quarta-feira, julho 30, 2008

quinta-feira, julho 24, 2008

Matemática contra a maré

O projecto Delfos do Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra tem o ambicioso objectivo de motivar, desenvolver e potenciar o gosto pela Matemática em Portugal. O projecto abrange professores e alunos em iniciativas que vão desde a formação ao treino de jovens para olimpíadas de matemática. Os resultados estão à vista, nunca Portugal ganhou tantos prémios em olimpíadas de matemática como nos últimos anos. As medalhas conseguidas da edição deste ano das Olimpíadas Internacionais de Matemática realizadas em Madrid são mais um bom exemplo do sucesso do programa Delfos.

Numa altura em que está na moda fechar cursos científicos para abrir cursos "multimedia" e de publicidade, em nome da rentabilidade fácil e imediata (muito típica das nossas miseráveis universidades privadas), este projecto Delfos é de louvar e deveria ser um exemplo a seguir pelas restantes universidades.

quarta-feira, julho 23, 2008

Rendimento Moderno Garantido

O excelentíssimo presidente do PP declarou ontem que "há um Portugal que trabalha" e que "depois há demasiada gente a viver do RMG (Rendimento Mínimo Garantido)". Lembrei-me logo daquele Janeiro de 1999 em que Paulo Portas teve um acidente com um Jaguar "para uso funcional" que custava aos alunos da Universidade Moderna centenas de contos por mês, esses alunos filhos do mesmo "Portugal que trabalha". Como é conhecido na altura havia "demasiada gente" na Moderna a viver da chulice pura e crua dos estudantes, dos filhos do "Portugal que trabalha". Que resultados dignos de uma universidade produziu a Moderna? Publicou quantos artigos científicos? Quantas empresas de ponta saíram da Moderna? Que contributo decente trouxe para a sociedade civil?

O caso Moderna provocou desemprego, danos financeiros gravíssimos para alguns estudantes que se viram obrigados a mudar para outra universidade e produziu diplomas com o carimbo Moderna que muitos licenciados hoje em dia têm vergonha de mostrar numa entrevista de emprego. É pena não ter estado presente no local um desses estudantes, filho do "Portugal que trabalha", no momento em que Portas tem a lata de fazer declarações deste calibre. Seria a ocasião ideal para um tomate podre bem arremessado.

segunda-feira, julho 21, 2008

5 anos sempre a dar-lhe

Estávamos a 21 de Julho do ano de 2003 da graça de Deus, foi nesse santo dia que este vosso escriba resolveu fazer correr o mais precioso líquido destilado a partir de ideias e de obsessões através desta abençoada Klepsýdra. Até hoje foram 5 anos sempre a dar-lhe.


2008 Klepsýdra Club Session

Estes 5 anos não seriam 5 anos sem o habitual desfile de DJs convidados e o discurso de abertura do Mestre de Cerimónias deste ano, David Lynch:

00.00-00.15 - Discurso de David Lynch intitulado: "Foi a leitura diária da Klepsýdra que me fez aderir à meditação transcendental" .

00.15-00.45 - Warm Up - Monika Kruse
01.45-02.45 - Claudio Coccoluto
00.45-01.45 - Tiësto
02.45-03.00 - Paul Van Dyk Warm Up - DJ Muxaxo
03.00-04.45 - Paul Van Dyk
04.45-05.30 - DJ Vibe
05.30-06.00 - Oskar DJ
06.00-06.30 - Monsieur Philippe Corti

quinta-feira, julho 17, 2008

Bolonha sem carros

São 10 da noite, várias ruas do centro de Bolonha estão fechadas à circulação automóvel. Os restaurantes e os bares de vinhos instalaram as mesas em plena rua, disfarçando o traçado da estrada recorrendo a grandes vasos de plantas, tochas elegantes, sofás e pequenos palcos onde se toca música ao vivo. A rua parece viva, avisto famílias e grupos de amigos em amena cavaqueira, gesticulando obviamente, belas italianas abordadas por jovens impacientes, casais em cenas românticas e até um cantinho recatado destinado à leitura, ao qual adiro imediatamente.

Já lá vai o tempo da Bolonha atulhada de carros e motoretas, da Via Independenza negra do fumo dos tubos de escape. Ao contrário do que se fez em Portugal, o célebre dia sem carros, evoluiu para outras formas de restrição de circulação automóvel, inicialmente a restrição estava programada para certos dias da semana evoluindo progressivamente para a restrição completa do acesso ao centro excepto transportes públicos, velocípedes e das viaturas dos habitantes locais. Estamos a falar da cidade onde vive Luca di Montezemolo, o presidente da Fiat e da Ferrari.

Por cá continuamos quase há 10 anos na fase do dia sem carros, seguido de 364 dias sem cérebro. Aliás, o dia sem carros tem servido mais ao já habitual marialvismo anti-ecológico dos nossos cronistas mais provincianos, do que propriamente para preparar e reflectir sobre o futuro, esse futuro escasso em combustíveis fósseis. Continuam a construir-se viadutos caríssimos e túneis faraónicos que incitam a usar ainda mais o transporte individual, mas o pior é que quase toda a gente acha tudo isto normal...

terça-feira, julho 15, 2008

O ultra-liberalismo salvo por medidas socialistas

A desesperada intervenção desta semana do governo americano para salvar do colapso as empresas especializadas em créditos financeiros Fannie Mae and Freddie Mac, mostra, para quem ainda tinha dúvidas, que o mercado-casino, essa religião que tantos devotos gerou, está pelas hora da morte. Quando um governo cheio de falcões crentes fervorosos na infalibilidade da mão invisível recorre a medidas típicas de um estado socialista para salvar as pratas do ultra-liberalismo, está tudo dito...

domingo, julho 13, 2008

Funny Games, o original



"Funny Games", a obra prima de Michael Haneke, vencedora do Fantasporto em 1998, é na minha opinião o melhor filme do género fantástico (terror se quiserem).
Mais interessante do que a própria narrativa do filme são os artifícios que Haneke emprega para provocar a angústia do espectador. "Funny Games" tem sangue e tem violência, mas esses não são os aspectos mais violentos do filme, o que é interessante na obra de Haneke é a capacidade do autor para isolar aquilo que de facto provoca a angústia e o medo no espectador dos actos propriamente ditos de violência. Alguns desses actos são de facto na obra de Haneke momentos de alívio de tensão, ao contrário da tradição do cinema gore americano, em que as cenas que servem de clímax da acção estão repletos de violência banal e de efeitos especiais com pouca substância emotiva.

Sobre a narrativa desta obra nada vou escrever. Descubram "Funny Games", o original, e só depois vão ver ao cinema "Funny Games US" ou "Brincadeira Perigosas", a versão que Haneke produziu para o público americano. Um bom clube de vídeo possui certamente "Funny Games", a versão original de 1997.
Curiosidade: Ulrich Mühe, o stasi de "As vidas dos outros" interpreta o papel do pai de família.


Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

Não vejam Funny Games US

Sem ver Funny Games, o original, em alemão, sem actores cheios de maniazinhas, estilo "Match Point", como os da nova versão que é na minha opinião uma banhada.

terça-feira, julho 08, 2008

Em Coimbra os livros ardem mal

A iniciativa coimbrã "Os livros ardem mal" dedicada ao debate e à divulgação literária é uma perolazinha de qualidade na vida cultural da cidade.
Ontem, estive presente pela primeira vez e gostei muito do que ouvi. Sabia que havia muita qualidade escondida nesta cidade, até agora perdida em capelinhas casmurras e desvalorizada pelos peritos do consumismo rasca. Se formos capazes de cuidar bem deste tipo de iniciativas e multiplicá-las, Coimbra poderá ser finalmente uma cidade universitária normal, com uma actividade cultural semelhante à actividade das mais importantes cidades universitárias da Europa. Estou a pensar em cidades como Lovaina, Salamanca, Bolonha, Friburgo, Heidelberg, Pádua, etc.
Aqui fica a ligação ao blogue Os livros ardem mal.

Figo sobre Carlos Queiroz

Cândida Pinto - Qual foi o melhor treinador com que trabalhou?
Luís Figo - O professor Carlos Queiroz foi um dos melhores porque me acompanhou ao longo da formação.

Única, 31 de Maio de 2008

domingo, julho 06, 2008

O mistério da Tunguska quase desvendado

A minha crónica deste fim-de-semana no portal Esquerda.net:

Há 100 anos, mais precisamente a 30 de Junho de 1908 pelas 7h14min ocorreu uma gigantesca explosão na região da Tunguska, na Sibéria Central, que libertou energia equivalente à explosão de cerca de 1000 bombas atómicas com potência da bomba largada sobre Hiroshima. A explosão arrasou milhões de árvores numa área com 50 km de raio e os seus efeitos foram sentidos a milhares de quilómetros de distância. Por exemplo, em Londres à meia-noite desse dia era possível ler um jornal sem ajuda de luz artificial, tal foi o clarão que se propagou pelos céus da Ásia e da Europa do Norte.

O facto da explosão ter ocorrido numa das mais remotas regiões do mundo, explica que apenas em 1927 tenha sido organizada a primeira expedição científica para estudar o misterioso acontecimento da Tunguska, dirigida pelo mineralogista russo Leonid Kulik. Este registou as primeiras imagens da imensa região destruída pela explosão, mas não conseguiu localizar qualquer cratera que pudesse fornecer indícios sobre a natureza do acontecimento.

Desde então, o acontecimento da Tunguska foi estudado por algumas equipas de investigação, no entanto apenas recentemente surgiram indícios consistentes sobre a natureza do fenómeno que produziu a explosão de 1908, acabando com décadas de especulação em que foram avançadas hipóteses que oscilaram entre a ovniologia e a catastrófica aniquilação de uma pequena porção de anti-matéria na atmosfera. O grupo liderado pelo Prof. Giuseppe Longo da Universidade de Bolonha descobriu um pequeno lago, o Lago Cheko, no coração da imensa zona afectada pela explosão cujas características indicam uma formação recente e distinta dos restantes lagos da região. A profundidade do Lago Cheko aumenta abruptamente das margens para a zona central, contrastando com o perfil dos restantes lagos da região cujo fundo é relativamente plano em toda a sua extensão. A intensa reflexão acústica proveniente da zona central do lago registada pelos instrumentos da equipa de Bolonha e uma anomalia magnética medida na mesma zona permitem antever a existência de um objecto denso soterrado no centro do Lago Cheko.

O grupo de Giuseppe Longo realizou até hoje várias expedições cujos resultados podem ser consultados neste sítio. Actualmente, Longo está a preparar uma nova expedição que permita confirmar a existência de um objecto rochoso soterrado no fundo do lago, fundamentando a tese de a explosão ter sido produzida durante a entrada na atmosfera de um corpo rochoso com algumas dezenas de metros - muito provavelmente um asteróide - cujo acaso colocou a sua trajectória na rota do planeta Terra nessa manhã de Junho de 1908.

quarta-feira, julho 02, 2008

A Má Educação

Ler a biografia de D. Afonso Henriques de José Mattoso é ter duas lições de história numa só. Por um lado aprendemos finalmente com rigor a história que é possível conhecer do nosso primeiro rei e por outro percebemos o quão o salazarismo conservou, cultivou e propagou por razões ideológicas uma versão da história da fundação de Portugal muito pouco precisa, em que a lenda frequentemente se mistura e se sobrepõe à verdadeira história de Afonso Henriques. "Guimarães a cidade berço", que de berço não tem quase nada, visto que D. Afonso nasceu muito provavelmente em Viseu e reinou a partir de Coimbra, a "Batalha de Ourique" ganha contra 5 reis mouros, que muito provavelmente não passou de um simples fossado longo e muito bem sucedido, a lenda do bispo negro e a lenda de Martim Moniz, são apenas alguns exemplos da má história de Portugal que foi dada durante décadas nas escolas portuguesas.
Será que os actuais livros de História de Portugal já foram todos corrigidos?

terça-feira, julho 01, 2008

Tunguska 100 anos depois

Fez ontem 100 anos que ocorreu a gigantesca explosão na Tunguska, depois de dezenas de anos de especulação há um grupo de investigadores italianos que julga estar próxima da resposta. Ler na Scientific American um artigo sobre o assunto escrito pelos próprios.