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quarta-feira, junho 25, 2008

O exame do 9º ano é fácil

Se o exame do 9º ano foi fácil, não o deveria ser, quem percorreu longas carreiras académicas sabe que se paga sempre, mais tarde ou mais cedo, a factura de provas fáceis.

Dito isto, há algo que me perturba muito mais nesta história do exame fácil. É registar a histeria com que o Correio da Manhã, o 24 Horas, a TVI e afins lidam com o assunto, como se fossem virgens intocáveis de educação televisiva, de rigor, de serviço público, é ver uma grelha da TVI e aquilo é só documentários e programas culturais, é abrir o Correio da Manhã e é só secções dedicadas à ciência e à cultura. O mais interessante ainda é constatar que quem surfa a fundo nestas ondas de histeria de mãos dadas com os referidos meios de comunicação, são os órfãos do Salazarismo e o PP, em particular o seu excelentíssimo presidente, famoso pelo belo exemplo que foi aquele colosso do ensino superior português: a Universidade Moderna.

A TVI é fácil



A TVI andou a transmitir durante anos um programa de variedades da vida real onde a principal actividade de jovens em idade escolar era coçar as virilhas durante horas a fio. Numa ocasião em que fui fazer uma acção de divulgação numa escola secundária de uma região onde o nível educacional dos pais dos alunos era baixíssimo, ao interpelar os alunos com a tradicional pergunta "o que queres fazer quando fores grande", um deles respondeu com um ar convicto "quero ser rico sem fazer nada". Nem futebolista, nem actor, nem modelo, a profissão era nem mais nem menos que não fazer nada. Na altura, lembrei-me logo do exemplo que os jovens do Big Brother, jovens que ganharam rios de dinheiro "sem fazer nada", representaram para todo um país onde a educação não é valorizada e onde se vê televisão em doses excessivas.
Reparem na semelhança do ambiente de falta de respeito do famoso vídeo da escola Carolina Michaelis e do vídeo da agressão no Big Brother da TVI.
O que foi escrito também serve para a SIC generalista.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Novo Canal e Serviço Público (comentários)

"As TVs privadas em sinal aberto, aquelas cuja mensagem chega a milhões de portugueses, têm uma programação miserável. Telenovelas, reality-shows, filmes e séries americanos e...telejornais tablóides. Debate ? Documentários ? Jornalismo de investigação ? Filmes europeus ou asiáticos ? Zero horas, zero atenção. Neste capítulo, apesar da fraca programação da RTP1 e RTP2 (demasiados concursos e shows, muita superficialidade) o Estado mostra-se muito mais capaz de administrar a coisa pública. Só quem não quer ver, é que não vê o falhanço da SIC e TVI na formação da identidade cívica e cultural dos portugueses, tal como a Lei da Televisão obriga."
J. Vaz

"Sem prejuízo daquilo que apontas, acho mais preocupante o projecto de televisão digital terrestre que está planeado em dois pacotes de canais: um gratuito e outro de assinatura. Além dos custos do receptor, mesmo para ter acesso ao pacote gratuito, está-se mesmo a ver que os canais de sinal aberto não vão ser melhores do que os actuais e vão ter muita publicidade. Quanto aos canais de assinatura, espero para ver, mas sem grandes expectativas."
David Luz (Linha dos Nodos)

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Novo Canal e Serviço Público

Num dos países da Europa em que mais horas se passa em frente a um televisor e que acumula com o nível educacional mais baixo do continente (excluindo Malta), o novo canal de televisão só fará sentido se for um canal de serviço público.
A esquerda portuguesa e a nova elite de direita que valoriza a cultura e a educação, deveriam mobilizar-se para opor um projecto à televisão de baixíssima qualidade oferecida pela direita kitsch e mercantilista, representadas pela SIC generalista e a TVI. A outra solução é lutar para impor regras rigorosas de serviço público a todos os canais.

Se vier aí uma Tele-Cofina é certo e sabido que o nível ainda vai baixar mais (sim, ainda pode baixar mais). Para um povo que se educa em frente à televisão, mais um canal para transmitir lixo com o único intuito de vender empréstimos bancários, champôs e assinaturas telefónicas, só vai ajudar a enterrar ainda mais este país.

"If You Tolerate This Your Children Will Be Next", Manic Street Preachers

quinta-feira, outubro 11, 2007

Como combater o tele-lixo

É simples. Basta memorizar (ou escrever num papelinho) a publicidade que passa durante os circo-jornais da TVI, da SIC generalista e da RTP e a publicidade que passa entre as telenovelas e os programas de variedades da vida real, depois quando for às compras, compre os produtos concorrentes das marcas que fazem publicidade à hora do tele-lixo.

terça-feira, outubro 09, 2007

Comentários sobre o tele-lixo

"A questão é que Pacheco Pereira não pode admitir que aquilo que ele defende (inexistência de televisões públicas, privatização dos media) é parte do problema que se debate e não a sua solução (não sou sectário para não reconhecer a existência de belíisimos canais privados)."
Sérgio

"A televisão pública em alguns aspectos tambem entra no choradinho,o "caso Esmeralda"tem dado aberturas de telejornais,directos,e dois programas do Prós e Contras.No caso "Meddie" não ficou atrás das privadas.Portanto quanto a tele-lixo é geral."
D. Almeida

"Admito,para mim,a gota de água foi aquela aberração chamada A bela e o mestre,com a profºa de "como colocar os talheres correctamente", a académica que plagia e o que nem português sabia falar ( precisava de uma lição dos mestres,estava na cara). Era sexista e foi cruel ouvir mulheres a confirmarem que o sexo feminino era realmente mais estupido,enquanto elogiavam os seios das burras.
Depois,a Floribella e a sua mensagem salazarista: não vale a pena ambicionar,nem desejar uma vida melhor,porque os ricos são infelizes. Infelizmente,a árvore falante esqueceu-se de dizer às criancinhas que os ricos,por terem dinheiro,podem resolver a sua tristeza no terapeuta.
A TV passa continuamente a mensagem que não se pode confiar no governo e de que a politica não é para nós.
Mesmo em termos desportivos,a ideologia de direita é notória: apenas são transmitidos,em canais abertos portugueses (não conheço o Sport TV,pelo q não posso comentar)desportos de massas,e apenas a vertente masculina,enquanto a Eurosport se esforça por divulgar todos os desportos,apostando há muito na transmissão de futebol feminino,etc."
Coralina (Ashton's Martinis)

quarta-feira, outubro 03, 2007

A condescendência da direita com o tele-lixo

Exceptuando os canais estatais, a televisão portuguesa é de direita, reflecte um modelo e uma filosofia de direita que mesmo os próprios canais estatais têm uma forte tendência a copiar (sublinho a palavra copiar). Esse modelo de televisão segue a lógica do mercado, tudo é uma mercadoria e as regras aplicam-se por igual a toda a mercadoria, quer a mercadoria seja a Maria João Pires quer seja a Ronalda ou o Zé Cabra. Está ausente qualquer noção de serviço público, a noção é mais de servicinho, de servicinho aos patrocinadores claro! Já todos ouvimos a máxima da boca de Rangel, de Balsemão & companhia de que a televisão serve para "dar às pessoas o que elas querem ver". O problema é que na prática não é bem isso que se passa, na prática a televisão "dá às pessoas o que os patrocinadores querem que elas vejam".

O resultado desta filosofia é uma degradação completa do panorama televisivo dos canais que transmitem em sinal aberto. A SIC e a TVI já não estão com meias medidas, a dose servida é telenovela e futebol em contínuo em horário nobre. Os telejornais duram mais de uma hora para oferecer um pobre conteúdo informativo e um excesso de sensacionalismo. Treinos de futebol, histórias de faca e alguidar, todo o tipo de dramas que envolve criancinhas, jantaradas de clubes, de partidos e inúmeros directos inúteis onde entram reformados meio mirones meio testemunhas de não-sei-o-quê, que viram, viram não, ouviram ou disseram-lhes não-sei-o-quê, são o grosso do conteúdo informativo. Os telejornais sérios dos nossos parceiros europeus duram meia hora onde a informação do país e do mundo é mais desenvolvida, os directos são raríssmos, e os fait-divers e o desporto resumem-se aos 5 minutos finais. A excepção ao futebol e às telenovelas são os programas de variedades da vida real, em que jovens mais ou menos famosos coçam as virilhas durante horas a fio enquanto ganham rios de massa. São sem dúvida programas exemplares para os jovens do país com o pior nível educacional da Europa. Em horário nobre não há mais nada para oferecer para além disto...

Este é um modelo de televisão sem diversidade, de uma aridez cultural absoluta. Em todos os países da Europa há tele-lixo, mas em nenhum país os canais a emitir em sinal aberto oferecem tele-lixo na proporção em que nos é servida em Portugal. Na França, no Reino Unido, na Alemanha, os canais estatais e privados gratuitos transmitem reportagens, documentários, debates e divulgação científica em horário nobre, os cidadãos desses países estão minimamente informados sobre a política, a economia, a justiça, a ciência, o país e o mundo. No nosso país, os tele-dependentes sem hábitos de leitura e com um nível educacional sofrível já perderam o fio à meada nestas matérias, só com futebol e telenovelas não se vai lá, têm muita dificuldade em perceber os novos tempos.

Sendo Portugal um dos países onde mais se vê televisão considero lamentável a calma com que a direita deixou as coisas chegarem a este ponto. No entanto, a passada semana, todos concordaram com a atitude de Santana Lopes na SIC Notícias, mas quem é que tem compactuado com o problema por ele apontado? E não vale a pena dizer que o problema é das televisões e não da direita, porque Balsemão e ex-directores da TVI estiveram ou continuam muito ligados às altas esferas do PSD e do PP. Para cúmulo a grande cruzada televisiva da direita dos últimos tempos foi a censura do programa "Acontece" do canal 2. Conseguidos os objectivos, o tele-lixo foi ganhando espaço sem que a reacção da direita fosse proporcional à cruzada contra o "Acontece". Leiam o que os principais cronistas de direita escreveram contra o "Acontece" e comparem com o que se tem escrito sobre o tele-lixo, muitos deles chegam ao ponto de desculpabilizar e justificar esse tipo de programação. Um exemplo deste tipo de discurso é este texto de Pacheco Pereira que critica países onde a difusão cultural funciona muito bem e onde a cultura e o nível educacional dos cidadãos é elevadíssimo. No texto, o autor defende uma filmografia de entretenimento contra a filmografia de matriz mais cultural a que é dada prioridade na Europa. Dá o exemplo da Guerra das Estrelas, mas poderia ser o Harry Poter, ou um Walt Disney, que são no fundo os filmes que fazem parte do universo das escolhas dos consumidores de tele-lixo.

segunda-feira, outubro 01, 2007

A nossa televisão é um circo! (comentários)

"Importa não esquecer que as televisões cedem à tentação dos directos e de certos directos porque sabem que isso engorda audiências, ou seja, engorda contratos publicitários. Como tal, embora lamentável, este episódio não surpreende porque o mercado (que também querem impôr aos sectores públicos) tem uma lógica própria que não é, necessariamente, coincidente com a qualidade de conteúdos."
Sérgio

"Não entendo o motivo que tem levado alguns comentadores a ir buscar o (triste) curriculum de Santana Lopes para "diminuir" a atitude que tomou na SIC. O que é que tem que ver o presidente do Sporting, o comentador desportivo, o concorrente à "cadeira do poder", o Primeiro Ministro trapalhão... O tipo teve a atitude que teve, agora, naquela entrevista, parabéns, adeus! Não ficou a ser pior nem melhor do que era."
Samuel, Cantigueiro

sexta-feira, setembro 28, 2007

A nossa televisão é um circo!

O episódio de Santana Lopes na SIC Notícias (o melhor canal nacional na minha opinião) pode ser visto como um sintoma de um certo "bater no fundo" das nossas televisões. É preciso estar-se muito próximo do grau zero para um dos políticos que deve grande parte da sua carreira ao circo televisivo nacional (foi comentador de futebol e de política, lembram-se?) ser aquele que protesta de forma mais certeira contra o delírio em que se transformaram os noticiários do melhor canal de televisão.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Rentrée literária francesa II

Hoje às 22:42 na TV5 a Rentrée Lietrária Francesa continua no excelente programa Esprits Libres. Será debatido o melhor livro da Rentrée segundo os principais editores franceses e será apresentado "99 francos", o novo filme, baseado no romance do mesmo nome de Frédéric Beigbeder.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Rentrée literária francesa



O programa "Esprits Libres" (TV5 quintas às 22:30 ou France 2 sextas às 22:30) apresentado por Guillaume Durand abriu a rentrée literária francesa com um grande debate sobre o Choque de Civilizações e sobre a rentrée literária nos EUA. O debate entre os autores foi animadíssimo com crises de raiva, muita saliva nos cantos da boca e sorrisos amarelos, enfim um debate como deve ser! "La querelle de l’école" de Alain Finkielkraut e "Le rendez-vous des civilisations" de Emmanuel Todd foram os livros e os autores no centro do debate.

A emissão integral pode ser vista aqui.
Aconselho vivamente todos os que gostam de literatura a passarem os olhos pelo programa. Reparem como é perfeitamente possível fazer um programa televisivo literário interessante, vivo, variado, esteticamente atractivo e que não se destina apenas a elites.

terça-feira, março 27, 2007

Excelente documentário de António Barreto

Já aqui malhei forte e feio em António Barreto, e não me arrependo, porque acho que Barreto errou, e errou muito, sobre o que escreveu sobre a educação, o ensino superior e a investigação científica. Mas, depois de ter assistido ao primeiro episódio da série "Portugal - um retrato social", não posso deixar de aplaudir com muita satisfação o excelente trabalho por ele realizado na produção desta série. Uma coisa é vociferar e entrar em histeria inconsequente contra o Salazarismo, outra é mostrar, quase sem grandes comentários, o país de merda que era Portugal antes do 25 de Abril.

quinta-feira, março 08, 2007

Serviço público...

A RTP continua na sua senda de canal pimba, seguindo o estilo SIC/TVI. Hoje a soirée da RTP internacional é dedicada à Gala dos 103 anos do Benfica. No próximo dia 1 de Maio, espero que sejam coerentes e não se esqueçam de transmitir o Monumental Digestivo directamente do Café Nau que se segue à jantarada comemorativa dos 114 anos da Naval.
A RTP poderia até tornar-se um canal especializado em aniversários de clubes, ou mesmo em baptizados ou casamentos de dirigentes, de associados e de massagistas...

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Onde é que estão as televisões de esquerda?

Ler este certeiro texto do Paulo Querido sobre esse vício do cronista luso que consiste em afirmar que a comunicação social é dominada pela esquerda.

Onde é que estão as televisões de esquerda?

PS- Estou plenamente convencido que haveria espaço para um projecto televisivo em canal aberto com qualidade e com audiências razoáveis coordenado por gente de esquerda e pela nova direita intelectual. Desconfio que esta direita também não tem pachorra para o circo kitsch da TVI e da SIC generalista.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Quem é que continua a negar o aquecimento global?

Desde 2002 que o campo dos negacionistas do aquecimento global sofreu um duro revés quando a Shell, Texaco, BP, Ford, GM e Daimler-Chrysler abandonaram a Global Climate Coalition - organização que negava o aquecimento global e lutava contra a ratificação do Protocolo de Quioto - na sequência de um relatório publicado por um grupo intergovernamental peritos sobre as evoluções climáticas que previa o aumento da temperatura do planeta entre 1,4º e 5ºC até ao ano 2100. Pouco tempo depois a Global Climate Coalition encerrou e o seu sítio internet está agora inactivo como se pode verificar.

O que restou deste movimento?
Restaram os fanáticos e a Exxon/Mobil. Nos últmos 6 anos a Exxon financiou em 55 milhões de dólares fundações e grupos de pressão com graus de fanatismo variável (uns tentam utilizar argumentos científicos, outros dedicam-se a denegrir a ciência e os cientistas) com o objectivo de continuar o negacionismo das alterações climáticas. Um dos mais mediáticos negacionistas a soldo da Exxon é Steven Milloy, cronista da Fox News, que alimenta um sítio internet apelidado Junk Science, que é em si junk do pior que há. Através de dois institutos que dirige, o Free Enterprise Action Institute e o Advancement os Sound Science Center, Steven Milloy já recebeu cerca de 90 mil dólares de donativos da Exxon/Mobil. Sobre Quioto Milloy referiu-se como sendo uma "infâmia científica e económica". Tchriiiim! $90 000$ -> caixa registadora

quinta-feira, setembro 18, 2003

James Randi contra a Astrologia Oficial em Portugal

O protesto contra os astrólogos subsidiados pelo Estado Português chegou ao site do James Randi. Não tenho palavras para qualificar um estado que através de uma televisão estatal como a RTP acaba com um programa cultural como o "Acontece" por razões financeiras e continua a subsidiar charlatões.
Agradeço ao Jorge Mota o contacto.