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sábado, fevereiro 14, 2009

Quando se Romperam os Diques

"Quando se Romperam os Diques" de Spike Lee é um filme documentário produzido pela HBO que descreve os efeitos da passagem do Katrina em Nova Orleães em Agosto de 2005. O documentário de Spike Lee mostra com clareza que a tragédia ocorrida não teve origem nos efeitos directos do furacão Katrina, mas sim na quebra dos diques aquando da sua passagem pela cidade. Mais de metade da cidade está abaixo do nível do mar, em média estas zonas estão cerca de meio metro abaixo, mas certas zonas estão 5 metros abaixo do nível do mar. Após a passagem do Katrina a cidade começou a ser rapidamente inundada até se formarem algumas ilhas que serviram de refúgio aos que viram as suas habitações inundadas. O que é impressionante no filme de Spike Lee é constatar como a morte chega pela calada. A concentração de pessoas aos milhares em pequenas áreas, como no estádio de baseball, a falta de saneamento básico, a exposição ao calor, a falta de água potável e de alimentos começaram a fazer vítimas desde o primeiro dia. Diabéticos, idosos, crianças, bebés e pessoas que dependiam de medicação espécífica foram os primeiros a morrer. Os mortos ficavam misturados com os vivos. Milhares de pessoas sem ter para onde ir, que entupiam as retretes e as casas de banho a níveis impensáveis, pessoas habituadas ao conforto das suas casas, estavam de um momento para outro a viver uma tragédia terceiro-mundista.
Exceptuando o esforço da guarda-costeira que trabalhou 24 horas por dia por iniciativa própria, a Administração Bush não adoptou medidas de salvamento que correspondessem à dimensão da tragédia. Um dos sobreviventes do Katrina queixa-se a Spike Lee: "vimos chegar uns soldados com uniformes diferentes e perguntámos de que unidade eram. Responderam-nos que eram Canadianos. Perguntámos como tinham chegado ali. Disseram-nos que se meteram num barco no Canadá e desceram até Nova Orleães. Ficámos furiosos, onde estavam os nossos soldados?..."

Katrina e o aquecimento global
Sobre a probabilidade do Katrina estar relacionado com o aquecimento global ler este artigo da Nature, este e este artigo no Journal of Climate (Via Linha dos Nodos).

terça-feira, maio 09, 2006

Infiltrado

"Infiltrado" não é um Spike Lee como os outros. A receita base é tipo Hollywood mas o cozinheiro, não é um cozinheiro qualquer, é Spike Lee. É como pedir a um grand maître para fazer um simples bife com batatas fritas. "Infiltrado" conta a história de um sofisticado assalto a um banco cujo objectivo vai para além do próprio assalto, onde todos os personagens parecem cúmplices de alguém do lado oposto da barricada. Pelo meio Spike Lee introduz bem ao seu estilo alguns diálogos interessantes sobre as tensões étnicas e sociais do meio nova-iorquino: o polícia branco ameaçado num bairro negro, o contraste entre a linguagem dos nova-iorquinos de berço de ouro e os da periferia, o desconhecimento embaraçoso da Albânia e de Enver Hoxa numa cidade multicultural, etc.

Spike Lee vs 50 Cent
Em "Infiltrado" Spike Lee volta à carga na sua crítica ao rapper 50 Cent. Fiel à máxima de que primeiro é preciso varrer o lixo em frente à sua porta, Spike Lee denuncia a onda 50 Cent através da cena em que um rapazinho joga um violento videojogo de gangsters cuja inspiração vem da obra do rapper, nomeadamente da filosofia de vida "get rich or die or die tryin" (uma das variantes do american dream). Não é por acaso que o verdadeiro gangster do filme, um albanês, chocado com a violência do videojogo diz ao rapazinho que vai ter que conversar seriamente com o seu pai.