domingo, outubro 14, 2012
PCF contra encerramento de centrais nucleares
quarta-feira, maio 09, 2012
Governo Sombra em Paris
segunda-feira, maio 07, 2012
A energia nuclear no centro do debate presidencial francês
A energia nuclear foi um dos pontos principais de debate e do programa dos candidatos à eleição presidencial francesa. No país que mais depende desta forma de energia, a ampla variedade de posições sobre este tema produziu um debate intenso quer entre esquerda e direita, mas também entre os próprios candidatos de esquerda.
O programa de Nicolas Sarkozy é claro na afirmação do nuclear como uma opção estratégica fundamental para contornar a dependência das energias fósseis. A posição de Marine Le Pen, embora muito vaga, defende a continuidade do nuclear para garantir a independência nacional da França no setor energético, embora tenha admitido que a energia nuclear é perigosa e que a longo prazo deva ser equacionada a sua substituição.
Eva Joly, dos Verdes, apresentou o único programa abertamente pela extinção da produção de energia nuclear. Aliás, foi sob a pressão de um acordo assinado entre Verdes e o Partido Socialista Francês que o programa de François Hollande passou a integrar medidas concretas para a redução da energia nuclear a curto e a médio prazo. Em particular, o encerramento da central de Fessenheim nos próximos cinco anos. A central de Fessenheim, localizada na Alsácia perto de uma falha sísmica, é a mais velha central francesa, em atividade há 35 anos, e também a que comporta maiores riscos de ocorrência de um acidente grave. Outra medida importante é a redução a 50% da energia nuclear na produção de energia elétrica até 2025. O valor atual é de 75%, sendo o mais elevado do mundo. No entanto, Hollande defende a continuidade do programa de construção do novo reator EPR (European Pressurised Reactor/Evolutionary Power Reactor).
Jean-Luc Mélenchon defende uma saída progressiva do nuclear e propôs a realização de um referendo sobre a questão. Entre os seus apoiantes diretos, o Partido Comunista Francês defende a continuidade do programa nuclear, enquanto o Partido de Esquerda é contra.
Entre declarações confusas e pouco claras sobre o assunto, o candidato Philippe Poutou do NPA admitiu a falta de unanimidade dentro do seu partido sobre a questão da energia nuclear, embora o seu programa proponha a saída da energia nuclear dentro de 10 anos.
A candidata da Lutte Ouvrière, Nathalie Arthaud mostrou-se favorável à energia nuclear no quadro de uma gestão pública.
No caso de vitória de Sarkozy, não se espera nenhuma alteração ao programa nuclear francês nos próximos cinco anos. No caso de vitória de Hollande, pelo menos existe a esperança de uma inflexão das prioridades energéticas do país e do encerramento da central de Fessenheim, no entanto nada de radicalmente diferente ocorrerá certamente no panorama energético francês.
segunda-feira, abril 23, 2012
Sectarismo na esquerda francesa: NPA/LCR e Verdes
quarta-feira, janeiro 18, 2012
Beigbeder um escritor quase não traduzido
segunda-feira, dezembro 05, 2011
Politiquement Correct
Bénabar: Politiquement Correct
sexta-feira, novembro 04, 2011
Libération acolhe Charlie Hebdo
A empresa Bluevision que gere o sítio internet do semanário revelou que a página tem sido alvo de constantes ataques informáticos coordenados e provenientes sobretudo de servidores localizados na Turquia e na Arábia Saudita. Esta última proveniência prova que o peixe é grosso e sabe o que quer. Como se isto não bastasse, os trabalhadores da empresa têm recebido constantes ameaças de morte. Entretanto, enquanto o sítio internet continua com problemas, o Charlie Hebdo criou ontem um blogue.
quarta-feira, novembro 02, 2011
segunda-feira, setembro 05, 2011
Lançada maior turbina para energia de correntes marítimas

As turbinas do parque Paimpol-Bréhat foram construídas pela empresa irlandesa Openhydro nos estaleiros militares navais de Brest, tendo sido financiadas em parceria entre a EDF e as autoridades regionais. A região da Bretanha entrou com cerca de 25% dos custos. O projecto tem sido acompanhado pelas associações de recreio, ambientais e pescadores locais tendo sido avaliados os diferentes impactos na região. Neste sentido, a EDF chegou a um acordo com os pescadores locais para financiar em cerca de um milhão de euros um estudo sobre o impacto do parque na migração das lagostas, cuja pesca é importantíssima para a economia local.
Estima-se que o potencial de produção de energia a partir de correntes submarinas é de 2,5 a 3,5 GW em França, o que corresponde a 3 ou 4 % da produção actual de energia do país, ou seja poderá abranger alguns milhões de franceses. No entanto, um dos problemas desta forma de produção de energia é que a sua eficiência depende em grande medida da localização geográfica. O potencial da costa francesa para produzir energia a partir das correntes marítimas estima-se em cerca de 20 a 25% do potencial de toda a Europa. Melhores condições apenas se encontram nas ilhas britânicas. Na Escócia, a empresa ScotishPower Renewables está a implementar desde Fevereiro o maior parque de produção de energia de correntes marítimas, com o objectivo de produzir cerca de 10 MW a distribuir por cerca de 5 mil habitações. As maiores vantagens desta forma de produção de energia são o seu ligeiro impacto ambiental, comparada com outras renováveis, e a grande previsibilidade das correntes marítimas em contraste com a considerável aleatoriedade dos ventos, no caso da energia eólica.
Apesar de a EDF estimar o preço dos primeiros MW produzidos pelas turbinas de Paimpol cerca de 8 vezes mais elevado do que o actual preço de mercado, espera-se que nos próximos anos se consiga reduzir esses custos para um terço. A França tem como objectivo produzir até 2020 cerca de 23% de energia a partir das renováveis. A Escócia estabeleceu uma meta de 80% para a mesma data. Ambas as metas resultarão numa considerável redução de consumo e de importação de petróleo e de gás natural, o que a longo prazo constituirá uma escolha mais económica, visto que o preço destes combustíveis fósseis continuará ao aumentar ao longo das próximas décadas.
sexta-feira, setembro 02, 2011
Energia das correntes
segunda-feira, agosto 01, 2011
Houellebecq, Beigbeder e Angot
Tal como refere o José Mário Silva numa das últimas edições da revista Ler, falta na literatura portuguesa quem se atreva a descrever as vivências do quotidiano, os cafés que frequentam, os jornais que lêem ou fazendo saltar para o meio das páginas personagens reais com quem se cruza no autocarro e na farmácia. Falta sobretudo um Beigbeder. Não é por isso de estranhar que este autor (tal como Angot) não tenham obra publicada em Portugal.
sexta-feira, junho 10, 2011
O advogado do terror
O mais interessante deste filme é perceber que a motivação de Vergés para defender uma série de personagens detestadas pelo mundo ocidental está claramente associada a uma vingança pela humilhação sofrida pelos pais durante o período colonial francês. A cada defesa de um inimigo público das ex-potências coloniais discerne-se uma pequena victória contra o estado que tratou a sua mãe como uma cidadã de segunda. Vergés utiliza a ironia e o cinismo sem limites para demonstrar o que sente.
Outra parte interessante do filme é a abordagem sobre o desaparecimento temporário de Vergés. Teria ele colaborado com Carlos? O seu modo de vida fausto e burguês rimavam pouco com o modo de vida austero dos grupos terroristas de extrema esquerda. Estaria Vergés a simular uma participação na organização de Carlos, para mais uma vez humilhar os estados ocidentais?
sexta-feira, outubro 08, 2010
Georges Charpak (1924-2010)
Recordo as palavras duras e violentas com que classificou os responsáveis da direcção da nossa televisão pública quando aceitou subscrever uma petição contra uma rubrica diária de astrologia da RTP. Não era um homem meigo para charlatães e afins. Charpak vai deixar saudades, mas também deixou escola, uma grande escola de espírito crítico.
domingo, junho 27, 2010
sexta-feira, abril 30, 2010
Mulheres da luta II
Sugestão de leitura para o próximo dia 13 de Maio.
segunda-feira, abril 19, 2010
Investigadores denunciam falta de ética dos negacionistas
Um documento difundido por mais de 400 investigadores do clima franceses denuncia a falta de ética científica dos niilistas do clima. Os referidos investigadores declararam-se simultaneamente agastados pela cobertura mediática conferida a protagonismos individuais de personagens alheadas da ciência e a polémicas sem fundamento científico que tentam sistematicamente negar os resultados que atribuem o aquecimento global à actividade humana com mais de 90 % de certeza. O documento refere em particular Claude Allègre, ex-ministro da educação do governo Jospin, que em obra recente "L'imposture climatique ou la fausse écologie" (Plon, 2010) procede a uma série de considerações sobre o aquecimento global onde foram detectados inúmeros erros envolvendo citações, dados e gráficos, bem como erros de fundo associados ao conhecimento da física que envolve o estudo dos sistemas climáticos. Foram detectadas falsificações de dados como as dos gráficos do climatólogo Hakan Grudd e de Louise Sime, especialista em glaciares. O documento é mais contundente sobre a falta de ética científica do livro de Allègre, visto que as citações, dados e conclusões da sua obra não foram objecto de revisão pelos pares, ao contrário da ética subjacente ao trabalho científico publicado pelos especialistas do clima, esse sim, sujeito ao rigor da revisão, verificação de cálculos e releitura crítica do raciocínio e das conclusões.
A reacção dos climatólogos franceses vem ao encontro do apelo lançado pelo editorial de Março da revista Nature em que se alerta a comunidade científica de que a estratégia de não resposta aos niilistas para não dar visibilidade a protagonismos individuais pseudo-científicos ter tido como resultado a ocupação do espaço mediático por estes indivíduos. Neste caso francês, a opinião pública parece ter ouvido os cientistas dado que a exposição pública das fraudes de Allègre e dos inúmeros erros do seu livro lançaram no descrédito o ex-ministro francês.
terça-feira, março 23, 2010
Descoberto planeta semelhante a Júpiter fora do sistema solar
Até hoje foram descobertos mais de 400 planetas fora do nosso sistema solar, os chamados exoplanetas. O interesse da descoberta do exoplaneta CoRoT - 9b deve-se à semelhança da sua massa e do seu raio relativamente a Júpiter, o maior planeta do nosso Sistema Solar. Esta descoberta é significativa visto que pela primeira vez, os investigadores poderão aplicar a um exoplaneta os mesmos modelos que descrevem um dos planetas do Sistema Solar. O CoRoT - 9b apresenta uma órbita em torno da sua estrela com características semelhantes à órbita de Mercúrio - o planeta mais próximo do Sol - apresentando uma faixa de temperaturas médias entre os -20º C e os 150º C. Os exoplanetas descobertos anteriormente mais parecidos com os corpos do Sistema Solar eram uma espécie de "Júpiter quente", apresentando temperaturas muito mais altas e percorrendo órbitas mais próximas da sua estrela do que a órbita de Mercúrio.
Cada vez que o Corot - 9b transita em frente à sua estrela, a diminuição de brilho que a sua sombra provoca permite aos cientistas saber a sua posição, determinar a sua dimensão e estudar a sua composição. Espera-se que dentro de alguns anos se possa conhecer a sua composição com uma grande precisão, após um conjunto de observações limitadas a cerca de 8 horas cada - relativas a cada trânsito em frente à estrela - e que serão realizadas de 95 em 95 dias, o período da órbita do exoplaneta em torno da sua estrela.
O nome deste exoplaneta tem origem no satélite CoRoT (Convection, Rotation et Transits planétaires), o satélite francês lançado em 27 de Dezembro de 2006 através do qual foi possível descobrir este exoplaneta. O satélite CoRoT foi lançado com o objectivo de estudar a sismologia de estrelas e de descobrir exoplanetas com dimensões aproximadas aos dos planetas do nosso Sistema Solar. Depois da descoberta de um gémeo de Júpiter espera-se a descoberta de novos exoplanetas de dimensões ainda mais reduzidas, mais próximas das dimensões da Terra, com potencial para albergar formas de vida como as que conhecemos no nosso planeta.
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
Dominique de Villepin vs Sarkozistão
PS- Dedico estas linhas ao Αλέξανδρος ο Μίκρος, razão da minha ausência de uma semana da Κλεψύδρα
segunda-feira, janeiro 25, 2010
Cyrano de Bergerac
Durante as duas horas de filme somos agraciados por uma interpretação magistral de Gérard Depardieu (actor que não está entre as minhas preferências), por um recital de bem declamar, bem falar, por um hino à poesia e à literatura, enquadrados no turbilhão da dança irreverente da capa e espada de Cyrano.
Este é um filme que para além de nos lavar a alma, além de ser um filme bem disposto, irónico, cheio de acção e apesar de ser teatral, é um filme que nos manda ir ler. Vai ler! Tens muito para ler! E a seguir declama aos deuses e às infantas da tua paróquia!
sexta-feira, setembro 11, 2009
Os Visitantes
O nível de maturidade de "Os Visitantes" contrasta fortemente com a ingenuidade latente das comédias americanas que partem de viagens no tempo para construir a sua narrativa, como o "Regresso ao Futuro". "Os Visitantes" é uma comédia de luxo que teve sequelas, menos conseguidas, mas nem por isso menos desprovidas de um excelente conteúdo histórico.
É a minha proposta aos caríssimos leitores para este fim-de-semana, para aqueles momentos de ócio em que nos abstraímos da outra comédia: a humana.
