terça-feira, dezembro 27, 2011

Klepsydra de Ouro 2011: Rafael Marques

Distingue-se aqui com a Klepsýdra de Ouro a personalidade do ano. Distingue-se a imensa coragem e o excelente trabalho de investigação de Rafael Marques. Isto é mais forte do que a Primavera árabe. Trata-se de um homem só contra um regime assassino e corrupto. Em "Diamantes de Sangue" (Tinta da China, 2011), Rafael Marques denuncia os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. Na região do Cuango, para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e polícias são não só coniventes como também protagonistas desses crimes (sic).

segunda-feira, dezembro 26, 2011

A tortura colectiva continua na Coreia do Norte

Desde a morte de Kim Jong-Il, a tortura colectiva a que o Partido Comunista da Coreia submeteu os coreanos nao conhece limites. Depois da imposicao de ignobeis choros mal ensaiados, seguem-se os passarinhos que prestam homenagem a Kim Jong-Il.
A semana passada a direccao do PCP num exercicio de benovolencia com um dos maiores criminosos do mundo - na Coreia do Norte morre-se de fome, mas ha dinheiro para armas nucleares - expressou as suas condolencias pelo falecimento de Kim Jong-Il. Na mesma semana em que se opos ao voto de pesar pelo falecimento de Vaclav Havel. Duvido que a esmagadora maioria dos simpatizantes e militantes do PCP se revejam nisto.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Premiar os culpados da crise

Depois de Mario Draghi, Mario Monti e Lucas Papadémos (ex-Goldman Sachs), mais um cargo político europeu importantíssimo atribuído a um quadro oriundo de uma das empresas financeiras responsáveis pela crise mundial: Luís de Guindos (ex-Lehman Brothers) é Ministro da Economia do governo Rajoy. Não há vergonha na cara.

terça-feira, dezembro 20, 2011

Homenagem a Havel

Václav Havel (lê-se Vatslav, c=ts) é sobretudo sinónimo de coragem. Contra o regime comunista legitimado pelos tanques soviéticos, Havel foi reunindo em torno de si de uma forma mais ou menos caótica dissidências várias da sociedade checoslovaca que agrupava desde católicos a trotsquistas, apesar da permanente perseguição e das passagens pela prisão de que foi alvo. Quando a URSS começou a vacilar, foi com a mesma coragem que Havel apareceu nas primeiras linhas da contestação, quando ainda era incerto se uma nova vaga de tanques soviéticos pudesse voltar a intervir ou não.
Todos estes episódios são relatados com muito humor nas memórias de Havel, "To the Castle and Back", sobretudo quando descreve o estoicismo burocrático dos funcionários do PC checo bem como os delírios fanáticos dos ultraliberais que seguem o actual presidente Václav Klaus.
Mas Havel, é também um exemplo de um grande europeísta, daqueles que fazem falta na Europa nos dias de hoje. O seu primeiro discurso perante o Parlamento Europeu em 1994 não poderia ser mais actual. Havel apela à construção de uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e à eleição directa pelos cidadãos europeus de um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19).
Havel, o checo enfezado que costumava passar férias no Algarve, vai deixar muitas saudades.

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Mão leve

130 casos de violência doméstica no concelho da Figueira levados a tribunal nos últimos 7 anos. De fora está a grande maioria que nem sequer é objecto de queixa. Portugal continua a ser aquele país bizarro em que a casa é mais perigosa que a rua.

terça-feira, dezembro 13, 2011

O Xerife de Nottingham


(foto BBC)

David Cameron recusou-se a aceitar a medida de aplicação de uma taxa de transacções financeiras na UE, aquela que foi talvez a medida mais interessante negociada na cimeira da passada semana. Cameron mostrou-se muito preocupado com o seu impacto na City, cujas actividades contribuem para cerca de 10% do PIB britânico e que representam cerca de 75% das operações financeiras de toda a Europa. Mas a City é também uma das principais responsáveis pelo caos que se instalou na economia mundial desde 2008, é de longe o sítio na Europa onde mais se roubou empresas, cidadãos e estados, e que mais contribuiu para fomentar o desemprego na UE. Apesar de a crise atingir fortemente o Reino Unido (cerca de 450% do PIB de dívida pública+privada), não é por isso que nos últimos anos correctores e quadros de empresas financeiras da City deixaram de apostar milhões em corridas de cavalos e em viaturas de luxo (duas modas da City).
O Xerife de Nottingham não é ingrato, não morde a mão dos cortesãos que o levaram ao poder.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Mais cortes em grandes projetos europeus de investigação

(publicado no portal Esquerda.net)

Depois de cortes anunciados nos orçamentos do CERN, do Acelerador Europeu de Sincrotrão, da Estação Espacial Internacional e do futuro telescópio espacial James Webb (estes sobretudo da parte dos EUA), segue-se agora a intenção da Comissão Europeia em retirar do orçamento da União Europeia o projeto ITER e o programa GMES.

No caso do ITER (International Thermonuclear Experimental Reactor:Reator Termonuclear Experimental Internacional) justifica-se a decisão com as derrapagens nos custos de um projecto que inicialmente se estimou em cerca de 5 mil milhões de euros em 2006 e que se estima agora em cerca de 15 mil milhões de euros. O ITER tem como objectivo produzir energia através da fusão nuclear (em vez da fissão dos reactores das centrais nucleares) e é financiado conjuntamente pela UE (União Europeia), os EUA, a China, a Índia, a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão. A contribuição da UE no período compreendido entre 2014 e 2020 eleva-se a cerca de 2,7 mil milhões de euros.

O GMES (Global Monitoring for Environment and Security: Monotorização Global para o Ambiente e a Segurança) será uma constelação de satélites europeia que observará a superfície da Terra e a atmosfera em contínuo auxiliando os serviços meteorológicos de toda a Europa de modo a que estes prestem informações mais precisas aos cidadãos, a empresas e a instituições. Esta constelação será também especialmente vocacionada para detectar indicadores das alterações climáticas: risco de inundações, erosão dos solos e da costa, colheitas e recursos piscícolas, poluição atmosférica, gases de efeito de estufa, icebergs e glaciares. O custo total do GMES é de cerca de 5,8 mil milhões de euros.

A Comissão Europeia propôs a reposição do financiamento do ITER e do GMES através de novas organizações europeias financiadas directamente pelos estados membros e apenas em parte pela UE. Oito estados membros, entre os quais a Alemanha, a França e a Itália protestaram contra a comissária responsável pela investigação, Máire Geoghegan-Quinn, invocando que esta decisão atrasaria os referidos projectos e comprometeria a sua coordenação, colocando em risco a sua continuidade. Mas o mais grave é que estas políticas de cortes cegos da Comissão Europeia ignoram por completo as potencialidades da ciência para a resolução da crise, para a criação de novas tecnologias, novas empresas e criação de emprego qualificado, contrariando os chamados Objectivos de Barcelona que definem as linhas directoras do investimento em ciência na Europa. Lamentavelmente, esta Comissão considera mais a ciência como um problema do que propriamente uma solução para tirar a Europa da crise.

domingo, dezembro 11, 2011

Ronaldo mais simpático que Messi








O cronista Roustan do jornal L'Equipe decidiu investigar quem é mais simpático: Ronaldo ou Messi? Entrevistou colegas, ex-colegas, técnicos e jornalistas que conhecem ambos os jogadores e as opiniões foram quase unânimes: Ronaldo ganha claramente neste confronto. Apesar de no terreno Ronaldo ferver em menos água que o argentino, para além de revelar falta de maturidade quando provocado (e provocações a Ronaldo não faltam), o resultado favorável a Ronaldo não me surpreende e demonstra que a imprensa quando quer sangue, obtém sangue.

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Dupond & Dupont


Esta edição do programa Política Mesmo da TVI24 com Henrique Neto e Tiago Guerreiro é um exemplo perfeito dos "debates" na televisão portuguesa que abundam desde que começou a crise das subprimes. As opiniões dos participantes sobre a economia são coincidentes, a ideologia é a mesma e as soluções propostas são redundantes: o Estado deve ser reduzido ao mínimo; a austeridade é que é bom; e as culpas do sistema financeiro na crise são sempre minimizadas. Melhor só mesmo Medina Carreira que faz de Dupond e de Dupont simultaneamente, mas em versão rasca e populista.

Já escrevi que precisávamos de um canal de televisão gerido por profissionais de esquerda, eventualmente com a direita intelectual. Precisávamos de uma televisão plural, feita por todos aqueles que não cedem ao pimba, ao facilitismo, ao sensacionalismo e aos exemplos rasca dos programas de variedades da vida real que bombardeiam diariamente os nossos jovens. O canal ARTE já se estendeu a vários países europeus. Poderia ser por aí que as nossas ondas hertezianas começassem a ser mais bem tratadas.

terça-feira, dezembro 06, 2011

Não havia necessidade...

É preciso afirmá-lo com clareza. Quem tem responsabilidades de decisão política (Governo, Presidente da República e Câmara Municipal) pouco ou nada fez para evitar o encerramento dos estaleiros ou para encontrar uma solução alternativa de reconversão a outras actividades industriais. O mais perturbador é que isto ocorre em pleno debate da presidência sobre a importância da chamada economia do mar. Ouvimos do mesmo na Figueira, inclusivamente aldeias do mar, etc. É sem dúvida uma retórica bonita, e é uma via de desenvolvimento muito válida como já repetidamente escrevi, mas quando chega à hora da verdade a "economia da terra" (a dos mercados) liquida totalmente a economia do mar.