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sexta-feira, setembro 23, 2011

Cuidado com a cabeça


É para esta tarde que está prevista a entrada na atmosfera dos destroços do satélite UARS, um satélite meteorológico lançado em 1991. A probabilidade que nos caia na cabeça é pequena, mas é bem mais provável assistir a um espectáculo de estrelas cadentes de origem humana. Para quem quer acompanhara a par e passo a queda do satélite seguir para esta página da NASA.

sexta-feira, setembro 16, 2011

O foguetão da NASA que substitui o vaivém



A NASA já anunciou o sucessor do vaivém. Optou-se por uma opção clássica, um foguetão mais potente que todos os outros da agência, designado por SLS (Space Launch System). Ver mais aqui.

domingo, abril 17, 2011

Gagarine, 50 anos depois

(publicado no portal Esquerda.net)

A 12 de Abril de 1961, de seu nome de código “Cedro”, um jovem russo de 27 anos e 1,59m, Yuri Gagarine, é lançado num míssil intercontinental a bordo da cápsula Vostok para um voo de 108 minutos à volta da Terra que atingiu o seu apogeu a 370 km de altitude. Depois de entrar na atmosfera Gagarine accionou o acento ejectável e posou com algumas dificuldades perto de Saratov. Gagarine tornou-se imediatamente o mais popular herói da URSS, um herói em quem se revia o cidadão comum, na sua simplicidade, simpatia e nas suas origens modestas: mãe camponesa e pai carpinteiro. O regime soviético classificou a proeza como a prova da competitividade do socialismo

Entre 3.000 candidatos, Yuri Gagarine integrou o grupo de 20 seleccionados que passou por um intenso programa de treinos e de testes na Cidade das Estrelas. Apenas 4 dias antes do lançamento foi escolhido o cosmonauta que embarcaria na Vostok e o seu suplente: Gherman Titov. Todos os preparativos desta missão foram guardados em segredo. Se algo corresse mal durante o voo de Gagarine nada seria divulgado e este desapareceria no anonimato. O mérito do feito de Gagarine é reforçado quando se considera que a taxa de sucesso de lançamentos de cápsulas espaciais era na altura cerca de 54%, facto que o Cedro desconhecia. Mas seria curiosamente num acidente ocorrido durante um voo de treino quando tripulava um MIG-15 que Yuri Gagarine encontraria a morte, a 27 de Maio de 1968, uma semana antes do assassinato de Martin Luther King e cerca de dois meses antes do assassinato de Robert Kennedy.

Desde a morte de Gagarine até ao presente, os voos espaciais tripulados tiveram o seu auge durante o programa Apollo. No entanto, o espaço internacionalizou-se e hoje em dia astronautas americanos, europeus e cosmonautas russos partilham o reduzido espaço da Estação Espacial Internacional, dedicando-se à investigação em ambiente de micro-gravidade e ao estudo dos voos espaciais de longa duração, que se poderão estender de algumas semanas a cerca de um ano. Para lá dos feitos associados à conquista do espaço, da investigação associada aos voos espaciais tripulados resultaram tecnologias que melhoraram a vida do cidadão comum cá em baixo na Terra: fatos de bombeiro anti-fogo, aparelhos de hemodiálise portáteis, o GPS, electrodomésticos sem fios, conservação prolongada de alimentos e progressos assinaláveis nas áreas da fisiologia e da psicologia, alguns deles recentemente colocados em prática durante as operações de resgate dos mineiros chilenos.

segunda-feira, abril 11, 2011

50 anos de Gagarin



Há exactamente 50 anos Gagarin foi o primeiro homem no espaço, num voo secreto, num voo em que se algo corresse mal ninguém iria ser informado de nada, como se não existisse.
Aqui vídeo de homenagem a Yuri Gagarin da Euronews e da ESA.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Sovaqueira de astronauta

Este artigo Steve Mirsky sobre as actividades menos nobres dos astronautas a bordo de naves espaciais, revela-nos um ambiente fétido que tresanda a suor, onde as necessidades fisiológicas requerem algum nível de perícia e um estômago de ferro. Enfim uma última prova para super-homens (e super-mulheres) seleccionados depois de dezenas de rigorosos testes físicos e psicológicos.

James Lovell, um dos heróis da Apollo 13, ao sair da sua cápsula recuperada em pleno oceano foi questionado sobre o que sentiu durante a atribulada missão lunar, tendo respondido diplomaticamente que foram sensações bem diferentes da fresca brisa do mar que percorria o ar. Mais tarde referiu que sentiu como se tivesse vivido uma semana dentro de uma casa de banho.

quarta-feira, setembro 29, 2010

Cerveja Espacial



Um dos pequenos prazeres de qualquer viajante das estrelas imaginário, beber uma fresquinha em pleno espaço sideral, está prestes a tornar-se realidade. A cervejeira australiana 4-Pines Brewing Company vai testar uma cerveja especialmente criada para voos espaciais num ambiente de micro-gravidade gerado durante um voo parabólico. Às cobaias deste teste vão ser analisados o ritmo cardíaco, a taxa de álcool no sangue e a temperatura do corpo durante o voo. Oremos para que não seja necessário utilizar o saquinho de chamar pelo Gregório.
Fica aqui chamada de atenção para o Francisco José Viegas.

segunda-feira, junho 07, 2010

ESA e Rússia simulam viagem a Marte

(publicado no portal Esquerda.net)

Iniciou-se no passado dia 3 de Junho a experiência Mars 500 cujo objectivo é simular um voo tripulado ao planeta Marte. A Mars 500 é dirigida pelo Instituto de Problemas Biomédicos da Rússia em estreita colaboração com a Agência Espacial Europeia, contando ainda com participação internacional de instituições científicas de países como a China ou os EUA. A “tripulação” da Mars 500 é composta por seis elementos: três russos, um italiano, um francês e um chinês. As suas competências cobrem sobretudo os domínios da engenharia, da fisiologia e da medicina. A simulação de viagem a Marte iniciada a 3 de Junho durará até 5 de Novembro de 2011. A 8 de Fevereiro de 2011 serão simulados a chegada a Marte e o início das operações em solo marciano. De seguida, a 10 de Março de 2011, inicia-se a viagem de “regresso” à Terra.

Durante cerca de 520 dias, a “tripulação” da Mars 500 estará confinada a viver em cinco módulos onde serão testadas todas as condições de sobrevivência associadas a uma viagem de ida e volta a Marte. Durante este estudo será dada especial atenção à saúde e à capacidade de trabalho dos 6 elementos em condições de isolamento hermético, confinados a um volume limitado em que serão simuladas especificidades inerentes a voos inter-planetários, como: autonomia de decisão da tripulação em relação a um centro de comando terrestre, recursos limitados ou instabilidade e atraso nas comunicações com a Terra. Este atraso pode ser da ordem de alguns segundos a alguns minutos, dado que as ondas rádio utilizadas nas comunicações entre Terra e Marte propagam-se à velocidade da luz. No final deste estudo será avaliada a possibilidade real de realizar uma viagem tripulada a Marte tendo em conta o conjunto de adversidades fisiológicas e psicológicas registadas. Recorde-se que outras simulações anteriores de isolamento humano (Biosfera I e II) resultaram em graves problemas relacionais entre os intervenientes. A experiência Mars 500 será também importante para determinar o nível de equipamento essencial para as naves espaciais que transportarão uma futura tripulação ao planeta Marte.

O interesse dos voos inter-planetários tripulados deve-se à maior capacidade dos seres humanos para estudar a superfície de um planeta quando comparada com o reduzido número de funções que os mais dispendiosos robots actuais são capazes de realizar. Como tem sido hábito desde o início da exploração espacial, espera-se também que novas tecnologias e novas ideias resultantes desta experiência possam ter um impacto positivo no nosso quotidiano na Terra em domínios tão diferentes como a medicina ou a engenharia. Consultar este sítio da NASAsobre o impacto da tecnologia espacial no quotidiano.

sexta-feira, abril 23, 2010

20 anos do Hubble



Há quase 20 anos, dia 24 de Abril de 1990, o vaivém espacial Discovery colocou em órbita o telescópio Hubble. As imagens e os dados obtidos durante estas duas décadas têm sido valiosíssimos para responder a questões muito importantes que vão desde a caracterização de exoplanetas à composição do Universo.

terça-feira, março 23, 2010

Descoberto planeta semelhante a Júpiter fora do sistema solar

(publicado no portal Esquerda.net)

Até hoje foram descobertos mais de 400 planetas fora do nosso sistema solar, os chamados exoplanetas. O interesse da descoberta do exoplaneta CoRoT - 9b deve-se à semelhança da sua massa e do seu raio relativamente a Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar. Esta descoberta é significativa visto que pela primeira vez, os investigadores poderão aplicar a um exoplaneta os mesmos modelos que descrevem um dos planetas do Sistema Solar. O CoRoT - 9b apresenta uma órbita em torno da sua estrela com características semelhantes à órbita de Mercúrio - o planeta mais próximo do Sol - apresentando uma faixa de temperaturas médias entre os -20º C e os 150º C. Os exoplanetas descobertos anteriormente mais parecidos com os corpos do Sistema Solar eram uma espécie de "Júpiter quente", apresentando temperaturas muito mais altas e percorrendo órbitas mais próximas da sua estrela do que a órbita de Mercúrio.

Cada vez que o Corot - 9b transita em frente à sua estrela, a diminuição de brilho que a sua sombra provoca permite aos cientistas saber a sua posição, determinar a sua dimensão e estudar a sua composição. Espera-se que dentro de alguns anos se possa conhecer a sua composição com uma grande precisão, após um conjunto de observações limitadas a cerca de 8 horas cada - relativas a cada trânsito em frente à estrela - e que serão realizadas de 95 em 95 dias, o período da órbita do exoplaneta em torno da sua estrela.

O nome deste exoplaneta tem origem no satélite CoRoT (Convection, Rotation et Transits planétaires), o satélite francês lançado em 27 de Dezembro de 2006 através do qual foi possível descobrir este exoplaneta. O satélite CoRoT foi lançado com o objectivo de estudar a sismologia de estrelas e de descobrir exoplanetas com dimensões aproximadas aos dos planetas do nosso Sistema Solar. Depois da descoberta de um gémeo de Júpiter espera-se a descoberta de novos exoplanetas de dimensões ainda mais reduzidas, mais próximas das dimensões da Terra, com potencial para albergar formas de vida como as que conhecemos no nosso planeta.

quarta-feira, março 17, 2010

domingo, março 07, 2010

Cryosat

(Publicado no portal Esquerda.net)
A Agência Espacial Europeia está prestes a lançar um novo satélite, o Cryosat 2, cuja missão é determinar com precisão a espessura do gelo que flutua nos oceanos polares e a espessura da massa de gelo que cobre a Antárctida e a Gronelândia. O seu lançamento estava previsto para o passado dia 25 de Fevereiro do cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, tendo sido adiado após a detecção de um problema num dos motores do segundo andar do lançador Dnepr. Não se pense que este foi o maior contratempo com que se deparou esta missão, visto que Cryosat-2 vem substituir o Cryosat, a primeira versão deste satélite que se despenhou em 2005 quando falhou o processo de separação entre o segundo e o terceiro andar do lançador Rockot - uma evolução do míssil SS-19.

O Cryosat foi equipado com um radar de microondas que detecta a alteração da espessura do gelo oceânico, tipicamente de alguns metros, e da espessura da massa de gelo terrestres, que pode atingir cinco quilómetros na Antárctida. O radar pode detectar alterações na espessura destas massas de gelo com uma resolução de um centímetro, bem como os diferentes tipos de gelo que compõem as massas glaciares. Até hoje, as calotes de gelo polar tinham sido estudadas sobretudo em função da sua área, através das observações efectuadas pelo satélite Envisat. Foi deste modo que se detectaram os recentes mínimos de cobertura de gelo do Árctico e a redução da sua extensão média de 2,7% por década.

Dado que a diminuição de massa de gelo polar é citada na literatura científica como uma das consequências do aquecimento global e dado que o degelo dos pólos tem influência directa na subida do nível de água do mar e na diminuição da radiação reflectida para o espaço, para perceber melhor as alterações do clima será fundamental saber quais as características, a evolução sazonal e a evolução a longo prazo da espessura do gelo polar.

domingo, fevereiro 21, 2010

Satélites da ESA ajudam Haiti

(publicado no portal Esquerda.net)

A Carta Internacional Espaço e Grandes Catástrofes consiste num protocolo que engloba várias agências espaciais que se destina a intervir em desastres naturais e tecnológicos. O objectivo da Carta visa melhorar a eficácia e a organização das operações de socorro nas regiões afectadas, prevenir acidentes e optimizar a reconstrução das infra-estruturas destruídas. Esta carta foi criada em 2000 por iniciativa da Agência Espacial Europeia. Desde então as agências signatárias da carta disponibilizam os seus meios gratuitamente (satélites, centros de tratamento de dados e de telecomunicações, etc.) aos países afectados por ciclones, tremores de terra, marés negras, inundações, incêndios ou erupções vulcânicas. Os satélites Envisat e ERS-2 são os dois principais instrumentos de observação disponibilizados pela ESA em caso de catástrofe.

Em 2010, a Carta já foi activada em nove ocasiões: tempestade de neve na China, ciclones nas Ilhas Cook e em Tonga, inundações no Peru, Bolívia, Faixa de Gaza e Albânia e terramotos nas Ilhas Salomão e no Haiti.

No caso do Haiti, foram fornecidas imagens de arquivo que permitiram identificar com clareza qual a função dos edifícios destruídos antes do terramoto. As imagens fornecidas em tempo real permitiram avaliar a extensão da destruição e os locais onde se iam aglomerando as tendas dos sobreviventes. Estas imagens permitiram também traçar rotas mais rápidas para o transporte de assistência médica e alimentar, bem como descobrir novos locais para abrigar a população e para a instalação da logística de assistência.

No entanto, a Carta é ainda um mecanismo provisório resultante da boa vontade de um conjunto de instituições, sem uma sólida coordenação política. Lamentavelmente, antes da tragédia do Haiti, os egoísmos nacionais fizeram com que os governos dos diferentes europeus recusassem por em prática um centro de ajuda internacional a catástrofes, sugerido por vários grupos políticos do Parlamento Europeu.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Narco-turismo espacial

Esta notícia do Publico vai dar muitas ideias brilhantes ao Richard Branson da Virgin Galactic:

"A Agência espacial norte-americana (NASA) encontrou "uma pequena quantidade" de cocaína no edifício que alberga o vaivém Discovery, no Centro espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, Florida, foi hoje revelado."

quinta-feira, agosto 20, 2009

A Estação Espacial Internacional às peças

Clicar aqui para ver a montagem da Estação Espacial Internacional por ordem cronológica, módulo por módulo. (Obrigado T.)

quarta-feira, agosto 05, 2009

Observar o céu sem telescópio é uma indiscrição*

(Artigo publicado no Diário de Notícias)

Até ao início do séc. XVII, quando Galileu realizou as primeiras observações do sistema solar graças a uma luneta, o conhecimento do universo dependia exclusivamente da observação do céu a olho nu. Depois da luneta de Galileu surgiu o telescópio que foi evoluindo até ao séc. XX, altura em que apareceram novos instrumentos de observação, telescópios capazes de observar o universo em todo o espectro electromagnético, inclusivamente em comprimentos de onda invisíveis aos nossos olhos.

A atmosfera terrestre absorve parte dos infravermelhos e absorve totalmente raios X e raios gama. Por isso, na segunda metade do século passado, o homem iniciou o envio de telescópios para o espaço com intuito de observar o Universo nestes comprimentos de onda, como o XMM (raios X) ou o INTEGRAL (raios gama) da ESA. Também foram concebidos telescópios espaciais para luz visível, como o telescópio Hubble, tirando partido da vantagem de as observações no espaço não serem afectadas pelas distorções geradas pela agitação atmosférica.

"Gasta-se tanto dinheiro na astronomia com que benefício para o contribuinte?" Este é um tipo de questão frequente que o cidadão comum ou os responsáveis políticos colocam aos astrónomos. Justamente, um dos domínios da astronomia com maior retorno e impacto na sociedade tem sido o desenvolvimento de instrumentação: telescópios terrestres e espaciais, antenas, sensores, dispositivos eléctricos e mecânicos, robôs, etc. Recentemente, a NASA criou um sítio na internet (http://www.nasa.gov/city/) onde são ilustradas as principais tecnologias empregadas no quotidiano com origem na investigação em instrumentação. Dessa investigação surgiram sistemas para evitar colisões aéreas, painéis de controlo digitais, ecrãs plasma, capacetes de ciclismo, sensores de ritmo cardíaco, sistemas de detecção remota de incêndios, fatos anti--incêndio para bombeiros, sistema de neutralização de minas terrestres sem detonação, próteses para articulações, liofilização de alimentos, electrodomésticos sem fios, fatos de competição para natação, máquinas fotográficas digitais, etc.

Em 2009 celebra-se o Ano Internacional da Astronomia cujo principal objectivo é divulgar a astronomia em todo o planeta. Em Portugal decorrem várias iniciativas desde o início do ano. A iniciativa "E agora eu sou Galileu" destina-se a recriar as principais observações realizadas por Galileu há cerca de 400 anos, destacando a importância dos instrumentos para astronomia e para o conhecimento do universo. Reproduzindo as principais descobertas de Galileu, o participante poderá observar: as fases de Vénus, os satélites de Júpiter, Saturno, as crateras da Lua, manchas solares e a Via Láctea. Seja Galileu por um dia e participe!

* Victor Hugo em "Oceano"

terça-feira, julho 21, 2009

O impacto do Programa Apolo 40 anos depois

(publicado no portal Esquerda.net)

A 20 de Julho de 1969 o homem caminhava pela primeira vez na superfície da Lua. Enquanto o astronauta Michael Collins permanecia no módulo de comando Columbia, Neil Armstrong e Edwin Eugene (Buzz) Aldrin pousavam o módulo Eagle na superfície lunar. Após ter proferindo a memorável frase “Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade”, Neil Amstrong juntamente com o seu colega Aldrin passou cerca de duas horas e meia a explorar a superfície da Lua, sobretudo recolhendo amostras de solo. O sucesso da Apolo XI deixava para trás anos de competição na conquista do espaço entre os EUA e a URSS em plena Guerra Fria, uma competição que opôs dois génios que coordenavam os programas espaciais das duas potências: o alemão Wernher Von Braun e o russo Sergeï Korolev. Depois da morte de Korolev em 1966 e da decisão da URSS de dotar o orçamento do seu programa em cerca de metade do orçamento à disposição da NASA, era óbvio que seriam os americanos os primeiros a chegar à Lua.

Embora se tenha esgotado rapidamente o interesse na exploração lunar após a chegada do homem à Lua, o Programa Apolo durou até à missão Apollo XVII lançada em 1972. O custo total do Programa Apolo, entre 1961 e 1972, estimou-se em cerca 25 mil milhões de dólares ou seja cerca de 115 mil milhões de dólares se actualizarmos os custos a preços de hoje. O desenvolvimento do Programa Apolo deu origem a variadas tecnologias que utilizamos no nosso quotidiano. O sistema utilizado na reciclagem de líquidos durante as missões Apolo serviu mais tarde para simplificar as máquinas de diálise renal e serviu também para desenvolver novos sistemas de purificação de água. A tecnologia utilizada na concepção dos fatos para os astronautas deu origem a fatos anti-incêndio para bombeiros, à tecnologia de conforto e de versatilidade das novas sapatilhas, ao desenvolvimento de fibra de vidro revestida a teflon utilizada na cobertura de estádios e de estruturas associadas a edifícios mais ecológicos de grandes dimensões, e a roupas especiais adaptadas a pessoas com esclerose múltipla, a marinheiros, pilotos de competição automóvel e técnicos de reactores nucleares. Foram desenvolvidos novos materiais que são hoje utilizados no isolamento térmico de casas e de pipelines. A tecnologia de detectores de gases da Apolo é hoje utilizada na indústria que lida com gases perigosos. Perante todos estes benefícios de que tiramos partido em todo o mundo para nosso conforto, segurança e lazer, é razoável considerar que o custo do Programa Apolo poderá ter sido largamente compensado pelos benefícios das tecnologias a que deu origem. O próprio Barack Obama, em discurso recente à Academia Nacional das Ciências em Washington, afirmou que o trabalho da comunidade científica envolvida no Programa Apolo teve como resultado não apenas "aqueles primeiros passos na Lua, mas também um gigantesco salto no conhecimento aqui na Terra". Obama enumerou as tecnologias resultantes da investigação na Apolo acima descritas e afirmou que o enorme investimento dessa era produziu uma avalanche de curiosidade e criatividade, cujos benefícios são incalculáveis.

Este bom exemplo de investimento público num projecto de desenvolvimento científico e tecnológico, que envolveu o que havia de melhor em todos os sectores da sociedade, deveria servir de lição aos que têm tentado propagar teorias economicistas de vistas curtas centradas apenas na redução do investimento público.

sexta-feira, julho 17, 2009

Site dos 40 anos da Apolo XI



A NASA criou um site dedicado aos 40 anos da missão Apolo XI, onde podemos encontrar todos os factos mais relevantes e curiosidades sobre a missão que levou o primeiro homem à Lua.

quarta-feira, julho 08, 2009

NASA Spinoff

Não têm conta as vezes que neste ano internacional da astronomia já tive de enumerar as diversas tecnologias que utilizamos no quotidiano que nos fazem poupar tempo e dinheiro e que resultam da investigação em astronomia, astrofísica e espaço. Por vezes, contra argumentação em registo colérico. Esta página da NASA, NASA Spinoff, ajuda a perceber a dimensão do impacto dessas descobertas. Leiam e divulguem.

sexta-feira, maio 29, 2009

Os 6 novos astronautas da ESA



Com início há cerca de um ano, o processo de selecção de novos astronautas da ESA findou na passada semana. Eis o nome e a nacionalidade dos novos astronautas europeus:

Samantha Cristoforetti, Itália
Alexander Gerst, Alemanha
Andreas Mogensen, Dinamarca
Luca Parmitano, Itália
Timothy Peake, Grã-Bretanha
Thomas Pesquet, França

No mais completo amadorismo, foi a primeira vez que Portugal participou num processo de selecção de astronautas da ESA. Fomos 210 a passar as análises médicas, o que foi um bom resultado para um país da nossa dimensão, mas a partir daí há muita coisa a fazer para podermos aspirar a ter um dia um astronauta. Em breve escreverei mais sobre o assunto.