| O furacão Sandy visto pelo satélite GOES-13 da NASA. |
segunda-feira, outubro 29, 2012
quarta-feira, setembro 26, 2012
Degelo record no Ártico
terça-feira, janeiro 24, 2012
Glaciares alpinos perderam um quarto da sua superfície
A fusão acelerada dos glaciares tem consequências importantes no clima local, aumentando o caudal dos rios que nascem nas respectivas formações montanhosas, com um correspondente aumento da pluviosidade e do risco de inundações em comparação com os anos anteriores. Mas a fusão local registada nos Alpes Franceses é com grande probabilidade consequência do aquecimento global resultante da actividade humana registado nas últimas décadas. A taxa a que os glaciares derreteram evolui de uma forma semelhante à curva do aquecimento do clima e, mais importante, tem correspondido aos resultados estimados pelos modelos de simulação do clima aplicados aos glaciares alpinos, reforçando as conclusões dos sucessivos relatórios do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas sobre o impacto da actividade humana no clima do nosso planeta.
segunda-feira, novembro 28, 2011
Extremos climáticos mais prováveis no futuro
O relatório estabelece como provável (grau de certeza superior a 60%) o aumento da frequência de fenómenos climáticos extremos, caso prossiga o aquecimento global do planeta. Classifica-se como muito provável (certeza superior a 90%) que o aumento das emissões de gases de efeito de estufa seja responsável pela maior ocorrência de dias e noites muito quentes e pela diminuição do número de dias e de noites muito frias. Pela mesma razão aumentou a duração média das secas bem como a sua intensidade. Foi classificado como provável (>60% de certeza) que os ciclones tropicais no futuro ocorram menos vezes por ano, no entanto em média estes serão cada vez mais intensos.
No entanto, o IPCC ressalva que os extremos climáticos são fenómenos raros, sobre os quais há menos dados e alguns deles estudados apenas desde há algumas décadas. Outra dificuldade neste trabalho é o facto de alguns destes fenómenos serem muito localizados a certas regiões do mundo, por exemplo os fenómenos climáticos extremos que ocorrem nos pólos são muito diferentes dos que ocorrem nos trópicos. Ilhas, regiões costeiras, regiões montanhosas e periferias urbanas muito recentes construídas em mega-cidades foram identificadas como as zonas onde os fenómenos climáticos extremos têm maior impacto. Estes são também fenómenos de maior complexidade sobre os quais é mais difícil estabelecer com maior certeza os aspectos científicos (física, química, geologia, etc.) que estão na sua origem. Apesar desta ressalva, a probabilidade elevada (> 60%) e os elevados custos económicos e em vidas humanas que comportam estas catástrofes naturais, por precaução, seria desejável que o combate às alterações climáticas prosseguisse com maior determinação.
terça-feira, maio 24, 2011
Aquecimento Global afecta produção agrícola mundial
Um trabalho científico publicado na revista Science deste mês analisa a produção agrícola mundial desde 1980 em função de vários factores, entre os quais o aumento de temperatura global registado nos últimos 30 anos decorrente da actividade humana. Entre os dez anos mais quentes até hoje registados, nove ocorreram entre 2001 e 2010. Dezembro de 2010 foi o 310omês consecutivo cuja temperatura ultrapassou a média de temperaturas do século XX. A última vez que um mês apresentou uma temperatura média inferior à do século XX foi o mês de Fevereiro de 1985. Esta tendência clara de aumento da temperatura média global reflectiu-se no trabalho publicado na Science. Nas principais regiões de cultivo registaram-se durante a época de crescimento da produção agrícola as variações da temperatura média expressas no mapa apresentado. Exceptuando as regiões agrícolas dos EUA e do Canadá onde se verifica um ligeiro arrefecimento, no resto do mundo registou-se um aumento até 3°C.
Entre os principais factores (medidos e simulados por modelos) que afectam as colheitas, verificou-se que a precipitação não teve grande influência na produção média global. No entanto os efeitos produzidos pela variação da temperatura média revelaram-se importantes para cada um dos produtos agrícolas estudados, em particular nas regiões onde aumentou a temperatura (ver mapa). Observou-se nos últimos 30 anos uma redução da produção de trigo na Rússia, na Índia e em França, bem como uma diminuição da produção de milho na China e no Brasil à medida que a temperatura nestas regiões foi aumentando. Estes dados indicam que a prioridade de adaptação às alterações do clima deve estar centrada nos efeitos produzidos nas culturas pelo aumento de temperatura global.
Pesando o aumento de cerca de 20% dos custos afectados apenas ao aumento da temperatura com os benefícios para as culturas resultantes do aumento da concentração do dióxido de carbono na atmosfera causado pela actividade humana, verificou-se um aumento total do preço do trigo e do milho superior a 5%, ou seja um aumento total de despesa de 50 mil milhões de dólares (a preços constantes) em todo o mundo.
Tendo em conta que nas últimas duas décadas tem sido mais frequente ocorrerem anos em que o consumo supera a produção agrícola mundial e tendo ainda em conta o facto de a temperatura média global continuar a aumentar, e a aumentar mais rapidamente, não se prevêem melhorias para a agricultura do planeta. Se razões faltavam, eis mais um forte motivo para se combater o aquecimento global com muita urgência.
segunda-feira, janeiro 24, 2011
2010 é ano mais quente de sempre
Apesar destes serem dados preliminares, sendo passíveis de pequenas correcções, é evidente que na década anterior se acentuou consideravelmente o aquecimento global e, perante os dados de 2010, essa tendência poderá manter-se na actual década. O facto de o Sol ter passado recentemente por um mínimo de actividade relativamente longo só reforça a gravidade do aumento de temperatura registado.
No seu relatório de 2010, os cientistas do NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) chamam a atenção para a influência na temperatura e na precipitação global do fenómeno climático La Niña, especialmente forte no final de 2010. Mas, numa tabela onde se registam os 10 fenómenos climáticos mais importantes do ano, a NOAA considerou a vaga de fogos na Rússia e as inundações no Paquistão como os acontecimentos mais significativos.
Se a clareza destes dados não forem suficientemente fortes para convencer os líderes europeus, americanos e chineses a mudar a lógica de desenvolvimento, ficaremos certamente entregues à arbitrariedade de acontecimentos climáticos catastróficos, até finalmente a classe política tomar medidas adequadas.
| 10 anos mais quentes desde que há registo | |
| Anos mais quentes | Anomalia (ºC) |
| 2010 | 0,62 |
| 2005 | 0,62 |
| 1998 | 0,60 |
| 2003 | 0,58 |
| 2002 | 0,58 |
| 2009 | 0,56 |
| 2006 | 0,56 |
| 2007 | 0,55 |
| 2004 | 0,54 |
| 2001 | 0,52 |
terça-feira, dezembro 14, 2010
Uma cimeira fria em ano quente
Os dados de Novembro do National Climatic Data Center – a entidade que realiza o cálculo mais abrangente e mais fiável da temperatura média do planeta recorrendo a dados registados nos continentes, nos oceanos e a partir do espaço – são expressivos. 2010 será certamente um dos anos mais quentes registados desde 1880, desde que começaram a ser registadas as temperaturas globais. Até ao final de Outubro de 2010, a média da temperatura global do planeta (continentes e oceanos) era similar à média registada entre Janeiro e Outubro de 1998, o ano mais quente de sempre. O Alasca, o Canadá, o Nordeste Africano, o Médio Oriente, o Cazaquistão e grande parte da Rússia, foram as regiões que contribuíram com temperaturas anormalmente mais quentes para a média global. Curiosamente a Europa foi este ano uma das regiões mais frias em relação à sua média de temperaturas.
É importante realçar que este nível de temperatura é registado durante um mínimo prolongado do Sol. O Sol obedece a um ciclo de actividade de 11 anos, ciclo esse que atingiu o seu mínimo há cerca de três anos e tem demorado mais do que o normal a descolar do mínimo de actividade. Em geral, os anos de mínimos solares são sucedidos de temperaturas mais baixas na Terra, algo que não ocorreu durante os últimos 3 anos.
Ao contrário da Terra, a cimeira de Cancún decorreu num clima de alguma frieza e pacatez. A crise parece ter adiado para as cimeiras de 2011 na África do Sul e de 2012 no Brasil as decisões mais importantes, em particular a decisão de dar continuidade ao Protocolo de Quioto para lá de 2012. Apesar de tudo houve importantes decisões tomadas, sobretudo para os países em desenvolvimento, tendo-se chegado a um consenso para criar um mecanismo de compensação financeira para combater a desflorestação. Também está prevista a criação de um “fundo verde” para os países em desenvolvimento que envolve a transferência de novas tecnologias limpas.
Como nos mostram os dados de 2010, o clima é insensível aos humores humanos e um ano sem decisões terá certamente custos no futuro que se estenderão a períodos talvez da ordem da década ou mais.
domingo, dezembro 06, 2009
Aquecimento global pior que previsto
Foto de Scarlett Hooft Graafland, série Igloolik
Num recente relatório elaborado por alguns dos melhores cientistas na área da climatologia que compila os principais trabalhos científicos publicados durante os últimos três anos desde a reunião do PIAC (Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas) ocorrida no início de 2007, conclui-se que a evolução do clima supera as piores expectativas dos trabalhos científicos anteriormente publicados. A seguir enumeram-se as principais conclusões do referido relatório, intitulado "O Diagnóstico de Copenhaga":
- As emissões de dióxido de carbono relativas a 2008 superam em 40% as emissões de 1990. A este ritmo, dentro de 20 anos a temperatura média do planeta poderá aumentar mais de 2°C com uma probabilidade de 25%, atingindo assim o limiar de não retorno, limiar a partir do qual se considera que o ciclo de produção de dióxido de carbono perderá a capacidade de se reciclar.
- A evolução da temperatura média dos últimos 25 anos reforça a tese do aquecimento provocado pelas actividades humanas. O aumento médio de 0,19°C por década confirma os actuais modelos teóricos que explicam os efeitos causados pelos gases de efeito de estufa. Apesar de uma diminuição da parcela do aquecimento global causada pelo Sol - a nossa estrela passou por um mínimo do seu ciclo de 11 anos - a tendência do aquecimento médio manteve-se.
- A actual rede de satélites de observação do clima mostram inequivocamente que o calote do Árctico está a diminuir a um ritmo mais acelerado do que o previsto, a área que desapareceu nos últimos três anos superou em 40% a área prevista. Como já foi diversas vezes referido o Árctico é muito mais sensível às alterações do clima do que o Antárctico por causa da extensão da sua placa terrestre e da massa oceânica que rodeia o pólo sul.
- As observações de satélite mostram também que o nível do mar subiu em média cerca de 3,4 mm por ano, ou seja 80% acima do valor previsto pelo PIAC, sendo este valor consistente com a contribuição causada pelo degelo acelerado dos pólos. O aumento do nível do mar em 2100 poderá atingir um metro acima do valor inicialmente previsto pelo PIAC, que era cerca de 2 metros no cenário mais pessimista.
- O ano de emissão máxima de gases de efeito de estufa deverá ocorrer muito em breve, entre 2015 e 2020, se quisermos realmente limitar o aumento médio da temperatura do planeta a 2°C. Para estabilizar a temperatura do planeta será obrigatório estabelecer uma sociedade pouco dependente das emissões de gases de efeito de estufa no final do século XXI, reduzindo em cerca de 80 a 90% as emissões per capita das nações mais desenvolvidas correspondentes ao ano 2000.
quinta-feira, novembro 26, 2009
As Metas da China e dos EUA para Copenhaga
Foto de Scarlett Hooft Graafland, série Igloolik
É por estas e por outras que os países que vão adoptar medidas mais sérias deveriam implementar mecanismos para combater o dumping ambiental que já se adivinha.
domingo, novembro 22, 2009
Riscos climáticos na Conferência de Copenhaga
Foto de Scarlett Hooft Graafland, série Igloolik
(Publicado no portal Esquerda.net)
Se o principal benefício do Protocolo de Quioto foi ter causado uma importante evolução das mentalidades, quer ao nível político, quer ao nível do cidadão comum, a verdade é que a parte mais importante do trabalho está por fazer. No entanto foi já notório que alguns governos foram mais eficazes que outros nos primeiros anos de luta contra o aquecimento global. A Alemanha conseguiu manter o seu nível de vida e uma das economias mais saudáveis da Europa diminuindo em 21% a sua taxa de emissão de gases de efeito de estufa. A França, a Suécia e o Reino Unido conseguiram reduções da ordem dos 10%. No entanto entre os países mais ricos o pior aluno foi a Espanha com um aumento de 53%, a Austrália e o Canadá com mais de 20% de aumento e os EUA com mais de 15% de aumento das emissões. Em 2005, o país que maior volume de gases de efeito estufa emitiu per capita foi o Qatar seguido dos Emiratos Árabes Unidos e do Kuwait, o que diz bem da mudança de modo de vida destas sociedades. Entre os países mais desenvolvidos, a Austrália, os EUA e o Canadá lideram nas emissões per capita. Em termos absolutos quem mais emite é a China (19% do total) seguido dos EUA (18%) e da Rússia (5%). Em valores acumulados desde 1950, os EUA são responsáveis por cerca de 26% das emissões de gases de efeito de estufa, a seguir é a China com 11% e a Rússia com 9%.
Numa classificação elaborada pela Maplecroft, entre os países mais vulneráveis às alterações do clima aparecem oito países africanos do equador e dos trópicos, com a Somália a ser considerado o país mais sujeito a variações da temperatura média global. Em segundo lugar dessa classificação figura o primeiro país não africano, o Haiti, país conhecido pelo abate da quase totalidade da sua floresta, tendo o território perdido a capacidade de auto-regulação climática.
Os dados científicos são bem mais sólidos do que há 5 e há 10 anos atrás, as ideologias niilistas felizmente foram afastadas dos principais governos do mundo, espera-se agora que os principais poluidores e potenciais grandes poluidores de amanhã cheguem a um entendimento realista, agora já não há desculpas.
terça-feira, maio 12, 2009
Fotógrafos contra a Desertificação
A Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação lançou um concurso de fotografia para sensibilizar a sociedade para a urgência de agir contra a degradação dos solos e a desertificação do planeta. Actualmente, as zonas áridas estendem-se a mais de um terço da superfície terrestre onde vivem cerca de dois mil milhões de habitantes. Cerca de metade da população que vive nestas zonas, abrangendo cerca de 100 países, tem visto a sua saúde e o seu bem-estar seriamente ameaçados nas últimas décadas.
No entanto, variados trabalhos científicos mostram que a desertificação pode ser combatida com algum sucesso desde que medidas correctas sejam aplicadas a tempo. Por este motivo, a luta contra a desertificação tem estado a ser levada muito a sério pelas maiores instituições científicas internacionais, apesar de tardar em ser um assunto de actualidade nos meios políticos. A Agência Espacial Europeia (ESA) é uma das instituições que tem colaborado estreitamente com a Convenção de Combate à Desertificação no desenvolvimento de uma base de dados de observações realizadas por satélite que servem para controlar a evolução temporal da desertificação nas regiões do mundo mais sensíveis. Estas imagens têm revelado um preocupante aumento da reflectividade da superfície terrestre, da seca e de regiões poeirentas. Desde 2004, Portugal, a Turquia e Itália participam na elaboração de uma base de dados de imagens obtidas por satélite intitulado Desert Watch que têm permitido elaborar um precioso mapa de Portugal das regiões mais áridas e mais vulneráveis à desertificação.
As fotografias a enviar ao concurso da Convenção de Combate da Desertificação deverão abordar preferencialmente temas que abranjam soluções para conservação dos solos e dos meios aquíferos e a relação entre populações e os ecossistemas. O júri será composto por personalidades associadas à protecção do meio ambiente, como o fotógrafo Michael Martin da National Geographic ou o ambientalista Nicolas Hulot. As fotografias deverão ser enviadas até 17 de Julho próximo por email em formato JPEG e cada concorrente poderá enviar até três fotografias. O autor da melhor fotografia sobre o tema da desertificação receberá um prémio de 1500 € a receber em Buenos Aires na Argentina durante o próximo encontro de parceiros da Convenção Combate à Desertificação.