sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Surf na Sociedade

Este seminário está dentro daquilo que deveria ser a vocação da Figueira, são estas actividades, são estes caminhos que a cidade deveria percorrer para se desenvolver de uma forma sólida, equilibrada e diversificada. Infelizmente não poderei estar presente por circunstancias menos agradáveis da vida. Boa sorte ao Eurico, restantes organizadores e participantes.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Ecologistas alertaram catástrofe madeirense em 2008



Tudo o que aconteceu está na reportagem, chega a ser assustador o nível de previsão dos profissionais que criticam as obras. Toda gente foi informada, não há desculpas. Esta reportagem foi transmitida numa televisão pública. Há muita gente responsável por isto e tem que ser punida, com penas pesadas. 40 mortes é muita morte e cerca de uma centena de feridos é muito ferido. Estou curioso para ver o peso que vai ser dado a isto, no país que ficou histérico por se terem cortado meia dúzia de espigas de milho. Aqui a ceifa foi outra...
O Ministro das Obras Públicas, o Presidente do Governo Regional e o Presidente da Câmara do Funchal e dos respectivos concelhos afectados, já começaram a investigar quem autorizou toda aquela construção? Quem deu ordem? Quem projectou? Se calhar foram os próprios...

Maníacos de Qualidade no Casino da Figueira

Hoje, 25 de Fevereiro pelas 18h30 a cara Joana Amaral Dias apresenta o seu novo livro Maníacos de Qualidade (Esfera dos Livros) no Casino da Figueira da Foz.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

2666: uma questão de capas



Fui um dos que foi surpreendido pela edição de 2666 nas livrarias antes de ler uma linha sobre a genialidade de Roberto Bolaño. Quando mirei aquela capa, aquele 2666, meio kitsch meio western, ocorreu-me erradamente mais uma bodega apocalíptica, mais um Dan Brown, ou pior, um José Rodrigues dos Santos. Fica a chamada de atenção para os caríssimos da Quetzal. Ao lado deixo a capa da edição francesa, da Christian Bourgois, que apesar de não ser genial, é mais discreta e afugenta menos os potenciais leitores de Bolaño. Ok, mas atrai os leitores do José Rodrigues...

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

O Laço Branco



Em "O Laço Branco" de Michael Haneke desenrola-se uma cena em casa de um pastor protestante, ocorrida em 1914. O pastor prepara-se para punir à vardasca dois dos seus filhos: Klara e Martin. As personagens reúnem-se na sala de jantar para dar início ao ritual de punição. Fecha-se a porta e a câmara fixa-se fora da sala de jantar, mesmo em frente à porta fechada... Ouvem-se vozes. A porta abre-se, Martin passa em frente à câmara e desaparece. Martin regressa, volta a passar em frente da câmara, leva na mão direita uma vardasca. A porta fecha-se. Passados alguns instantes ouve-se o zumbido da vardasca e os gritos do rapaz.

Ucrânia, 1941:
A ocupação alemã dá azo a linchamentos públicos de judeus por parte dos ucranianos que consideravam os judeus aliados dos bolcheviques. Os nazis, entusiasmados pelo ódio que os ucranianos tinham aos judeus, colocaram em prática um sistema de assassínio em massa mais expedito. Transportavam os judeus em camiões até ao interior de uma floresta e estes eram posteriormente assassinados a tiro em frente a uma cova, para o interior da qual tombavam após o disparo. Essa cova era escavada pelo próprio judeu assassinado, com a mesma pá que este transportava consigo durante a viagem de camião...

domingo, fevereiro 21, 2010

Satélites da ESA ajudam Haiti

(publicado no portal Esquerda.net)

A Carta Internacional Espaço e Grandes Catástrofes consiste num protocolo que engloba várias agências espaciais que se destina a intervir em desastres naturais e tecnológicos. O objectivo da Carta visa melhorar a eficácia e a organização das operações de socorro nas regiões afectadas, prevenir acidentes e optimizar a reconstrução das infra-estruturas destruídas. Esta carta foi criada em 2000 por iniciativa da Agência Espacial Europeia. Desde então as agências signatárias da carta disponibilizam os seus meios gratuitamente (satélites, centros de tratamento de dados e de telecomunicações, etc.) aos países afectados por ciclones, tremores de terra, marés negras, inundações, incêndios ou erupções vulcânicas. Os satélites Envisat e ERS-2 são os dois principais instrumentos de observação disponibilizados pela ESA em caso de catástrofe.

Em 2010, a Carta já foi activada em nove ocasiões: tempestade de neve na China, ciclones nas Ilhas Cook e em Tonga, inundações no Peru, Bolívia, Faixa de Gaza e Albânia e terramotos nas Ilhas Salomão e no Haiti.

No caso do Haiti, foram fornecidas imagens de arquivo que permitiram identificar com clareza qual a função dos edifícios destruídos antes do terramoto. As imagens fornecidas em tempo real permitiram avaliar a extensão da destruição e os locais onde se iam aglomerando as tendas dos sobreviventes. Estas imagens permitiram também traçar rotas mais rápidas para o transporte de assistência médica e alimentar, bem como descobrir novos locais para abrigar a população e para a instalação da logística de assistência.

No entanto, a Carta é ainda um mecanismo provisório resultante da boa vontade de um conjunto de instituições, sem uma sólida coordenação política. Lamentavelmente, antes da tragédia do Haiti, os egoísmos nacionais fizeram com que os governos dos diferentes europeus recusassem por em prática um centro de ajuda internacional a catástrofes, sugerido por vários grupos políticos do Parlamento Europeu.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Concordo

Concordo com este artigo de M.S. Tavares quando se fala do jornalismo dos órgãos de dimensão nacional. A nível local, como escrevi aqui recentemente, o problema da liberdade de imprensa é sério e as consequências são palpáveis. A negrito as passagens mais interessantes.


"Para começo de conversa: a liberdade de imprensa não está em perigo em Portugal. Obviamente. Quem o diz, quem organiza petições online e manifs, nunca antes, quando o perigo real existiu, se fez ouvir. Não há um único grande jornalista português que ande por aí aos gritos em defesa da liberdade pretensamente ameaçada. Não conheço ninguém que não diga e não escreva o que quer e que não tenha tribuna para ser escutado. Sim, há, como haverá sempre, os que têm medo, os que hesitam e os que medem as consequências: mas a cobardia individual não é defeito público. Convém, pois, não confundir liberdade com irresponsabilidade, não confundir vaidades individuais, desejos de protagonismo e aproveitamentos políticos com a situação real, como um todo";

"Mal, muito mal, andou, pois, Paulo Rangel, com aquele seu infeliz, quase ridículo, discurso no Parlamento Europeu, querendo justificar num minuto a ditadura que se viveria em Portugal. (...) exagerou, generalizou, mentiu. Fiquei a pensar que, se é este o amigo da liberdade de imprensa, que avancem os inimigos";

"Nada, jamais, me fará deixar de lado o nojo que me causa a revelação destas 'verdade' arrancadas à custa da divulgação de conversas telefónicas ou presenciais privadas, do atropelo sem vergonha do segredo de justiça";

"Já faltou mais para que, qualquer dia, tenhamos os dirigentes sindicais dos magistrados a ditarem sentenças que devem ser aplicadas";

"E, preto no branco: no lugar do director do 'JN', José Leite Pereira, eu também não teria consentido a publicação da crónica de Mário Crespo. Porque não aceito como regra deontológica do jornalismo, a publicação de notícias fundadas numa fonte anónima que escutou conversas privadas, mesmo em local público. E porque também não o aceito como regra de educação. Nunca o fiz e nunca o farei - e também o poderia fazer abundantemente. E sinto asco quando vejo o director do 'Sol' vir agora revelar o suposto teor de uma conversa com Sócrates, num almoço em que foi como convidado a S. Bento e onde o PM lhe teria feito confidências gravíssimas. Com gente desta não quero almoçar. (Não deixo, aliás, de achar extraordinário que o mesmo 'Sol' ande aí a gritar aos quatro ventos que o Governo português quis comprar a sua liberdade, aproveitando as dificuldades financeiras do jornal, quando, tanto quanto sei, eles se abriram, directa ou indirectamente, aos dinheiros do mais corrupto Governo do planeta)".

Miguel Sousa Tavares, no Expresso de 13 de Fevereiro de 2010, "Oito passos em direcção ao fim". (Via O Bacteriófago)

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Interrogar Durão Barroso sobre ADM no Iraque

Tony Blair foi recentemente interrogado publicamente sobre a sua decisão de invadir o Iraque sob o pretexto da existência de ADM (armas de destruição em massa). Durante o interrogatório Blair passou por maus momentos, enquanto nos media o inspector da ONU Hans Blix tinha finalmente direito a oferecer aos britânicos, em horário nobre, a visão dos inspectores da ONU sobre a existência de ADM, bem diferente da versão anglo-americana.

Ninguém se esqueceu que na altura Durão Barroso foi categórico, afirmando que viu as provas da existência de ADM no Iraque. Mais tarde, em 2007, Barroso afirmou que lhe transmitiram informações "que não corresponderam à verdade". Fica no ar que Portugal foi enganado ao mais alto nível por outros países, com a agravante de estes serem países aliados. Seria de todo interesse da segurança nacional o Parlamento pedir uma audição ao ex-primeiro ministro. Seria importante ficarmos a saber definitivamente quem enganou Durão Barroso e tirar as respectivas conclusões sobre o bom funcionamento dos serviços de informação e aconselhamento ao mais alto nível e eventualmente tomar medidas à altura da gravidade do caso com os respectivos países que enganaram Barroso.

sábado, fevereiro 13, 2010

Cohn-Bendit sobre a Comissão Barroso

Vale a pena ouvir esta intervenção muito franca de Daniel Cohn-Bendit dos Verdes Europeus sobre a hipocrisia silenciosa do bloco central do Parlamento Europeu, que votará na Comissão Barroso apesar da fraca avaliação que faz do seu primeiro mandato. Bendit queixa-se com toda a razão que a aprovação desta Comissão afasta a União Europeia de se assumir como um verdadeiro actor global, favorecendo as ambições mesquinhas dos líderes nacionais.



quarta-feira, fevereiro 10, 2010

A Revista Ler

Desde o fim da Vida Mundial deixei de ler revistas portuguesas (vejam lá aos anos que isto foi). A Visão é uma versão suave do doentio voyerismo nacional que tem a sua linha dura nas publicações 24 Horas e Correio da Manhã. Comprei-a duas vezes e desisti. Leio a Courrier International francesa, não gosto das notícias requentadas de um mês na versão nacional.

Confesso que há uns meses quando comprei a primeira revista Ler estava extremamente desconfiado. Tinha umas horas de espera de comboio pela frente e a Ler era a única publicação no quiosque que não tinha pontos de exclamação na capa, não tinha fotografias de pseudo-vedetas e não tinha títulos choque sobre sexo, violência ou futebol. Comprei, li e gostei muito. É um bocadinho superficial quando comparada com as revistas estrangeiras de literatura que conheço, mas para um país com maus hábitos de leitura tem que se baixar a fasquia para poder sobreviver. Temo que vá pelo mesmo caminho que a Vida Mundial, são mais pérolas para porcos, mas enquanto for saindo serei um dos marretas que vai resistindo e lendo.

Sobre a liberdade de expressão e a perseguição

Do Oceano Atlântico à Raia conheço casos de jornalistas perseguidos, controlados e manipulados pelos pequenos poderes locais, por vezes por questões absolutamente idiotas que incomodam este ou aquele senhor que patrocina a publicação. Estes jornalistas que levam forte e feio nas canelas não se podem "atirar para chão para pedir penalty", não podem "simular falta" como Mário Crespo e pedir o castigo máximo perante o megafone dos media nacionais. Pura e simplesmente porque não têm esse megafone das televisões à disposição. Levam nas canelas e têm que continuar como se nada fosse, se caírem o jogo não pára.

É por esta razão que a vitimização de personagens como Moura Guedes, Eduardo Moniz ou Mário Crespo me sabem a lágrimas de crocodilo. Ao nível deles, as presas transformam-se em predadores, a televisão de hoje é uma forma de poder bem mais poderosa do que o poder político quando operada com suficiente maquiavelismo. Para esse peditório, o peditório familiar Guedes-Moniz, nem com um cêntimo contribuirei.

domingo, fevereiro 07, 2010

Português simula missão em Marte

(Publicado no portal Esquerda.net)
Luís Saraiva, 29 anos, natural de Manteigas, está a participar até este fim-de-semana, num projecto da Nasa que visa simular uma missão em solo marciano. Luís Saraiva, investigador no Fred Hutchinson Cancer Research Center em Seattle, integra uma equipa de seis cientistas que simulam as tarefas de uma hipotética equipa de astronautas na superfície de Marte numa estação localizada no deserto de Utah nos EUA.

A equipa é comandada por Brian Shiro (geofísico e comandante da expedição) e integra dois engenheiros, um astrónomo, uma geóloga e o próprio Luís Saraiva que é biólogo. A tarefa de Luís Saraiva consiste no teste de um sistema de reciclagem de água e na recolha de amostras para detectar a presença de microrganismos que resistem a condições extremas de temperatura: os extremófilos. Esta missão é constituída por diversas tarefas que incluem trabalhos científicos e projectos de engenharia concebidos para melhorar o conhecimento da logística necessária para realizar com sucesso uma missão tripulada a Marte, abrangendo temas como: o desenvolvimento dos fatos de astronautas, sistemas de localização, estudos sobre nutrição e comportamento.

Nesta página encontra-se toda a informação relativa a esta missão intitulada MDRS Crew 89, onde é publicado um diário com fotos e vídeos do trabalho em curso, com possibilidade de envio de comentários aos "astronautas".

Apesar de integrarmos a ESA, o que dá a possibilidade a um cidadão nacional de concorrer ao corpo de astronautas europeu, a organização das estruturas nacionais ligadas ao espaço continuam omissas em relação ao apoio à preparação de futuros astronautas. Sabendo que Portugal paga 10 milhões de euros em quotas à ESA, seria tempo de avançarmos nesta área, talvez em conjunto com outras agências espaciais nacionais com mais experiência, sob pena de os nossos candidatos a astronautas serem cronicamente eliminados e experiências como a do Luís Saraiva caiam em saco roto.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Revista Nature sobre a treta "climategate"

Obrigatório ler este editorial da revista Nature sobre o pirateamento dos emails dos climatólogos da Universidade de East Anglia - um crime apelidado estrategicamente de "climategate" para ver se dava mais pica mediática à coisa. Transcrevo uma passagem clara do que vale este assunto:

"Nothing in the e-mails undermines the scientific case that global warming is real — or that human activities are almost certainly the cause. That case is supported by multiple, robust lines of evidence, including several that are completely independent of the climate reconstructions debated in the e-mails."

Não vale a pena os niilistas do costume recorrerem à esquizofrenia conspirativa tentando descredibilizar a revista Nature. É a melhor revista científica, onde são publicados os melhores trabalhos científicos. É na Nature que se publica a ciência que dá prémios Nobel, é na Nature que se publica a ciência que nos permite ter uma vida extremamente confortável atrás de televisores, de volantes de automóveis, de écrans de computadores, que nos permite usar um GPS para nos orientarmos no deserto, enviar satélites de comunicações para o espaço e desfrutar da enciclopédia infinita que é a internet. É por ali que passa a verdadeira ciência. Qual é a ciência associada às parcas referências dos niilista do aquecimento global? Talvez a ciência da exploração de poços de petróleo...

Os brinca-na-areia da televisão

O artigo de hoje no Diário das Beiras do Gonçalo Capitão do PSD cita duas ideias chave sobre o caso Mário Crespo, que se poderia aplicar igualmente ao caso M. Moura Guedes:

- "tal turbulência mostra, cristalinamente, a força e a relevância dos media [...] um novo poder quase insindicável";
- "as próprias vedetas mediáticas estão bem cônscias da sua relevância e que estamos no país em que qualquer avançado (no futebol ou na vida pública) sabe que atirando-se para o chão ao menor “bafo” do adversário, haverá, com certeza, penálti."

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Dominique de Villepin vs Sarkozistão



A primeira vitória nos tribunais de Villepin contra o Sarkozistão - um pequeno estado dentro do estado francês composto de amiguismos, trocas de favores, "come e cala", de lambe-botismo que se instalou à volta do presidente Sarkozy - para além de me ter dado um gozo muito especial remeteu-nos um passado recente, para outra postura de coragem de Villepin em que este se destacou pelo memorável discurso na ONU contra as fantasias da Administração Bush sobre as armas de destruição em massa no Iraque.

A perseguição do Sarkozistão a Villepin continuará. E já sabemos que dificilmente homens da fibra de Villepin sobrevivem à matilha indemnes. Mas cada pequena vitória de Villepin contra o Sarkozistão vale por 10 e aqui estaremos para as aplaudir.

PS-
Dedico estas linhas ao Αλέξανδρος ο Μίκρος, razão da minha ausência de uma semana da Κλεψύδρα