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segunda-feira, janeiro 25, 2010

Cyrano de Bergerac



"Cyrano de Bergerac" apesar de se tratar de uma obra de 1990 de Jean-Paul Rappeneau, apenas recentemente passou pelo meu leitor de DVD. E em boa hora passou! Este filme baseado na peça de teatro do mesmo nome da autoria de Edmond Rostand é uma pérola do cinema, um filme único. Inspirada na história de uma personagem real, Savinien Cyrano de Bergerac, a acção desenrola-se na França conturbada do século XVII, conturbada pela Guerra dos Trinta Anos e por um clima de disputa entre notáveis da época. No meio deste ambiente hostil, a poesia, a eloquência e o talento na esgrima de Cyrano é uma fonte de motivação guerreira para os homens e de sedução para as mulheres. Apaixonado por Roxane mas desmotivado pela sua figura, sobretudo pelo seu "gigantesco" nariz, Cyrano projecta a sua paixão através das cartas de amor que escreve assinando pelo jovem Christian de Neuvillette, igualmente apaixonado por Roxane mas incapaz de escrever e encalhado numa timidez que o impede de se exprimir. Adivinha-se o drama...
Durante as duas horas de filme somos agraciados por uma interpretação magistral de Gérard Depardieu (actor que não está entre as minhas preferências), por um recital de bem declamar, bem falar, por um hino à poesia e à literatura, enquadrados no turbilhão da dança irreverente da capa e espada de Cyrano.
Este é um filme que para além de nos lavar a alma, além de ser um filme bem disposto, irónico, cheio de acção e apesar de ser teatral, é um filme que nos manda ir ler. Vai ler! Tens muito para ler! E a seguir declama aos deuses e às infantas da tua paróquia!

domingo, fevereiro 22, 2009

O Vira-Latas Milionário



"Quem quer ser Bilionário?" - poderia intitular-se "O Vira-Latas Milionário" - de Danny Boyle, combina a dinâmica "Trainspoting" (do mesmo autor) com um retrato social tipo "Cidade de Deus". A violência sob todas as formas a que estão sujeitas as crianças dos bairros da lata e a forma como esta violência forja o carácter de cada indivíduo é o tema principal desta obra-prima de Boyle. A estrutura da narrativa é excelente e surpreendente, e talvez o ponto mais forte deste filme, onde quase tudo é muito bom. O filme começa com o interrogatório de Jamal, um jovem que cresceu nos bairros da lata de Bombaim, depois de uma prestação com sucesso na versão indiana do concurso "Quem quer ser milionário?". E daqui partimos para o turbilhão da história de vida de Jamal e para algo mais que deixarei ao leitor a possibilidade de descobrir quando assistir ao filme.
O elenco é composto exclusivamente por actores indianos desconhecidos no ocidente, onde se destaca a prestação de Anil Kapoor, o apresentador do "Quem quer ser milionário?" - aquela dançazita após uma das respostas de Jamal é fabulosa. A bela Freida Pinto, a paixão de Jamal, é uma actriz de origem portuguesa, descendente das famílias católicas da velha Bombaim.

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Loft



"Loft" de Erik Van Looy é um policial em que um conjunto de personagens muito sofisticadas constrói um jogo secreto centrado na infidelidade conjugal. Estabelece-se um pacto entre amigos, distribui-se a chave de um apartamento secreto e abre-se a porta ao pecado. Rapidamente o apartamento torna-se o centro das vidas destas personagens e a sofisticação revela-se um pobre verniz que esconde mal o animal primordial que habita por baixo da pele de cada um. Até que verniz começa a estalar...
Excelente interpretação de Koen De Bouw (Chris Van Outryve).
"Loft" ainda não estreou em Portugal, chateiem o vosso cinema ou distribuidor!

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

segunda-feira, setembro 29, 2008

Vale Abraão

Da escrita de Agustina Bessa-Luís saiu este "Vale Abrãao" de Manoel de Oliveira, na minha opinião o melhor filme realizado por um português. "Vale Abraão" é uma reinterpretação de "Madame Bovary" de Gustave Flaubert, na versão de Oliveira, Ema "a Bovarinha" é encarnada por Leonor Silveira.
"A Bovarinha" é uma jovem cheia de energia e ilusões que casa cedo com um homem aborrecido que perdeu a capacidade de deslumbramento. Os amantes sucedem-se. Ema evolui da ingenuidade até uma perversidade dominadora, o vale é dela, é o seu território, onde a sua beleza é usada como uma arma para subjugar, manipular e humilhar. O vale funciona como um micro-estado feminino, autoritário, dentro de um estado-nação, um estado-moral, um estado-religioso completamente dominado por homens. Fora desse vale, Ema não é nada, ela sabe-o...
Grande interpretação de Leonor Silveira.

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

domingo, julho 13, 2008

Funny Games, o original



"Funny Games", a obra prima de Michael Haneke, vencedora do Fantasporto em 1998, é na minha opinião o melhor filme do género fantástico (terror se quiserem).
Mais interessante do que a própria narrativa do filme são os artifícios que Haneke emprega para provocar a angústia do espectador. "Funny Games" tem sangue e tem violência, mas esses não são os aspectos mais violentos do filme, o que é interessante na obra de Haneke é a capacidade do autor para isolar aquilo que de facto provoca a angústia e o medo no espectador dos actos propriamente ditos de violência. Alguns desses actos são de facto na obra de Haneke momentos de alívio de tensão, ao contrário da tradição do cinema gore americano, em que as cenas que servem de clímax da acção estão repletos de violência banal e de efeitos especiais com pouca substância emotiva.

Sobre a narrativa desta obra nada vou escrever. Descubram "Funny Games", o original, e só depois vão ver ao cinema "Funny Games US" ou "Brincadeira Perigosas", a versão que Haneke produziu para o público americano. Um bom clube de vídeo possui certamente "Funny Games", a versão original de 1997.
Curiosidade: Ulrich Mühe, o stasi de "As vidas dos outros" interpreta o papel do pai de família.


Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

segunda-feira, junho 02, 2008

[REC] Regista o medo



"[REC] Regista o medo" de Paco Plaza e Jaume Balaguero é excelente filme fantástico (terror se quiserem), muito bem filmado, com um argumento bem articulado que consegue manter quase na perfeição a intensidade do filme até ao último minuto. Sublinho intensidade do filme e não suspense, é na intensidade que este filme espanhol se destaca dos demais no género fantástico.
Tudo começa com uma banal reportagem de televisão cujo objectivo é acompanhar passo a passo o trabalho nocturno de uma corporação de bombeiros. A apresentadora do programa é sensacionalista, uma verdadeira predadora da imagem e do pequeno sentimento, muito semelhante ao tele-lixo da TVI e da SIC a que estamos habituados. A partir daqui não digo mais nada! Ide ver o filme! ;)

Sendo um cliente muito difícil deste género de cinema - o último filme fantástico muito bom que vi foi "Funny Games" de Haneke - acrescento que esta minha sugestão cinematográfica vem rotulada de 5 estrelas Klepsýdra.

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

quinta-feira, abril 24, 2008

O Testa de Ferro

"O Testa de Ferro" de Martin Ritt é uma obra prima do cinema dos anos 70, com a irreverência típica da vaga de cinema de intervenção política que se seguiu à contestação da Guerra do Vietname e ao Maio de 68.
Em "O Testa de Ferro", Woody Allen é Howard Prince, um empregado de um restaurante que serve de cobertura de um grupo de esquerdistas perseguido pelo McCartismo, vendendo guiões de televisão escritos por estes sob a sua autoria. Ao contrário dos seus amigos esquerdistas, Prince tem um conhecimento vago da política e opiniões ingénuas. No entanto o início do seu relacionamento com Florence, que integra o grupo de intelectuais de esquerda, vai mudar a visão política de Howard Prince...
Na minha opinião em "O Testa de Ferro", Woody Allen tem a melhor interpretação da sua carreira, sobretudo pela excelente e credível transformação de uma personagem ingénua num indivíduo que se forja uma sólida consciência política. É essa transformação que dá muita força à memorável cena final do filme.



Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Babel

Durante as primeiras cenas de "Babel" em que interagem personagens de diferentes culturas pensei para comigo: "já vi isto, já me aconteceram cenas destas". O filme seguia e ía revendo mais pormenores das minhas viagens, alguns nos mesmos locais, EUA, Tijuana e México, outros ocorreram em locais diferentes mas onde as reacções das pessoas foram muito parecidas às reacções das personagens de "Babel" de Alejandro Iñárritu. O mérito de Iñárritu é o de nos mostrar os habitantes deste mundo sem filtro. Todas as personagens receiam o encontro com o outro, o fosso entre códigos de comunicação e de códigos de vida é tão profundo, que se equipara ao que separa Yasujiro , uma surda-muda japonesa, do mundo "exterior". A coca-cola light sem gelo, a náusea dos turistas na aldeia marroquina ou a matança da galinha na festa mexicana, rimam com o mundo, o mundo das encruzilhadas dos povos.
Em "Babel", o medo faz a acção, faz descarrilar uma personagem para as armadilhas lançadas pelos fantasmas de outra personagem de uma cultura diversa. Mas "Babel" mostra também como as relações de dominação continuam bem presentes, apesar da abolição da escravatura e das cartas dos direitos humanos. Essa dominação está bem patente na forma como Richard nega a autorização para que a empregada mexicana compareça no casamento do seu filho ou como a polícia marroquina lida com os pastores.
"Babel" representa um mundo frágil, como o mundo da parábola da borboleta que bate as asas no pacífico e desencadeia uma tempestade noutra parte do mundo. Em "Babel", não é bem uma borboleta que desencadeia a tempestade, é uma carabina japonesa levada para Marrocos.

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Barton Fink

"Barton Fink" dos irmãos Coen é uma excelente autocrítica ao cinema americano, nomeadamente à irresistível tentação de querer que a criação artística seja rentável à força, nem que para isso se tenha que matar a criatividade e a qualidade. Os irmãos Coen não o fazem por menos, em "Barton Fink" a indústria cinematográfica de Hollywood vai a Nova Iorque contratar os grandes escritores de peças de teatro para escrever enredos de filmes de boxe para a indústria californiana. Barton Fink (John Turturro) é um desses jovens talentos nova-iorquinos que se prepara para dar o salto do teatro para o cinema, mas quando Barton Fink parte para Hollyoowd fá-lo já sem grandes ilusões...
"Barton Fink" é uma obra-prima dos irmãos Coen, na minha opinião o seu melhor filme, inteligente, denso sem ser pesado, cáustico, onde se podem apreciar cenas e sequências cinematográficas do melhor que se produz na sétima arte e que conta com uma grande interpretação de John Turturro.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Partículas Elementares


(Partículas Elementares de Oskar Roehler baseado no livro do mesmo nome de Michel Houellebecq)

Bruno e Michael são meios-irmãos, filhos de uma hippie convicta até ao fim dos seus dias. Partilham a dificuldade de integração numa sociedade onde proliferam vidas clássicas. Bruno, escravo dos seus fantasmas sexuais, vive perdido no seu extremismo e no alcoolismo e Michael, introvertido e bloqueado emocionalmente, vive mergulhado na ciência e isolado do contacto com o sexo oposto. Ambos vão sair do circulo vicioso em que se encontram, mas é Bruno quem vai ter a experiência mais traumática. Bruno vai viver um dos seus fantasmas, e como é duro quando os fantasmas se materializam...
"Partículas Elementares" é baseado no romance do mesmo nome de Michel Houellebecq que conta com uma excelente interpretação de Moritz Bleibtreu (Bruno), com Franka Pontente (a Lola de "Corre Lola Corre" onde contracena com Moritz) e ainda com a deliciosa Martina Gedeck. A escolha de Martina Gedeck para a personagem Christiane - que vai materializar dos fantasmas de Bruno - é excelente, por tudo, até porque fiquei a partilhar parcialmente do sofrimento de Bruno...

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)