
Apesar de achar que o João Magueijo exagera nalgumas das suas críticas ao mundo académico e científico (ao editor da Nature ou aos professores da sua namorada por exemplo), devo dizer que prefiro 50 Magueijos à carneirada que existe neste momento em Portugal, que aceita tudo e que acha tudo normal no meio científico nacional. Uma das críticas mais viperinas de Magueijo em que mais me revejo é a do conceito de prostitutas e proxenetas no meio Universitário. Na verdade existe toda uma panóplia de proxenetas científicos improdutivos, burocráticos, cansados de dar aulas, que já não investiga e que se arroga ainda o poder de mandar para a "esquina" trabalhar os bolseiros e os investigadores mais jovens, muitas vezes ameaçando do alto dos seus poderes burocráticos. Na Universidade manda quem tem o carimbo.
João Magueijo descreve com piada alguns dos abusos de poder mais bacocos do sistema britânico, nomeadamente aquele caso da sala que tem um estrado mais alto que é interdito aos alunos, para que os docentes possam estar sempre acima do nível dos mesmos alunos.
Outra faceta que me apraz no livro é a descrição dos momentos em que o João Magueijo realiza a sempre saudável limpeza cerebral após um período intenso de trabalho. Identifico-me com o prazer das raves, embora seja mais adepto das parties, mais softs, com menos drogas e muito menos homens que as raves. Aquela equação de Klein-Nishina para radiação polarizada que tratei por tu durante os 4 anos passados em Estrasburgo, saía cristalina depois de uma noitada a sério num velho antro da cidade chamado "Sous-sol" ou depois de uma noite em branco passada nos grandes festivais Got Milk ao som de Carl Cox ou de Plastic Man.
Sem comentários:
Enviar um comentário