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segunda-feira, novembro 19, 2007

O Modelo Sicko Americano

Na downtown de Honolulu, por volta das nove e meia da noite, os pobres começavam a ocupar os bancos, os cantinhos, os pedaços de relva para dormir. Eram muitos, muitos mesmo, como já perdemos a memória na Europa. A maior parte eram pessoas de idade, e brancas, que deveriam estar na reforma, mas que aqui chegaram ao fim dos seus dias sem sequer um tecto para dormir.

À minha frente uma senhora vai empurrando um carrinho das compras cheio de tralha, aquela tralha é tudo o que lhe resta após uma vida de trabalho.

Ao meu lado um senhor idoso, obeso, bebe fanta. Nos EUA, a fanta é mais barata do que uma garrafa água, mas tem o ligeiro problema de fazer engordar. Ele fez a opção possível, tecnicamente a única possível.

Junto às praias paradisíacas de Waimea, Mokuleia, Kahana e Kailua, amontoam-se caravanas e tendas que são a residência de famílias inteiras que aproveitam os balneários das praias como casa de banho.

Na costa Oeste de Oahu, ao longo da faixa costeira, longe dos roteiros turísticos, existe um gigantesco "bairro da tenda", uma espécie de bairro da lata composto por tendas de campismo.

Na Europa também temos muitos pobres. Em média, os nossos pobres vivem talvez com menos 100$ por mês do que os pobres americanos, mas não vivem assim, não estão excluídos do sistema desta maneira, não sofrem do mal de falta de tecto de uma forma tão generalizada. E o que vi em Honolulu é tão mau como o que vi em Los Angeles, embora consideravelmente pior do que Washington ou Nova Iorque. Mas a pobreza aliada à exclusão é uma constante das downtowns americanas que visitei, a um nível que começa a ser raro ver-se deste lado do atlântico, mesmo nos sítios piores, como na baixa do Porto, por exemplo.

domingo, novembro 11, 2007

A anexação do Havai

A história da anexação do Havai pelos EUA é de um cinismo tal que nos questionamos se algum antepassado de Kissinger não andaria já pelo Pacífico naquela época. Um golpe de estado pseudo-republicano derrubou a monarquia havaiana em 1894, mas por detrás das boas intenções republicanas, a produtora de frutas Dole já tinha o golpe preparado e 4 anos mais tarde o governo do Havai aceita a integração do arquipélago nos EUA. Convido-os a ler nesta página a história oficial da anexação contada pelo governo americano e aqui a história da anexação segundo os independentistas havaianos.

O Havai tornou-se o 50° estado americano em 1959 após um referendo em que o grupo étnico maioritário da ilha, os japoneses, teve um papel decisivo no resultado. O sentimento de culpa da população nipónica do Havai pelas atrocidades cometidas no Pacífico pelo Império Japonês durante a II Guerra Mundial, em particular pelo bombardeamento de Pearl Harbor, pesou decisivamente na sua tendência de voto.

No Havai são notórios sentimentos de anti-americanismo da parte da população indígena, sobretudo o sentimento de o Havai representar uma certa forma de colonialismo moderno. Paralelamente, ostenta-se o orgulho pela cultura polinésia, da qual descendem os primeiros habitantes do arquipélago.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Portugal no Havai II

O Cavaquinho (Ukulele) tocado por um natural de Samoa a trabalhar no centro cultural polinésio de Oahu, no Havai.

No final do século XIX foram cerca de 18 mil os portugueses que emigraram dos Açores e da Madeira para ir trabalhar nas plantações havaianas. Actualmente, os luso-descendentes estimam-se em cerca de 50 mil.

Pokiki foi o nome que os havaianos deram ao primeiro grupo numeroso de portugueses chegados em 1853.

Encontra-se a rua de Lisboa, a rua lusitana, vendem-se iguarias da nossa culinária remotamente parecidas com as originais: linguiça, pão doce e malassadas (filhós).

Entre a lista dos mortos do USS Arizona durante o ataque a Pearl Harbor detecto um De Castro, um Santos e um Valente.

Vida

As últimas imagens que retenho do Havai são as da vida fervilhante que encerra esse imenso reservatório que é o Oceano Pacífico: peixes azuis-claros e azuis-escuros, peixes brancos em forma de flauta, caranguejos pretos às pintas vermelhas, focas, polvos, etc., tudo ali à beira da costa. Percebe-se que a ilha de Oahu já levou em tempos uma grande limpeza de tudo o que pudesse morder ou picar. Felizmente a imensidão do Pacífico é, por enquanto, razoavelmente imune às grandes limpezas do mais perigoso dos predadores: o homem.

terça-feira, novembro 06, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

Portugal no Havai

A descoberta do Havai é atribuída a um navegador português ao serviço da coroa espanhola a quem é dado o nome de Juan Gaetano (não sei até que ponto há rigor histórico na atribuição desta descoberta).

Introduzido por uma forte vaga de emigração portuguesa, o cavaquinho é hoje um dos instrumentos tradicionais do Havai, é curioso vê-lo entre palmeiras e flores exóticas.

quarta-feira, outubro 31, 2007

Aloha!

- Meia volta ao mundo para participar numa conferência, são luxos pouco compatíveis com a problemática ambiental. A generalização da videoconferência deveria limitar o número de deslocações de conferencistas, a emissão de CO2 e o desperdício de recursos. Ainda não estamos nesse ponto.

- Primeira impressão de Honolulu: os fotógrafos havaianos são excelentes. A selva de betão, a manhosice da construção dos hotéis "de sonho" e os condomínios que cortam o acesso directo à praia são brilhantemente disfarçados nas fotos turísticas.

- A fruta é exótica, sabe mesmo a fruta, e o peixe é fresquíssimo, a comida-brinquedo da metrópole ainda não se conseguiu impor aqui.