terça-feira, novembro 29, 2011
João Semedo incomoda muita gente
segunda-feira, novembro 28, 2011
Extremos climáticos mais prováveis no futuro
O relatório estabelece como provável (grau de certeza superior a 60%) o aumento da frequência de fenómenos climáticos extremos, caso prossiga o aquecimento global do planeta. Classifica-se como muito provável (certeza superior a 90%) que o aumento das emissões de gases de efeito de estufa seja responsável pela maior ocorrência de dias e noites muito quentes e pela diminuição do número de dias e de noites muito frias. Pela mesma razão aumentou a duração média das secas bem como a sua intensidade. Foi classificado como provável (>60% de certeza) que os ciclones tropicais no futuro ocorram menos vezes por ano, no entanto em média estes serão cada vez mais intensos.
No entanto, o IPCC ressalva que os extremos climáticos são fenómenos raros, sobre os quais há menos dados e alguns deles estudados apenas desde há algumas décadas. Outra dificuldade neste trabalho é o facto de alguns destes fenómenos serem muito localizados a certas regiões do mundo, por exemplo os fenómenos climáticos extremos que ocorrem nos pólos são muito diferentes dos que ocorrem nos trópicos. Ilhas, regiões costeiras, regiões montanhosas e periferias urbanas muito recentes construídas em mega-cidades foram identificadas como as zonas onde os fenómenos climáticos extremos têm maior impacto. Estes são também fenómenos de maior complexidade sobre os quais é mais difícil estabelecer com maior certeza os aspectos científicos (física, química, geologia, etc.) que estão na sua origem. Apesar desta ressalva, a probabilidade elevada (> 60%) e os elevados custos económicos e em vidas humanas que comportam estas catástrofes naturais, por precaução, seria desejável que o combate às alterações climáticas prosseguisse com maior determinação.
sexta-feira, novembro 25, 2011
Defender o Hospital Distrital da Figueira da Foz
Eu diria mais, poderá estar previsto é o encerramento a médio prazo. Os senhores dentro do CDS e do PSD que mandam executar estas medidas fazem parte de boas famílias que nem se aperceberam que a taxa de mortalidade é oito vezes menos do que há trinta anos, na mesma altura em que apenas um terço dos portugueses tinha posto um pé dentro de um hospital. Para eles nunca faltou nada, nem há-de faltar.
quinta-feira, novembro 24, 2011
O capitalismo falhou
(Foto de Jim Hubbard ©Bettmann/CORBIS)
Hoje o mapa mundo das dívidas públicas e privadas é chocante e é o resultado da substituição dos bancos centrais pelos bancos privados no financiamento da economia. O Japão e o Reino Unido apresentam dívidas (pública+privada) acima dos 450% do PIB. A Coreia do Sul, Espanha, Suiça, Itália, Portugal, os EUA, França, Canadá e a Alemanha com dívidas entre os 250% e os 350% do PIB. Inclusivamente países emergentes com forte crescimento como é a China, o Brasil e a Índia, apresentam dívidas da ordem dos 150% do PIB. Nos media, já nem se fala dos "mortos", dos países que se afundaram totalmente como a Islândia ou a Hungria que pediu ontem a sua segunda ajuda ao FMI num período de três anos. Mas a dívido-dependência vem amarrada a outra crença do capitalismo financeiro, é a do crescimento eterno. Se o Universo fosse plano e infinito, cheio de minérios e de árvores de fruto e se cada ser humano pudesse engordar toneladas atrás de toneladas, a religião do crescimento eterno até poderia ter alguma consistência. Mas, o nosso planetazinho é finito e o homo sapiens não aguenta consumir dezenas de quilos de bodegas por dia para salvar a economia.
É precisa uma outra economia que conviva bem com o crescimento e com a falta dele, que não seja dependente da predação egoísta dos escassos recursos planetários por apenas duas ou três gerações de gananciosos e é precisa uma regulação forte, de "braços longos", internacional, que atravesse fronteiras à mesma velocidade que o crime financeiro. Estamos a precisar de uma espécie de Green New Deal à escala planetária, se não quisermos ser odiados pelas próximas gerações.
Viva o capitalismo!
É a escola de Thatcher no seu melhor, é nesta escola que o nosso primeiro-ministro acredita. Com ferros se mata...
terça-feira, novembro 22, 2011
Dia de Portugal e das Lendas Portuguesas
Não existe qualquer registo de um Tratado de Zamora em 1143, bem como a independência de Portugal não tem data marcada. Fomo-nos tornando independentes entre 1128 (Batalha de São Mamede) e 1173 (Bula Manifestis Probatum). Tal como se lê nesta clarificadora entrada do João Cardoso, existiam documentos anteriores ao Acordo de Zamora em que Afonso Henriques era designado como Rei de Portugal (1132, 1135 e 1139). Também a sua mãe é designada rainha em vários documentos descrevendo a sua época. A bandeira da entrada da wikipedia não é a vigente na época, nem sequer é certo se havia UMA bandeira.
O que mais irrita neste tipo de propostas não é a forma velada com que se tenta apagar o 25 de Abril. O que irrita é a propagação de lendas que até 1974 constavam dos textos escolares como verdades sagradas, a Batalha de Ourique, Guimarães cidade berço, o Tratado de Zamora, o entalanço do Martim Moniz, etc., numa época em que os meios de comunicação são sofisticadíssimos e existe abundante literatura actualizada sobre a história de Portugal ("Dicionário de História de Portugal" de Joel Serrão, "D. Afonso Henriques" de José Mattoso e "O essencial sobre a Formação da Nacionalidade" de José Mattoso).
segunda-feira, novembro 21, 2011
A História do Ciganinho Chico
sexta-feira, novembro 18, 2011
quinta-feira, novembro 17, 2011
Leitura recomendada ao primeiro-ministro
"[Rafael Marques] é um dos principais responsáveis por denunciar e divulgar os esquemas de corrupção que envolvem as mais altas esferas do poder em Angola, bem como as empresas e entidades estrangeiras que com ele negoceiam. Na região do Cuango, a situação é trágica. Para benefício dos que exploram os diamantes, as populações são mantidas em condições de quase escravatura, sendo torturadas, assassinadas, roubadas e impedidas de manter quaisquer actividades de auto-subsistência. As autoridades e o governo ignoram os crimes, as forças armadas e policiais são não só coniventes como também protagonistas desses crimes."
Há cerca de 10 anos Bernard-Henri Lévy em "Réflexions dur la Guerre" denunciava a exploração de diamantes nas mesmas regiões, a mesma violência e a mesma tortura, mas curiosamente perpetrada em estreita colaboração entre os homens da UNITA e MPLA, que dividiam irmanmente as margens dos rios ricos em diamantes, embebedavam-se juntos e frequentavam os mesmos bordéis. Entretanto o dinheiro conseguido com a venda desses diamantes era usado para comprar armas distribuídas no resto do país para se matarem uns aos outros.
Isto fica bem ao "Obama de Massamá" e a um ministro dos negócios estrangeiros acabadinho de chegar da Venezuela. Para onde irá estender a mão a seguir? Arábia Saudita? Coreia do Norte? China?...
quarta-feira, novembro 16, 2011
Até onde se estende o polvo da Goldman Sachs?
Vale a pena ler este artigo onde se denunciam mais ligações perigosas entre os novos governos, a Goldman Sachs e a Comissão Trilateral (criada em 1973 por David Rockfeller).
António Borges faz parte do grupo europeu da Comissão Trilateral e foi ex-vice-presidente do Goldman Sachs Internacional. Reúne por isso todas as condições para ser um futuro primeiro-ministro do nosso país...
Governo responde a BE sobre Hospital da Figueira
Por este andar, os figueirenses que se preparem para daqui a uns anitos ficarem sem hospital. Quando isso acontecer espero que não se esqueçam quem foram os responsáveis.
terça-feira, novembro 15, 2011
O polvo da Goldman Sachs abraça a Europa

Quando se refere que as oligarquias financeiras estão a mandar nos destinos dos países é disto que se está a falar e como se prova não é exagero nenhum.
No que nos toca, o governo português e os nossos representantes no parlamento europeu deveriam exigir já a substituição de Mário Draghi.
segunda-feira, novembro 14, 2011
Europeizando a Europa
"o problema da Europa não é o que aconteceu, mas sim o que não aconteceu: a criação de um governo Europeu comum."
"No início da década de 1990, quando a maioria dos estados membros da União Europeia decidiram formar uma união monetária com uma divisa comum e um banco central, a ideia de um governo central não colheu apoios. Como resultado, essa fase da construção da união monetária foi adiada, deixando um edifício impressionante a que faltavam alicerces sólidos que garantissem estabilidade em tempo de crise. A soberania monetária tornou-se numa causa comum; mas o poder necessário para a exercitar permaneceu nas capitais nacionais. Acreditava-se na altura que regras formais – impondo limites obrigatórios nos défices, na dívida e na inflação – seriam suficientes. Mas este alicerce de regras mostrou ser uma ilusão; os princípios precisam sempre do apoio do poder; de outro modo não poderão suportar o teste da realidade."
"A zona euro necessita de um governo, que, no actual estado de coisas, só pode consistir dos respectivos chefes de estado e de governo – um desenvolvimento que já foi iniciado. E, porque não pode haver uma união fiscal sem uma política orçamental comum, nada pode ser decidido sem os parlamentos nacionais. Isto significa que uma “Câmara Europeia”, compreendendo os líderes dos parlamentos nacionais, é indispensável."
Para o tal governo eu preferia a eleição directa através de eleições pan-europeias.
sexta-feira, novembro 11, 2011
O imposto Ryanair
Michael O'Leary numa campanha publicitária da Ryanair
Na prática trata-se de um imposto sobre a fortuna ao contrário. O contribuinte paga aos milionários para estes obterem ainda mais lucros. Os benefícios da Ryanair para turismo do país são muito duvidosos. Faria muito mais sentido estimular o turismo suprimindo portagens nas regiões fronteiriças (as populações locais sentem bem no pêlo os estragos das portagens) do que subsidiar companhias que podem ser substituídas por outras que na prática oferecem custos totais semelhantes e um serviço com maior qualidade.
quinta-feira, novembro 10, 2011
terça-feira, novembro 08, 2011
Tudo ao contrário
Em vez disso, este governo decidiu despejar o seu ódio ideológico e fundamentalista contra os transportes públicos. O encerramento de linhas e a supressão de horários é chocante numa altura em que os portugueses mais necessitam de um transporte público. As declarações do secretário de estado dos transportes Sérgio Monteiro segundo o qual "sem reestruturação não haverá transportes", revelam um completo desprezo pelo serviço público que prestam os transportes colectivos, como se fosse um mero luxo oferecido ao povo. E este ou está caladinho ou tira-se-lhe o luxo, não há cá meias-tintas. Faz todo o sentido, estamos na Península Arábica, qual Península Ibérica. Deve haver ali uma jazida de petróleo gigantesca entre o Largo do Caldas e a Rua de São Caetano à Lapa...
Tudo bons rapazes

(Via Aldeia Olímpica)
Robin dos Blocos
O Bloco vai propor no debate do orçamento de Estado para 2012, um imposto sobre o património de luxo em alternativa à redução dos salários e das pensões através do corte do subsídio de natal e de férias.Os xerifes de Nottingham não vão gostar.
segunda-feira, novembro 07, 2011
Fukushima poderá tornar-se um cemitério nuclear
Esta semana um painel de peritos da Comissão para a Energia Nuclear japonesa concluiu que vão ser necessárias várias décadas para limpar a região em quarentena em torno de Fukushima, ao contrário das expectativas mais optimistas que foram avançadas após o acidente. Em Portugal, Patrick Monteiro e Pedro Sampaio Nunes estiveram entre as vozes que mais minimizaram as consequências do acidente. Segundo o mesmo painel, só dentro de 10 anos será possível começar a remover as barras de combustível das unidades onde ocorreu a fusão dos reactores.
Está prevista a remoção de 4 cm de solo em vastas áreas da região que produzirá em cerca de 3 mil toneladas de lixo radioactivo, suficientes para encher 20 estádios de futebol. Nalgumas das cidades perto da central começaram a ser construídos depósitos temporários para destroços altamente contaminados resultantes do acidente que só estarão prontos dentro de três anos. Entretanto, este lixo radioactivo acumula-se nas mesmas cidades em condições de elevado risco para a saúde pública das populações. Só na cidade de Fukushima, situada a cerca de 50 km da central, acumula-se lixo radioactivo suficiente para encher 10 estádios de futebol.
Perante este cenário, as autoridades japonesas lançaram a proposta para transformar Fukushima em cemitério de lixo radioactivo do programa nuclear nipónico. Tal como a esmagadora maioria dos países com energia nuclear, o Japão ainda não decidiu qual a solução final a aplicar ao combustível radioactivo (perigoso durante cerca de 600 mil anos) produzido nas suas centrais. Por enquanto os resíduos mais perigosos são guardados junto às centrais situadas no norte da ilha de Honshu e em Tokaimura.
Esta decisão está a causar grande indignação entre os habitantes da região obrigados a evacuar os cerca de 50 mil lares à volta da central nuclear de Fukushima Daiichi. Alguns destes habitantes perderam os seus entes mais queridos durante o sismo, outros viram-se impedidos de procurar os seus familiares e amigos desaparecidos. Tal como tem sido escrito na imprensa da região, transformar a região em lixeira nuclear é impedir que milhares de japoneses concretizem o luto dos seus próximos com dignidade, estando impossibilitados de recorrer ao simbolismo dos seus pertences, dos lugares onde cresceram e viveram e dos corpos dos que nunca foram encontrados.
sexta-feira, novembro 04, 2011
Libération acolhe Charlie Hebdo
A empresa Bluevision que gere o sítio internet do semanário revelou que a página tem sido alvo de constantes ataques informáticos coordenados e provenientes sobretudo de servidores localizados na Turquia e na Arábia Saudita. Esta última proveniência prova que o peixe é grosso e sabe o que quer. Como se isto não bastasse, os trabalhadores da empresa têm recebido constantes ameaças de morte. Entretanto, enquanto o sítio internet continua com problemas, o Charlie Hebdo criou ontem um blogue.
Sessão sobre Hospital da Figueira na Imprensa

Foi com uma adesão calorosa das gentes de São Pedro, do pessoal do hospital e de dois presidentes de junta que se realizou um interessante debate sobre os cortes duríssimos a que está sujeito o Hospital da Figueira, com a participação do deputado João Semedo, o médico do José Couceiro (Hospital da Figueira) e o deputado municipal João Paulo Tomé.Organizar sessões numa freguesia da margem sul, em que eleitores e eleitos se encontram à distância de um aperto de mão é coisa que até os grandes partidos evitam. No entanto, isso não deve demover quem tem a obrigação de prestar contas perante os eleitores. O João Semedo e o João Paulo deram mais um exemplo do que deve ser o trabalho de um eleito.
Aqui os recortes de imprensa no diário As Beiras e no jornal O Figueirense.
quinta-feira, novembro 03, 2011
A Europa Soberanista no seu pior
Este modelo da UE tanto é o modelo de Sarkozy, como o de Merkel ou o modelo de Papandreou. Este último promovido anteontem a grande democrata, nunca batalhou pelo reforço dos poderes do Parlamento Europeu ou pela democratização da Comissão ou do Conselho. A nível interno Papandreou nunca propôs referendar a entrada da Grécia no euro quando esta não cumpria as condições mínimas em 2001, ou referendar a organização de uns jogos olímpicos que a Grécia não podia pagar, ou referendar um orçamento da defesa que rondava os 5% do PIB ou referendar o poder excessivo e ilegítimo de uma oligarquia financeira na economia do seu país. Se tocasse neste último ponto, aí sim estaria a genuinamente a defender o futuro da Grécia e aí sim a Grécia poderia tornar-se mais democrática. O referendo que propõe é puramente tacticista, é um referendo para salvar a face, onde os Gregos vão decidir entre dose e meia-dose de austeridade.
quarta-feira, novembro 02, 2011
terça-feira, outubro 25, 2011
Compreender a Dívida Pública
A origem desta crise explicada às criancinhas ou o essencial de que não falam Camilos, Salgados e Medinas.
segunda-feira, outubro 24, 2011
Renováveis mais baratas na factura
Um estudo da consultora Rolland Berger para a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) revelou que o peso das energias renováveis é muito menor do que tem sido indicado nas contas oficiais do sector energético. Em vez de 5,5 €, o peso real das renováveis na factura mensal é apenas de 1,9 €.
Neste estudo foram corrigidos cálculos anteriores onde não entravam custos associados à produção de energia através de combustíveis fósseis e onde não eram considerados benefícios associados às energias renováveis. As renováveis evitaram custos anuais de 407 milhões de euros relacionados com a importação de combustíveis fósseis, como gás natural e carvão, e das licenças de produção de CO2. Nos cálculos apresentados neste estudo foram contabilizados os custos das rendas de terrenos das centrais e o sobrecusto relativo aos contratos de aquisição de energia já celebrados e que fixam uma remuneração garantida às centrais que utilizam combustíveis fósseis. Foi ainda descontado o pagamento obrigatório de rendas das centrais eólicas aos municípios (que nenhuma outra forma de produção de eletricidade paga), o efeito da existência de electricidade renovável que gera uma descida do preço do mercado, as perdas evitadas na rede de transporte (às renováveis estão associadas distâncias mais curtas) e as contrapartidas pagas ao Estado dos concursos de atribuição de potência.
Os dados da APREN apontam para um contributo das energias renováveis de 4.120 milhões de euros para o PIB nacional e a geração de mais de 60 mil empregos em 2015.
sexta-feira, outubro 21, 2011
quinta-feira, outubro 20, 2011
Há lata para dizer tudo
As subprimes dos bancos privados enterraram a economia mundial, mas de seguida foram salvos pelos estados, ou seja pelos contribuintes. Em Portugal tivemos o BPN, o BPP e uma dívida privada de 220% do PIB em grande medida da responsabilidade dos nossos bancos privados. Mas não há pudor na voz dos banqueiros responsáveis por este estado de coisas.
segunda-feira, outubro 17, 2011
Oremus senhor
A relação preço/qualidade cumpre as metas do FMI, instituição que governa (também) a Hungria desde 2008.
Manif de 15 de Outubro, Bolsa de Bruxelas
sexta-feira, outubro 14, 2011
Uns e outros
quinta-feira, outubro 13, 2011
Ocupar a City
quarta-feira, outubro 12, 2011
Grande homilia de Žižek em Nova Iorque
"We are only witnessing how the system is destroying itself. We all know the classic scenes from cartoons. The cart reaches a precipice. But it goes on walking. Ignoring the fact that there is nothing beneath. Only when it looks down and notices it, it falls down. This is what we are doing here. We are telling the guys there on Wall Street – Hey, look down!"
Occupy Wall Street
Três bons blogues figueirenses
O Sítio dos Desenhos
Aldeia Olímpica
Aliás
Vou concordar mais com uns do que com outros, mas o que por ali se lê é bem fundamentado, bem escrito (pouco ponto de exclamação), os autores não lêem apenas blogues, lêem livros e parecem bem imunizados contra populismos, tabloides, sensacionalismos televisionados e dor-de-cotovelite.
Protestar no sítio certo
Exceptuando o caso da Islândia onde o eleitorado castigou directamente as políticas que levaram o país à falência, nos restantes países da Europa as eleições tenderam mais a castigar o partido do governo, (indiscriminadamente esquerdas e direitas) quando eclodiu a crise, do que propriamente castigar as políticas que geraram esta crise mundial. Estes protestos em Wall Street são muito certeiros, denunciam as políticas que conduziram a sociedade a submeter-se por completo aos devaneios dos mercados financeiros. Os eleitores do mundo inteiro deveriam observar o mesmo e castigar os partidos que defendem estas políticas em vez de castigar apenas o boneco que dirige nesse momento o respectivo país. Basta ler os programas eleitorais, não é difícil.
Já agora estes protestos na Europa deveriam estender-se a um protesto em massa junto ao maior sorvedouro de riqueza da Europa, a City em Londres, e porque não em frente à bolsa de Lisboa.
segunda-feira, outubro 10, 2011
Pergunta do BE sobre cortes no Hospital da Figueira
Destinatário: Ministério da Saúde
Exma. Senhora Presidente da Assembleia da República
A Administração do Hospital Distrital da Figueira da Foz (HDFF) enviou aos Ministros da Saúde e das Finanças propostas de cortes nos custos operacionais, na ordem dos cinco milhões de euros/ano. Que incluem: a possibilidade de encerramento do hospital de dia oncológico; a suspensão da actividade da viatura médica de emergência e reanimação (VMER); o encerramento do bloco operatório no período nocturno; a redução da equipa médica de urgência durante a noite, a redução de pessoal na triagem da urgência pediátrica e ainda a redução de enfermeiros no bloco operatório.
Todas estas medidas foram propostas à tutela sem qualquer diálogo com os directores de serviço do HDFF, o que levou já a quase totalidade a colocar o ser lugar à disposição.
Propostas que deveriam ser precedidas de cuidada análise e discussão interna com os representantes dos profissionais de saúde, com vista a minorar o impacto sobre a actividade assistencial, resumiram-se a mais cortes cegos, decididos administrativamente.
Os cortes decretados pelo Ministério da Saúde nos orçamentos dos hospitais para 2011 e 2012 são de uma ordem tão elevada, que só com o envolvimento de todos os profissionais, será possível minorar o impacto sobre a actividade assistencial e alcançar quaisquer objectivos com que as administrações se comprometam.
Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:
1. Que propostas foram apresentadas ao Ministério da Saúde pela Administração do HDFF, com vista à redução dos custos operacionais daquele Hospital em 2011 e 2012?
2. Qual o impacto dessas propostas nos custos operacionais do HDFF?
3. Qual a posição do Ministério da Saúde relativamente às propostas apresentadas, tendo em consideração que tem vindo a afirmar não pretender pôr em causa a qualidade dos cuidados de saúde prestados?
4. Legitima o Ministério da Saúde a actuação da Administração, ao decidir unilateralmente as propostas a apresentar, sem consultar os representantes dos profissionais de saúde, incluindo os directores de serviço?
Palácio de São Bento, 6 de Outubro de 2011.
João Semedo
domingo, outubro 09, 2011
Uma semana que demonstra a importância da ciência
(Publicado no portal Esquerda.net)
Desde há cerca de uma semana a ciência tem estado presente nas notícias pelos melhores motivos.Em primeiro lugar a experiência que mediu o tempo de voo dos neutrinos ao longo dos 730,5 km que separam o CERN do Laboratório do Gran Sasso em Aquila, Itália, abriu novas perspectivas à física fundamental ao revelar que os neutrinos viajam mais rápido do que a luz. A confirmar-se o resultado, as leis que regem o Universo deverão ser ajustadas e novas tecnologias poderão emergir a partir desta importantíssima descoberta. Na passada terça-feira, o Nobel da Física premiou a descoberta da expansão acelerada do Universo através da observação de supernovas longínquas. Desta vez o júri do Nobel não premiou uma descoberta com aplicações práticas, premiou um contributo relevante para conhecermos melhor este estranho lugar onde se desenrolam as nossas existências: o Universo. No dia seguinte foi inaugurada a Gemasolar, a maior central comercial de produção de energia solar que utiliza uma impressionante técnica em que os raios solares reflectidos por 2650 espelhos convergem numa torre com um núcleo salino. O sal a altas temperaturas serve para gerar vapor de água que por sua vez faz funcionar turbinas para produção de electricidade. Durante a noite o sal mantém-se quente e continua a produzir electricidade enquanto não volta a luz do Sol. Com uma potência de cerca de 20 MW, a Gemasolar apresenta uma capacidade de produção de energia equivalente a uma pequena central térmica.
Esta semana relembra-nos a importância da ciência para conhecermos melhor a evolução do Universo, as leis que o regem e a aplicação que essas leis poderão ter para gerar tecnologias que tornam a nossa vida mais confortável. O caminho que se percorre da ciência fundamental até tecnologia aplicada ao cidadão comum, é um caminho longo mas um dos raros que pode servir de solução em tempos de crise profunda. Mas, o panorama em Portugal mudou, hoje ninguém percebeu se o ministério de fusão que engloba educação e ciência tem alguma estratégia no domínio da política científica para fazer parte de uma hipotética solução que nos tire da crise, como aconteceu no caso finlandês (ver relatório da União Europeia). O silêncio profundo do ministério sobre a ciência, a ausência de um debate para envolver o meio científico na busca de uma estratégia alargada de combate à crise e ao desemprego, e os cortes radicais nos projectos financiados em 2011, transmitem para já a sensação que o Ministério da Ciência foi simplesmente suprimido.
sexta-feira, outubro 07, 2011
Despovoamento
quinta-feira, outubro 06, 2011
A angústia do leitor de Bolaño após a página 300
Quando li a nota sobre o autor que referia a sua adesão a uma nova geração de autores sul-americanos anti-Garcia Marquez, fiquei entusiasmado. Mas agora não sei se vou aguentar mais 700 páginas de xaropada Roberto Bolaño. Se alguma alma caridosa que já leu 2666 pretender motivar-me para seguir até à última página, use a caixa de comentários.
quarta-feira, outubro 05, 2011
A Taxa Tobin era coisa de radical de esquerda, lembram-se?
terça-feira, outubro 04, 2011
Nobel da Física premeia astrofísica
sexta-feira, setembro 30, 2011
quinta-feira, setembro 29, 2011
Mais populismo rasca de Medina Carreira a nu
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011
A este exercício de ilusionismo populista responde muito bem o meu conterrâneo Alexandre Campos no blogue Aldeia Olímpica:
"Sempre pensei que os funcionários públicos ganham o seu ordenado à custa do seu trabalho; que os reformados, sejam públicos ou privados, têm direito à sua reforma porque a ganharam e descontaram para tal; que os desempregados têm direito ao subsídio a partir do momento que não lhes garantem trabalho, e porque, é muito importante compreender isto, enquanto trabalhadores fizeram os seus descontos, pagaram os seus impostos."
Caro Alexandre, é que esse "xico-esperto e lambe-botas do poder económico actual", como bem classificas acha que os reformados e os funcionários públicos são todos uns "vadios" e uns "pelintras" que estão é a roubar o estado, se fizeram descontos ou se são profissionais no seu trabalho, isso pouco interessa. O que é interessa é que ele não abdica da sua reformazita choruda do estado por dois miseráveis anos em que foi ministro das finanças durante os quais o FMI teve que intervir e a economia ficou em pantanas. Reforma esta que certamente acumula com outras reformas dos tachos dos grupos económicos por onde passou depois de ser ministro.
A não perder também este delicioso texto do Fernando Campos, destaco:
"A sua boca é uma torneira a deitar enormidades; que não caem em saco roto: a sua audiência é um imenso balde sem fundo e de boca aberta."
quarta-feira, setembro 28, 2011
Relatório Marisa Matias sobre investigação aprovado no PE
Agora um conselho de amigo, Marisa: vai dormir. Desconfio que não deves ter tido uma noite de 8 horas de sono nos últimos meses.
terça-feira, setembro 27, 2011
The Third Industrial Revolution de Jeremy Rifkin
Hoje Rifkin lançou um novo livro "The Third Industrial Revolution - How Lateral Power Is Transforming Energy, the Economy, and the World". A minha biblioteca já me dirigiu um ultimato para adquirir a nova obra do senhor Jeremy.
O populismo rasca de Medina Carreira a nu
Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011.
Esta trapalhada rasca e mal educada num país saudável nem teria resposta. Mas dada a tribuna mediática - sempre sem contraditório - que é atribuída a este indivíduo, se não se responder, estas asneiras tantas vezes proferidas passam a ser verdade.
A primeira frase revela apenas que os progressos significativos registados nas universidades públicas e na ciência incomodam Medina Carreira. Porquê? Atrapalha a sua intervenção política em prol das ideologias do estado mínimo. O falhanço estrondoso de uma sociedade fortemente dependente dos mercados responde à segunda frase, que no nosso caso se traduz numa dívida privada de 220% do PIB (sobretudo externa), dívida que Medina Carreira evita evocar. A terceira frase revela um misto de ignorância e rasteireza. Portugal não tem licenciados (doutores em medina-carreirês) a mais, tem licenciados a menos. Todos os países com melhor nível de vida que nosso têm uma maior percentagem de pessoas formadas no ensino superior do que nós temos. Nesses países os quadros médios (gente média em medina-carreirês) passaram quase todos pelo ensino superior (escolas técnicas, bacharéis ou licenciaturas). Essa ideia é reforçada pelo relatório que estabelece os objectivos científicos da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target", que descreve o sucesso da aposta da Finlândia na ciência e nas universidades nos anos 90 para responder à maior recessão registada num país da Europa ocidental desde a II Guerra Mundial, a uma taxa de desemprego de 20% e a uma dívida externa incomportável.
domingo, setembro 25, 2011
Medina Carreira em registo tasca vínica
“As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”.
Nah, estou a reinar. Isto foi proferido por Medina Carreira, ao que parece em estado sóbrio, em ambiente muito respeitável do Casino da Figueira na passada terça-feira.
sexta-feira, setembro 23, 2011
Cuidado com a cabeça
quinta-feira, setembro 22, 2011
A Figueira no Mapa
Publicações figueirenses
segunda-feira, setembro 19, 2011
O capitalismo falhou II
Manifesto Ciência lança propostas em Livro Branco
Perante este cenário, o movimento Manifesto Ciência lançou na forma de Livro Branco um conjunto de propostas que realçam o impacto da ciência no desenvolvimento económico das sociedades e o seu potencial para combater o desemprego e para ultrapassar períodos de crise. Neste particular são apresentadas propostas “que promovam a transferência de tecnologia e o empreendedorismo alicerçados na ciência portuguesa”. Mas também são apresentadas propostas muito relevantes para evitar um estado de deriva nos laboratórios e nos centros de investigação nacionais e para assegurar a sua sustentabilidade económica sem prejuízo da qualidade da investigação aí realizada. Uma das propostas apela para a abertura de concursos de projectos e de bolsas todos os anos, sempre na mesma data, com um período de avaliação e comunicação de resultados que não deverá exceder os 6 meses. À semelhança do que acontece no Reino Unido, apela-se à suspensão ou redução substancial do IVA (23%) no âmbito de despesas com os projectos de investigação. O IVA é neste momento um real problema no encorajamento à competição a financiamentos europeus e internacionais, dado que neste tipo de financiamentos as despesas de IVA não são aceites como despesas elegíveis. É proposto também um sistema misto para os recursos humanos: bolsas e contratos – actualmente não é garantido que o sistema de contratos se mantenha. Finalmente, de forma a garantir o desenvolvimento da cultura científica, a Manifesto Ciência propõe o incremento do número de revistas científicas subscritas pelos centros de investigação e universidades, “alargando a sua disponibilidade e reduzindo os custos de subscrição”.
sexta-feira, setembro 16, 2011
O foguetão da NASA que substitui o vaivém
quinta-feira, setembro 15, 2011
Menos figueirenses, mais betão
quarta-feira, setembro 14, 2011
O capitalismo falhou
A emissão de dívida europeia proposta por Krugmann vem com mais de um ano de atraso. Entretanto as políticas de austeridade pagam-se com muito desemprego e degradação dos serviços públicos.
segunda-feira, setembro 12, 2011
Pontos de Vista
2ª-feira: Rui Curado Silva
3ª-feira: João Portugal
4ª-feira: Nélson Fernandes
5ª-feira: Miguel Almeida
6ª-feira: Pedro Daniel Santos.
Horário: 10h45 com repetição às 18h40.
quarta-feira, setembro 07, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
DSK não interessa à esquerda
(via cartoons)
O que mais me perturba é energia que se gasta à esquerda para tentar desculpar o indesculpável relativo a DSK. Há bem melhores candidatos em França para bater Sarkozy.
segunda-feira, setembro 05, 2011
Lançada maior turbina para energia de correntes marítimas

As turbinas do parque Paimpol-Bréhat foram construídas pela empresa irlandesa Openhydro nos estaleiros militares navais de Brest, tendo sido financiadas em parceria entre a EDF e as autoridades regionais. A região da Bretanha entrou com cerca de 25% dos custos. O projecto tem sido acompanhado pelas associações de recreio, ambientais e pescadores locais tendo sido avaliados os diferentes impactos na região. Neste sentido, a EDF chegou a um acordo com os pescadores locais para financiar em cerca de um milhão de euros um estudo sobre o impacto do parque na migração das lagostas, cuja pesca é importantíssima para a economia local.
Estima-se que o potencial de produção de energia a partir de correntes submarinas é de 2,5 a 3,5 GW em França, o que corresponde a 3 ou 4 % da produção actual de energia do país, ou seja poderá abranger alguns milhões de franceses. No entanto, um dos problemas desta forma de produção de energia é que a sua eficiência depende em grande medida da localização geográfica. O potencial da costa francesa para produzir energia a partir das correntes marítimas estima-se em cerca de 20 a 25% do potencial de toda a Europa. Melhores condições apenas se encontram nas ilhas britânicas. Na Escócia, a empresa ScotishPower Renewables está a implementar desde Fevereiro o maior parque de produção de energia de correntes marítimas, com o objectivo de produzir cerca de 10 MW a distribuir por cerca de 5 mil habitações. As maiores vantagens desta forma de produção de energia são o seu ligeiro impacto ambiental, comparada com outras renováveis, e a grande previsibilidade das correntes marítimas em contraste com a considerável aleatoriedade dos ventos, no caso da energia eólica.
Apesar de a EDF estimar o preço dos primeiros MW produzidos pelas turbinas de Paimpol cerca de 8 vezes mais elevado do que o actual preço de mercado, espera-se que nos próximos anos se consiga reduzir esses custos para um terço. A França tem como objectivo produzir até 2020 cerca de 23% de energia a partir das renováveis. A Escócia estabeleceu uma meta de 80% para a mesma data. Ambas as metas resultarão numa considerável redução de consumo e de importação de petróleo e de gás natural, o que a longo prazo constituirá uma escolha mais económica, visto que o preço destes combustíveis fósseis continuará ao aumentar ao longo das próximas décadas.
sexta-feira, setembro 02, 2011
O mercado tem sempre razão
Lê-se ainda que a Semapa "não divulga o salário do advogado [Aguiar-Branco]". Num país com uma das maiores dívidas privadas da Europa (~240% do PIB, cerca de duas vezes e meia a dívida pública), o mínimo que se exige a um ministro que vem do sector privado é que seja absolutamente transparente sobre os seus rendimentos anteriores. Aqui, desafiamos Aguiar-Branco a divulgar o salário da Semapa, para perceber se o moralismo do governo não passa de retórica.
Energia das correntes
sexta-feira, agosto 12, 2011
Pertencer à mesma equipa
Conheço mal Londres, mas quando estive em Birmingham foi para mim muito claro que os seus habitantes já não pertenciam à mesma equipa. Já havia gente de costas voltadas, havia o nós e os outros, a fazer lembrar o divórcio entre as cités e a sociedade francesa. A diferença é que em França os guetos foram criados por decreto no tempo de Pompidou e no Reino Unido foi a mão invisível que foi empurrando gente desempregada, gente em situação precária, com os mesmos problemas, para os mesmos bairros.
Depois acabar com os bairros da lata, o próximo passo da Europa deverá ser acabar com os guetos. Misturar ricos e pobres, cultos e menos escolarizados, imigrantes e autóctones, fazer-lhes sentir que as cidades pertencem a todos e que são um espaço de partilha.
quarta-feira, agosto 03, 2011
segunda-feira, agosto 01, 2011
Houellebecq, Beigbeder e Angot
Tal como refere o José Mário Silva numa das últimas edições da revista Ler, falta na literatura portuguesa quem se atreva a descrever as vivências do quotidiano, os cafés que frequentam, os jornais que lêem ou fazendo saltar para o meio das páginas personagens reais com quem se cruza no autocarro e na farmácia. Falta sobretudo um Beigbeder. Não é por isso de estranhar que este autor (tal como Angot) não tenham obra publicada em Portugal.
sexta-feira, julho 29, 2011
Como assanhar fanáticos II

Estou com um dilema futurista. Será que vamos ser todos pulverizados já para o ano pela Maldição Maia de 2012 ou seremos invadidos pelos mouros em 2015?
A memória é muito curta e esquece-se que há 100 anos, as "vítimas" deste mapa da treta de 2015 eram os "invasores" deste mapa que ainda não passou completamente à história:
terça-feira, julho 26, 2011
Como assanhar fanáticos
O mais irónico é que neste texto os EUA são retratados em 2033 como a última reserva de branquitude, de cristianismo e de pureza onomástica. Abençoado Hussein Obama.
Europa, 17 de Fevereiro de 2033
Paris. O presidente Moustapha Ahmed Ibn Dupont aprovou várias medidas de apoio à alta costura francesa para a promoção do chador no mundo. Os oculistas protestam e afirmam que os óculos é que dão mais valor às mulheres, quando elas só mostram os olhos. No Centre Pompidou abriu uma exposição pós-pós-moderna de sapatos acumulados à entrada de Notre-Dame. Um crítico de arte imprudente que falou de souliers de Satan foi defenestrado por blasfémia do alto de um minarete em Montparnasse. Só depois se verificou tratar-se de uma gralha tipográfica. O revisor responsável foi lapidado.
Berlim. O chanceler Abdul Klaus von Rundfunk interditou a Nona Sinfonia de Beethoven em audições públicas ou privadas. A simples detenção de partituras ou discos implicará o corte das orelhas dos prevaricadores. Vai ser intensificada a investigação sobre tecnologia dos altos fornos. Altos responsáveis desmentem quaisquer preocupações étnicas na matéria.
Bruxelas. O rei Babadur-al-Alrun de Hohenlohe convocou o primeiro-ministro Abu-Akhbar Desfôrets e o ministro francófono Hassan Ibn Cocasse com vista à preparação de mais uma acção de sensibilização da opinião pública contra a separação entre a religião e o estado, uma vez que ou o estado se conforma com os preceitos da religião e é dispensável, ou diverge deles e é nefasto. O aiatola Eustache Ibn Gamal, reitor da Universidade Aladdin de Lovaina, falou do “eixo do mel” na abertura do seminário internacional sobre o papel da apicultura intensiva na redução do choque das civilizações. Confirma-se o achado de documentação relativa à extinta União Europeia num bunker da Rue de la Loi: foi nomeada uma comissão de expurgo, presidida pelo ministro flamengo Mohamed van der Roeckwaerts.
Vaticano. O papa Omar I relatou pormenorizadamente ao colégio dos cardeais a sua última peregrinação a Meca, explicando as razões atendíveis por que não foi autorizado a entrar no santuário. Foi aprovada a substituição do tratamento de “Sua Santidade” pelo de “Sua Obediência” e a exportação de vacinas de água-benta para os territórios em que ainda se detecte a presença do vírus da varíola, em consequência da última jihad de libertação da Europa, ocorrida há 30 anos. O consistório, como prova de boa vontade e tolerância, mandou revestir os frescos da Capela Sixtina com azulejos sobrantes da casa de banho de um dos palácios de Saddam Hussein.
Córdova. O rei Tarik II incumbiu o conde Julian Al-Barabi de Mora y Moro das obras de construção da nova e esplendorosa capital da Ibéria. O mulá Osama Extchgandiarra manifestou a sua preferência por Bilbao para sede do califado.
Lisboa. O ministro da educação, Sheik Al-Nefzaouí da Silva Pimentel, declarou não valer a pena mandar queimar Os Lusíadas pelo seu teor anti-islâmico, uma vez que a obra está fora do mercado e completamente esquecida. Mantém-se todavia a sanção do arrancamento dos olhos para quem os ler. Yassib Neca, presidente do F. C. da Merdaleja, denunciou como “cão infiel” o Dr. Samir Getúlio, presidente da Liga de Clubes. O Dr. Samir recolheu ao Aljube. Depois da remoção das vinhas, o vale do Douro vai passar a produzir sémola em socalcos, com vista à exportação de cuscus. Figuras da meiga esquerda lusitana foram condecoradas a título póstumo com a Ordem do Crescente Suave, por serviços prestados à causa de Bagdad.
Washington. O secretário de Estado da Defesa, John K. Merrywhistler, resumiu em quatro palavras a posição do seu país quanto à presente situação da Europa: “Let them fuck themselves”.
Vasco Graça Moura
Telescópio James Webb ameaçado pela direita americana
O futuro do telescópio James Webb, o telescópio espacial que deverá substituir o telescópio Hubble, foi posto em causa por uma proposta de cancelamento da missão elaborada pelo comité responsável pela execução financeira da Câmara dos Representantes dos EUA. No entanto, esta decisão deverá ainda passar pelo voto da Câmara dos Representantes cuja maioria é republicana e pelo voto do Senado onde a maioria é democrata.
O James Webb é um projecto comum da ESA, da NASA e da Agência Espacial Canadiana. Do ponto de vista científico será o telescópio espacial mais importante para a astronomia e a astrofísica nas próximas décadas e o substituto do actual telescópio Hubble.
O referido comité, onde a direita tem a maioria, justificou a decisão pelos elevados custos do projecto relembrando as actuais condicionantes orçamentais dos EUA para combater a crise da dívida. Estes argumentos foram denunciados pelo movimento Defend Science que evocou os gastos com os sistemas de ar condicionado utilizados no Afeganistão e no Iraque superiores a 20 mil milhões de dólares por ano, a cargo do contribuinte americano. A poupança que significaria o cancelamento do James Webb seria cerca de 1,6 mil milhões de dólares, para um custo total de cerca de 6,5 mil milhões - três quartos desta verba foi já implementada no projecto.
No entanto, frequentemente a direita americana tem tomado posições niilistas em relação à ciência realizada pelo telescópio Hubble, em particular as descobertas relativas ao Big Bang. Os sectores mais ortodoxos do Partido Republicano continuam a fazer pressão para que o criacionismo seja a explicação exclusiva da origem do Universo. Obviamente, para estes sectores o telescópio James Webb poderá realizar muitas descobertas inconvenientes, dado que entre os principais objectivos desta missão estão a observação dos primeiros objectos celestes formados após o Big Bang, a observação da formação de galáxias, do nascimento de estrelas, de sistemas protoplanetários e o estudo da origem da vida. Não seria de estranhar que a argumentação economicista seja apenas uma justificação de fachada para alimentar a cruzada contra a ciência dos sectores mais ortodoxos da direita americana.
segunda-feira, julho 25, 2011
Entregues aos Jotinhas
sexta-feira, julho 22, 2011
Reestruturação: o Bloco tinha razão
Pena foram os meses perdidos a insistir em soluções de política de austeridade e aqui há uma grande dose de responsabilidade de Barroso e Van Rompuy. Quem pagou esta inacção foram os europeus através dos seus salários e dos seus empregos.
quinta-feira, julho 21, 2011
Juntem as claques todas do mundo
... e não chegam aos calcanhares desta coreografia dos agricultores do Loire-Atlantique (departamento 44).
Há 8 anos, como se fosse ontem
Este ano o Mestre de Cerimónias do nosso aniversário é Jean-Marc Généreux. Ele ofereceu-se e nós não ousámos recusar. Como é hábito, segue o programa da maluqueira.
2011 Klepsýdra Club Session
00.00-00.15 - Discurso de abertura de Jean-Marc Généreux intitulado: "Desde que leio a Klepsýdra danço o Jive com muito mais pinta".
00.15-00.45 - Warm Up - Se Hou
00.45-01.45 - Monika Kruse
01.45-02.45 - Armin Van Buuren
02.45-03.00 - Tom Craft Grand Warm Up - DJ Muxaxo
03.00-04.45 - Tom Craft
04.45-05.30 - Eric Morillo
05.30-06.00 - ATB
06.00-06.30 - Monsieur Philippe Corti
quarta-feira, julho 13, 2011
Sardanhada
Andy Schleck, obviamente
Por isso quero ver nos Campos Elísios Andy Schleck de amarelo.
sexta-feira, julho 01, 2011
Peter Falk, o Columbo
Peter Falk foi Columbo naquela que é a minha série policial preferida, de longe, muito longe e foi também Columbo em "As Asas do Desejo", o meu filme preferido.Curiosamente, a deliciosa personagem protagonizada por Peter Falk foi inspirada em Porfiry Petrovich, o detective de "Crime e Castigo" de Dostoiévski. Os autores da série inspiraram-se nas manhas de Petrovich, que se auto-desvalorizava e desvalorizava as perguntas dos interrogatórios a Raskólnikov, para no final aplicar uma ou duas questões que sobressaltavam o assassino de Aliona Ivanovna. Igualmente a estrutura do romance de Dostoiévski foi seguida em Columbo. Fica-se logo a saber quem e como assassinou, guardando-se todo o prazer para o descascar do crime e não para a revelação do criminoso. Depois, em Columbo, havia a gabardina (escolhida por Falk), o Peugeot 403, o cão e a mulher invisível de Columbo. Outro aspecto relevante da série era a afronta aos ricos e poderosos que se desenrolava durante a investigação, aquela gabardina e aquela personagem rapidamente gerava a cólera entre a aristocracia californiana. Em tempos de Guerra Fria, os autores revelaram uma coragem assinalável.


