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terça-feira, abril 27, 2010

fare il portoghese

(publicado no Esquerda Republicana)
Em Itália a expressão "fare il portoghese" (passar por português) é empregada quando se usufrui de um serviço e não se paga, por exemplo quando se viaja de comboio sem bilhete. Esta expressão decorre de uma historieta do século XVIII em que o embaixador de Portugal em Roma autorizou a entrada num teatro a todos os portugueses a viver em Roma. Nessa noite entraram de borla no teatro muitos romanos que se passaram por portugueses (fare il portoghese).

A tolerância de ponto e as mordomias para comitivas e devotos fiéis durante a próxima visita do Papa será um raro momento em que Portugal em peso farà il portoghese. Este momento de puro esbanjamento económico em período de crise a troco de uma massagem espiritual colectiva realizada por um clero que pouco fez para combater a pedofilia entre os seus, é um momento patético e desajustado à realidade de um regime democrático e laico. Compreende-se ainda menos esta atitude vinda de um governo socialista. Compreende-se ainda menos quando existe um debate na Europa (França e Bélgica, por exemplo) sobre a necessidade de salvaguardar laicidade da sociedade, a laicidade da escola e a laicidade dos espaços públicos. Por enquanto, ainda não conhecemos por cá fenómenos comunitaristas que impõem indumentária e práticas abusivas às mulheres e às adolescentes. Seria pois o momento ideal para blindar a nossa legislação a tentativas futuras de abusos espirituais. Mas não, preferimos piscar o olho ao velho Portugal dos três éfes.
Deixo aqui a ligação de uma intervenção exemplar (aos 22min e 40s) de uma voz que está longe de ser uma voz jacobina, a voz de um católico que defende a laicidade: Pedro Mexia. Oiçam bem as suas palavras sobre o papel do estado, dos feriados religiosos, etc.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Vaticano presta homenagem a Galileu

(publicado no portal Esquerda.net)

No âmbito do Ano Internacional da Astronomia, o Vaticano em colaboração com o Instituto Nacional de Astrofísica italiano inaugurou nos Museus do Vaticano uma exposição intitulada "Astronomia e Instrumentos, a herança histórica italiana 400 anos depois de Galileu". A exposição celebra os 400 anos de observações astronómicas desde as primeiras observações realizadas por Galileu Galilei em 1609. Na exposição foi reservado um espaço dedicado apenas aos instrumentos utilizados por Galileu, entre os quais se encontra o telescópio rudimentar através do qual Galileu realizou as suas primeiras observações do céu. Nesse espaço é exposto também o manuscrito original de "Sidereus Nuncius", o documento onde Galileu registou as suas primeiras descobertas astronómicas.

Esta iniciativa do Vaticano tem um significado muito espacial, dado que a Igreja rejeitou a verificação do modelo heliocêntrico realizada por Galileu, julgando-o num processo conduzido pela Inquisição. Como resultado desse processo Galileu foi forçado a renunciar às suas extraordinárias descobertas no dia 22 de Junho de 1633. Nesse dia, de joelhos, Galileu proferiu as seguintes palavras perante o tribunal:

"Eu, Galileu, filho do falecido Vincenzio Galilei, (...) depois de me ter sido legalmente feita por este Santo Ofício uma injunção no sentido de que deveria abandonar por completo a falsa opinião de que o Sol é o centro do Mundo e imóvel, e de que a Terra não é o centro do Mundo e se move (...) juro que de futuro nunca mais voltarei a dizer ou a afirmar verbalmente ou por escrito alguma coisa capaz de causar similar suspeita contra mim."

Só em 1992 o Vaticano viria a retratar-se sobre o seu erro, quando o Papa João Paulo II qualificou o processo de Galileu como um erro resultante de uma "trágica incompreensão mútua". Sobre esta exposição, o arcebispo Gianfranco Ravasi, responsável máximo do Vaticano pela cultura, declarou que esta é uma ocasião para mostrar a capacidade da Igreja em reconhecer os seus erros.