sexta-feira, janeiro 30, 2009

O modus operandi da charlatanice climática

Por ordem cronológica isto tem mais piada.

21 de Janeiro de 2009
A NASA divulga esta fotografia correspondente a 50 anos de observações da Antárctida sob o título "Satélites confirmam o aquecimento do oeste da Antárctida no último meio-século"


Red represents areas where temperatures have increased the most during the last 50 years, particularly in West Antarctica, while dark blue represents areas with a lesser degree of warming. Temperature changes are measured in degrees Celsius.


23 de Janeiro de 2009
Para justificar que a Antárctida está a arrefecer, contrariando o comunicado da NASA, Rui Moura tem esta entrada no seu blogue niilista onde mostra um gráfico da NASA desactualizado, publicado há cerca de 5 anos atrás, correspondente apenas a 22 anos de observação (1982-2004). Ora, esta informação de 22 anos de observações está totalmente contida no gráfico acima, correspondente a informação que cobre um período de observações até há 50 anos atrás e que tem em conta uma maior quantidade de dados das estações de observações terrestres e dos satélites. Assim, se atira areia aos olhos dos leigos...

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Loft



"Loft" de Erik Van Looy é um policial em que um conjunto de personagens muito sofisticadas constrói um jogo secreto centrado na infidelidade conjugal. Estabelece-se um pacto entre amigos, distribui-se a chave de um apartamento secreto e abre-se a porta ao pecado. Rapidamente o apartamento torna-se o centro das vidas destas personagens e a sofisticação revela-se um pobre verniz que esconde mal o animal primordial que habita por baixo da pele de cada um. Até que verniz começa a estalar...
Excelente interpretação de Koen De Bouw (Chris Van Outryve).
"Loft" ainda não estreou em Portugal, chateiem o vosso cinema ou distribuidor!

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

Artigo de Solomon sobre a concentração de CO2

Eis o resumo do artigo de Susan Solomon referido na minha entrada anterior:

Irreversible climate change due to carbon dioxide emissions

The severity of damaging human-induced climate change depends not only on the magnitude of the change but also on the potential for irreversibility. This paper shows that the climate change that takes place due to increases in carbon dioxide concentration is largely irreversible for 1,000 years after emissions stop. Following cessation of emissions, removal of atmospheric carbon dioxide decreases radiative forcing, but is largely compensated by slower loss of heat to the ocean, so that atmospheric temperatures do not drop significantly for at least 1,000 years. Among illustrative irreversible impacts that should be expected if atmospheric carbon dioxide concentrations increase from current levels near 385 parts per million by volume (ppmv) to a peak of 450–600 ppmv over the coming century are irreversible dry-season rainfall reductions in several regions comparable to those of the “dust bowl” era and inexorable sea level rise. Thermal expansion of the warming ocean provides a conservative lower limit to irreversible global average sea level rise of at least 0.4–1.0 m if 21st century CO2 concentrations exceed 600 ppmv and 0.6–1.9 m for peak CO2 concentrations exceeding ≈1,000 ppmv. Additional contributions from glaciers and ice sheet contributions to future sea level rise are uncertain but may equal or exceed several meters over the next millennium or longer.

(Ler aqui o artigo completo)

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Recuperar do Aquecimento Global em 1000 Anos

Foi publicado ontem nos Proceedings of the National Academy of Sciences (uma das mais prestigiadas publicações que dá espaço ao estudo do clima a par da Science, Nature e da Geophysical Research Letters) um trabalho da autoria de Susan Solomon onde se conclui que serão necessários mais de mil anos para recuperar do aquecimento do planeta causado pelas emissões de gases de efeito de estufa. Anteriormente, estimava-se em cerca de 200 anos...

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Método Científico (comentários)

A política vigente vai exactamente em sentido contrário, tira-se cada vez mais horas lectivas às ciências (química, física, naturais) e a filosofia tem um programa estranhíssimo (para não ser malcriada). Os alunos chegam ao secundário sem saberem quase o que é um laboratório!
Eva Lima (Filhos & Cadilhos)

Confirmo as tuas palavras Rui. Fiz uma entrevista a um jovem engenheiro que não sabia o que seria o método científico aliás confessou que "não faço a menor ideia"...
Não é pois de admirar que engenheiros destes terminem irremediavelmente em caixas de supermercado !

João Vaz (Ambiente na Figueira)

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Reforçar o Ensino do Método Científico

Dou-me conta que o desconhecimento do método científico é assustador, as recentes discussões na blogosfera sobre ciência revelam uma ignorância profunda do assunto. E o pior é quando este desconhecimento vem da parte de cientistas (das ciências sociais e humanas às ciências exactas). O método científico é dado em filosofia no secundário e pontualmente nas disciplinas científicas, mas manifestamente não chega nas nossas sociedades sofisticadas que utilizam hoje a fundo variadíssimos produtos tecnológicos filhos da investigação científica. A consciência crítica é pobre e vulnerável à charlatanice bem embrulhada que se infiltra em todos os interstícios das sociedades complexas em que vivemos.

Já há muito tempo que considero que o método científico deveria ser dado no secundário muito mais aprofundadamente. Talvez fosse bom que o método científico ocupasse todo um trimestre na disciplina de filosofia no secundário. E que em física e química, matemática, biologia, economia, história e português, fossem dados exemplos que obrigassem os alunos a cruzar conhecimentos com os conceitos que adquiriram sobre o método científico em filosofia. Poderiam ser introduzidos em paralelo exemplos de pseudo-ciência para obrigar os alunos a distinguir entre aquilo que é ciência do que não é.

No meu entender este assunto deveria ser prioritário, tal como o combate ao analfabetismo.

Acordar um dia

É um blogue de qualidade dedicado à micro narrativa da autoria do caríssimo Nuno Camarneiro, ex-colaborador aqui da Klepsýdra, que anda lá fora a lutar pela vida.

segunda-feira, janeiro 19, 2009

250 Milhões de Libras para a Ciência

(Publicado no portal Esquerda.net)

Num momento de profunda crise o governo britânico decidiu investir 250 milhões de libras na criação de uma nova vaga de cientistas e de engenheiros, tendo para isso anunciado a criação de 44 novos centros de investigação onde serão formados em contínuo mais de 2000 estudantes de doutoramento.

Os centros serão especializados em diferentes áreas científicas e tecnológicas, com uma especial ênfase para as áreas da energia e das alterações climáticas. Apesar da sua abrangência este programa pretende responder a assuntos muito específicos mas de grande actualidade, como a gestão da escassez de água potável, o desenvolvimento de órgãos artificiais e a manutenção da competitividade da industrial aeroespacial.

No campo das ciências sociais e humanas existirá uma aposta particular em mudar a forma como se tem lidado com a criminalidade e o terrorismo. Existirá um enfoque maior no estudo do comportamento dos indivíduos envolvidos nestas actividades e na análise da estrutura e da propagação das redes de crime organizado, concentrando-se mais o esforço ao nível da prevenção em vez das tradicionais soluções repressivas.

O organismo responsável pela gestão deste programa é o Engineering and Physical Sciences Research Council (EPSR). Recentemente foi dado início ao período de ensaio tendo sido já publicados no sítio internet do EPSR ofertas de emprego e concursos para projectos abertos à participação de cientistas de todos os países.

Quilimanjaro tem menos 3 metros

A expedição para medir com precisão o Monte Quilimanjaro de que aqui fiz eco, teve como resultado o acerto da altura do monte para 5891,8 m, ou seja menos 3,2 m do que altura vigente. Está de parabéns o Gregor Samsa, ex-colaborador aqui da Klepsýdra e participante na expedição.

sábado, janeiro 17, 2009

Sábado em Coimbra XLIII: Quebra Bar

O Quebra Bar pode ser Quebra Lar,
depende da noite.
O Quebra Lar pode ser Quebra Lar
depende da noite se Quebra é substantivo ou verbo.

O Quebra Bar pode ser Brokeback Bar,
depende da noite,
ou Quebra las Costillas,
depende do cliente.

Vou pela tostas, pela música e pelo vinho,
(ah! como é difícil encontrar bares que servem vinho)
Gosto menos da fumarada,
o seu Quebranhar de Aquiles!

Sábado em Coimbra XLII

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Académica de Comboio

Uma semana depois de Ronaldo ter destruído um Ferrari e numa altura em que o mundo futebolístico preza em mostrar grandes máquinas, a Académica foi jogar a Setúbal de comboio. É só vantagens, declarou Domingos Paciência. Acredito, lembro-me bem das miseráveis viagens de autocarro e de carro quando jogava basquetebol. Se foi manobra de marketing, funcionou. Falo por mim, tenho mais gozo em apoiar uma equipa que anda de comboio.
Ide de comboio até ao Porto e ganhai! O Porto precisa de ser eliminado para se concentrar na Liga dos Campeões e era giro a Académica ganhar uma taça 40 anos depois da insurreição contra o regime fascista.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Ennemis Publics

"Ennemis publics" é o resultado da troca de correspondência ocorrida de Janeiro a Julho de 2008 entre o escritor Michel Houellebecq e o filósofo Bernard-Henri Lévy. Na origem da publicação conjunta de tão diferentes personagens estão os ataques pessoais de que ambos são alvo e que vão muito para lá da sua escrita, chegando ao ponto de envolver a mãe de Houellebecq e no caso de Lévy, atingindo a actriz Arielle Dombasle, a sua companheira. Na primeira carta, Houellebecq classifica os dois correspondentes como individus assez méprisables. No entanto, apesar de alguma vitimização menos interessante depressa a troca de correspondência toma contornos de um verdadeiro e vivo debate, onde as partes se irritam, para se acalmarem a seguir, voltando a irritar-se, sobrepondo-se a este ritmo emocional uma reflexão aberta digna de diálogos de filósofos da Grécia antiga. Houellebecq gosta da Rússia, das "sumptuosas louras russas", mas Lévy, irritado, lembra que a Rússia é também Putin, as oligarquias e a mão de ferro sobre os adversários políticos e as minorias étnicas. Ambos atravessam aleatoriamente a história do pensamento político dos dois últimos séculos e da literatura europeia (onde há referências a Pessoa). O debate atinge a sua fase mais interessante quando se aborda o tema da espiritualidade. Lévy, embora ateu, prefere Jerusalém a Atenas, prefere os escritos dos profetas e dos velhos rabis aos dos filósofos da Grécia antiga. Com uma certeza e uma clarividência surpreendentes, Houellebecq confessa-se desprovido de espiritualidade, assentando o seu pensamento exclusivamente na ciência. Estas reflexões vão sendo intercaladas ao longo da troca de correspondência com revelações pessoais em geral interessantes, onde os autores se expõem mais do que é comum, sobretudo Lévy.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Žižek sobre a ciência moderna

No meu resumo de “Sede Sábios, Tornai-vos Profetas” do post anterior dei mais ênfase às passagens em que Charpak se lamenta do distanciamento entre filosofia e ciência, citando autores que apesar de tudo ele elogia. Charpak deixa bem claro que a ciência só tem a ganhar se conseguir estreitar esse fosso com a filosofia, não é de modo nenhum sua intenção criar clivagens estéreis entre as duas disciplinas.
Na obra “La subjectivité à venir” (Flammarion, 2006), Slavoj Žižek tem várias passagens sobre a ciência que ajudam a estreitar esse fosso (tal como no artigo citado pela Palmira Silva), formulando o problema identificado por Charpak quase nos mesmo termos:

… l’impasse réside simplement aujourd’hui dans le fait que le savoir scientifique ne nous sert plus de “grand autre” symbolique. Le fossé entre la science moderne et le bon sens aristotélicien de l’ontologie philosophique est ici insurmontable: si un premier signe de ce fossé se repère avec Galilé, il se creuse de manière extrême avec la physique quantique, lorsque nous avons affaire à des lois et des règles qui fonctionnent dans le réel bien qu’elles ne puissent plus être retraduites dans notre expérience de la réalité représentable“, pag. 103.

Também sobre Heidegger, Žižek refere-se de uma forma semelhante às considerações de Charpak, classificando algumas das suas posições como “totalmente ambíguas”, embora ressalvando que existe muita crítica simplista para tentar desacreditar o filósofo (pag. 57).

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Sede Sábios, Tornai-vos Profetas!

(Publicado no Cinco Dias)
Georges Charpak (Nobel da Física em 92) e Roland Omnès são autores do livro de título irónico "Sede Sábios, Tornai-vos Profetas". Este livro surge na sequência de "Feiticeiros e Cientistas", uma publicação conjunta entre Charpak e Henri Broch, onde ensina o leitor a identificar através da matemática, da estatística e da lógica, os truques e as artimanhas de astrólogos e de outros charlatães. Neste "Sede Sábios, Tornai-vos Profetas", Charpak parte da história da conhecimento e do método científico para analisar a relação da filosofia e da religião com a ciência. Charpak analisa a resposta da filosofia e da religião aos novos desafios colocados pela física moderna, pelo afastamento das leis da natureza da intuição humana e pela transcendência da dimensão humana quando analisamos a imensidade do universo ou quando estudamos partículas sub-atómicas.
Charpak analisa as reflexões de Hume, de Kant e de Nietzsche sobre a ciência. Curiosamente, apesar de estar entre os que mais rapidamente a percebem a importância do método científico, Nietzsche é um dos primeiros a contestar o desenvolvimento da teoria atómica realizada por Dalton e Thompson e critica fortemente o darwinismo. Mais tarde, a aceitação da mecânica quântica sofreu grande resistência de filósofos que deram valiosos contributos para clarificar o significado do conhecimento da científico como Russell, Husserl ou Wittgenstein. Charpak dedica uma secção a Heidegger onde transcreve algumas passagens obscuras que revelam um considerável afastamento entre a sua filosofia e a ciência.



Nesta obra pouco divulgada entre nós, Charpak lança algumas pistas que poderão ajudar a perceber o que está na origem de alguns dos casos de pseudo-ciência apontados por Boghossian na obra recomendada pela Palmira Silva, que já está na minha lista de próximas aquisições.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

A Universidade Jaguar (caixa de comentários)

Com todo o devido respeito pelas suas considerações pela universidade Católica - organização onde estudei - creio que V/ Exª elabora em erro. Senão vejamos:

(a) a Católica foi pioneira na introdução do curso de biotecnologia no país e mantém uma das unidades mais avançadas de investigação na península ibérica. Trata-se do polo de biotecnologia da Asprela.

(b) A Católica tem uma escola de Gestão e de Economia que ocupam anualmente lugares cimeiros nos rankings europeus.

(c) a faculdade de Direito da Católica tem neste momento o curso de LLM mais avançado do país e a qualidade da sua formação a nível de licenciatura já foi reconhecida nacional e internacionalmente.

(d) a Católica tem ainda um curso de Som e Imagem que é dos mais avançados do país.

(e) a nível de investigação científica, desafio-o a encontrar em Portugal centros de estudo que ultrapassem em produção científica e qualidade os seguintes centros de estudo: Centro de Direito Privado Comparado; Centro de Estudos Comerciais; Gabinete de Estudos Laborais; Gabinete de Estudos Internacionais. Para sua informação estes centros de estudo recebem na íntegra financiamento da FCT e obtiveram a classificação mais baixa de Bom (sendo Muito Bom a classificação de >50% destes centros). Note-se que falo apenas dos centros de Direito e ignoro os centros de investigação noutras áreas.

(f) concordo em absoluto com o que diz a propósito das universidades privadas mas isso deriva tão só de falta de supervisão por parte do ministério responsável pela tutela do ensino superior. Existem inúmeras universidades privadas que conseguiriam ter cursos de excelência se tivessem condições de desenvolvimento.

(f.1) a propósito do anterior, note-se que também nas públicas existe desbaste de dinheiros públicos. Veja a qualidade da produção científica de algumas faculdades públicas e diga-me quem é coxo em termos europeus. Note-se que a Faculdade de Direito de Lisboa recusou há algum tempo o reconhecimento do Doutoramento de uma aluna que se doutorou em Harvard com um dos grandes crâneos da matéria e que foi agraciada com um prémio no final da tese. Isso mereceu mesmo um telefonema da parte da direcção da faculdade a perguntar quem era a FDUL para recusar o reconhecimento de um diploma de Harvard!

Eu sei que as privadas são de uma maneira geral muito fracas em Portugal mas olhe que as públicas também não são exemplo para ninguém - com honrosas excepções como a FEUP e outros casos isolados.

B.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

2009, Ano Internacional da Astronomia

Este ano é o Ano Internacional da Astronomia, aqui na Klepsýdra vamos participar activamente nalgumas actividades e divulgar as mais importantes. Eis o calendário do mês de Janeiro do programa nacional coordenado pelo caríssimo João Fernandes.

terça-feira, janeiro 06, 2009

A Universidade Jaguar

Na passada semana encerrou definitivamente a Universidade Moderna sob o silêncio do xôtor Paulo Portas. Concordo em grande parte com o Luís Januário. Entre as privadas há mais universidades que deveriam fechar. E se fossemos mais rigorosos apenas uma merece o título de universidade: a Católica. No entanto, mesmo a Universidade Católica no contexto europeu é uma universidade coxa onde a produção científica é fraca e se resume praticamente apenas às ciências sociais e humanas. A maior parte das universidades privadas não tem sequer produção científica. Estas instituições deveriam perder o estatuto de universidade e ser designadas mais correctamente como escolas ou institutos de ensino superior, tal como é prática noutros países da OCDE. Existem vários casos de politécnicos no país que produzem trabalho científico e que mereciam bem mais o estatuto de universidade. Apesar de algumas das privadas ainda prestarem serviços à sociedade civil, elaborando sondagens ou estudos técnicos, as restantes dedicam-se apenas à cobrança de propinas e de inscrições nos exames, por vezes, utilizando estratagemas que indignam profundamente os estudantes.

É por estas e por outras que sou pouco sensível ao choradinho das universidades privadas quando se queixam de falta de financiamento do estado. As privadas, tal como as públicas, podem concorrer a projectos europeus e nacionais que financiam a investigação, mas curiosamente o que se verifica é que essas oportunidades são pobremente aproveitadas, especialmente nos domínios das Engenharias e das Ciências Exactas. No entanto, tal como a Moderna algumas das privadas não dispensam um parque de automóveis de luxo adquiridos ou alugados. Por exemplo, um Jaguar custa mais de 100 mil euros, o que corresponde a uma quantia superior ao orçamento médio dos projectos a três anos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Pelo preço de duas ou três viaturas destas é possível equipar um laboratório capaz de produzir trabalhos científicos com qualidade aceitável. É tudo uma questão de prioridades...

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Os Canibais



"Os Canibais" é um dos meus filmes preferidos de Manoel de Oliveira. Esta obra é um acto de ousadia do Mestre que transpôs para a fita diálogos recitados em tom de ópera. A solenidade do bel canto reforça a ironia e o sarcasmo com que Oliveira aborda o drama em que o Visconde de Alveleda disputa com Dom João o amor de Margarida. O drama cruza-se em permanência com o ridículo das personagens, em cenas de um humor caustico, requintado e subtil muito típico de Manoel de Oliveira.
Excelentes interpretações de Leonor Silveira (Margarida) e de Diogo Dória (Dom João).
Fica a sugestão para quem quiser descobrir o melhor da filmografia de Oliveira.

A Hungria precisa do Euro

"A Hungria precisa do euro o mais rapidamente possível", foi a resposta do primeiro-ministro húngaro questionado por um repórter eslovaco que sondava a opinião de políticos dos países vizinhos sobre a adesão da Eslováquia ao euro. Ler aqui a mesma opinião do banco Central Húngaro.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

O trilho da Eslováquia até ao Euro

(Publicado no Cinco Dias)
É curiosa a história da moeda oficial da Eslováquia desde a independência do Império Austro-Húngaro. A coroa checoslovaca foi a moeda oficial enquanto durou a união da Rep. Checa e da Eslováquia, mas durante os 6 anos de anexação da Rep. Checa pelos nazis a Eslováquia teve a sua própria coroa. A coroa eslovaca voltou depois da separação definitiva da Checoslováquia em 1993 para mais 15 breves anos de existência.
Desde 1 de Janeiro, os Eslovacos voltam a ter uma moeda partilhada com outras nações mas desta vez os imperadores que chamavam Pressburg a Bratislava já não são coroados na Catedral de São Martinho e as lagartas dos tanques do Império do outro lado da Europa já não rasgam o alcatrão da estrada em frente à Universidade Comenius.
Mas a história não acaba aqui. Após o recente afundanço económico da Hungria e do impacto económico negativo da crise nos países fora da eurozona, o atlantismo populista que emanava da Polónia para o resto dos países de leste perdeu muito da sua chama. Uma sondagem recente realizada na Rep. Checa dá 65% da população a favor do euro. Ironia, das ironias, em breve checos e eslovacos voltarão a ter a mesma moeda.