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quinta-feira, março 03, 2011

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O Terrorismo Islâmico na Bósnia e no Kosovo

Vale a pena passar os olhos por esta obra de Jürgen Elsässer, numa semana em que a Administração Bush através do seu apoio cínico à independência do Kosovo conseguiu com sucesso fomentar mais uma dose de confusão na Europa. A obra de Elsässer descreve com rigor como a CIA esteve envolvida no recrutamento e no treino de grupos islâmicos que lutaram na Bósnia e no Kosovo e mostra a extensão da hipocrisia, da realpolitik de Washington, mostra como para os EUA há terroristas bons e há terroristas maus (tens toda a razão Daniel).
Mas... a grande ironia da investigação de Elsässer é a revelação que alguns dos operacionais que foram generosamente treinados pela CIA na Bósnia estiveram activamente envolvidos na preparação do 11 de Setembro. Será isto um gigantesco boomerang assente bem no meio da cabeça ou não, caro Pacheco Pereira?

terça-feira, janeiro 15, 2008

20 000 000 000 $ em armas para Sauditas

Cerca de 20 mil milhões de dólares em vendas de armas ao regime mais criminoso do mundo é a verdadeira cartada "diplomática" do presidente Bush no Médio Oriente. O resto são fotografias para crentes e acólitos da Administração Bush. O grosso da fatia do negócio envolve mísseis Patriot e kits para bombas telecomandadas (Joint Direct Attack Munitions).
Os EUA andam a armar até aos dentes a Arábia Saudita - um dos 10 países do mundo que mais gasta em armas (foto AP/BBC). Resta saber a quem será destinado todo esse arsenal. Concordo com a opinião de uma parte do Congresso americano que considera mais provável os alvos poderem ser os próprios EUA e Israel...

terça-feira, dezembro 11, 2007

Documento de Parceria Estratégica UE-África

Quando se lê o documento de Parceria Estratégica África-UE percebe-se que as manias do seguidismo em relação às práticas internacionais dos EUA resultam em pontos de ordem absolutamente lamentáveis. Já nem me refiro à táctica de abertura e desregulamentação completa dos mercados dentro do espírito Wolfowitz. Refiro-me à menção, por exemplo, à "luta contra o terrorismo". Se lermos a pag. 29 da Acção Prioritária 1 dedicada à paz e à segurança, tropeçamos num ponto de actividades dedicado apenas à sagrada "luta contra o terrorismo" (não podia faltar). Apesar de o dia de hoje ter sido marcado por um atentado em África, convém ter presente que as minas pessoais matam muito mais pessoas em África do que os atentados. Ora, no ponto seguinte do documento, a questão das minas aparece misturada com outras armas e compromete-se simplesmente a reforçar capacidades, à criação de redes, à cooperação e ao intercâmbio de informações. Quer isto dizer que vamos ter minas a estoirar em África por muitos e longos anos, vendidas pelos países da realpolitik, os que se recusam a assinar quase todos os tratados internacionais, em particular o tratado que visa banir as minas anti-pessoais. São muito genuínas as boas intenções da "luta contra o terrorismo"...

domingo, novembro 11, 2007

A anexação do Havai

A história da anexação do Havai pelos EUA é de um cinismo tal que nos questionamos se algum antepassado de Kissinger não andaria já pelo Pacífico naquela época. Um golpe de estado pseudo-republicano derrubou a monarquia havaiana em 1894, mas por detrás das boas intenções republicanas, a produtora de frutas Dole já tinha o golpe preparado e 4 anos mais tarde o governo do Havai aceita a integração do arquipélago nos EUA. Convido-os a ler nesta página a história oficial da anexação contada pelo governo americano e aqui a história da anexação segundo os independentistas havaianos.

O Havai tornou-se o 50° estado americano em 1959 após um referendo em que o grupo étnico maioritário da ilha, os japoneses, teve um papel decisivo no resultado. O sentimento de culpa da população nipónica do Havai pelas atrocidades cometidas no Pacífico pelo Império Japonês durante a II Guerra Mundial, em particular pelo bombardeamento de Pearl Harbor, pesou decisivamente na sua tendência de voto.

No Havai são notórios sentimentos de anti-americanismo da parte da população indígena, sobretudo o sentimento de o Havai representar uma certa forma de colonialismo moderno. Paralelamente, ostenta-se o orgulho pela cultura polinésia, da qual descendem os primeiros habitantes do arquipélago.

quinta-feira, setembro 13, 2007

Caso Dalai Lama faz lembrar o caso Massoud

Em Abril de 2001 o Comandante Massoud, das forças da Aliança do Norte que combatia a Al Qaeda de Ben Laden, foi recebido pelo Parlamento Europeu em Estrasburgo. As várias televisões francesas aproveitaram a oportunidade para entrevistar Massoud, tendo a exposição da situação do Afeganistão dirigido pelos talibãs indignado toda a França. O governo francês não se indignou e desprezou por completo a presença de Massoud em França. Passados 5 meses a Al Qaeda iniciou a sua vaga de atentados assassinando cobardemente o Comandante Massoud a 9 de Setembro de 2001. Dois dias depois, a 11 de Setembro, o governo francês já vociferava contra os talibãs...

Certamente, o governo português também não receberia Massoud, tal como não recebeu o Dalai Lama, mas estará sempre pronto para chorar lágrimas de crocodilo pelo 11 de Setembro. É a escola Kissinger...

Para além de Massoud, o Parlamento Europeu já recebeu o Dalai Lama. Convém ter factos como este em mente, sobretudo quando se fazem críticas cheias de fervor nacionalista à democraticidade das instituições europeias, em particular ao Parlamento Europeu.