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quarta-feira, maio 12, 2010

A beatificação da cumplicidade com o nazismo

(Publicado no Esquerda Republicana)
A beatificação de Pio XII por insistência do Papa Bento XVI constituirá a celebração de um silêncio mortal, a celebração do oportunismo e a celebração da cumplicidade com o pior da história do século XX. Aliás, o silêncio e a inacção da igreja perante os casos de pedofilia já são uma grande demonstração de coerência com a herança de Pio XII. Mas sobretudo, ao beatificar Pio XII, este Papa envia um sinal bem forte a todos os crentes de que mais vale estar calado, mais vale colaborar e mais vale aproveitar as pequenas oportunidades quando confrontados com as piores arbitrariedades cometidas nos seus locais de trabalho, nas suas famílias e nas suas comunidades.

Apesar do Vaticano precisar que a beatificação de Pio XII considera apenas "as suas virtudes enquanto cristão, pondo de parte qualquer apreciação da importância histórica de todas as suas decisões operacionais", com o mesmo critério poderíamos beatificar operacionais das SS, kapos dos campos de concentração e talvez inclusivamente alguns dos autores da solução final. Tenho a certeza que entre estes indivíduos havia gente perfeitamente honesta, louvável e integra antes de participar activamente na barbárie nazi. Mas é na adversidade que se testa a verdadeira integridade das pessoas ou, por outras palavras, o seu potencial de beatificação. Nesse particular Pio XII fez parte desse pelotão do silêncio, desse pelotão da cobardia perante a barbárie que foi um pelotão tão ou mais terrível que os próprios pelotões SS.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Amen ou o valor da vida

O filme "Amen" de Costa-Gavras fala muito sobre o valor da vida na óptica do Vaticano. As vidas de que se fala em "Amen" não são espermatozóides, fetos ou embriões, são as vidas de adultos e crianças, na sua grande maioria judeus, mas também ciganos, homossexuais e outras minorias que encontraram a morte nos campos de extermínio do regime nazi. A obra de Gavras ilustra muito bem o papel dúbio do Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a tolerância perante os excessos nazis, é que apesar de tudo para a Igreja os nazis combatiam os comunistas.
"Amen" conta o combate intransigente do padre Riccardo Fontana - interpretado muito bem por Mathieu Kassovitz - pelos valores autênticos do cristianismo contra a hipocrisia do Vaticano que se manteve indiferente às informações crescentes da realidade dos campos de concentração nazis. Fontana consegue o apoio de Kurt Gerstein, um graduado alemão que vive atormentado com os crimes praticados nos campos de concentração, mas a luta de ambos será sabotada pela política do Papa Pio XII. Maior ajuda obterão numerosos nazis que conseguem escapar ao fim da guerra fugindo para a América do Sul através de uma preciosa colaboração do Vaticano.