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sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Vira-Latas Milionário: glamour ou violência?

(AllPosters.com)

Um colega, conhecedor da Índia, repetiu-me várias vezes o seguinte: "o que me impressiona na Índia é chegar a um bairro caótico e imundo e ver passar mulheres com vestidos coloridos impecáveis".

Li as críticas a "Quem quer ser bilionário" do Daniel Oliveira e da Joana Amaral Dias onde ambos fazem referência à estetização da pobreza, ao glamour e às cores fortes, presentes neste filme de Danny Boyle. Não serão os bairros da lata da Índia um pouco assim, caóticos e imundos (como diz o meu colega) mas com um certo glamour, com a seda a fazer milagres no meio da miséria? A estetização da pobreza é sempre um risco para quem filma em bairros da lata. Na "Cidade de Deus", por exemplo, a estetização das armas e dos tiroteios é bem mais potente do que o glamour dos vestidos de seda de Bombaim. Muitos viram a "Cidade de Deus" só pela cowboiada concluindo pobremente que aquilo só se resolvia com uma bomba atómica em cima da favela. Justamente, concordo com a Joana quando diz que o mais importante é o que cada espectador faz do filme. Presta o espectador mais atenção ao glamour ou à violência a que estão sujeitas as crianças dos bairros da lata? Não me refiro à violência física, mas sim à violência das hierarquias sociais e institucionais, à corrupção generalizada, à exploração laboral, ao machismo, à intolerância religiosa, ao oportunismo, a esse cocktail de violências invisíveis ou menos visíveis que infernizam a vida daqueles jovens a extremos inimagináveis para um confortável europeu.
Foi precisamente essa violência que faz com que a maior parte daqueles jovens não tenha forma de sair do ciclo vicioso do bairro da lata (excepto através de um concurso) que lhes oferece um futuro sem opções, um futuro em linha recta, foi essa violência bem presente na película de Boyle que me fez apreciar o filme. Vi a denúncia e escapou-me completamente o glamour e as cores fortes.
A vous de juger!

domingo, fevereiro 22, 2009

O Vira-Latas Milionário



"Quem quer ser Bilionário?" - poderia intitular-se "O Vira-Latas Milionário" - de Danny Boyle, combina a dinâmica "Trainspoting" (do mesmo autor) com um retrato social tipo "Cidade de Deus". A violência sob todas as formas a que estão sujeitas as crianças dos bairros da lata e a forma como esta violência forja o carácter de cada indivíduo é o tema principal desta obra-prima de Boyle. A estrutura da narrativa é excelente e surpreendente, e talvez o ponto mais forte deste filme, onde quase tudo é muito bom. O filme começa com o interrogatório de Jamal, um jovem que cresceu nos bairros da lata de Bombaim, depois de uma prestação com sucesso na versão indiana do concurso "Quem quer ser milionário?". E daqui partimos para o turbilhão da história de vida de Jamal e para algo mais que deixarei ao leitor a possibilidade de descobrir quando assistir ao filme.
O elenco é composto exclusivamente por actores indianos desconhecidos no ocidente, onde se destaca a prestação de Anil Kapoor, o apresentador do "Quem quer ser milionário?" - aquela dançazita após uma das respostas de Jamal é fabulosa. A bela Freida Pinto, a paixão de Jamal, é uma actriz de origem portuguesa, descendente das famílias católicas da velha Bombaim.

Filme Klepsýdra ***** (5 estrelas)

segunda-feira, outubro 27, 2008

A Primeira Missão Lunar da Índia



A minha crónica deste fim-de-semana no portal Esquerda.net:

Foi lançada esta semana do Satish Dhawan Space Centre em Sriharikota, a primeira missão lunar da Índia. Entre os principais objectivos desta missão não tripulada estão a análise da composição geológica da Lua, dos processos de formação de crateras e do seu campo magnético, bem como a busca de vestígios de gelo nos pólos.
Artigo de Rui Curado Silva, investigador no Departamento de Física da Universidade de Coimbra.

O satélite Chandrayaan-1 (Chandrayaan significa "expedição à Lua") entrará na órbita lunar dentro de duas semanas, baixando de seguida a sua altitude até atingir uma órbita circular a 100 km da superfície da Lua. A partir dessa órbita será ejectada uma sonda com uma massa de 29 kg em direcção à superfície lunar, que permitirá estudar vários aspectos do solo da Lua durante e após o impacto. Entretanto o Chandrayaan-1 continuará a estudar a Lua a partir da sua órbita utilizando 11 instrumentos científicos, entre os quais três pertencem à ESA.

A ESA e a Índia, através da sua agência ISRO (Indian Space Research Organisation), têm vindo a colaborar desde 1978 em várias missões espaciais, tendo sido lançados até hoje mais de uma dezena de satélites indianos a bordo de foguetões Ariane. Nesta missão recorreu-se a uma versão melhorada do Polar Satellite Launch Vehicle (PSLV) para lançar o Chandrayaan-1, denominada PSLV-C11, cuja concepção é integralmente indiana.

A aposta de países em vias de desenvolvimento como a Índia na exploração espacial é um estímulo muito positivo para a indústria, para a investigação e para o ensino nestes países e não é de modo nenhum incompatível com o esforço económico necessário para melhorar o nível de vida das suas populações. Se dúvidas existem, basta recordar o impacto incalculável do ponto de vista económico e social dos programas espaciais dos países mais desenvolvidos nas respectivas sociedades (ver este sítio da NASA sobre o impacto das tecnologias espaciais nas nossas casas e cidades).

quarta-feira, outubro 22, 2008

A Índia vai à Lua



Foi lancado esta manha com sucesso do Satish Dhawan Space Centre em Sriharikota, a primeira missao lunar da Índia. Aqui ligacao à página da ESA sobre o Chandrayaan-1 e aqui a ligacao à página da ISRO (Indian Space Research Organisation).