terça-feira, junho 30, 2009

A auto-estrada perdida

O Nuno alerta e com muita razão para irracionalidade da duplicação da auto-estrada do norte, mas a irracionalidade atinge o seu auge no troço da A29 entre Angeja e Estarreja. A A29 estende-se paralelamente à A1 a uma distância que varia entre os 400m e os 1400m. A pacatez com que se aceita uma aberração destas que vai em sentido contrário de qualquer política de desenvolvimento sustentável mostra também a demagogia que envolve o discurso anti-TGV. Esta A29 é o exemplo perfeito de um peso que se deixa para as gerações futuras, em inutilidade e em mais petróleo importado, dinheiro que sai directamente para fora do nosso país sem retorno algum.

sexta-feira, junho 26, 2009

O português que divulgou Galileu na China

Um excelente trabalho dos investigadores Henrique Leitão e Rui Magone revelou que foi um padre jesuíta português que introduziu e divulgou as descobertas de Galileu na China. Ler tudo aqui.

quinta-feira, junho 25, 2009

1491

1491 de Charles Mann é uma extraordinária obra que conta a história do continente Americano antes da chegada dos europeus, onde podemos descobrir revelações interessantíssimas saídas das mais recentes publicações científicas. Na verdade Mann vai um pouco mais para além de 1491 e conta como foram os primeiros contactos dos europeus com os índios. Conta como eram esses índios da América do Norte que tinham uma alimentação diária perto do óptimo em número de calorias e bastante variada, onde ponderava o milho, esse vegetal desconhecido na Europa. Estes índios desprezavam os europeus, enfezados, a cheirar mal (nessa altura os britânicos não tomavam banho durante toda a vida) e cheios de cicatrizes da varíola. Foi justamente a mesma varíola que fez desaparecer a uma velocidade fulminante a maior parte da população da América. São impressionantes os dados revelados por Mann, nalgumas regiões da América mais de 90% da população desaparece em apenas alguns decénios. Antes da chegada dos Europeus ao interior da América havia já algumas aldeias fantasma, dizimadas pela propagação das doenças, mesmo antes da presença física dos Europeus. Foi uma das maiores catástrofes do milénio passado causada pelas diferenças de sistema imunitário e genética entre americanos e os povos dos continentes europeu, asiático e africano. Mann conclui com muita razão que o mundo tem algumas responsabilidades para com aqueles povos. Não uma responsabilidade resultante de um sentimento de culpa com pouco cabimento, mas porque nós, embora inadvertidamente, dizimámos efectivamente aquelas culturas. Uma forma de compensar esses povos é seguir os passos de Mann, reabilitando e reconstruindo a história e a cultura desses povos. Todo o dinheiro que investirmos nisso é pouco comparado com o que se perdeu.

A maior parte da obra é dedicada às culturas que povoavam a América antes da chegada dos europeus, às grandes e efervescentes cidades que se estendiam desde a costa do Chile até ao Oklahoma. À organização social quase horizontal, onde a escravidão e as relações hierárquicas rígidas eram praticamente inexistentes. Mann descreve-nos o sucesso da eficiência agrícola da América, o continente de onde veio o milho (o vegetal mais cultivado no mundo), as batatas, os pimentos, as abóboras e os feijões. Relata-nos os conhecimentos extraordinários dos Maias em astronomia e matemática. Mas curiosamente nessa mesmo continente a roda nunca foi inventada (existia apenas como brinquedo). Os animais de maior porte existentes na América eram o bisonte, a ema e o lama. O cavalo (tal como o porco) foi introduzido na América apenas à chegada dos europeus. Por isso as deslocações no continente americano eram bem mais limitadas do que no resto do mundo.

Esta é maior beleza da obra, o estímulo permanentemente à imaginação do leitor, o transporte para outro mundo (que existiu mesmo) há mais de cinco séculos atrás, a Europa sem batatas, a América sem cavalos, o Massachusetts, o Connecticut e Nova Jersey sem auto-estradas e arranha-céus, salpicadas de pequenas aldeias costeiras rodeadas de plantações de milho, habitadas pelos humanos mais saudáveis do planeta que pescavam mergulhando nas águas do Atlântico.

1491 não foi traduzido para português. Para quem se desenrasca em línguas pode escolher entre a edição francesa e em inglês. Vale bem a pena o esforço!

Ser enganado pela especulação petrolífera

Este artigo publicado no La Stampa, explica com clareza como os consumidores são enganados pelos produtores, intermediários e distribuidores de petróleo. Transcrevo algumas partes da tradução no PressEurop:

"Cada um dos pequenos pontos imóveis que se conseguem ver quando o céu está limpo ao largo de Roterdão, podem alimentar até 5 milhões de automóveis de média cilindrada. São superpetroleiros, carregados com 2 milhões de barris cada. No dia 19 de Junho, eram oito, em frente ao maior porto europeu. Menos de uma hora teria bastado para acostar, mas todos os comandantes receberam ordem de lançar âncora ao largo. O preço actual do barril não incita à venda.

Para descrever esta conjuntura específica, os analistas financeiros falam de “contango”: o preço contra entrega, ou “spot”, de um bem é inferior ao preço de um contrato a prazo (que se obtém pagando hoje um barril para entrega futura). (...) Assim, num contexto de contango, os navios não têm nenhum interesse em depositar a carga."

Este será um dos "custos para as gerações futuras" a ser aplicada a política demagógica de transportes de Ferreira Leite baseada no transporte individual.

quarta-feira, junho 24, 2009

Selos do Ano Internacional de Astronomia


Por iniciativa da organização do Ano Internacional da Astronomia foi lançada uma série de selos dedicados à astronomia. Consultar a colecção no sítio do CTT. É aproveitar enquanto há! São selos giros para colar na carta para a namorada ;)

terça-feira, junho 23, 2009

Boris Vian 50 anos




A realidade não bastava a Boris Vian.
Vian saltava de Universo em Universo,
de dimensão em dimensão,
como um cosmonauta do espírito.
Na Klepsýdra, homens destes são eternos.

segunda-feira, junho 22, 2009

TGV vs petróleo

Caixa de comentários da entrada "O petróleo deve ser de borla":

"o que torna esta discussão caricata é que o tgv se construirá com PS ou PSD. Se o PSD ganhar as próximas eleições vai concerteza dizer q é preciso estudar a questão, faz mais um estudo, diz que é preciso alterar dois ou três pormenores (agora é que é bom, o anterior projecto nao prestava) e depois inicia-se a obra."
Jorge Silva, Ciências e Ideias

"Já todos se esqueceram do petróleo a $140/barril e do género de regimes que enriquecem com ele. Memórias curtas."
David Luz, Linha dos Nodos

"Se há coisa que ainda me faz espécie é esta insistência em construir o TGV quando as linhas de caminho de ferro portuguesas são um desastre. É uma vergonha, por exemplo, que não se faça Lisboa-Leiria em menos de três ou quatro horas. Ou que não haja ligação Leiria-Coimbra (isto para me manter em torno da minha cidade natal). Antes de mais, o país deveria construir ligações de caminho de ferro decentes e que englobassem o território de forma correcta, um pouco como decidiram fazer há uns 20 anos com as auto-estradas. Só depois viria o TGV (a Holanda não tem TGV e a Alemanha só o tem em alguns troços, por exemplo). Claro que o TGV deverá ser comparticipado pela UE e os caminhos de ferro convencionais não o serão, talvez seja essa a razão..."
João André, Estação Central

quinta-feira, junho 18, 2009

Millénium



"Millénium" de Niels Arden Oplev é a adaptação ao cinema do livro do sueco Stieg Larsson. Sem ser um consumidor deste género literário, considero que este tipo de histórias se adaptam muito bem ao cinema, sobretudo quando se é fiel aos lugares e à língua da obra. Millénium é interpretado por excelentes actores suecos e falado em sueco. Millénium mostra que a hollywoodização (actores da moda, língua inglesa, etc.) recente de alguns romances europeus transpostos para o cinema é dispensável e só estraga obras potencialmente interessantes.
Millénium é um romance policial negro onde as personagens têm densidade, onde nada é gratuito, resultando num filme adulto e simultaneamente orientado para o grande público. Um exemplo do melhor cinema que se faz na Europa.
Deixo aos leitores o prazer da descoberta da interessante narrativa de Millénium realçando a excelente interpretação de Noomi Rapace na pele da intrigante Lisbeth Salander. Este Millénium é primeiro episódio da triologia de Stieg Larsson, estando actualmente em fase de produção o segundo episódio.


quarta-feira, junho 17, 2009

O petróleo deve ser de borla

Quando Manuela Ferreira Leite e Rangel se referem à construção do TGV como uma dívida para as gerações futuras, só podem estar a considerar que o petróleo que importamos desmesuradamente é de borla. Se alguma dívida estamos a deixar para as gerações futuras é a pesada factura de importação de petróleo e os efeitos resultantes do seu consumo para o aquecimento global, do qual as nossas florestas já sofrem todos os verões.

O TGV, tal como a primeira linha de caminho de ferro que foi construída há 150 anos no nosso país é uma obra que se paga num período de cerca de duas a três dezenas de anos e que serão um legado perene para as gerações futuras, que o receberão de borla. Vai ajudar a poupar muito na importação de petróleo e se, tal como se prevê, o preço do crude aumentar consideravelmente o TGV tornar-se-á rentável muito mais rapidamente. Caso a demagogia de Ferreira Leite vingue serão as próximas gerações que correrão o risco de ficar imersas em dívidas e paralisada se o preço do petróleo disparar.

sexta-feira, junho 12, 2009

O fanatismo de Rumsfeld revelado

Recentemente alguns dos pares de Rumsfeld na Administração Bush revelaram o nível de fanatismo do ex-Secretário de Estado divulgando as citações bíblicas que acompanhavam relatórios secretos escritas pelo próprio Rumsfeld. Aqui podemos ver uma sequência de slides que correspondem a capas de relatórios elaboradas por Rumsfeld. Apreciem e julguem por vós próprios...
O que me causa um arrepio na espinha nesta história toda é o facto das nossas forças armadas, e as forças armadas de uma série de outros países europeus, terem estado ao serviço de fanáticos deste calibre.


segunda-feira, junho 08, 2009

Porque sobe o BE?

Nenhum dos partidos do grupo europeu a que pertence o BE sobe de eleição para eleição como o próprio BE. A sua subida assemelha-se à subida de partidos Verdes europeus, como os Verdes alemães, os Verdes belgas ou os Verdes franceses (Europe Ecologie). O que é que têm em comum estes partidos de esquerda alternativa aos PS e aos partidos sociais democratas? São formações de esquerda alternativa que não estão ancoradas ao marxismo (pelo menos na prática) ou a novas interpretações do marxismo. São formações que englobam sem complexos dogmáticos várias tendências de esquerda: libertários, ecologistas, católicos progressistas, sociais democratas, liberais de esquerda, partidos radicais e algum marxismo. Por isso, pela primeira vez desde a implosão dos partidos comunistas tradicionais, uma esquerda alternativa chega àquilo que os marxistas designam por "massas". Hoje, velhinhos, jovens, pessoas de meia-idade, mães, funcionários, empresários e gente de todo o tipo vota no BE, e isso é novo na esquerda alternativa ao PS em Portugal. Se o BE continuar no seu caminho de rejeição do dogmatismo e de abertura a todos os contributos válidos oriundos das várias tendências de esquerda, poderá crescer de uma forma sólida e continuada e ficar apto para proporcionar um real contributo político à sociedade.

Política Higiénica

Um dos painéis de comentadores da SIC desta noite eleitoral era muito higiénico: um comentador do PS, outro do PSD, outro ex-PS que pisca o olho ao PSD e outro do CDS. É a higiene standard da Quadratura do Círculo. Dois desses comentadores eram os mesmo que conseguiram errar quase tudo o que iria suceder em 2008 do ponto de vista ideológico, num célebre exercício quase de astrologia política. Mas eles voltaram aos semblantes carregados que proferem presságios que irão abalar o mundo, tudo culpa da ideologia dos outros, claro está, a crise não existe como todos nós sabemos...

sexta-feira, junho 05, 2009

Home no YouTube

"Home" de Yann Arthus-Bertrand já está disponível no Youtube.

Quem quer ser astronauta?

(Publicado no blogue do NUCLIO no Expresso)




Samantha Cristoforetti (Itália), Alexander Gerst (Alemanha), Andreas Mogensen (Dinamarca), Luca Parmitano (Itália), Timothy Peake (Grã-Bretanha) e Thomas Pesquet (França) são os seis novos astronautas europeus revelados pela ESA no passado 25 de Maio. O processo de selecção que durou cerca de um ano, compreendeu uma série de rigorosos testes aos conhecimentos técnicos e científicos dos candidatos, testes psicológicos, análises médicas e testes físicos. A primeira triagem começou por uma análise médica a vários parâmetros físicos dos candidatos a astronauta: análises ao sangue, ritmo cardíaco, visão, etc. Após estas análises a ESA deu como aptos 8413 candidatos de toda a Europa!

Os concursos para astronautas são muito raros. Este foi o primeiro concurso realizado pela ESA desde a adesão de Portugal à Agência, em Novembro de 2000. No entanto, apesar de ter sido a primeira oportunidade de candidatos de nacionalidade portuguesa poderem integrar o restrito corpo de astronautas da ESA, fomos 210 a passar as análises médicas, o que foi um bom resultado para um país da nossa dimensão. Infelizmente, a partir desta fase existe um grande abismo entre os países que investem a sério nesta área e os que nada investem, que é o nosso caso. Há muita coisa a fazer para podermos aspirar a ter um dia um astronauta. Por exemplo em "Carnet de bord d'un Cosmonaute", o cosmonauta francês Jean-Pierre Haigneré que participou em duas missões espaciais a bordo da estacção espacial Mir transmite uma boa ideia do extremo rigor do processo de selecção. Nesta obra o cosmonauta agradece várias vezes às equipas de médicos, psicólogos e preparadores físicos do CNES (Centre National d'Etudes Spaciales) que ele considera determinantes para a sua selecção. Em Portugal este apoio não existe, pelo que será muito improvável que possamos ter um astronauta se nada for feito para prepararmos os nossos candidatos.

Aqui ficam alguns conselhos para os que desejarem passear no espaço um dia envergando um fato de astronauta da ESA:

- Não fumar. Os fumadores não passam nas análises médicas;
- Aprender várias línguas para além do inglês, de preferência o russo e o francês;
- Estar em forma. Um bom ritmo cardíaco é um ponto forte. A musculação pode ser desvantajosa. Ser muito alto é também uma desvantagem.
Problemas de visão pouco significativos não eliminam os candidatos;
- Praticar vários desportos e actividades físicas, em especial a corrida, a natação, o mergulho e alguns desportos radicais como o pára-quedismo, a escalada ou a espeleologia;
- Experiência a pilotar de aviões. Não é obrigatório, mas é uma grande vantagem;
- Ter uma extraordinária capacidade de relacionamento com os colegas. Muito importante para as missões tripuladas de longa duração;
- Idade aconselhada entre os 27 e os 37;
- Obter diplomas em ciências exactas e em ciências da vida (ex: licenciatura em física e mestrado em psicologia);
- Carreira científica com trabalhos publicados em revistas da especialidade com arbitragem pelos pares;
- Destreza no manuseamento de dispositivos mecânicos, eléctricos e sensores.

Consultar aqui
as biografias dos novos astronautas da ESA.

quinta-feira, junho 04, 2009

"Home" em simultâneo mundial na RTP2




Amanhã, sexta-feira cerca das 20:30h será transmitido em simultâneo mundial na RTP2 o novo documentário de Yann Arthus-Bertrand intitulado "Home". Este documentário serve para alertar para os grandes desafios ecológicos que o planeta enfrenta, mostrando simultaneamente imagens impressionantes da natureza recolhidas nos quatro cantos da Terra.

quarta-feira, junho 03, 2009

Coco avant Chanel



Anne Fontaine realizou "Coco avant Chanel" em jeito de homenagem à mulher que havia em Coco Chanel, no entanto esta obra é muito mais abrangente e presta homenagem a todas as mulheres que contribuíram para emancipação feminina. Fontaine mostra-nos Gabrielle Chanel (Coco), uma mulher que teimava em não ser submissa, a prosseguir os seus objectivos que contrariavam os códigos femininos da época e que aplicou os mesmos princípios com sucesso no seu trabalho de criação de roupa feminina.
Um dos factos surpreendentes do filme é o retrato extremamente machista da época, a forma repugnante como as mulheres eram tratadas, sobretudo se tomarmos em conta que estávamos no país mais moderno do mundo. Este filme ajuda muito a perceber como o século XX foi essencial para se estabelecer uma relação decente entre os dois sexos.

A Audrey Tautou assenta-lhe bem a personagem de Chanel, mas na minha opinião é o actor Alessandro Nivola a grande revelação deste filme, interpretando o inglês Arthur Capel de quem Chanel foi amante sem o saber.

Um filme que aconselho vivamente a todas as Coco em espírito que lêem este blogue.

segunda-feira, junho 01, 2009

Probabilidade de um avião se despenhar

Nos últimos anos têm sucedido em média cerca uma queda de avião por cada 2,5 milhões de voos. A probabilidade de ganhar na maior parte das loterias é superior, é mais provável morrer fulminado por um raio e é imensamente mais provável morrer num acidente automóvel (~1/10 mil viagens).