quinta-feira, março 31, 2011

Ensaios nucleares



Uma interessante animação (obrigado B.G.) que mostra a localização de todos os ensaios nucleares realizados até 1998. Desde então apenas foi realizado um ensaio em 2006 na Coreia do Norte. Reparem que os testes mais próximos de Portugal foram realizados na Argélia quando este território era ainda uma colónia da terceira potencia nuclear: a França.

Estima-se que tenham morrido cerca de 170 mil pessoas como consequência dos produtos de fissão altamente radioactivos espalhados na atmosfera depois dos ensaios nucleares realizados na atmosfera até 1963 ("De Tchernobyl en tchernobyls", Georges Charpak, Odile Jacob, pag. 94, 2005). Depois de 1963 os ensaios atmosféricos foram proibidos. Agora que se discute abundantemente o nuclear, convém referir que depois de Hiroshima esta catástrofe nuclear, os ensaios atmosféricos, foi a que fez mais mortos, embora de carácter invisível, pouco conhecida, difusa em todo o planeta, mas bem real.

domingo, março 27, 2011

Subcontratação, precariedade e insegurança no sector nuclear

(publicado no portal Esquerda.net)

Os três trabalhadores japoneses contaminados – dois deles hospitalizados – por uma fuga de água altamente radioactiva no reactor 3 da central de Fukushima eram trabalhadores subcontratados. Os avisos dos respectivos dosímetros não foram respeitados, tendo os trabalhadores sido sujeitos a doses entre os 170 e os 180 mSv, perto da dose limite diária de 250 mSv para a qual se verificam sintomas físicos imediatos.

Desde o início das operações de controlo da temperatura dos reactores, 14 trabalhadores da Tepco receberam doses acima dos 100 mSv, a dose limite típica a que um trabalhador do sector nuclear poderá estar sujeito durante um ano. A estes juntam-se mais de uma dezena de trabalhadores feridos e um morto aquando das explosões dos edifícios dos reactores.

Todos estes acidentes aconteceram num quadro de operações de urgência e de desespero, em que as regras de segurança deixam de ser uma prioridade, onde o voluntarismo inconsciente anda de mão dada com a falta de transparência de quem dirige as operações.

Em Chernobyl também foi assim, embora a escala fosse outra. Cerca de 500 mil “liquidadores” – assim apelidados os bombeiros, os militares e todos os civis que participaram nas operações após o acidente – estiveram sujeitos a doses de radiação extremamente elevadas. Foram mais de 4 mil os que morreram como consequência directa da irradiação, dezenas de milhares contraíram doenças crónicas que os incapacitaram para sempre e que provocaram a sua morte prematura através de causas indirectas, não relacionadas com a radiação em si. Poderia pensar-se que os trabalhadores das centrais nucleares só estão sujeitos a estes níveis de perigosidade nos casos excepcionais em que ocorrem acidentes muito graves. Infelizmente assim não é.

Recentemente uma reportagem da La Une belga denunciou uma situação intolerável de subcontratação de trabalhadores no sector no nuclear (começa aos 1:18:30 do vídeo do programa disponível na internet). Estes trabalhadores fazem o trabalho mais perigoso, recebem salários pouco superiores ao salário mínimo, suportam doses bem acima de qualquer um dos funcionários da central e como se pode verificar na reportagem têm acontecido acidentes (1:23:10 de programa) incapacitantes para estes trabalhadores, que posteriormente não têm quem acusar nos tribunais.

Não admira que as estatísticas de saúde dos funcionários permanentes da central revelem excelentes resultados, não são estes quem faz o trabalho sujo, em especial as entradas no ambiente altamente radioactivo dos reactores durante as paragens para manutenção. Grave também é verificar que são atribuídas a estes trabalhadores subcontratados responsabilidades fundamentais para a segurança da central, responsabilidades essas que deveriam ser dos quadros da central, e mais preocupante ainda é constatar a pressão a que estes trabalhadores estão sujeitos para produzir bons, embora falseados, relatórios de segurança.

sábado, março 26, 2011

Inside Job no Expresso

Aconselha-se vivamente o filme "Inside Job" que vem hoje com o Expresso. Para se perceber melhor quem são os responsáveis por esta crise e a tolerância das instâncias económicas com quadrilhas financeiras que continuam a semear o desemprego e a pobreza nas classes média e baixa de todo o planeta.

quinta-feira, março 24, 2011

As regras do jogo

Relembro que as regras do jogo se mantêm. A oligarquia financeira, não eleita e alguma dela criminosa, vai continuar a determinar a política interna do país, através das agências de notação, através dos juros da dívida e da manipulação de grupos económicos estratégicos com forte poder mediático (televisões e não só).
Enquanto aceitarmos estas regras, que estão longe de ser democráticas, bem nos podemos regozijar com a saída de Sócrates ou a eleição de um novo governo, o sistema financeiro continuará a engordar às custas do nosso trabalho e o resto é conversa.

domingo, março 20, 2011

Subcontratação no sector nuclear

Esta reportagem da La Une belga mostra uma situação intolerável de subcontratação de trabalhadores no sector no nuclear (começa aos 1:18:30 do programa). Estes trabalhadores fazem o trabalho mais perigoso, recebem salários pouco superiores ao salário mínimo, suportam doses bem acima de qualquer um dos funcionários da central e como se pode verificar têm acontecido acidentes (1:23:10 do programa) incapacitantes para estes trabalhadores, que frequentemente não têm quem acusar nos tribunais. Não admira que nas estatísticas de saúde dos funcionários da central sejam apresentados excelentes resultados, não são estes quem faz o trabalho sujo.

Grave também é verificar que estes trabalhadores subcontratados e pouco qualificados têm responsabilidades fundamentais para a segurança da central, responsabilidades essas que deveriam ser dos quadros da central, e mais preocupante ainda é perceber a pressão a que estes trabalhadores estão sujeitos para produzir bons relatórios de segurança.

quinta-feira, março 17, 2011

Fantasmas sobre o perfeccionismo japonês

Têm-se alimentado muitos fantasmas sobre as virtudes da organização japonesa, mas a realidade é que o Japão apresenta um dos piores registos de acidentes da indústria nuclear: Tokaimura (nível 4) em 1999, Mihama (nível 1) em 2004 e Fukushima (nível 5, 6 ou7?). Pior que o japonês só o programa soviético.

No caso do acidente de Tokaimura foi a lógica do lucro de uma empresa privada que se sobrepôs às regras mais elementares de segurança. Para poupar, foi guardada num único recipiente maior quantidade do que era autorizado de uma solução com material radioactivo, tendo-se atingido a massa crítica necessária para desencadear uma reacção em cadeia. A reacção emitiu fortes doses de radiação que provocou a morte de dois trabalhadores e sérios problemas de saúde a um terceiro. O acidente de Mihama em 2004 provocou a morte de quatro trabalhadores e queimaduras em sete, após a ruptura de um tubo de vapor de água a mais de 250°C. Mas este acidente ficou também marcado pela falta de transparência dos responsáveis da central sobre as consequências do acidente. A própria opção de construção de 55 reactores no arquipélago japonês, em permanente risco sísmico, insere-se na mesma lógica do lucro que se sobrepõe à segurança. Não é de estranhar a revelação da Wikileaks (divulgada no Daily Telegraph) de que um dos responsáveis da Agência Internacional de Energia Atómica teria advertido em 2008 o governo japonês para o risco que corriam as centrais japonesas em caso de um sismo muito forte. A central de Fukushima foi projectada para resistir a sismos de escala 7, o sismo da passada sexta atingiu o grau 8,9.

No Japão há uma cultura de disciplina e de respeito impressionante pelas hierarquias, aliás a II Guerra Mundial foi um período em que essa obediência hierárquica atingiu extremos impensáveis. Mas da obediência e da disciplina até à cultura da transparência e do respeito pelas regras segurança ainda vai uma grande distância. Nestes aspectos os japoneses comportam-se como outras sociedades ofuscadas pelo deus mercado.

Science & Vie sobre catástrofes naturais

A excelente revista de divulgação científica Science & Vie acabou de lançar um número especial muito oportuno. "La Terre : Planète à hauts risques" é um número dedicado a catástrofes naturais em que se dedica um capítulo aos terramotos e tsunamis. Outros capítulos abordam erupões vulcânicas, tempestades, inundações, etc.

quarta-feira, março 16, 2011

Possíveis consequências de Fukushima

As consequências económicas são imediatas para a economia com a paragem por tempo indeterminado dos 6 reactores de Fukushima Daiichi que representam cerca de 10% dos reactores nucleares do país. A longo prazo muito certamente os reactores 1, 2 e 3 ficarão irremediavelmente inutilizados e os custos da reparação da central ascenderão facilmente a milhares de milhões de euros. Se houve alguma economia na produção de energia nuclear (nem todos os programas nucleares civis são rentáveis, ao contrário do que se pensa), esta será largamente suplantada pelos custos de reparação, tal como aconteceu em Three Mile Island, em Sellafield, em Forsmark e obviamente em Chernobyl.

Os riscos para trabalhadores e população serão piores do que Three Mile Island (acidente de nível 4) mas certamente bem menos graves que Chernobyl (nível 7), mesmo que haja uma explosão da cúpula de confinamento dos reactores (e não do edifício como já ocorreu) causada pela operação de arrefecimento. As fissuras e as brechas de 8 metros detectadas nos confinamentos de dois reactores estão a deixar escapar radiação altamente perigosa para as imediações e o incêndio ocorrido na piscina de arrefecimento do reactor 4 lançou uma nuvem radioactiva para a atmosfera durante duas horas. Não é de excluir que estes problemas se possam agravar e estender à piscina do reactor 5 que continua a aquecer e a perder água. Se houver fusão do combustível nuclear é provável que a parte inferior do confinamento de segurança do reactor possa ceder com a consequente contaminação dos solos. O incêndio nas piscinas também poderá contaminar o solo envolvente. Comparando com Chernobyl e o acidente de Palomares (B52 que se despenhou com 4 bombas nucleares) onde houve contaminação radioactiva dos solos é de esperar a criação de uma área interdita à população de alguns quilómetros quadrados durante mais de 50 anos.

segunda-feira, março 14, 2011

O excesso de confiança no sector nuclear

O secretismo em torno dos programas nucleares soviético e americano e o clima de competição da Guerra Fria explicam a falta de comunicação tanto dos EUA como da URSS de problemas e acidentes que iam ocorrendo nas centrais nucleares. Inclusivamente a nível interno pequenos acidentes eram prontamente abafados, sobretudo na URSS. Os engenheiros soviéticos não tinham qualquer informação sobre os acidentes nas outras centrais do país, logo na prática estavam convencidos que a estatística de acidentes era próxima de zero. Gerou-se assim um clima de excesso de confiança que foi uma das principais causas do acidente de Chernobyl, quer no desleixo como foi implementado o projecto durante a construção da central, como na negligência dos engenheiros durante o teste de segurança que ironicamente originou o acidente.

Mas o excesso de confiança estende-se às sociedades mais abertas, sobretudo quando a lógica de mercado é aplicada aos programas nucleares civis, como adverte Georges Charpak (Nobel da Física e um dos responsáveis do programa nuclear francês) na obra "De Tchernobyl en tchernobyls", Odile Jacob, 2005. Por exemplo, o acidente de 1999 em Tokaimura no Japão ocorreu porque a lógica do lucro de uma empresa privada se sobrepôs às regras mais elementares de segurança. A construção de 55 reactores no arquipélago japonês em permanente risco sísmico não são uma opção que se possa considerar razoável, por muito que se possa fazer pela segurança de uma central. Também aqui a lógica do lucro não estará certamente dissociada desta decisão.

O excesso de confiança surge ainda nos debates domésticos sobre o nuclear (não apenas em Portugal) quando se reduz o número de acidentes a Chernobyl, quando se esquece Three Mile Island em que o puro acaso não produziu outro Chernobyl, quando se ignora Tokaimura ou os recentes acidentes em centrais do Reino Unido (Sellafield) e da Suécia (Forsmark). A indústria nuclear é mais segura do que a generalidade das indústrias químicas, mas não é uma indústria imaculada, não é uma indústria de risco zero nem nada que se pareça. E como os acidentes da indústria nuclear são potencialmente muito mais perigosos e muito mais caros de remediar, quando se debate o nuclear deve-se oferecer às populações toda a informação disponível, deve-se usar da máxima transparência.

sábado, março 12, 2011

O terramoto nas centrais nucleares japonesas

(publicado esta manhã no portal Esquerda.net)

A informação vai saindo a conta-gotas, mas é já uma certeza a ocorrência de um incêndio na central de Onagawa e a existência de problemas muito graves de arrefecimento em dois reactores da central de Fukushima, onde se produziu uma violenta explosão.

A explosão danificou o edifício onde se encontra um desses reactores tendo provocado vários feridos. A central de Fukushima está em alerta máximo e tudo indica que material combustível sobreaquecido entrou em fusão num dos reactores. O governo japonês confirmou uma fuga radioactiva de alta perigosidade e ordenou a evacuação da população num perímetro de 20 km à volta da central.

Em Chernobyl a gravidade do acidente resultou de uma explosão causada pela pressão do vapor da água produzido no circuito de arrefecimento de um dos reactores. Essa explosão pulverizou o tecto do edifício do reactor e projectou grandes quantidades de materiais altamente radioactivos na atmosfera. Neste caso, negligências graves durante a construção e o não respeito do projecto inicial da central tornaram possível um acidente que em condições normais não deveria ter ocorrido.

Ainda se ignora se em Fukushima as cúpulas dos reactores, que servem para impedir a fuga de radiação em caso de acidente, foram destruídas pela explosão como aconteceu em Chernobyl. No entanto, materiais altamente radioactivos armazenados no exterior dos edifícios principais foram já dispersos nas redondezas e na costa japonesa pela inundação provocada pelo tsunami.

O Japão tem 55 reactores nucleares, 11 dos quais pararam automaticamente através de protocolos específicos de segurança assim que ocorreu o terramoto. Teoricamente as centrais japonesas estavam preparadas para lidar com sismos desta intensidade, mas o inesperado tsunami poderá explicar algumas das falhas graves que estão a acontecer.

Para informações mais actualizadas seguir o sítio da Agência Internacional de Energia Atómica e a Euronews.

sexta-feira, março 11, 2011

Acidente nuclear grave no Japão

Ainda não há muita informação disponível, mas é já uma certeza que há um incêndio na central de Onagawa e, como se temia esta manhã, há problemas muito graves de arrefecimento de dois reactores na central de Fukushima.
Relembro que em Chernobyl a gravidade do acidente foi agravada pela explosão causada pela pressão do vapor da água do circuito de arrefecimento de um dos reactores e por falhas graves no projecto da central. Na central de Fukushima pode estar a acontecer o pior, mas para já não há indicações de problemas com as cúpulas que encerram os reactores e que evitam fugas radioactivas significativas. No entanto os materiais altamente radioactivos armazenados no exterior foram dispersos pelo tsunami.
11 dos 55 reactores japoneses pararam durante o terramoto.
Ler e/ou ouvir a reportagem da Euronews.

O cartoon da semana



Por David Horsey.

quinta-feira, março 10, 2011

Racionalizar a fiscalidade automóvel

Na fórmula 1 e nos rallies há limites para a capacidade dos motores e há novas categorias para automóveis com soluções ecológicas. No entanto apesar do cidadão comum não ter ambições de piloto de corridas nas nossas ruas e nas nossas estradas pode circular praticamente tudo sem restrições. Num continente em que a velocidade máxima oscila tipicamente entre os 50 km/h em cidade e os 120 km/h, continuam a vender-se carros com motores com mais de 2000, 3000, 3500 cc (mais que nos rallies), com 150 cv, 200 cv, que atingem velocidades máximas de 200, 220, 250 km/h. Continuam a vender-se veículos todo-o-terreno que podem circular com toda a liberdade em centros históricos medievais com calçadas centenárias e fachadas milenárias.

Já referi que gosto de automóveis e por isso sei perfeitamente que estas motorizações são exageradíssimas e irracionais quando a esmagadora maioria das pessoas quer é uma caixa com rodas que as leve de um ponto A a um ponto B, estão-se nas tintas para a cavalagem do motor, quando muito exigem que a caixa com rodas seja gira e estilosa. Um ex-engenheiro da VW demonstrou que transformando o motor e a carroçaria de um VW Golf era possível reduzir o consumo abaixo dos 3 litros/100km. Optimizando um novo motor às necessidades básicas do condutor e aos limites de velocidade concebeu um motor apenas de 25 cavalos mas de binário elevado adequado às subidas e acelerações.

A propósito das medidas adoptadas em Espanha, julgo que este seria o momento acertado para transformar radicalmente a fiscalidade automóvel, as normas de trânsito e a lógica de circulação urbana, antes de esbanjarmos mais dinheiro e petróleo de uma forma fútil. Durante milhões de anos 90 toneladas de matéria orgânica produzem cerca de 4 litros de gasolina. Optimizar a fiscalidade automóvel a nível europeu (ou ibérico) permitiria responder simultaneamente a diversos problemas que se somam e com tendência para piorar como: a escassez do petróleo, o aumento dos preços dos combustíveis fósseis, a poluição, o combate às alterações do clima e o endividamento externo. Como bónus ganharíamos mais segurança rodoviária.

quarta-feira, março 09, 2011

Cicatriz Marciana



Esta belíssima cratera marciana parece uma cicatriz rasgada por um meteorito rasante. Parece, mas o mais certo é ter resultado do impacto simultâneo de dois meteoritos, provavelmente dois fragmentos de um corpo maior, que erravam juntos pelo Sistema Solar.

segunda-feira, março 07, 2011

Racionalidade automóvel: o exemplo espanhol

A decisão do governo espanhol em limitar a velocidade a 110 km/h nas auto-estradas a partir de hoje é um exemplo de uma medida racional que implica um esforço muito menor do cidadão para combater a crise e que tem implicações positivas na segurança rodoviária e na qualidade de vida. Sabendo que o problema principal da crise nacional é a nossa elevadíssima dívida privada, uma parte dela resultante da importação do petróleo, faz todo o sentido tomar medidas que reduzam a dependência e o consumo do petróleo. Faço notar que a velocidade máxima nos países europeus que detêm reservas de petróleo é inferior à do nosso país: Reino Unido ~113km/h, Noruega 100 km/h e Rússia 110km/h. 110 km/h é uma velocidade mais do que suficiente para trajectos longos (já fiz muitos de cerca de 2000 km) e para a qual os motores funcionam perto da melhor parte do seu regime quando se considera a poluição, a fiabilidade e o consumo. Acrescento que gosto de automóveis e que adoro conduzir, por isso estou bem consciente das irracionalidades motorizadas que circulam nas nossas estradas. Por isso, seria muito mais racional para a crise da dívida privada proceder a alterações profundas na fiscalidade automóvel, tal como a taxação mais severa de veículos particulares com motores com mais de 2000 cm3 ou de veículos todo-terreno (autênticos luxos com rodas), em vez acentuar a pressão sobre os cortes de salários ou nos serviços públicos que pouco ou nada contribuíram para a crise.

domingo, março 06, 2011

Avenida dos Aliados

Encomendei as faixas de campeão 2010/2011 para aí na jornada 5. Recebi há pouco uma mensagem informando que já estavam a ser estampadas.

Agora só queremos uma coisa, é um campeonato sem espinhas, nem que seja preciso jogar com 11 defesas.

quinta-feira, março 03, 2011

terça-feira, março 01, 2011

Paulo Portas na Ilha das Maravilhas

Em 2001, Paulo Portas visita a Irlanda reunindo com o primeiro-ministro Bertie Ahern do partido Fianna Fáil com o objectivo de "abordar o método irlandês para atingir o equilíbrio orçamental, a contenção da despesa pública, as reformas estruturais e o uso e fiscalização dos fundos comunitários". Entretanto, numerosas instituições financeiras e imobiliárias começavam a delapidar a Irlanda endividando-se fortemente no exterior, incitando o cidadão a endividar-se para comprar a casa que precisava e a que não precisava. Mas nessa altura o dinheiro a crédito fluía a rodos e isso era suficiente para Bertie Ahern e Paulo Portas provarem a validade do sistema.

Até 2008, Paulo Portas falava da Irlanda de Bertie Ahern como se fosse um quadro do Fianna Fáil classificando a sua política económica como "um exemplo a seguir pelo Estado Português". A partir de 2009 Paulo Portas deixou de falar sobre a Irlanda...

Este fim-de-semana, o mesmo Fianna Fáil teve o seu pior resultado de sempre passando de 41% para 17%. As eleições foram ganhas pelo Fine Gael. Julgaria o caro leitor que Paulo Portas reflectisse seriamente sobre a derrota estrondosa do partido e das políticas que tanto tempo apoiou e que levaram a Irlanda ao abismo. Tal como noutras ocasiões Paulo Portas colou-se a uma vitória que não é sua, à vitória do Fine Gael. Vale a pena ler Paulo Portas no facebook felicitar o Fine Gael recorrendo à justificação esfarrapada de que o Fine Gael faz parte do seu grupo político no Parlamento Europeu, o PPE. Adivinha-se já Paulo Portas a cantar as próximas vitórias do PSD, dado que também este pertence ao PPE... Mas a memória é tramada para os troca-tintas, e a memória diz-nos que foi por iniciativa de Paulo Portas em 1999 que o CDS abandonou o PPE para aderir aos nacionalistas da UEN (União para a Europa das Nações) da qual faziam parte os seus grandes amigos do Fianna Fáil. Se hoje o CDS está no PPE deve-se apenas ao acordo de coligação com o PSD nas europeias de 2004 e 2009 que lhe retirou a autonomia para escolher a UEN.