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terça-feira, dezembro 20, 2011

Homenagem a Havel

Václav Havel (lê-se Vatslav, c=ts) é sobretudo sinónimo de coragem. Contra o regime comunista legitimado pelos tanques soviéticos, Havel foi reunindo em torno de si de uma forma mais ou menos caótica dissidências várias da sociedade checoslovaca que agrupava desde católicos a trotsquistas, apesar da permanente perseguição e das passagens pela prisão de que foi alvo. Quando a URSS começou a vacilar, foi com a mesma coragem que Havel apareceu nas primeiras linhas da contestação, quando ainda era incerto se uma nova vaga de tanques soviéticos pudesse voltar a intervir ou não.
Todos estes episódios são relatados com muito humor nas memórias de Havel, "To the Castle and Back", sobretudo quando descreve o estoicismo burocrático dos funcionários do PC checo bem como os delírios fanáticos dos ultraliberais que seguem o actual presidente Václav Klaus.
Mas Havel, é também um exemplo de um grande europeísta, daqueles que fazem falta na Europa nos dias de hoje. O seu primeiro discurso perante o Parlamento Europeu em 1994 não poderia ser mais actual. Havel apela à construção de uma Europa mais forte, simplificando os tratados numa constituição clara (pag. 18) e à eleição directa pelos cidadãos europeus de um presidente que substituiria as presidências rotativas (pag. 19).
Havel, o checo enfezado que costumava passar férias no Algarve, vai deixar muitas saudades.

terça-feira, novembro 17, 2009

Havel sobre o anti-comunismo tardio

No dia dos 20 anos revolução de veludo, eis uma brilhante passagem do livro de Havel, "To the Castle and Back", pag. 115, numa clara alusão ao anti-comunismo doentio e de circunstância do actual presidente Vaclav Klaus.

"Shortly after the revolution and the arrival of freedom, a very special kind of anticommunist obsession established itself in public life. It was as though some people - people who had been silent for years, who had voted obediently in communist elections, who had thought only about themselves and had been careful not to get into trouble - now felt the sudden need to compensate in some aggressive way for their humiliation. And so they took aim at the people who least held it against them, that is, the dissidents. (...) at a time when dissidents appeared to be a tiny group of crazy Don Quixotes, the aversion to them was not as intense as it was later, when history had proven them right. Ultimately, many new anticommunists vented more anger against the dissidents than against the representatives of the old regime.

(..) this ideology revealed a lot about itself in a recent article claiming that the dissidents played no special role in the fall of communism because communism was brought down by "normal" citizens behaving conventionally, that is, by putting their own private interests first, which means that they may have stolen the occasional brick from a building state."