo, março 09, 2008

África responde a Sarkozy



Um conjunto de intelectuais africanos respondem ao discurso de Nicolas Sarkozy proferido em Dakar no passado 26 de Julho. O discurso de Sakozy foi amplamente classificado de revisionista, tendo Bernard Henri-Lévy classificado de racista o autor do texto lido por Sarkozy, Henri Guaino.
Isto é o resultado desse patrulhamento ao politicamente correcto, tão na moda, que confunde franqueza com falta de respeito, o discurso de Guaino lido por Sarkozy não é um discurso franco é um discurso ofensivo que se esconde atrás daquela pretensão infantil de se ser politicamente incorrecto.

sexta-feira, março 07, 2008

Reia, o primeiro satélite com anéis



Tudo indica que foi detectado pelo menos um anel em torno de Reia, um dos satélites de Saturno, por um dos instrumentos da sonda Cassini concebido para estudar as atmosferas e as partículas em torno do planeta e das suas luas.

quarta-feira, março 05, 2008

O Árctico, o Antárctico e o aquecimento global

Publicado no portal Esquerda.net:

As regiões polares do nosso planeta reagem de forma diversa às alterações do clima provocadas pelo aquecimento global. A calote polar do Árctico é consideravelmente mais sensível à variação da temperatura média da Terra, enquanto o Antárctico responde de uma forma muito mais lenta às mesmas variações de temperatura. Um artigo de Spencer Weart, especialista em história da ciência, publicado no sítio RealClimate descreve com rigor as diferenças entre as duas regiões polares.

Desde há cerca de 25 anos que os modelos que descrevem a evolução do Antárctico em função do aquecimento global, prevêem correctamente que a região do Pólo Sul se mantenha fria. Fundamentalmente, esta conclusão decorre da capacidade calorífica da imensa calote polar e da gigantesca massa oceânica que envolve a Antárctida. O aumento da temperatura originado na atmosfera pelos gases de efeito de estufa tem, numa primeira fase, impacto directo apenas sobre as camadas oceânicas mais externas, dado que são estas as primeiras a absorver o excesso de energia capturada pelo planeta. À medida que a concentração dos gases de efeito de estufa aumenta, a dispersão do calor nos oceanos vai progredindo até profundidades sucessivamente superiores, mascarando temporariamente a percepção do aquecimento global. O modelo de Schneider e Thompson1 mostra que o superior volume oceânico do Hemisfério Sul se traduz numa resposta ao aquecimento global desfasada de alguns decénios à posteriori em relação à resposta das massas oceânicas do hemisfério norte, bem menos abundantes. Adicionalmente, a mistura de águas quentes e frias que ocorre a profundidades consideravelmente superiores no Hemisfério Sul em comparação com o Hemisfério Norte, explica também que os mais recentes modelos do clima da Antárctida indiquem que este continente não aqueça perceptivelmente antes de o clima no resto do planeta ter sido alterado radicalmente. Se pelo contrário se verificasse um aquecimento regular e generalizado da Antárctida num curto período de tempo isso significaria que o clima nas restantes regiões da Terra teria entrado numa fase de alterações radicais e consideravelmente perigosas para a humanidade.

Recentemente, o estudo das massas polares tem progredido bastante graças à observação por satélite. O ENVISAT é actualmente o satélite meteorológico da ESA que mais tem contribuído para o conhecimento das alterações climática nos pólos do nosso planeta. Esta animação da NASA composta por imagens de satélite mostra o rápido degelo a que tem estado sujeito o Árctico entre 1979 e 2006, tendo o ENVISAT registando no passado Setembro de 2007 a menor cobertura de gelo do Árctico registada até hoje2 (imagem ESA) em trabalho publicado recentemente da autoria de Comiso e Parkinson.

1- Stephen H. Schneider and S.L. Thompson, J. Geophysical Research 86: 3135-3147 (1981).
2- Josefino Comiso and Claire Parkinson, Geophys. Res. Lett. 35, L01703 (2008)

segunda-feira, março 03, 2008

Klepsýdras de Ouro 2007

Melhor Filme

"Conversas com o meu Jardineiro" de Jean Becker, o meu prémio à simplicidade.
Ler comentário na rubrica Klepcinema.


Melhor Actriz

Romola Garai pela sua interpretação no filme Angel

Melhor Actor

Dominique Pinon pela sua interpretação no filme Romance de Gare


Melhor Filme Fantástico
"Inland Empire" de David Lynch
(neste caso fantástico num sentido mais lato)

Melhor Filme Político
"Our Daily Bread" de Nikolaus Geyrhalter

Melhor Diálogo
"99 Francos" de Jan Kounen
Octave e Charlie trabalharam durante semanas num anúncio publicitário sofisticado para um empresário de iogurtes. O empresário, um básico, chumba o anúncio. Num acesso de raiva Octave e Charlie esboçam um novo anúncio publicitário para o empresário do iogurte em menos de um minuto, em tom jocoso e cínico, ao som de uma musiquita publicitária leve e fresca (ver cena no Daily Motion). Este é uma entre muitas cenas deste filme onde os diálogos e a voz off debitam jogos de palavras cheios de ironia e de um cinismo bem humorado bem ao estilo da obra de Beigbeder que deu origem ao filme.

domingo, março 02, 2008

Klepsýdras de Ouro (Palmarés)

A atribuição das Klepsýdras de Ouro está por horas. Já sabem que têm autorização para montar as tendas, no máximo dos máximos a 2 metros e meio da passadeira de veludo azul. Como é habitual apelo ao civismo não se empurrem, nem atirem papéis para o chão e sobretudo não fumem! Este é um blogue onde não se fuma!! Os transgressores serão fustigados com uma chibata de vime (dói? ah pois dói!). Para já deixo-vos o palmarés deste prestigiadíssimo prémio.


Palmarés
Melhor Filme
2006:"Partículas Elementares" de Oskar Roehler
2005:"L'Enfer" de Danis Tanovic
2004:"A Queda" de Oliver Hirschbiegel

Melhor Actriz
2006: Martina Gedeck pelos filmes "Partículas Elementares" e "As Vidas dos Outros"
2005: Isabelle Carré pelo filme "Entre ses Mains" e Cécile De France pelo filme "As Bonecas Russas"

Melhor Actor
2006: Denzel Washington pelo filme "Infiltrado".
2005: José Garcia pelos filmes "A Caixa Negra" e "Golpe a Golpe"

Melhor Filme Fantástico
2006: "Perfume" de Tom Tykwer
2005: "A Caixa Negra" de Richard Berry

Melhor Filme Político
2006: "As Vidas dos Outros" de Florian Henckel von Donnersmarck
2005: "ENRON: The Smartest Guys in the Room" de Alex Gibney

Melhor Diálogo:
2006: "Infiltrado" de Spike Lee
2005: "ENRON" de Alex Gibney

Cartões de crédito só para maus pagadores

O Egg e o Goldfish são alguns dos bancos britânicos acusados de anular ou limitar o uso de cartões de crédito aos bons clientes, aos que pagam a sua conta a tempo e horas. Os clientes que pagam tarde, pagam juros, e mais juros pagam quanto mais tarde pagarem, são esses os clientes que dão mais lucro à banca nos serviços de cartão de crédito.
Esta notícia da BBC é um exemplo perfeito da ilusão da crença na bondade da mão invisível de Adam Smith, a crença de que o mercado é que sabe o que é melhor para o cidadão.