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segunda-feira, janeiro 05, 2009

Os Canibais



"Os Canibais" é um dos meus filmes preferidos de Manoel de Oliveira. Esta obra é um acto de ousadia do Mestre que transpôs para a fita diálogos recitados em tom de ópera. A solenidade do bel canto reforça a ironia e o sarcasmo com que Oliveira aborda o drama em que o Visconde de Alveleda disputa com Dom João o amor de Margarida. O drama cruza-se em permanência com o ridículo das personagens, em cenas de um humor caustico, requintado e subtil muito típico de Manoel de Oliveira.
Excelentes interpretações de Leonor Silveira (Margarida) e de Diogo Dória (Dom João).
Fica a sugestão para quem quiser descobrir o melhor da filmografia de Oliveira.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

O Mestre

Le Maître. Era desta forma que o director do cinema Odyssée de Estrasburgo - cidade onde vivi quatro anos - se referia a Manoel de Oliveira. O Odyssée fazia questão de apresentar as estreias nacionais do Mestre, convidava actores, realizadores, críticos e a première de um Oliveira era sempre uma soirée especial. Foi nessa altura que percebi a verdadeira dimensão internacional da obra de Manoel de Oliveira, que só tinha paralelo entre os autores portugueses no cinema de João César Monteiro. Na prática, para o resto do mundo estes são os únicos realizadores portugueses que existem. É uma pena, mas espero que as carreiras de João Botelho, de Joaquim Sapinho ou de Pedro Costa me desmintam um dia.



Para além da qualidade do cinema de Manoel de Oliveira, há outra característica que aprecio no autor: a sua permanente capacidade de deslumbramento. Num país que é diariamente bombardeado pelas crónicas da escola de Vasco Pulido Valente, o narrador omnisciente enfadado, que já sabe tudo o que aconteceu, o que acontece e o que acontecerá, dá-me um gozo bestial este jovem de 100 anos que faz um manguito a esse estado de espírito e que continua a entusiasmar-se com o que extrai da literatura, das vidas das jovens mulheres e de gandas malucos como o Pedro Abrunhosa. Este vídeo em que Wim Wenders filma Oliveira a imitar o Charlot é um exemplo perfeito desse jovem Oliveira entusiasta, humorado, que continua a apreciar cada segundo de vida.

Agustina e Leonor
Estas são as duas grandes mulheres que contribuíram em parte para o sucesso do Mestre. A qualidade dos romances da Agustina Bessa-Luís e a interpretação de Leonor Silveira, que na minha opinião é de longe a melhor actriz portuguesa, são a base do melhor que Oliveira produziu para a sétima arte.